China tenta regular sem estrangular suas grandes empresas de tecnologia

por Shūmiàn 书面

A regulação das big techs e da economia digital é pauta recorrente nos últimos meses. Na semana passada (17), Wang Yang, que é membro do Comitê Permanente do Politburo, participou de uma sessão sobre o tema, organizada pelo Comitê Nacional Consultivo do PCCh (do qual ele também é presidente).

A discussão girou em torno de aprofundar os vínculos entre a economia digital e a real, mantendo a inovação nos mecanismos regulatórios para proteção de dados — com cooperação internacional no setor e com a China tendo um papel de liderança na governança digital global. No mesmo encontro, o vice-premiê Liu He também ecoou essa discussão. O China File reuniu uma série de especialistas em tech chinesa para abordar se vai ter regulação pesada ou uma pisada de freio de Pequim e deixar o mercado reinar mais forte.

Para pensar esse potencial todo de inovação local, a The Wire China publicou um texto do jornalista Chang Che sobre Zhongguancun, apelidado de “Vale do Silício” chinês, localizado em Pequim. Berço de uma série de importantes empresas de tecnologia do país, qual a sua capacidade de invenção e reinvenção hoje em dia?


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A Netflix demitiu 150 funcionários, a maioria nos Estados Unidos. O número representa ~2% da força de trabalho da empresa em seu país-sede.

Em nota, a empresa ressaltou que as demissões não têm a ver com desempenho dos profissionais, que foram uma decisão de negócios. “[…] A desaceleração do crescimento de receita significa que também precisamos desacelerar o nosso custo de crescimento como empresa”, disse em nota à Variety, referindo-se à queda de assinantes registrada no primeiro trimestre de 2022.

Além dessas vagas, a Netflix também mandou embora 70 funcionários do seu estúdio de animação e está eliminando posições no setor de mídias sociais e publicação (relacionados ao site “Tudum”). Via Variety (em inglês).

Empresas chinesas de tecnologia estão saindo da Rússia na maciota por causa da invasão da Ucrânia

por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem do Wall Street Journal, grandes companhias como Lenovo e Xiaomi estão interrompendo entregas para o mercado russo para não sofrerem as penalidades das sanções impostas pelos EUA contra Moscou.

A limitação dos negócios com a Rússia, no entanto, não é acompanhada por declarações que condenem a guerra, uma vez que Pequim se opõe abertamente às sanções estadunidenses.

As exportações chinesas de produtos de tecnologia para a Rússia caíram significativamente desde o início do conflito. Fornecedores estadunidenses estariam pressionando compradores chineses a obedecerem às sanções.

Vale notar que até agora Pequim ainda não usou a Lei Antissanções para advertir as empresas chinesas que estão seguindo as regras impostas pelos EUA.

Entretanto, outros laços comerciais entre China e Rússia se intensificaram nos últimos meses. Uma matéria da Reuters conta como os bancos russos estão contratando empresas chinesas capazes de fornecer chips para cartões bancários, os quais estão em falta na Rússia desde a imposição de sanções por EUA e União Europeia. Já o SCMP relata que as exportações russas de gás natural para a China aumentaram 60% nos primeiros quatro meses de 2022.

No meio do imbróglio diplomático enfrentado pela China desde a invasão russa da Ucrânia, a classe política do país asiático parece estar sofrendo consequências também. Segundo análise de Logan Wright para o The Wire China, tecnocratas e políticos estariam em rota de colisão sobre o que fazer com relação à guerra na Europa.


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Parag Agrawal, CEO do Twitter, foi à rede explicar como a empresa lida com perfis falsos/de spam. Praticamente uma indireta bem direta a Musk, que na sexta (13) suspendeu temporariamente a compra da empresa para averiguar a situação desse tipo de perfil.

