Google, pare de tentar arruinar o e-mail

Se você tivesse uma máquina do tempo, voltasse dez anos atrás e acessasse a internet de lá, veria uma rede um tanto diferente. Poucas coisas são resilientes em um meio em que a única constante é que as coisas mudam o tempo todo. O e-mail é uma das poucas exceções que confirmam essa regra.

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Android e iOS deveriam oferecer relatórios sobre como usamos os nossos apps

Em 2018, as empresas de tecnologia estão sofrendo uma pressão enorme, vinda de todos os lados — inclusive de acionistas —, para que tornem seus produtos menos viciantes. É uma demanda tardia e muito válida, mas difícil de ser convertida em soluções práticas que realmente ajudem os usuários. (mais…)

Meu iPhone quebrado

por Joanne McNeil

O dia em que me mudei para o Brooklyn foi o dia em que quebrei a tela do meu iPhone. Estava tentando pegar as chaves na bolsa enquanto um grupo de estudantes esperava na porta para que um amigo a abrisse para eles. Destrancando a porta meio lesada devido ao jetlag, segurei-a aberta para cada um deles enquanto equilibrava a minha bolsa com a outra mão. Depois que o último entrou no prédio, parei a porta com o pé enquanto tentava redistribuir o peso de meus pertences. Meu iPhone deslizou para fora do bolso de trás, caindo direto no concreto.

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As três últimas grandes dores de cabeça relacionadas à segurança digital — WannaCry, Meltdown e Spectre — têm algo em comum: softwares antivírus são inúteis para proteger o usuário de ataques baseados nelas.

No caso da falha Meltdown, os antivírus podem, na realidade, atrapalhar: como a atualização da Microsoft mexe no kernel do Windows, uma parte sensível e super restrita, alguns impedem a sua aplicação. Isso levou a Microsoft a segurar a distribuição da correção em sistemas com antivírus incompatíveis, a fim de evitar problemas ainda maiores como as famigeradas telas azuis de morte.

Não me entenda mal, não estou dizendo que antivírus são dispensáveis. (Talvez sejam, talvez não, mas não é esse o debate agora.) A questão é os vetores de ataque e as falhas dos sistemas deixaram de ser pontuais, logo, a prevenção e a mitigação também precisam mudar. Ou, como disse Zeynep Tufeck, segurança digital deve estrutural tanto quanto possível.

O maior problema do Snapchat foi ter escolhido mal os seus rivais

Quando o Snapchat se tornou uma febre no Brasil, eu estava no lugar e na hora certos. O ano era 2013 e o lugar, uma universidade pública repleta de gente jovem que descobre e antecipa tendências. Aderi ao Snapchat e tive bons momentos lá. Era difícil explicar, mas tentei. Se a explicação for insuficiente, confie em mim: era divertido. Nesta semana, o anúncio das reformulações no app do Snapchat confirmou que aquele app ingênuo, esquisito e intimista jamais voltará. Todos os indícios apontam para uma “facebookzação” do Snapchat. (mais…)

Chegou a hora de declarar a derrota da privacidade nos smartphones?

Pesquisadores da organização de pesquisas francesa Exodus Privacy e do Privacy Lab da Universidade de Yale divulgaram o resultado de uma análise de rastreadores (“trackers”) em aplicativos Android. Eles descobriram que 75% dos apps, ou três de cada quatro analisados, contem pelo menos um software do tipo embutido. (mais…)

É hora de dar uma nova chance ao Firefox

O Firefox 57 está entre nós. Poderia ser mais uma versão qualquer, com uma ou outra novidade, como acontece todo mês. Não é. Com o codinome Quantum, esta é uma atualização grandiosa, do tipo que mexe até na interface. É uma que traz a esperança (e o potencial) de recuperar os muitos usuários perdidos ao longo dos anos para o Chrome do Google e, principalmente, para a negligência da própria Mozilla, fundação responsável pelo navegador. (mais…)

Em abril, soubemos que o Facebook estava numa investida para aumentar o conteúdo pessoal publicado pelos usuários na rede. Em paralelo, qualquer evento e, na falta desses, um “bom dia” tem aparecido no campo de atualização a fim de estimular mais publicações.

