Um curioso fenômeno literário se manifesta no ranking brasileiro dos e-books Kindle pagos mais vendidos: a prevalência de histórias com CEO no título.

Levantamento do Manual do Usuário detectou que sete livros (ou 14% do total) mencionam o cargo executivo máximo em empresas no título, quase sempre em alusão a situações sensuais e/ou com outros termos inusitados recorrentes no ranking, como grávidas e babás virgens.

São livros baratos, com preços entre R$ 1,99 e R$ 5,99, e todos integram o Kindle Unlimited, o programa de assinatura de e-books da Amazon. E são bem avaliados, com notas acima de quatro estrelas (de um total de cinco) decorrentes de centenas ou milhares de avaliações.

Os livros são assinados por autores(as) diferentes, o que indica uma tendência. Eles parecem influenciados pela trilogia Cinquenta tons de cinza, o mega-sucesso de E.L James, mas não deixa de ser curiosa a fixação com CEO, um termo um tanto específico e que, no geral, só é lido nas páginas de negócios dos jornais e em publicações especializadas. Fetiche é uma coisa maluca.

Abaixo, a lista dos títulos, com a posição no ranking e autor(a), nesta terça (5):

  • #2. CEO Blackwolf: A vingança do lobo negro de Wall Street, de Lettie S.J.
  • #8. O filho que o CEO não conhecia, de Renata R. Corrêa.
  • #9. Grávida do CEO que não me ama, de Aline Pádua.
  • #13. O pai dos meus bebês é o CEO, de Aline Damasceno.
  • #18. A influencer que conquistou o CEO, de T. M. Kechichian.
  • #31. Apenas me ame: Um amor para o CEO, de Thais Oliveira.
  • #47. Coração rendido: A babá virgem e o CEO viúvo, de Kevin Attis.

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22 comentários

  1. A geração que hoje lê esse tipo de livro é herdeira da que lia Sabrina, Júlia e Bianca nas décadas de 70 e 80… lá como aqui, havia a figura desse homem poderoso, rico, dono de um conglomerado de empresas. Há uma cultura e muitas fãs desse tipo de novela no Brasil. As histórias têm sempre o mesmo final. Repete-se à exaustão a mesma fórmula: Homem bonito, rico, de temperamento autoritário (em muitos enredos, ele obriga a protagonista para se casar). Com o passar dos anos, a violência, que era escancarada foi dando lugar a uma, digamos, narrativa mais “meiga”.

  2. Ghedin creio que esses livros são de autores que publicam e criam comunidades no Wattpad. Vale a pena pesquisar, pode elucidar um pouco a questão.

  3. Qualquer dia desses no Twitter alguém vai criar a trend “troque uma das palavras do título de um filme por CEO”…

    1. Lembrei do glorioso troque uma das palavras do título por “Cadastro Único”.

  4. Normal, mulheres biologicamente buscam pelo macho alfa, e no mundo de hoje, os alfas são os CEOs destacados. Por isso todas elas querem um. Por isso livro contando histórias assim ganham muitas leitoras, que vivem a fantasia de ter um homem assim pra elas. Um cara assim pode até abusar delas que não dá nada (inclusive, grande parte dos livros e filmes trata disso). Agora, se o homem que abusa tiver um cargo, digamos, mais simples ao olhar das mulheres (porteiro, eletricista, uber, etc), aí sem chance amigão.

    1. Uma coisa que me assusta um pouco em homens de direita é a profunda compreensão que alegam ter da psiquê feminina. E as generalizações. E a completa ausência de sensibilidade para distinguir xaveco de abuso.

      Sugiro que você converse com mais mulheres, André, antes de emitir essas opiniões sem nexo publicamente. Tá passando vergonha.

      1. O que você apontou, Ghedin, mostra que há evidência que esse fetiche é bem real e que, no mínimo, é bem popular. Nos outros livros da lista, há outros títulos que mostram perfis de “superioridade” similares, como mafioso, juiz e dono, e até outros tipos de ligações, como contrato (seria um advogado?) e grego (?). Longe de querer generalizar algo, mas se esse é um recorte do que os consumidores da Amazon leem e provavelmente “fetichizam”, não pensaria que no resto do país seria muito diferente. Mas posso estar equivocado.