A explicação de Agrawal (em inglês) é bem interessante e, dentro do que um fio no Twitter permite, detalhada. Chama a atenção o fato de que, todos os dias, o Twitter suspende mais de meio milhão de contas e bloqueia preventivamente outras tantas para verificar se são legítimas ou não.

Provando-se detentor de elevado nível de maturidade, Musk respondeu o CEO do Twitter com um emoji de cocozinho (“?”). Em seguida, prosseguiu: “Então como os anunciantes sabem o que estão recebendo pelo seu dinheiro? Isso é fundamental para a saúde financeira do Twitter.” Via @paraga/Twitter, @elonmusk/Twitter (ambos em inglês).

Bolhas de tecnologia estão estourando em todos os lugares

Bolhas de tecnologia estão estourando em todos os lugares (em inglês), Na The Economist:

Um passatempo favorito no Vale do Silício, atrás apenas de inventar a próxima tendência, é detectar bolhas. Mesmo “insiders” da indústria tendem a dar opiniões espetacularmente erradas. “Você verá alguns unicórnios mortos este ano”, previu Bill Gurley, um conhecido capitalista de risco, em 2015, o ano em que a incubação dessas startups que valem mais de US$ 1 bilhão realmente disparou.

O jogo ficou muito mais fácil: o barulho de bolhas estourando pode ser ouvido em todos os lugares. Ações de tecnologia, ofertas iniciais públicas de ações (IPOs), empresas de cheques em branco (conhecidas como SPACs), “valuations” de startups e até criptomoedas: todos esses ativos que alcançaram altas estonteantes nos últimos anos estão voltando à terra. É difícil dizem quão barulhento será o estouro — e quais podem inflar novamente.

Elon Musk “suspendeu temporariamente” o acordo de compra do Twitter para, aparentemente, verificar a incidência de contas de spam/falsas na plataforma. No aviso, publicado no Twitter, Musk se referiu a uma notícia da Reuters de 2 de maio em que o Twitter afirma ter menos de 5% de contas de spam/robôs.

Apesar da manifestação de surpresa de Musk, analistas apontam que esse percentual já era conhecido do mercado e que Musk provavelmente o conhecia.

Há quem diga que o argumento das contas falsas pode estar sendo usado por Musk para melar o negócio ou conseguir um desconto no valor de US$44 bilhões que prometeu pagar pelo Twitter. Caso desista do negócio, ele teria que pagar uma multa de US$ 1 bilhão.

O efeito nas bolsas foi imediato. O papel do Twitter desabou quase 20% no pré-mercado (as negociações antes de o balcão da Nasdaq abrir).

Já as ações da Tesla, que vêm sofrendo com o próprio negócio envolvendo Musk e o Twitter somado à queda generalizada dos papéis de tecnologia nos EUA, subiam ~6%. Via @elonmusk/Twitter, Reuters (2), New York Times (todos em inglês).

Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, enviou um e-mail no domingo (8) a todos os funcionários para avisar que vai a empresa vai reduzir gastos com marketing e incentivos (adeus, cupons) e limitar as contratações, que agora passam a ser encaradas como privilégios. “Seremos ainda mais rigorosos com cortes de custos em todas as áreas”, escreveu.

As empresas de tecnologia têm sofrido nas bolsas norte-americanas. O receio de que a era de dinheiro barato chegou ao fim tem afastado os investidores do setor, o que se traduz em quedas generalizada.

Segundo a CNBC, a Nasdaq bateu cinco semanas consecutivas de baixas, algo que não acontecia desde 2012. Nesta segunda (9), as maiores empresas de tecnologia perderam, juntas, mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Só a Apple, a maior delas, desvalorizou US$ 220 bilhões.

A Uber não passa incólume por essa “mudança sísmica”, como definiu Dara. Embora os números da empresa já tenham voltado ao patamar pré-pandemia, ela ainda sangra dinheiro e também sofre com a debandada dos investidores. Em 2022, os papéis da Uber acumulam uma desvalorização de mais de 40%. Via CNBC (2) (em inglês).

