Muito boa a “prestação de contas” do Signal, a primeira que a fundação sem fins lucrativos faz. O custo operacional em 2023, até agora (novembro), é de ~US$ 33 milhões, e estima-se que em 2025 será de US$ 50 milhões/ano. O que é pouquíssimo comparado a aplicativos similares, também gratuitos, que não têm nem de longe o mesmo cuidado com a privacidade do Signal. Via Signal (em inglês).
Dinheiro
Um memorando vazado de Matt Mullenweg, CEO da Automattic, anunciando uma redução no escopo do Tumblr, foi confirmado pelo próprio.
Os 139 funcionários dedicados à plataforma serão remanejados para outros produtos da empresa em 2024, e o trabalho no Tumblr será mais de manutenção do básico, sem grandes planos de expansão, para que ele funcione de modo “suave e eficiente”.
Mullenweg comentou que, em quatro anos, ~200 pessoas se dedicaram integralmente ao Tumblr, e que os esforços na plataforma deram prejuízo de US$ 100 milhões.
É como diz o título do memorando: ou você vence, ou você aprende. Via @photomatt/Tumblr (em inglês).
Brasil é o país do WhatsApp
Uma das muitas promessas da Meta que não resistiram ao tempo foi a de não mexer no WhatsApp. Ela foi feita por Mark Zuckerberg após a aquisição do aplicativo, por US$ 19 bilhões, em 2014.
Nessa semana, Zuckerberg (que era e ainda é CEO da Meta) e Will Cathcart (diretor à frente do WhatsApp) concederam entrevistas a grandes jornais daqui e dos EUA para falarem do app de mensagens.
Nos EUA, Zuck disse ao New York Times que posicionou o WhatsApp como o “próximo capítulo” da história da sua companhia.
A onipresença do WhatsApp só escapa a dois países: a China, por motivos óbvios, e os EUA, o que é difícil de explicar.
A Meta diz que mais da metade dos jovens adultos norte-americanos já tem o WhatsApp instalado. É um primeiro passo para superarem o SMS e o debate batido de “balões verdes/azuis”.
No Brasil, Cathcart concedeu uma entrevista ensaboada à Folha de S.Paulo, onde exaltou o nosso vício no app: somos o país que mais manda áudios (quatro vezes mais que qualquer outro!), mensagens que somem e mensagens no geral.
Em outro momento, Cathcart garantiu que o WhatsApp jamais terá anúncios, com um asterisco: nas conversas. Outras áreas, como Status (stories) e canais, estão em aberto.
Anúncios no Facebook e Instagram que direcionam usuários aos aplicativos de mensagens da Meta (WhatsApp, Messenger e DMs do Instagram) já são um negócio de US$ 10 bilhões, e continuam crescendo.
A Meta precisa continuar entregando crescimento a cada três meses a seus acionistas. O WhatsApp é um “gigante adormecido”, um aplicativo com +2 bilhões de usuários e um potencial inexplorado de receita enorme. Com Zuck torrando bilhões em metaverso e outros negócios estagnando, parece que chegou a hora de acordá-lo. As entrevistas em jornalões são o alarme tocando.
O Manual tem um canal no WhatsApp. Siga para receber comentários, imagens e links por lá.
O pagamento por NFC foi o mais popular em compras presenciais no Brasil no terceiro trimestre, segundo a Abecs, com 52,3% de participação. Na subdivisão da modalidade, o plástico lidera com folga (81% dos brasileiros dizem usá-lo), seguido do celular (26%) e relógios inteligentes (1%). Via Mobile Time, Abecs (PDF).
Contra o tecno-otimismo
Nos anos 1990, Marc Andreessen criou o Netscape, primeiro navegador web comercial de sucesso, pivô da disputa que levou a Microsoft ao banco dos réus em um dos maiores julgamentos antitruste dos Estados Unidos.
Hoje, Andreessen é mais conhecido por ser sócio da Andreessen Horowitz, ou a16z, uma das firmas de capital de risco mais badaladas do Vale do Silício. Ele viu antes da maioria o potencial de crescimento de startups como Facebook, Skype, Airbnb e Stripe, e lucrou horrores com essas sacadas.
Andreessen também gosta de escrever. Bastante. Foi um dos que popularizam os detestáveis fios no Twitter (outra empresa em que investiu). Seus longos textos em tom de manifesto são populares no meio tecnológico, frutos da fama adquirida em uma tão rara quanto feliz previsão acertada feita em 2011, no artigo seminal “O software está devorando o mundo”. O que não significa que ele seja ou deva ser encarado como um oráculo.
O pedágio do Twitter
A última grande ideia de Elon Musk é cobrar um valor simbólico dos usuários do Twitter.
Por enquanto, é um teste limitado a novas contas criadas nas Filipinas e Nova Zelândia. Objetivo alardeado? Conter robôs que publicam spam na plataforma.
O fim é nobre, mas a solução proposta é ruim — e não só por barrar também (muitas) pessoas legítimas. A barreira financeira só afasta pessoas mal intencionadas se for maior que o retorno esperado. No caso das campanhas de desinformação do Twitter, às vezes o retorno imediato nem é financeiro.
E, mesmo que a motivação dos spammers seja dinheiro, estamos falando de US$ 1 por ano, valor da assinatura em testes que transforma o básico — postar e interagir — em benefício de assinantes.
