Pela primeira vez na história, a base de usuários do Facebook/Meta encolheu. O número de usuários ativos diários, a principal métrica de crescimento da empresa, caiu de 1,93 bilhão para 1,929 bilhão. Pouca coisa, mas… é alguma coisa. A desaceleração seria reflexo de rivais mais populares entre os jovens, como o TikTok. Não à toa, o Instagram foi reposicionado para fazer frente ao app chinês.

A notícia foi dada no balanço do quarto trimestre fiscal de 2021, nesta quarta (2). Na mesma ocasião, os executivos da empresa afirmaram que a previsão para o próximo trimestre é faturar entre US$ 27 e 29 bilhões, abaixo da expectativa do mercado, de 30%.

As más notícias levaram as ações da Meta a dar um mergulho e desvalorizarem ~20% no aftermarket, evaporando cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado. Via CNBC, The Verge (ambos em inglês).

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita, por Ethel Rudnitzki, Laís Martins, Débora Ely e João Barbosa, no Aos Fatos:

Um documento interno de funcionários do Facebook, atual Meta, de março de 2021, recomendava a derrubada ou a redução do alcance da rede de extrema-direita Ordem Dourada do Brasil, mas, cerca de um ano depois, ela continua ativa na plataforma. Segundo o relatório, a rede é composta por perfis, páginas e grupos que atuam de forma coordenada para disseminar conteúdos que a empresa via como desinformativos e antidemocráticos.

Facebook fomenta possível tentativa de golpe no Brasil similar à dos EUA, diz pesquisa

Em relatório publicado nesta quarta (2), a Avaaz e o Real Facebook Oversight Board (não confundir com o Comitê de Supervisão do Facebook, o oficial) alertaram que “o Brasil corre risco crescente um ‘evento como o de 6 de janeiro [de 2021] fomentado no Facebook”, em referência à tentativa de golpe de extremistas norte-americanos seguidores do ex-presidente Donald Trump.

As duas organizações criaram um “índice de insurreição”, composto por cinco critérios, que mensura a temperatura no Facebook de ações e omissões que conspiram a favor de eventos conspiratórios. No Brasil, destaque do relatório, três dos cinco critérios estão em nível crítico:

  • Priorização de fontes de imprensa com boa reputação na entrega de conteúdo noticioso;
  • Respostas rápidas e enfáticas de checadores de fatos para alegações feitas por candidatos; e
  • Medidas de mitigação para limitar o espalhamento de conteúdos que ensejem risco significativo de agressões offline em escala.

O principal problema do Facebook no Brasil, segundo o relatório (em inglês), tem nome, sobrenome e partido: Jair Bolsonaro (PL). O texto lista diversas mentiras e atitudes antidemocráticas praticadas pelo presidente no ambiente digital. “Bolsonaro e seus aliados estão usando o Facebook e outras plataformas de redes sociais para espalhar essas mentiras perigosas”, detalha.

Segundo a Avaaz, a omissão do Facebook já propiciou 10 bilhões de visualizações de conteúdos falsos no Brasil. Via Real Facebook Oversight Board/Medium (em inglês).

O Facebook/Meta lançou uma série de novidades para as conversas com criptografia de ponta a ponta do Messenger. (O recurso, vale lembrar, ainda é opcional.) São coisas como extensão da criptografia para grupos e chamadas de áudio e vídeo, e recursos que já existiam nas conversas convencionais, como GIFs animados, reações e encaminhamento de mensagens. Via Messenger (em inglês)

A Diem, “stablecoin” do Facebook anteriormente chamada Libra, pode estar com os dias contados antes mesmo de ser lançada.

Segundo a agência Bloomberg, o Facebook/Meta está buscando um comprador para a tecnologia depois que órgãos reguladores dos Estados Unidos sinalizaram que a Diem não teria vida tranquila caso fosse lançada. O objetivo é levantar a maior grana possível para devolvê-la aos parceiros e investidores.

A moeda do Facebook, inicialmente chamada Libra, foi anunciada de surpresa em junho de 2019 com poucas dezenas de parceiros. Ela seria uma “stablecoin”, um tipo de criptomoeda lastreada em moedas fiduciárias — no caso, em uma cesta de moedas fortes, como dólar e euro.

