Há espaço para o iPad?

O mundo em 2010 era bem diferente. Na época, netbooks — notebookzinhos baratos e lentos — eram populares portas de acesso à digitalização. Parecia que todo mundo tinha um.

A Apple sofria pressão para surfar a onda dos netbooks. Em vez disso, o ainda vivo Steve Jobs apresentou o iPad — um celularzão barato e rápido.

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Se um podcast é baixado e ninguém o ouve, ele tem audiência?

O digital promete ser possível mensurar qualquer coisa com precisão cirúrgica, resultando em maior eficiência nos gastos, ou seja, em economia. Mesmo quando os números existem e o investimento é satisfatório, porém, é bom encarar esse arranjo com algum ceticismo.

Em setembro de 2023, uma mudança sutil no aplicativo de podcasts da Apple, padrão no iOS, reverberou tão forte que sacudiu toda a indústria.

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(Não-)Usando o Firefox

Não faz muito tempo, argumentei que o Firefox é o único navegador web possível. Considerando que sua base de usuários fechou julho na mínima histórica (2,74%, segundo o StatCounter), pedi ajuda no Órbita para contar a experiência de uso do navegador da Mozilla. Usá-lo parece algo raro o suficiente para valer a tour — e, numa dessas, vai que mais gente se anima a dar uma chance ao Firefox?

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“Atribuição com respeito à privacidade” do Firefox coloca Mozilla em xeque

A Mozilla é uma espécie de último bastião da web não (tão) comercial, porém está longe de ser uma unanimidade. Entre a dependência umbilical com o Google, a estrutura corporativa complexa e distrações com modinhas (a do momento parece ser a inteligência artificial), vez ou outra atitudes inexplicáveis abalam a confiança de quem usa o Firefox na dona dele.

O Firefox 128, lançado em 9/7, trouxe uma nova opção, ativada por padrão, da API de Atribuição com respeito à privacidade (PPA, na sigla em inglês).

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WhatsApp: cada vez mais complexo e inescapável

O WhatsApp, aplicativo mais popular do Brasil, é inescapável. Os poucos que prefeririam não usá-lo, por qualquer motivo, se veem cada vez mais impossibilitados à medida que o app da Meta se transforma em uma espécie de utilitário, um pré-requisito para interações das mais diversas. Ao mesmo tempo, vem sendo desfigurado para abrigar novas funcionalidades que deixam seu uso mais difícil.

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Uma internet mais saudável depende da adoção de tecnologias abertas e livres

Escrevi este artigo de opinião para a revista ComCiência, publicada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Labjor da Unicamp. Fiquei lisonjeado (e muito contente!) com o convite, feito pelo professor Ricardo Whiteman Muniz.

Com a promessa de conectar pessoas no ambiente digital, empresas como a Meta e o X (antigo Twitter) nos tornaram prisioneiros em plataformas que trocam pequenas doses de dopamina por pares de olhos dispostos a consumirem anúncios pelo maior tempo possível.

Os efeitos nocivos — em indivíduos e no coletivo — causados por essas empresas, as chamadas big techs, já são bastante conhecidos, bem como a inércia — muitas vezes proposital — delas em corrigirem problemas urgentes, resultado do desalinhamento entre o que seria melhor para as pessoas e para os bolsos dos seus acionistas.

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Apple finalmente abraça o mau gosto

As expectativas monstruosas para a entrada da Apple na rinha de IA se realizaram na segunda (10), quando a empresa anunciou não a “artificial intelligence”, mas sim a “Apple Intelligence” na abertura da WWDC.

Ambas são “AI”, como dizem os gringos, mas na Apple a “AI” é diferente, o “A” é de “Apple”, ainda que no fundo seja tudo igual, mais do mesmo.

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Não deu para BeReal e Koo, mas talvez dê para o Mastodon

Dinheiro de sobra, juros baixos, deslizes frequentes das big techs, a boa e velha concorrência. Esses e outros motivos culminaram, na primeira metade dos anos 2020, no lançamento de plataformas sociais que prometiam ser o que as incumbentes — em especial Instagram e X — não podiam ou estavam deixando de ser.

As promessas de BeReal e Koo não resistiram por muito tempo, porém.

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Ouro de tolo

Se a inteligência artificial é a nova corrida do ouro, vale a velha máxima de que faz dinheiro de verdade quem vende pás e picaretas.

