A Apple atualizou o aplicativo do Apple TV+ no Google TV e Android TV e removeu o recurso de aluguel e compra de vídeos. Segundo fontes da Apple que falaram a John Gruber, do blog Daring Fireball, o que motivou tal degradação nesses aplicativos do Apple TV+ foi o fim de um acordo com o Google que isentava a Apple de pagar taxas da Play Store — a mesma que a Apple defende ser válida na sua App Store e arrastou a empresa para uma barulhenta disputa judicial com a Epic Games, do jogo Fortnite.

Até aí, como observa Gruber, tudo certo: a Apple agiu como orienta desenvolvedores insatisfeitos com a taxa da App Store a agir, ou seja, tirou a venda digital de circulação da loja de aplicativos do Google. O problema é que, no lugar dos botões de compra e aluguel, a Apple colocou um tutorial ensinando os usuários a comprarem e alugarem esses itens em seus dispositivos Apple ou na web. As diretrizes da App Store proíbem esse tipo de abordagem. Via FlatpanelHD, Daring Fireball (ambos em inglês).

O Google Docs agora tem uma opção “sem páginas”, que troca a metáfora de páginas de papel físicas, tipo a do Microsoft Word, por uma tela em branco infinita.

Para ativá-la, clique no menu Arquivo, depois em Configuração da página e selecione a opção Sem páginas. Via Google (em inglês).

Essa novidade parece uma resposta a novos produtos de edição de texto, como o Notion, que rompem por completo com a metáfora de folhas de papel. A Microsoft também tem explorado esse caminho, mas com uma estratégia diferente: em vez de mexer no Word, lançou um produto novo, o Loop.

Facebook/Meta, Google, Mercado Livre e Twitter divulgaram, nesta quarta (24), uma carta aberta criticando o projeto de lei 2630/2020, o chamado PL das Fake News. No texto, as quatro empresas dizem que o PL deixou de tratar de fake news e que “passou a representar uma potencial ameaça para a Internet livre, democrática e aberta que conhecemos hoje”.

O PL das fake news deve ser votado em breve na Câmara dos Deputados, no que depender da vontade do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL). No dia 15 de fevereiro, ele afirmou que o Plenário poderá votar o requerimento de urgência a qualquer momento. Via G1, Propmark, Câmara dos Deputados/YouTube.

Grandes empresas de mídia norte-americanas planejam desativar as versões AMP de seus sites, a plataforma de sites rápidos imposta pelo Google em 2015. O Washington Post já deu esse passo. Depois que o Google abriu o carrossel de destaques a páginas não-AMP e tornou-se público que a empresa sabotava páginas não-AMP para proteger seu negócio de anúncios, faltam motivos para justificar essa venda de alma ao Google. As empresas consultadas pela reportagem do Wall Street Journal esperam mais controle e melhorar as vendas de anúncios em seus sites. Via Wall Street Journal (em inglês).

Dos riscos de nuvens comerciais: o Google Drive estava sinalizando alguns arquivos .DS_Store como infração a direitos autorais. Esses arquivos são ocultos e gerados automaticamente pelo macOS para registrar definições do diretório onde estão. Imagine perder o acesso à conta Google por um não-problema como esse?

Ao Bleeping Computer, que reportou o problema, o Google informou que ele afetou um pequeno número de usuários e foi corrigido em janeiro, mas que alguns “casos isolados” ainda persistem e estão sendo atualizados. Via Bleeping Computer (em inglês).

“Não acho bom que a única forma de moderação de conteúdo seja a remoção”: Uma conversa com Francisco Brito Cruz, do InternetLab

Um dia, todos os programas do podcast Guia Prático serão transcritos. Esse dia ainda não chegou, mas decidimos transcrever esta entrevista com o Francisco Brito Cruz, do InternetLab, pela importância e urgência do tema. (Você pode ouvi-la nos podcasts Guia Prático e Tecnocracia ou assisti-la no YouTube.)

Na conversa, conduzida por mim, Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti, fizemos ao Chico perguntas vitais para o que talvez seja o maior debate envolvendo tecnologia no Brasil em 2022: a moderação de conteúdo nas plataformas digitais.

Há muito em jogo, com eleições decisivas em outubro, e dado o papel das redes sociais no pleito de 2018 e em outras eleições majoritárias ao redor do mundo nos últimos anos, não será diferente desta vez.

A transcrição abaixo sofreu leves alterações para tornar a leitura mais fluída.

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Francisco Brito Cruz, do InternetLab: Moderação em plataformas digitais, como fazê-la?

Este é um Guia Prático um pouco diferente, gravado em parceria com o Tecnocracia. Jacqueline Lafloufa, Rodrigo Ghedin e Guilherme Felitti recebem Francisco “Chico” Brito Cruz, diretor-executivo do InternetLab, para debater um tema espinhoso: a moderação de conteúdo nas plataformas digitais.