A reação de governos e órgãos reguladores afugentou parte dos parceiros, então o Facebook mudou o projeto (incluindo o nome) para Diem, que passaria a ser baseada apenas no dólar. Mark Zucerberg, CEO do Facebook/Meta, chegou a depôr no Congresso norte-americano por causa da Libra/Diem.

Em 2021, David Marcus, executivo que liderava o projeto, saiu da empresa. Via Bloomberg (em inglês).

Capa do livro “Uma verdade incômoda” sobre uma mesa branca circular; ao fundo, chão de tacos de madeira.
Foto: Rodrigo Ghedin/Manual do Usuário.

Os historiadores do futuro terão trabalho para compreender a amalucada segunda metade dos anos 2010, da ascensão de líderes populistas à hegemonia das redes sociais no debate público, ou na degradação deste. Documentos como Uma verdade incômoda, de Cecilia Kang e Sheera Frenkel, serão essenciais. Já o é, neste caso.

O livro cobre o Facebook durante a era Trump, da campanha eleitoral em 2016 até a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, com algumas digressões para contextualizar a empresa e a trajetória dos seus dois principais executivos e protagonistas da história, Mark Zuckerberg (co-fundador e CEO) e Sheryl Sandberg (COO).

É uma história recente, ainda fresca na memória de muitos e que continua se desenrolando. Mesmo para quem a acompanha, o livro vale pelos bastidores reveladores a que as autoras tiveram acesso e pela montagem cronológica, muito bem feita. Não que faltem argumentos, e talvez até por isso, é chocante o quão insana a direção do Facebook se revela e como a prioridade ali dentro sempre foi lucro e poder, a despeito das ladainhas de porta-vozes e executivos quando em público.

Uma verdade incômoda saiu no Brasil pela Companhia das Letras. Meu agradecimento à editora pelo envio de uma cópia cortesia. Compre na Amazon, Magalu ou direto da editora1.

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Nesta quinta (20), o Twitter liberou suporte a NFTs como imagens de exibição aos assinantes pagantes do Twitter Blue – o produto digital da rede social que dá mais recursos aos assinantes. Por ora, só no iOS. Horas depois, o Financial Times reportou que o Facebook estuda abraçar NFTs também.

Neymar, o jogador de futebol, foi um dos primeiros a adotar um NFT como imagem de exibição no Twitter. Escolheu um dos dois desenhos de macacos, recém-comprados por quase R$ 6 milhões.

Não por coincidência, também na quinta o Financial Times publicou um rumor de que o Facebook/Meta está trabalhando para suportar NFTs nas suas duas redes, Facebook e Instagram. Fontes do jornal disseram que estão nos planos suporte a imagens de exibição, como ocorre no Twitter, e talvez a criação de um marketplace para a compra e venda de NFTs.

Não sabe o que é NFT? Esta imagem resume, este textão explica em profundidade.

Via @TwitterBlue/Twitter, Financial Times (ambos em inglês).

Depois de YouTube, Twitter e Facebook, agora é a vez do Instagram oferecer assinaturas mensais pagas diretamente a criadores. O recurso estreou nesta quarta-feira (19) nos Estados Unidos, ainda em caráter de teste. Caso seja bem sucedido, o Facebook/Meta disse que o recurso será estendido a outros países.

Assinantes de perfis terão direito a lives e stories exclusivos e poderão ostentar um distintivo (badge) identificando-os como tais. O Facebook/Meta se comprometeu em não cobrar qualquer taxa dos criadores que aderirem ao programa até pelo menos 2023. Via Instagram (em inglês)

A partir desta quarta (19), anunciantes do Facebook e do Instagram não poderão mais direcionar anúncios com base em categorias “relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis”, como saúde, raça ou etnia, filiação política, religião ou orientação sexual. Campanhas que já estão rodando poderão continuar no ar até 27 de março. O Facebook/Meta também removeu categorias pouco usadas, redundantes ou muito granulares, sem especificar quais. Via Search Engine Land (em inglês), Meta para Negócios.

O escândalo do Facebook Papers não foi capaz de abalar a maioria das métricas importantes do Facebook/Meta, como geração de receita, lucro e tamanho da base de usuários. Mas teve uma métrica em específico que, ao que parece, sofreu: o moral dos funcionários. Na última edição da pesquisa de satisfação dos funcionários, realizada todo ano pela Glassdoor, o Facebook/Meta despencou para a 47ª posição. Foi a pior classificação da empresa em todas as edições da pesquisa.