        1. Eu tinha falado no twitter que eu tenho uma linha de ideia por aí, mas sinceramente acho preconceituoso e esperaria uma visão mais “feminina” para corrigir isso. Pena que as meninas não passam aqui para falar melhor sobre. Isso elucidaria bastante.

          1. Então, o grande perigo de se afirmar algo ou pior, generalizar, é que a gente tá falando de um universo totalmente diferente do nosso. Mesmo se for pra falar algo clichê como “os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor”, isso com certeza não se aplica a 100% das pessoas — a gente nem sabe a quantos % isso se aplica. Por isso, só dá pra dizer algo com base em evidências mesmo. E de fato, uma opinião feminina seria muito bem-vinda pra elucidar.

          2. Com comentários horríveis como o André e essa sugestão “preconceituosa” feita no seu comentário, não surpreende que nenhuma mulher esteja participando da conversa aqui :/

        2. O ranking da Amazon é um recorte muito pequeno para generalizar conclusões. Em 2020, quando o setor de livros digitais teve um salto no país, os livros digitais responderam por apenas 6% da receita das editoras (daqui).

          É uma situação quase análoga à daqueles livros eróticos de bancas de jornais. Se você fizesse um ranking da banca de jornal, eles provavelmente estariam entre os mais vendidos, mas não daria para dizer que todas as mulheres só leem ou preferem esse tipo de literatura — muito menos fazer a generalização do André de que “todas elas querem um [macho alfa]”.

          1. Os livros mais vendidos serem fantasias femininas não é sinal de nada?
            O 50 tons de cinza ter sido o sucesso que foi não é sinal de nada?
            A série lá do cara abusador que as mulheres no twitter falavam que “adorariam serem sequestradas” pelo cara do filme não é sinal de nada?

            E meu comentário que é horrível, por dizer o óbvio. Mas sem discussões pra virar briguinha e fugir do tema do post.

      2. Desculpa Rodrigo mas isso é bem real, e tomara que não use da acusatória de tentar tratalo como incel como alguns meios costumam fazer quando tal fato é apontado.

        1. Felipe, com base em que você credita isso como algo “bem real”, “fato”? Com certeza existem mulheres que procuram um ~macho alfa, provavelmente as mesmas que compram esses livros, mas qual o embasamento para esse tipo de generalização? E, pior, uma generalização feita por homens, que não têm a menor ideia da experiência do ser mulher e, portanto, são por definição incapazes de falar por elas?

          Veja que não estou contestando a afirmação (porque não sei mesmo se é o caso, nem se há estudos em qualquer sentido), mas sim a presunção do André em fazer afirmações tão extremadas com base em… sei lá, na vida dele? No que ele ouviu falar? É difícil estabelecer um diálogo quando a nossa base comum, de onde partimos, é tão frágil. Só estou pedindo um pouco mais de embasamento, porque do modo como está posto a discussão gira em torno do rancor de alguns caras com as mulheres.

    2. Eu ia mandar para o Nerd Boomer Images o print deste comentário, só que aí lembrei que isso seria um risco de gerar problemas para o Ghedin, dado que viria um monte de troll encher o saco.

    3. “e no mundo de hoje, os alfas são os CEOs destacados.”

      Hahahah

  5. Meio fora de escopo: sei que na cultura sul coreana, algumas histórias falam muito sobre situação hierárquica e a relação entre pessoas de diferentes hierarquias. Tanto que se usam pronomes específicos para cara nível de relação.

    Ainda não assisti, mas creio que Parasita falava sobre, que eu me lembre.

  6. a gente bem que poderia fazer uma votação do melhor título

    1. um voto para “Coração rendido: A babá virgem e o CEO viúvo, “

  7. O que demonstra que, com a possibilidade de transformar QUALQUER coisa em ebook, isso de fato ocorreu :D