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Chrome OS Flex: o seu novo desktop Linux?

por Cesar Cardoso

Há pouco mais de um ano, o Google comprou a Neverware, produtora do CloudReady; um Chromium OS que você poderia baixar e instalar no seu computador, ou reaproveitar aquelas máquinas da sua empresa que já não conseguiam mais rodar Windows ou macOS sem fazer o utilizador passar raiva. Esta semana finalmente sabemos de um dos resultados da aquisição com o anúncio do Chrome OS Flex.

O Chrome OS Flex é o mesmo Chrome OS disponível nos dispositivos Chrome, com a mesma UI, o mesmo Chrome, as mesmas integrações… só não roda apps Android (e não tem suporte à Play Store) nem o Secure Boot tão robusto. Tanto é o mesmo Chrome OS que pode ser usado em Chromebooks, embora não resolva o problema do ciclo de vida do aparelho.

O Google está vendendo o Chrome OS Flex como uma solução para máquinas Windows e Mac mais antigas mas ainda perfeitamente capazes, que podem ser convertidas pela TI e administradas com o Admin Console; no entanto, nada impede que seja instalado pelos usuários em máquinas que estejam precisando… ou até mesmo como sistema principal (embora, hora de lembrar, que ainda está em Early Access e você não deveria fazer isso).

Um Linux “mais ortodoxo” (ao contrário, *cof cof*, do Android), com uma interface já conhecida, suportado por uma grande empresa… Parece bom, parece bom…


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Google promete mais privacidade no Android

O Google apresentou uma proposta para aumentar a privacidade dos usuários de Android, algo parecido com o recurso que a Apple trouxe no iOS 14.5 e que tem feito o Facebook/Meta deixar de ganhar bilhões de dólares.

A iniciativa plurianual do Google, porém, espera ser menos agressiva contra empresas de publicidade — afinal, o próprio Google é uma.

Especificamente, o Google anunciou que levará a Privacy Sandbox, um conjunto de soluções criado para o Chrome, ao Android. Isso se traduzirá em “soluções que limitam o compartilhamento de dados do usuário com terceiros e que operem sem identificadores cruzados, como o ID de publicidade”.

A janela para a implementação deverá ser de pelo menos dois anos, para não causar rupturas em modelos de negócio que dependem das soluções em uso atualmente. É o mesmo processo (lento) que o Google adotou para aposentar os cookies de terceiros no Chrome — todos os navegadores já abandonaram a prática, mas o Chrome ainda terá isso pelo menos até 2023.

No anúncio da novidade, o executivo Anthony Chavez chamou as soluções de “outras plataformas” (leia-se a Transparência no Rastreamento em Apps da Apple) de “ineficiente”, mas a proposta do Google não caiu muito bem entre especialistas.

Um deles, ouvido pelo New York Times, disse que o Google só fez isso para não ficar atrás da Apple, e classificou as medidas como “um gesto fraco” e demorado.

O site especializado Ars Techcnica disse que a solução apresentada erra o alvo, é “desdentada” e provavelmente será ainda menos efetiva que o Privacy Sandbox do Chrome, já muito criticado por especialistas — é nesse bojo que propostas controversas e tidas como perigosas, como o (descontinuado) FLoC e os Tópicos, estão. Via Google, New York Times, Ars Technica (todos em inglês).

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou parcerias com as principais plataformas digitais que atuam no Brasil para combater a desinformação nas eleições gerais de outubro: Facebook (e Instagram), Google (e YouTube), Kwai, TikTok, Twitter e WhatsApp.

A ausência notável no rol de plataformas foi o Telegram, que continua ignorando o TSE e outras autoridades brasileiras. Via justicaeleitoral/YouTube.

O Google anunciou nesta terça (15) o Chrome OS Flex, uma versão do Chrome OS que pode ser instalada em qualquer PC ou Mac. O objetivo do Google é dar sobrevida a computadores antigos, que não conseguem ou rodam mal as versões mais recentes do Windows e do macOS.

Há algumas diferenças entre o Chrome OS “normal”, que vem pré-instalado em notebooks homologados pelo Google, e o novo sabor Flex. A principal é a ausência, no segundo, do suporte a aplicativos Android. Esta página traz mais detalhes.

O Chrome OS Flex parece fruto direto da aquisição da Neverware pelo Google em 2020. A empresa distribuía o Cloudready, um Chrome OS instalável em qualquer computador, criado a partir do projeto de código aberto do Chrome OS.

O Chrome OS Flex já pode ser baixado aqui, mas é um “early access”, ou seja, versão sujeita a falhas. O Google espera lançar uma versão estável nos próximos meses. Via Ars Technica, Google Cloud (ambos em inglês).