Às vezes perdemos de perspectiva que o combustível que move as conversações na rede social é produzido por nós mesmos. Logo, faz sentido essa preocupação por parte do Facebook. Notícias, o tipo de conteúdo que parece mais popular, encontra-se em outros lugares e não são personalíssimos ─ eu ou você ou qualquer outra pessoa capacitada podemos dar uma notícia sobre, sei lá, a Samsung. Atualizações pessoais, não. Dependem de cada um de nós.

Caixa de pressão social do Facebook.

Agora pouco abri o Facebook no computador e vi uma caixa com algumas fotos de amigos e a informação de que, ontem, 207 deles publicaram alguma coisa no Facebook. Considerando o total de contatos que tenho ali, esse número representa 23,4% do total deles. Nunca tinha visto isso. Achei a mensagem meio passivo-agressiva, um tipo não muito sutil de pressão social.

É muita gente? Pouca? Não dá para dizer me tomando por base, mas achei interessante ter esse dado. Primeiro por não esperar que fosse algo que o Facebook revelaria assim, sem cerimônia. E, também, por permitir a relação dele com o próprio feed. Puxando pela memória, seguramente não vi, entre ontem e hoje, mais do que 10% dessas pessoas que publicaram alguma coisa ontem no Facebook. O filtro invisível é poderoso.

O grande diferencial do Allo, um app de bate-papo que ignora as boas práticas de privacidade vigentes, é um intruso na conversa, o Google Assistant. Ele participa ativamente do diálogo, fazendo buscas a pedido dos interlocutores e, o que é mais preocupante, sugerindo respostas pré-fabricadas.

O Facebook Messenger também trabalha com robôs, mas em conversas paralelas, ou seja, não os traz para as conversas que mantemos com outros seres humanos — ainda, pelo menos. Mas é bobagem acreditar que isso se deva a um princípio humanista no âmago de Mark Zuckerberg.

É uma decisão de negócios. O Google quer se tornar uma entidade única nas nossas vidas digitais; o Facebook ainda depende de terceiros. Isso não o impede, porém, de experimentar com bizarrices. A última é sugerir tópicos de conversação com base no que seus amigos fizeram (ou confessaram ao Facebook terem feito) recentemente.

O problema disso tudo é que terceirizamos traços que nos são, até agora, exclusivos. A escolha das palavras e sobre o que falar são coisas muito humanas. Queremos terceirizar isso? Se sim, estamos cientes do custo?

Evan Selinger, professor de filosofia do Instituto Rochester de Tecnologia, e Brett Frischmann, professor da Faculdade de Direito Cardozo, estão escrevendo um livro intitulado Ser Humano no Século XXI (tradução livre). Um pequeno excerto publicado no Medium responde, de maneira limitada, mas didática, essas perguntas:

Terceirizar, então, não afeta apenas como uma tarefa é realizada. Quando decidimos ou não por terceirizar, precisamos considerar se vale a pena abdicar da ação, responsabilidade, controle, intimidade e possivelmente conhecimento e habilidade. Se não, provavelmente deveríamos realizar essa tarefa nós mesmos.

A conversa por texto já é bastante pobre. Ela normatiza o discurso de uma forma sutil, mas poderosa. Percebe como conversar com pessoas distintas pelo WhatsApp oferece menos nuances, como se todas fossem mais ou menos parecidas? Que as particularidades de cada um se revelam com mais facilidade, de modo inescapável, até, quando o contato é pessoal em vez de mediado por texto escrito em uma tela? Se nem esse fragmento de humanidade nos apps de bate-papo estamos dispostos a resguardar, aí tudo bem querer que o Allo escolha as suas frases e que o Facebook determine o assunto da conversa.

Até logo, Dropbox

Eu não acredito que os fins justificam os meios. Quase nunca é o caso e, com frequência, isso serve de desculpa para o cometimento de grandes barbaridades. Não chega a tanto, mas guardadas as devidas proporções, o Dropbox abusou da confiança dos usuários que trabalham com macOS por um deslize quase bobo. (mais…)

Onde estão os detratores de Pokémon Go e da Olimpíada?

Desde que Pokémon Go estreou no Brasil e a Olimpíada do Rio teve início, tenho me deparado diariamente com posts em redes sociais de gente criticando quem critica o joguinho de celular ou os atletas ou evento olímpicos.

