O Banco Central anunciou duas novidades para melhorar a segurança do Pix:

  1. Notificação de infração, que permitirá às instituições financeiras rotular usuários e chaves Pix como suspeitos de fraudes com detalhamento do tipo de fraude e razão da notificação.
  2. Uma reformulação nos dados disponibilizados às instituições para análises antifraude. Além de um conjunto mais amplo de dados, como os citados acima, o período dos dados disponíveis será ampliado de seis meses para até cinco anos.

As novidades começam a valer a partir de 5 de novembro. Via Banco Central.

O governo federal voltou atrás e não vai mais acabar com a isenção tributária para encomendas entre pessoas físicas de até US$ 50, medida que, na prática, passaria a taxar todas as compras diretas de sites asiáticos. Em entrevista ao G1, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o presidente Lula pediu pela reversão e para que o assunto — sonegação no e-commerce transfronteiriço — fosse tratado administrativamente. A pressão popular foi forte demais, afinal.

Haddad disse que todo o varejo brasileiro, Shopee e AliExpress manifestaram apoio ao aumento da fiscalização, e que a fraude é o grande problema, “em especial de uma empresa”. Arrisco dizer que é uma que começa com “She” e termina com “in”. Via G1.

Demorou, mas a Meta conseguiu completar a jornada do consumidor dentro do WhatsApp. Nesta terça (11), o aplicativo ganhou o recurso de pagamentos a pequenos negócios. Dá para procurar empresas, escolher produtos e pagar por eles — tudo isso sem sair do WhatsApp. Nota-se a importância da notícia quando Mark Zuckerberg, CEO da Meta, faz um comentário em sua página no Facebook. Via Meta.

O Vale do Silício passou o fim de semana insone, ansioso pelo salvamento do Banco do Vale do Silício (SVB, na sigla em inglês), que quebrou espetacularmente na sexta-feira (10) após uma boa e velha corrida ao banco.

(Não vou me arriscar a tenta explicar o que aconteceu, pois complexo e vários já tentaram por aí — é só procurar.)

Com +90% do dinheiro depositado sem cobertura do equivalente deles ao nosso Fundo Garantidor de Crédito (FGC), havia o temor de que a quebra impedisse startups de pagar funcionários e credores. Na noite deste domingo (12), porém, autoridades do governo norte-americano garantiram que os correntistas terão o seu dinheiro de volta.

Outros temores persistem, como o risco sistêmico, de uma quebra generalizada do setor bancário norte-americano. Antes e depois do SVB, o também californiano Silvergate (especializado em criptomoedas) e o novaiorquino Signature (de alta renda, também exposto a criptomoedas) quebraram.

Durante o que a Bloomberg resumiu em “67 horas caóticas”, investidores de risco e startuperos se uniram em coro pedindo ajuda ao governo para salvar setor. Irônico. Via Departamento do Tesouro dos EUA (em inglês).

por Shūmiàn 书面

Fez sucesso na internet brasileira na última semana um vídeo da influenciadora Naomi Wu mostrando dezenas de jovens chinesas sentadas em calçadas com suas ring lights, fazendo streaming de conteúdo.

A explicação para o fenômeno é simples: a expectativa é de que os aplicativos priorizem para seus usuários os conteúdos criados localmente — assim, quem estiver transmitindo de um bairro mais rico teria maiores chances de se comunicar com um público endinheirado, revendo melhores gorjetas. Mas tem também quem acredite que essa estratégia atrai doações por pena, como mostra esta reportagem da Hong Kong Free Press.

A indústria do livestream movimenta 30 bilhões de dólares na China, o que tem levado o governo a regular o setor, buscando diminuir o tempo de exposição de jovens aos vídeos, a influência de pessoas desqualificadas, o excesso de gorjetas oferecidas a influenciadores e a evasão fiscal, mas novos nichos continuam a surgir, inclusive companhia para sessões de estudo.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Um ano depois da onda de assaltos das quadrilhas “limpa contas” no Brasil, o problema chegou aos Estados Unidos, como reportado pelo Wall Street Journal.