Em julho de 2023, a longeva série de jogos de futebol da EA ganhará um novo nome: EA Sports FC.

O acordo com a FIFA, que licenciava seu nome à EA há cerca de 30 anos, chegou ao fim. A FIFA queria receber mais royalties da EA (no mínimo o dobro dos US$ 150 milhões anuais que recebia, segundo o New York Times) e ter o direito de licenciar a marca para outras editoras. A EA, sem surpresa, não concordou.

A EA parece sair melhor dessa separação amigável. Ela leva toda a tecnologia e décadas de refinamento no motor do jogo, 150 milhões de jogadores e 300 acordos de licenciamento com times, ligas e confederações, ou seja, as principais perdas da EA são o nome FIFA e a marca oficial da Copa do Mundo. Via EA, New York Times (ambos em inglês).

China deve aliviar pressão regulatória sobre big techs locais

por Shūmiàn 书面

Nem mesmo os planos de trocar a bolsa de Nova York por Hong Kong parecem estar dando certo para a DiDi. Quase cinco meses depois de anunciado, o plano não saiu do papel.

De acordo com esta reportagem do SCMP, a companhia apertou o freio após receber uma sinalização de que não atende aos pré-requisitos para a abertura de capital. Isso só aconteceria, de acordo com pessoas próximas ao assunto, depois de a DiDi fazer uma série de retificações para atender por completo aos parâmetros solicitados pelo administrador do ciberespaço da China.

Por outro lado, o Wall Street Journal publicou na semana passada que Pequim deve dar um tempo nas punições a empresas de tecnologia, alvos de uma forte onda regulatória iniciada no ano passado.

De acordo com o veículo, as autoridades devem se sentar nas próximas semanas para conversar com representantes das principais big techs, numa tentativa de chegar a acordos em um momento em que a economia chinesa se encontra em dificuldades pelo cenário da Covid-19.


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A japonesa Square Enix vendeu seus três estúdios do Ocidente (Crystal Dynamics, Eidos Montreal e Square Enix Montreal), junto com +50 franquias, incluindo algumas famosas e boas de vendas, como Tomb Raider, Deus Ex e Legacy of Kain, à editora europeia Embracer.

O valor do negócio — US$ 300 milhões — chamou a atenção. No início do ano, a Microsoft desembolsou US$ 68,7 bilhões na Activision Blizzard e, um mês depois, a Sony levou a Bungie, estúdio de um jogo só, por US$ 3,6 bilhões.

Mais estranho ainda é a motivação da Square Enix.

No anúncio da venda ao mercado, a empresa justificou a venda como uma “adaptação às mudanças em curso no negócio global de entretenimento, estabelecendo uma alocação de recursos mais eficiente”. Até aí, tudo bem. “Além disso, a transação permite o lançamento de novos negócios ao avançarmos em investimentos em áreas que incluem blockchain, IA [inteligência artificial] e a nuvem”. Boa sorte com isso. Via Ars Technica (em inglês).

Enquanto certas empresas parecem ter batido no teto, outras dão a impressão de que o céu é o limite. Nesta quinta (28), a Apple divulgou seus resultados do segundo trimestre fiscal de 2022. Foi um recorde para o período e o terceiro melhor trimestre da história, com receita de US$ 97,3 bilhões, alta de 9%.

Dois dados se destacam. Primeiro, a quantidade de “assinantes”, ou consumidores que geram receita recorrente. Já são 825 milhões, crescimento de 25% em um ano. Analistas estimam que daqui a 15~16 meses a empresa chegará ao bilhão de clientes pagantes.

O outro é a renascença do Mac, impulsionada pelos chips M1, desenvolvidos pela própria Apple, que começou a substituir os Intel em novembro de 2020.

A Apple faturou US$ 10,4 bilhões em computadores no período. Tim Cook, CEO da empresa, disse que “os últimos sete trimestre do Mac estão no ranking dos sete melhores trimestres da história do Mac”.