O Google vai levar os tablets Android a sério pra valer?

por Cesar Cardoso

Desde o Ice Cream Sandwich, o Google não se importa muito com os tablets Android. Desde o fim do Nexus 7, o Google não se importa mesmo com os tablets Android e que o futuro seriam os tablets Chrome OS. No entanto, existem sinais, fortes sinais de que alguma coisa mudou dentro do Google em relação a tablets Android.

Não apenas pelo Entertainment Space, para os tablets usados como receptores de streaming, e o Kids Zone, para os tablets infantis, não apenas pelo Android 12L vindo aí — embora o 12L tenha como foco principal os dobráveis, muitos dos desafios dos dobráveis são exatamente os mesmos dos tablets —, mas também, e principalmente, por gente chegando.

Em algum momento do ano passado, beta 2 do Android 12L para o Lenovo P12 Pro.


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No Brasil, Big Tech quer ganhar dinheiro e fugir das responsabilidades

por Guilherme Felitti

Toda empresa nasce. Nem toda cresce. A maioria morre. Segundo dados do IBGE, seis a cada dez empresas no Brasil fecham antes de completar cinco anos1. Algumas poucas crescem tanto que se perpetuam pela vida inteira do(a) fundador(a). Ainda menos dominam o mercado e viram um negócio que passa adiante por décadas ou, um grupo ainda mais diminuto, séculos. “Séculos, Guilherme? Não é exagero?” A Faber Castell, aquela dos lápis de cor, foi fundada em 1761. O Brasil e os Estados Unidos eram colônias e a Revolução Francesa ainda demoraria duas décadas para acontecer quando o marceneiro Kaspar Faber fundou a empresa cujos produtos você acha até hoje na papelaria. A empresa mais antiga em operação do mundo é uma construtora japonesa chamada Kongō Gumi, fundada em 578 em Osaka, a cidade mais ocidental do Japão2. Pare para pensar um pouco: ainda faltava quase um milênio para que o Brasil fosse colonizado.

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O Google desistiu oficialmente do FLoC, sua controversa alternativa aos cookies de terceiros para o direcionamento de anúncios na web.

Desde o início, o FLoC foi criticado por especialistas em privacidade, temerosos pelo potencial de abuso e discriminação da tecnologia. (Entenda.) Outros navegadores que não o Chrome, buscadores que não o Google e extensões de privacidade e bloqueio de anúncios já haviam sinalizado que bloqueariam o FLoC.

Em um post no blog da empresa, o diretor de produtos Vinay Goel deu rapidamente a notícia antes de apresentar seu substituto, a API Tópicos. Trata-se de um conjunto de cinco interesses do usuário, detectados nas últimas três semanas e restritos ao Chrome, que sites e anunciantes poderão usar para direcionar anúncios.

Vinay diz que os Tópicos são limitados (350 no lançamento) e criados com cuidado, a fim de excluir assuntos sensíveis como religião e raça/etnia, e que o Chrome apresentará uma interface inteligível para o usuário excluir tópicos ou desativar o recurso. Cerca de 5% dos tópicos/assuntos enviados pelo Chrome a anunciantes serão falsos, para aumentar a proteção à privacidade do usuário.

Aqui tem uma explicação técnica da API dos Tópicos.

Em boa medida, os Tópicos parecem ser uma versão menos atabalhoada que o FLoC e limitada ao navegador — que, não sem surpresa, é do próprio Google.

O Chrome será o último dos grandes navegadores a abandonar os cookies de terceiros. O atraso se deve à necessidade do Google, uma empresa de publicidade com forte atuação na web, preparar um substituto à altura em termos de precisão e geração de receita.

Dica: o Firefox já abandonou os cookies de terceiros e vem de fábrica com várias boas configurações pró-privacidade. Via Google, Axios (em inglês).

Um grupo bipartidário de procuradores-gerais estaduais norte-americanos informou na segunda-feira (24) ter ajuizado processos contra o Google em seus respectivos estados.

O motivo, desta vez, é o emprego de táticas enganosas (“dark patterns”) pela empresa para coletar dados de localização dos usuários. Mesmo quando esses usuários desativavam o compartilhamento de tais dados com o Google, a empresa continuava a capturá-los usando recursos/opções paralelas a fim de usá-los para direcionar anúncios.

Pelo Twitter, Karl A. Racine, procurador de Washington DC, disse que “desde 2014, o Google tem vigiado sistematicamente seus usuários não importa quais configurações eles façam”.

Procuradores norte-americanos têm ido com tudo atrás do Google. Um processo no Texas alega práticas comerciais abusivas em serviços como Google Ads. O Google foi pra defensiva, criticando as alegações do processo como “mais calor do que luz, nós não acreditamos que elas cumpram o padrão legal para levar esse caso a julgamento”. Via Bloomberg (em inglês), O Globo.