Lá, a julgar pelos relatos, os assaltantes agem mais em bares, observando e até interagindo com as vítimas de modo a forçá-las a inserirem a senha do iPhone. Depois, o mesmo roteiro daqui se segue: iPhone furtado, acessos à Conta Apple bloqueados e contas bancárias varridas.

O cerne do problema é o mesmo: a fim de facilitar a vida dos clientes, alguém precisa apenas da senha de desbloqueio do iPhone para alterar a senha da Conta Apple.

Em nota ao WSJ, a Apple disse que eventos do tipo são raros e demandam várias etapas físicas para serem bem sucedidos. “Continuamos a avançar as proteções para ajudar a manter as contas de usuários seguras”, concluiu um porta-voz.

Enquanto a Apple segue em negação, há duas medidas que ajudam a mitigar estragos — uma delas negligenciada pela reportagem do jornal norte-americano:

  • Trocar a senha do iPhone por uma alfanumérica. As de quatro ou seis dígitos são fáceis de serem observadas e memorizadas por terceiros.
  • Usar o Tempo de Uso para restringir alterações de código e da conta no iPhone (em Conteúdo e Privacidade). Isso cria uma senha alternativa, de quatro dígitos, para mexer nessas áreas sensíveis.

Via Wall Street Journal (em inglês).

A Apple atualizou sua tabela de preços para reparos no Brasil. A maioria dos reajustes não passou de 5,1%. A exceção negativa é a troca da bateria do iPhone, que, no caso dos modelos “de botão”, sofreu um reajuste de absurdos 41% — de R$ 386 para R$ 544.

O reajuste da troca de bateria só começa a valer em 1º de março, porém — para os demais reparos, os preços novos já estão valendo. Via MacMagazine.

Levantamento de Molly White, do ótimo Web3 is Going Just Great (W3IGG), revelou que os muitos hacks e golpes envolvendo plataformas da chamada “Web3” causaram prejuízo de US$ 4,27 bilhões (~R$ 23 bilhões) em 2022.

Molly diz que é uma “estimativa bastante conservadora” porque “ainda não temos uma boa imagem do tanto de dinheiro perdido em alguns dos maiores colapsos do ano”, como os da criptomoeda Luna e da exchange FTX.

O valor acima pode ser visualizado em um novíssimo “placar do golpismo”, que Molly subiu no W3IGG. O maior rombo de 2022 foi o hack de uma “ponte” do jogo Axie Infinity, da Sky Mavis: só ali foram perdidos US$ 625 milhões (~R$ 3,37 bilhões). Via newsletter da Molly White (em inglês).

O YouTube desmonetizou todos os canais da Jovem Pan nesta quarta (23) por iniciativa própria, ou seja, sem ser provocado pela Justiça. A’O Globo, a plataforma de vídeos do Google justificou a decisão afirmando que o programa “Os Pingos nos Is”:

Incorreu em repetidas violações das nossas políticas contra desinformação em eleições e nossas diretrizes de conteúdo adequado para publicidade, incluindo as relacionadas a questões polêmicas e eventos sensíveis, atos perigosos ou nocivos, além de outras políticas de monetização

Teria sido uma grande decisão se tomada meses, anos atrás, quando esse e outros canais já infringiam regras da plataforma e o YouTube/Google, em vez de punir a Jovem Pan, promovia os canais da emissora em seu algoritmo de recomendação. Via O Globo.

O Google incluiu o Brasil nos testes de sistemas de pagamento alternativos na Play Store. Em paralelo, o Spotify lançou uma atualização do aplicativo para Android que permite ao usuário escolher pagar a assinatura pelo sistema próprio da Play Store ou direto ao Spotify — na segunda opção, o Google cobra uma taxa 4% menor. Via Android DevelopersGoogle, Spotify (todos em inglês).

A Adobe e a Pantone™ encerraram uma parceria de longa data e, como resultado, agora é preciso pagar uma mensalidade pelo plugin Pantone™ Connect para que arquivos do Photoshop, Illustrator e InDesign que usem cores da paleta proprietária da Pantone as exibam corretamente. Não quer pagar? As cores Pantone™ são substituídas por preto.