E parece haver potencial para mais. Na conferência com acionistas, Luca Maestri, CFO da Apple, disse que metade dos Macs vendidos no período foram comprados por gente que não usava computadores Apple anteriormente.

Outro dado: de acordo com a consultoria Counterpoint Research, o mercado global de computadores encolheu 4,3% no primeiro trimestre do ano. A Apple foi uma das poucas exceções, com crescimento de 8% no período. Via 9to5Mac, @asymco/Twitter (2), Macrumors, Counterpoint Research (todos em inglês).

As saídas de Neil Young e Joni Mitchell do Spotify, em protesto ao discurso negacionista do podcaster Joe Rogan, exclusivo da plataforma, não abalaram o crescimento da base de usuários pagantes do serviço de streaming.

O Spotify fechou o primeiro trimestre com 182 milhões de assinantes premium, ou seja, pagantes, aumento de 15% em relação ao ano anterior.

O número já considera as perdas com a saída da empresa da Rússia.

Ao todo, a empresa contabiliza 422 milhões de usuários, entre pagantes e gratuitos, no mundo todo. Via Spotify (em inglês).

Confirmando os rumores, o Twitter aceitou a oferta de Elon Musk e foi vendido ao bilionário nesta segunda (25). Musk pagará US$ 54,20 por ação, o que significa uma aquisição de quase US$ 44 bilhões. Após a conclusão do negócio, prevista para o final de 2022, o Twitter voltará a ser uma empresa de capital fechado.

O que será do Twitter? A essa altura, ninguém sabe. Em nota, Musk disse:

A liberdade de expressão é a base de uma democracia funcional e o Twitter é a praça digital da cidade onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade. Também quero tornar o Twitter melhor do que nunca, melhorando o produto com novas funcionalidades, abrindo o código fonte dos algoritmos para aumentar a confiança, acabando com os robôs de spam e autenticando todos os seres humanos. O Twitter tem um potencial tremendo — estou ansioso para trabalhar com a empresa e com a comunidade de usuários a fim de desbloqueá-lo.

Via PR Newswire (em inglês).

O Parlamento Europeu e os países-membros da União Europeia chegaram a um “consenso político” no sábado (23) em torno do Digital Services Act (DSA), nova lei que quer responsabilizar as empresas digitais pelo conteúdo ilegal e danoso que veiculam.

O DSA deverá obrigar as grandes plataformas (+10% de usuários no bloco europeu, +45 milhões de pessoas hoje) a agirem mais rápido na remoção de conteúdo ilegal e a tornarem seus algoritmos de recomendação mais transparentes.

Em caso de descumprimento das regras, as plataformas poderão ser multadas em até 6% da receita global ou até mesmo serem banidas da União Europeia, em caso de reincidência.

Apesar do nome parecido, o DSA é diferente do Digital Markets Act (DMA), que passou por este mesmo estágio no final de março. O DMA tem por objetivo aumentar a competitividade e impedir absusos de poder entre as empresas de tecnologia.

O acordo libera caminho para o DSA começar a valer, o que deve acontecer 15 meses após as últimas formalidades — finalização do texto legal e votação — ou janeiro de 2024, o que vier mais tarde. Via Comissão Europeia, The Verge (ambos em inglês).

Depois de assegurar o dinheiro necessário para honrar a proposta de aquisição do Twitter — US$ 25,5 bilhões em empréstimos bancários e US$ 21 bilhões do próprio bolso —, Elon Musk está cada vez mais próximo de alcançar seu objetivo.

De acordo com fontes da Reuters, o conselho do Twitter se reuniu na manhã de domingo (24) e decidiu recomendar a venda para o bilionário da Tesla.

O anúncio da recomendação de venda pode ser feito ainda nesta segunda (25), mas “é sempre possível que o acordo colapse no último minuto”, segundo uma fonte. Via Reuters, CNBC (ambos em inglês).