Matt Mullenweg, co-fundador e CEO da Automattic, empresa por trás do WordPress, criticou a iniciativa. Ele lembrou que domínios e hospedagem de sites custam bem mais que US$ 1/ano e, ainda assim, a web é dominada por sites de spam:
Cobrar [pelo acesso] pode causar uma queda de curto prazo nos robôs enquanto os criminosos atualizam seus scripts, mas o valor de manipular o X/Twitter é tão alto que imagino que já haja milhões de dólares sendo gastos nisso.
O executivo sabe do que fala: a Automattic mantém o Akismet, um dos filtros anti-spam mais usados e eficientes para comentários em sites e blogs.
Para Mullenweg, o sucesso duradouro no combate ao spam passa por ter um “olhar sutil sobre o comportamento e o conteúdo […] e ter uma operação de trust & safety muito sofisticada, com ótimos engenheiros”.
Musk demitiu +75% dos funcionários. Mandou embora ótimos engenheiros e desmantelou a equipe de trust & safety (algo como “confiança & segurança”) do Twitter.
Cobrar não vai resolver esse problema, mas talvez solucione outro mais urgente para Musk: obter acesso aos cartões de crédito da base de usuários do Twitter.
Transparência: O Manual do Usuário está hospedado nos servidores da Automattic.
Topa tudo por dinheiro
Kate Knibbs, repórter da Wired, descobriu um fenômeno bizarro no YouTube: canais que leem obituários de pessoas comuns, em grandes volumes.
Na apuração, Kate descobriu que os canais fazem isso de olho na receita com publicidade que o Google divide com youtubers.
A vez em que tive prejuízo por proteger meus dados
Neste episódio do podcast, falo dos canais do WhatsApp (siga o do Manual), explico por que decidi criá-lo, falo das redes que abandonei e conto a história da vez em que tive um pequeno prejuízo por proteger demais meus dados.
Mande o seu recado ou pergunta, em texto ou áudio, no Telegram, pelo e-mail podcast@manualdousuario.net ou comentando na página deste episódio.
Está ouvindo pelo Apple Podcasts ou Spotify? Curta ❤️, comente dê cinco estrelas ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ etc. Parece que precisa disso para que mais gente conheça o podcast. Obrigado!
Desde o último episódio, um leitor tornou-se assinante: Leandro Zedes. Obrigado!
Quer assinar também? Nesta página tem os planos, benefícios e valores.
iPhone 15 chega mais barato e mais caro no Brasil
A Apple anunciou nesta terça (12) o iPhone 15 com uma “revolucionária” porta USB-C, cortesia da União Europeia. Como faz desde 2021, a loja virtual da Apple já mostra os preços dos novos produtos para o mercado brasileiro. Vamos ver quão mais caro (ou mais barato) o novo iPhone ficou por aqui, na terra do iPhone ostentação?
Em termos absolutos, o iPhone 15 (128 GB, modelo básico) ficou 3,9% mais barato, com preço de R$ 7.299.
Os dois modelos anteriores custavam R$ 7.599 no lançamento, seguidos do iPhone mais caro da história, o iPhone 12 de 2020, que chegou custando R$ 7.999.

Esses preços são os sugeridos pela Apple e não levam em conta descontos, promoções ou variações em outras lojas do varejo, onde costuma ser mais barato adquirir iPhones.
A inflação oficial medida pelo IBGE, o IPCA acumulado dos últimos 12 meses até agosto, foi de 4,61%.
A análise que faço leva em conta, também, o preço em dólar, que costumava ser estável até 2022, mas que ainda assim ajuda a colocar os preços brasileiros em perspectiva.
No intervalo de um ano, considerando a cotação fechada de 12 de setembro, o dólar comercial desvalorizou 5,4% em relação ao real, de R$ 5,238 para R$ 4,953.
O preço do iPhone brasileiro, convertido pelas respectivas cotações nos dias de lançamento, aumentou 1,6%, para US$ 1.473,65. É, pelo terceiro ano consecutivo, o iPhone “dolarizado” mais caro que já desembarcou por aqui.
Nos Estados Unidos, o iPhone 15 desvinculado de operadoras manteve o mesmo preço de 2020, US$ 829. Naquele ano, porém, o então lançamento iPhone 12 disparou 18,6%. No mesmo período, entre 2019 e agora, o iPhone brasileiro “dolarizado” aumentou 20,3%.

Para quem não se importa em adquirir o último modelo, os das linhas iPhone 13 e 14 tiveram reduções de preços significativas com o anúncio do iPhone 15, de até 24,4%. O único contra é que apenas os modelos padrões e Plus sobreviveram, ou seja, a versão mini já era…
Anos anteriores: iPhone 5S (2013), iPhone 6 (2014), iPhone 6S (2015), iPhone 7 (2016), iPhone XR (2018), iPhone 11 (2019), iPhone 12 (2020) e iPhone 13 (2021). Não teve post em 2017 porque estava fora do site na época e em 2022 porque… sei lá, acho que esqueci?
A Amazon fez um barulhão esta semana, com direito a evento presencial em São Paulo, para lançar seu cartão de crédito. Ele dá “cashback” em pontos que só podem ser gastos na própria Amazon e parcelamento a perder de vista. O que me chamou a atenção foi a cobertura da imprensa. Não me recordo de outro cartão de loja (convenhamos, é disso que se trata) que tenha atraído tanto a atenção dos colegas.