Está rolando (até domingo, 8) a Feira do Livro da Unesp. O evento, mais uma vez virtual, reúne ~150 editoras que oferecem livros com no mínimo 50% de desconto. Há, também, uma programação cultural em paralelo. Via Unesp.

Um curioso fenômeno literário se manifesta no ranking brasileiro dos e-books Kindle pagos mais vendidos: a prevalência de histórias com CEO no título.

Levantamento do Manual do Usuário detectou que sete livros (ou 14% do total) mencionam o cargo executivo máximo em empresas no título, quase sempre em alusão a situações sensuais e/ou com outros termos inusitados recorrentes no ranking, como grávidas e babás virgens.

São livros baratos, com preços entre R$ 1,99 e R$ 5,99, e todos integram o Kindle Unlimited, o programa de assinatura de e-books da Amazon. E são bem avaliados, com notas acima de quatro estrelas (de um total de cinco) decorrentes de centenas ou milhares de avaliações.

Os livros são assinados por autores(as) diferentes, o que indica uma tendência. Eles parecem influenciados pela trilogia Cinquenta tons de cinza, o mega-sucesso de E.L James, mas não deixa de ser curiosa a fixação com CEO, um termo um tanto específico e que, no geral, só é lido nas páginas de negócios dos jornais e em publicações especializadas. Fetiche é uma coisa maluca.

Abaixo, a lista dos títulos, com a posição no ranking e autor(a), nesta terça (5):

  • #2. CEO Blackwolf: A vingança do lobo negro de Wall Street, de Lettie S.J.
  • #8. O filho que o CEO não conhecia, de Renata R. Corrêa.
  • #9. Grávida do CEO que não me ama, de Aline Pádua.
  • #13. O pai dos meus bebês é o CEO, de Aline Damasceno.
  • #18. A influencer que conquistou o CEO, de T. M. Kechichian.
  • #31. Apenas me ame: Um amor para o CEO, de Thais Oliveira.
  • #47. Coração rendido: A babá virgem e o CEO viúvo, de Kevin Attis.

Inventando o naufrágio: A abordagem pessimista da tecnologia na obra de Paul Virilio

por Zachary Loeb

Pouco antes de mudar de nome, a empresa de tecnologia anteriormente conhecida como Facebook experimentou o que chamou de “inconveniência”. O que é uma forma bastante suave de descrever “alterações de configuração nos routers de backbone” que resultaram na indisponibilidade do Facebook (juntamente com as plataformas Instagram e WhatsApp, de sua propriedade) durante cerca de seis horas, em 4 de outubro de 2021. A experiência da interrupção não foi uniforme: o que para alguns foi principalmente uma desculpa para desdenhar outra leva de más notícias para o Facebook, para outros foi uma séria perda de acesso a plataformas essenciais. Assim que o Facebook voltou, Mark Zuckerberg pediu desculpas “pela interrupção”, observando saber “o quanto vocês dependem dos nossos serviços para se manterem ligados às pessoas com quem se importam”. E, sem demora, a interrupção era apenas mais um ponto no retrovisor, enquanto o Facebook acelerava em direcção ao metaverso.

Não foi que a “interrupção” não fosse importante, mas sim que (como diz o provérbio) “merdas acontecem”.

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A Livraria Cultura lançou um curioso modelo de assinatura, o +Cultura Pass. Por R$ 14,90 ao mês, o assinante tem direito a emprestar um livro por mês em qualquer loja da rede, lê-lo e depois devolvê-lo. Tipo uma biblioteca pública, porém pago e, em vez de multa, se o assinante não devolver o livro em até 30 dias, a Cultura entende que ele quer mantê-lo e lança uma cobrança com 20% de desconto sobre o valor de capa. A assinatura ainda traz outras vantagens, como descontos na compra de livros e acesso ilimitado à Ubook, plataforma de áudiolivros. Via PublishNews.

Começou nesta segunda (5) a III Feira do Livro da Unesp, em edição virtual, com livros de mais de 200 editoras e selos com no mínimo 50% de desconto.

Aquele livro que sai mais barato comprado na Amazon custa caro às editoras. A empresa norte-americana está pressionando editoras brasileiras a aumentarem o desconto das obras (de 55% para 58%) e a abrirem mão de uma “taxa de marketing” de 5%. Um grupo de 120 editoras se prepara para responder à tentativa de arrocho pela Amazon. Via Publish News.

A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) aumentou a pressão sobre o Mercado Livre devido à pirataria de livros no marketplace da empresa. Segundo a ABDR, 64% das obras irregulares removidas da internet em 2020 estavam no Mercado Livre. Via Estadão (com paywall).

O DigiLabour (de cara nova e agora certificado pelo CNPq), laboratório de pesquisa da Unisinos coordenado pelo Rafael Grohmann, publicou uma lista de 20 livros sobre trabalho e tecnologia publicados em 2020.