Nada muito fora do normal em se tratando de redes sociais, mas eu me perco numa fase bem específica e imprescindível desse processo: onde estão essas pessoas que criticam os jogos (da Niantic e do COI)?

Trata-se de um fenômeno mais antigo, mas que se acentuou com esses dois eventos grandiosos que se desenrolam no momento. Leio muitas críticas a quem critica essas coisas, mas essa crítica original, teoricamente infundada de pessoas sem coração que falam mal mesmo e não estão nem aí, me escapa. Quando muito, é escavada de impressões ou suposições ou amplificada a partir da fala de algum maluco, que serve mais de desculpa pra fazer textão do que alguém que mereça uma resposta — na real, não vale o esforço e todos ganharíamos mais ignorando-o.

Talvez seja o algoritmo do Facebook em ação e a bolha que criei no Twitter me isolando de opiniões divergentes, mas, parece-me (corrija-me se eu estiver enganado) que a ameaça de uma crítica contundente a algo de que gostamos muito gera uma esquizofrenia coletiva e, como resultado, um punhado de textos defensivos quixotescos que, desculpem-me quem os faz, não acrescentam nada. Pior, tiram o brilho das temáticas defendidas. Estragam o clima, resumindo.

Foto do topo: Sadie Hernandez/Flickr.

Fenômenos como Pokémon Go aceleram a democratização de tecnologias de ponta

Goste ou não, Pokémon Go (Android, iOS) chegou com força ao Brasil. É relativamente difícil encontrar donos de smartphones que não estejam caçando os bichinhos virtuais. Tamanha popularidade transcende o nicho em que a Niantic, fabricante do jogo, e a Nintendo, “dona” da franquia, miraram. O joguinho virou parte da cultura mainstream, capaz de pontuar conversas que vão desde aquelas de elevador até a teorias da conspiração envolvendo a CIA, passando pelo noticiário político e a TV e outros meios que tradicionalmente ignoram jogos eletrônicos. Quando isso acontece, testemunhamos mudanças profundas se desdobrando à nossa volta. Nesse caso, o destaque que a tecnicidade necessária para usufruir da experiência ganha vale um comentário. (mais…)

Os não verificados

por Choire Sicha

Alguns anos atrás, Mike Hayes, repórter sênior do BuzzFeed que também cuida ou cuidava do perfil oficial do BuzzFeed no Twitter, enviou um e-mail para o pessoal da redação. O Twitter, ele informou, iria verificar toda a equipe de uma vez. Para serem elegíveis, os funcionários só precisavam vincular seus e-mail do trabalho aos seus perfis no Twitter.

E então, um dia em março daquele ano, boom! Um monte de BuzzFeeders com o tique azul de verificado em seus perfis no Twitter. Outras empresas como o The Verge vieram em seguida. (mais…)

O novo smartphone premium

por Manual do Usuário

Por Emily Canto Nunes e Rodrigo Ghedin.

Existem termos que caem no gosto dos publicitários após funcionarem numa campanha e, em pouquíssimo tempo, são tão usados que perdem o significado. “Gourmet”, por exemplo. De cachorro-quente a varandas (?), ele está tão batido que quem diz que algo é gourmet, hoje, corre o risco de gerar aversão em vez de atrair o cliente. Ainda que num menor grau, o mesmo vem acontecendo com os smartphones premium. Modelos completamente diferentes em especificações, materiais e preços estão sendo chamados de premium pelas fabricantes, sem que um critério definido e objetivo explique essa escolha. Afinal, o que é premium? (mais…)

A hiper-realidade das selfies editadas com o Facetune

Abrir o Instagram é dar um pause na vida e se jogar em pequenos mundos perfeitos, com gente bonita em lugares paradisíacos “curtindo a vida” e recebendo presentes de #marcas. Parece um negócio fácil e rentável, tanto que virou meta de vida. A criança dos anos 2010 não quer ser jogadora de futebol, astronauta ou bailarina, ela quer ser youtuber ou blogueira de moda/fitness/[categoria da vez], ou, para colocar todos no mesmo grupo, “influenciadora”. Com esse fim em vista, se espelha nas ações que deram certo para quem se estabeleceu.

Há inúmeros sinais dessa influência que, com frequência, passam despercebidos sob o manto de uma pretensa normalidade. Caso em tela: selfies. (mais…)