A título de contexto, em 2020 o Facebook/Meta havia ficado em 11º lugar. E em três edições, foi eleito o melhor lugar para se trabalhar nos Estados Unidos. Via Bloomberg (em inglês).

A Comissão Federal de Comércio (FTC na sigla em inglês, espécie de Cade dos Estados Unidos) conseguiu convencer a Justiça norte-americana de que a acusação antitruste contra o Facebook, devido às aquisições do Instagram (2012) e WhatsApp (2014), tem fundamento e, assim, seguirá adiante.

É a segunda vez que a FTC tenta emplacar a acusação. Na primeira tentativa, no final de 2020, o juiz federal James Boasberg não se convenceu, mas deu à agência uma segunda chance. Desta vez, ele classificou a nova argumentação “muito mais robusta e mais bem detalhada”. O processo deverá se estender por um bom tempo. A FTC alega que o Facebook detém um monopólio em “redes sociais pessoais” e demanda que a empresa se desfaça do Instagram e do WhatsApp. Via O Globo, Platformer (em inglês).

Um ano difícil para a big tech

O roteirista de 2021 caprichou: logo na largada, no dia 6 de janeiro, um bando de lunáticos, insuflados pelo próprio presidente dos Estados Unidos, invadiu o Capitólio numa tentativa explícita de golpe de estado. Não conseguiram, mas deixaram no caminho alguns mortos, centenas de feridos e o mundo atônito.

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Adotar um nome (relativamente) comum como marca traz um risco enorme: o de deparar-se com outras empresas e pessoas que o usavam anteriormente. Meta, o novo nome do Facebook, não é lá dos mais originais, e a maneira como a empresa de Zuckerberg vem lidando com as inevitáveis coincidências tem sido irregular.

Ao Meta Financial Group, um banco regional dos Estados Unidos, o Facebook pagou US$ 60 milhões pelos direitos do nome Meta. A compra foi feita por uma empresa afiliada do Facebook, a Beige Key. Um porta-voz confirmou a relação entre as duas.

Do outro lado do mundo, na Austrália, a artista Thea-Mai Baumann tinha o nome de usuária @metaverse no Instagram desde 2012. Nesse caso, o Facebook simplesmente desabilitou sua conta cinco dias depois de apresentar sua nova marca, alegando que Thea-Mai estava tentando se passar por outra pessoa. Tipo confisco mesmo. Se hoje está assim, imagina no metaverso do Facebook… Via Reuters (em inglês), New York Times (em inglês).

A Big Tech está se lixando para a sociedade — e isso inclui a democracia

por Guilherme Felitti

Este episódio começa com uma história pessoal: há alguns anos eu tive câncer. O tumor que eu descobri por acidente estava no meu testículo direito. Um dia, e não tem jeito bonito de contar isso, eu fui coçar meu saco e percebi que o testículo estava com uma textura lisa. Qualquer um que tenha ou já tenha tocado em um testículo (ou seja: todo mundo) sabe que testículos não são lisos, mas rugosos. Eu cometi o erro de buscar o sintoma no Google e no dia seguinte eu estava sentado na recepção do Pronto Socorro do Hospital do Câncer em São Paulo para fazer os exames de sangue, raios-x e ressonâncias magnéticas que revelariam uma semana depois que, sim, tudo indicava que era um câncer mesmo. O tratamento que eu fiz durou pouco mais de um mês e envolveu, basicamente, uma cirurgia para tirar o testículo.

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A Autoridade de Competição e Mercados (CMA, na sigla em inglês) do Reino Unido, espécie de Cade de lá, determinou nesta terça (30.nov) o desfazimento da compra do Giphy pelo Facebook, negócio de US$ 400 milhões anunciado em 2020, porque ele “pode causar danos a usuários de redes sociais e anunciantes do Reino Unido” ao eliminar um concorrente no segmento de publicidade digital. Via Gov.uk (em inglês).

A Axios lembra que é a primeira vez que uma autoridade reguladora de fora dos Estados Unidos ordena uma big tech norte-americana a se desfazer de um ativo e que tal precedente pode animar outros países a seguirem o exemplo. Uma alternativa ao Facebook para manter o Giphy seria retirar-se do Reino Unido, mas a probabilidade disso é baixa. Via Axios (em inglês).