A Michele Strohschein, leitora do Manual do Usuário, está desenvolvendo um projeto para leitores de livros. Uma das etapas iniciais é entender como as pessoas lidam com os livros que leem e, para isso, ela está realizando entrevistas breves, de 10 minutos, com pessoas interessadas neste assunto. Como incentivo, no dia 7 ela sorteará um vale-compra de R$ 50 entre os participantes. O site do projeto o explica melhor e, caso se interesse em ajudá-la, marque a entrevista nesta página.

Devido à pandemia, a tradicional Festa do Livro da USP será virtual este ano. O evento, que reúne +170 editoras oferecendo livros dos seus catálogos com no mínimo 50% de desconto, começou nesta segunda (9) e vai até o dia 15 de novembro.

Funciona assim: no site, é possível acessar as listas de todas as editoras. Ao decidir pela compra de um livro, o interessado deve acessar o site da editora e finalizar a compra por lá. Isso significa que não será possível levar livros de editoras distintas pagando só um frete, mas foi a melhor solução encontrada pela Editora da USP (Edusp), promotora do evento, para não gerar custos às editoras, o que poderia afastar as menores. O site da festa, no momento, está lento. Via Jornal da USP.

O livro pantaneiro que conquistou o Brasil pelo Reddit

“E por causa de vocês, r/Brasil, o projeto deu certo!” Foi com esta mensagem que, no dia 11 de dezembro de 2018, o ilustrador Diogo Carneiro agradeceu a um monte de desconhecidos em um grupo na rede social Reddit pelo sucesso comercial do seu livro de estreia, Pantaikan e a Ordem do Ipê-Branco, uma história fantástica ambientada no Pantanal sul-mato-grossense e ricamente ilustrada.

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O cérebro humano tem um bug

por Fabio Montarroios

O estupor que causa a leitura de V.I.S.H.N.U., de Eric Acher, Ronaldo Bressane e Fabio Cobiaco, é algo impressionante, similar a um filme de ação visto no cinema. Talvez as falas não sejam o ponto forte, porque algumas perdem o ritmo em sua banalidade, mas a combinação de uma história frenética com desenhos imersos numa espécie de permanente penumbra de insólita imprecisão em preto e branco, te arrastam junto com os personagens que se agarram desesperadamente nas poucas chances que têm de sobreviverem em um mundo em constante conflito com as máquinas e, claro, com os próprios humanos. (mais…)

Um guru atípico no Vale do Silício: debate do livro “Bem-vindo ao Futuro”, de Jaron Lanier

por Fabio Montarroios

Tinha o livro de Jaron Lanier1 comigo há alguns anos. Talvez desde seu lançamento, não sei precisar. Comprei uma cópia em uma livraria grande de São Paulo porque estava ansioso demais pra esperar ele ser entregue pela Amazon (que na época ainda não estava no Brasil). Paguei mais caro por isso, obviamente.

No começo me senti, não sei bem o porquê, intimidado com o livro por vislumbrar algo difícil pela frente. Deixei-a de lado e parti para outros temas e leituras. Acabei que me livrei da edição numa arrumação de livros aqui em casa por achar que tinha perdido a oportunidade de lê-lo no momento certo. Às voltas com o Clube de Leitura me lembrei dele e lastimei sua ausência já que resolvi inclui-lo na seleção a despeito do que achava sobre não tê-lo lido na “hora certa”. (mais…)

Debate do livro Neuromancer, de William Gibson

por Fabio Montarroios

Não será nada espantoso o dia em que vislumbrarmos mais e mais pessoas conectadas aos seus aparelhos de realidade virtual. O que hoje nos parece exótico, coisa de nerds loucos, não o será mais. Mas o maior problema (ou não) será justamente a combinação de drogas com a RV: os aparelhos disponíveis hoje, aparentemente desconfortáveis e um tanto toscos, serão necessariamente diferentes e melhores (imperceptíveis), e as drogas, legais e ilegais, estarão à disposição para uso combinado, permitindo uma quase total imersão virtual. Se hoje não há dispositivos em nossos corpos que nos ligam diretamente às máquinas, essa combinação vai bastar por enquanto, já que é mais barata e acessível que implantes e procedimentos cirúrgicos. Daí, o vício inerente. Serão outros tempos e o que vamos fazer com essas outras realidades que superarão a Internet que conhecemos fazendo-a parecer primitiva, irá além do entretenimento e conhecimento: a busca por novas sensações ou sensações recriadas que passarão a nos interessar como nunca! Muita coisa pesada, evidentemente, será encontrada em algo parecido com o que temos hoje na Deep Web. O corpo, essa carcaça que nos serve de simples suporte para o Eu, é demasiadamente carente e repleto de anseios ainda não anunciados que vão nos fazer agarrar em distrações para deixar livre a mente em seus novíssimos descaminhos. Anestesiados em nossos cubículos, conectados à matriz, talvez nos comportemos como idiotas ou encontremos finalmente o sentido da existência. Todos os outros meios de se chegar em estágios menos sofisticados, possíveis com drogas como o LSD, serão inúteis sem essa combinação de RV+drogas. Disso, como não poderia deixar ser, surgirá uma nova religião e os primeiros adeptos serão os ateus. Vamos comungar, como num sonho-pesadelo, enfim, imaterializados no ciberespaço.

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