Os preços variam por região. No Brasil, a assinatura anual do Pantone™ Connect custa R$ 37,85 por mês (12 meses pagos numa tacada só), com 7 dias de gratuidade.

A Pantone™ conseguiu, de alguma maneira, tornar-se proprietária de cores (o que estou escrevendo?) e após décadas de colaboração com a Adobe, decidiu tirar uma lasquinha do mercado de SaaS que a Adobe vem explorando há alguns anos com grande sucesso financeiro.

O “legal”, nos lembra Cory Doctorow, é que, sendo softwares alugados, não existe a possibilidade de estacionar numa versão do Photoshop para não ser afetado pela mudança. Há relatos de arquivos criados há 20 anos que tiveram cores Pantone™ trocadas por preto. Via @funwithstuff/Twitter, Kotaku, Pluralistic (todos em inglês).

Atualização (15h20): Stuart Semple lançou o Freetone, um plugin gratuito que faz o “matching” de cores com a paleta Pantone™.

Apresentando o clube de descontos do Manual do Usuário

O Manual do Usuário tem um programa de assinaturas que ajuda a manter o projeto no ar. Em troca da ajuda financeira, os apoiadores/assinantes recebem alguns mimos. Hoje, eles ganham mais um: o clube de descontos.

Para a estreia, sete dez empresas muito legais se apresentaram para oferecer descontos e vantagens exclusivas aos assinantes do Manual. São elas (em ordem alfabética):

(mais…)

O Nubank reagiu às quadrilhas “limpa contas” — criminosos que roubam celulares para transferir valores de bancos digitais pelo aparelho — ao anunciar, nesta quinta (13), o “modo rua”.

Ainda em testes, ele permite definir limites menores para transações (a princípio, Pix, TED e boletos) quando o celular estiver fora do alcance de uma rede Wi-Fi segura.

Os testes do “modo rua” começam nos próximos dias, com uma base selecionada de clientes. O Nubank não informou quando o novo recurso será estendido a toda a base de clientes. É um paliativo que pode ser útil em determinadas situações.

No mesmo comunicado à imprensa, o Nubank lista outras medidas de segurança sem informar se são novas. Ali tem duas que parecem mais úteis que o “modo rua”: o “aviso de golpe”, que detecta transações atípicas, e uma nova ferramenta de atendimento prioritário para golpes e roubos, furtos e coerções. Para clientes, é bom ter esses links salvos nos favoritos. Via Nubank.

O PicPay atualizou sua política de privacidade para remover um dos seus recursos mais esquisitos: o feed de transações públicas. A novidade vale a partir das versões 11.0.31 (iOS) e 11.0.37 (Android) do aplicativo.

Há dez anos, quando foi lançado, tudo era rede social, então o PicPay tinha uma… rede social, que (por padrão?) exibia todas as suas transações feitas pelo aplicativo a seus contatos, que podiam curtir e/ou comentar.

Já naquela época parecia uma má ideia, mas só agora o recurso foi desativado. (Já era possível “fechar o perfil” anteriormente.) Em um e-mail enviado aos usuários nesta segunda (26), o PicPay explica que usuários que acessarem o seu perfil “não poderão mais ver, curtir e/ou comentar as suas atividades”. Ufa?

O TikTok ainda é um terreno pouco explorado por políticos. A ByteDance, dona do aplicativo, quer que ele continue assim.

A empresa anunciou uma série de restrições a fim de que “contas pertencentes a governos, políticos e partidos políticos não possam dar ou receber dinheiro por meio dos recursos de monetização do TikTok ou gastar dinheiro promovendo seu conteúdo”.

Recursos de publicidade serão desativados automaticamente para essas contas. Além disso, elas não terão acesso a recursos de monetização, como moedas e brindes em lives e links de e-commerce. Em breve, também serão proibidos de arrecadar fundos (leia-se: pedir dinheiro) em vídeos em lives. Tudo isso se soma à proibição, já existente, de impulsionarem conteúdo.

Haverá exceções para contas de governos em campanhas institucionais, como impulsionar posts de campanhas de vacinação. Via TikTok.