No caso, as pás e picaretas da IA (sem duplo sentido; acho) são os chips H100 e variações da Nvidia, empresa que vive tropeçando em mercado “revolucionários” que dependem de quantidades abismais de processamento computacional.

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O único navegador web possível

Não sei se estamos em uma era em que escolher um navegador web é fácil ou muito difícil. As evidências apontam para uma resposta ambivalente.

De um lado, se ignorarmos questões outras que a experiência de uso, é fácil. Vive-se a ilusão da escolha — tão típica do capitalismo tardio — no que tange ao Chromium, projeto de código-aberto do Google que move o Chrome e uma variedade de outros navegadores, como Edge, Opera e Brave.

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A autoestima inabalável do homem branco hetero etc. do Vale do Silício

Se deus criou o ser humano à sua imagem, não é de se estranhar que as IAs generativas falem de tudo, até do que não sabem, como a autoestima de especialistas no assunto. Afinal, foram criadas por startupeiros do Vale do Silício que se acham deuses.

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Sam Altman não sabe interpretar filmes — um problema para nós e a Scarlett Johansson

O fiasco da voz do ChatGPT “inspirada” na da Scarlett Johansson reforçou minha teoria de que as grandes mentes do Vale do Silício não sabem interpretar filmes e livros. Ou talvez não os assistam até o final. Ou as duas coisas.

De qualquer forma, o que poderia ser apenas um constrangimento se torna um problemão quando as obras favoritas desses ~gênios bilionários e poderosos são distopias.

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ChatGPT inspirado em “Her” e IA generativa no Google: O futuro que nos espera

Google e OpenAI, as duas empresas à frente da corrida maluca da inteligência artificial, tiraram a semana para anunciar novos poderes que tentam humanizar a tecnologia ao mesmo tempo em que alienam humanos do processo.

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Os “reply guys”

Não se pode dizer que os estadunidenses são ruins de dar nomes às coisas. Veja, por exemplo, os “reply guys”: caras que publicam respostas desagradáveis em posts públicos de mulheres.

Em um curto intervalo, duas mulheres que se destacam em áreas dominadas por homens, Veronica (Linux/software livre) e Sophie (desenvolvimento web), reclamaram da ação de “reply guys” no Mastodon.

Veronica resolveu fechar sua conta no Mastodon por tempo indeterminado. No caso da Sophie, um post descompromissado em que ela comparava a cor do cabelo com a do seu editor de código foi parar até em chans porque o código no print não era acessível — o que não importava muito nesse contexto.

Não é um problema novo. Em 2020, o Twitter implementou filtros para limitar quem podia responder posts numa tentativa de desestimular os “reply guys”. Em novembro de 2023, foi a vez do Mastodon tentar conter o problema, mostrando alertas no Android para quem tenta responder posts de perfis que não se seguem mutuamente ou muito antigos.

São medidas válidas. Em seu relato, Sophie exalta os recursos de bloquear e silenciar do Mastodon, embora a implementação no seu aplicativo preferido, Ice Cubes, deixe a desejar.

Talvez o grande dano das plataformas sociais dos anos 2010 ao debate público foi incutir na gente a ideia errada de que devemos dar opinião para tudo, de que não podemos passar batido por um botão “Responder” na internet — ainda mais se a outra pessoa não for um homem, mesmo que nada ali nos diga respeito ou que o erro não importe.

Acredite se quiser, mas é possível ler uma opinião ou comentário inconsequente de alguém e ignorá-lo, deixar pra lá.

Um efeito colateral desses tristes episódio é destacar que não existe paraíso na internet. Até por ser o contraponto do Twitter pós-Elon Musk, o Mastodon ganhou uma aura de virtuosismo que não se sustenta. Não me entenda mal: no frigir dos ovos, acredito que o Mastodon funcione melhor que o Twitter/X e outras alternativas, mas apenas porque esses eram/são muito ruins.

E se a IA generativa não for tudo isso?

Em novembro de 2023, em meio à confusão da demissão e readmissão de Sam Altman na OpenAI, saiu um rumor na imprensa de que a startup teria alcançado um novo patamar para a inteligência artificial (IA) generativa com um tal de Projeto Q*.

Segundo a Reuters, que deu a notícia em primeira mão, o Q* seria “um novo modelo capaz de resolver certos problemas matemáticos”.

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