O pagamento por NFC foi o mais popular em compras presenciais no Brasil no terceiro trimestre, segundo a Abecs, com 52,3% de participação. Na subdivisão da modalidade, o plástico lidera com folga (81% dos brasileiros dizem usá-lo), seguido do celular (26%) e relógios inteligentes (1%). Via Mobile Time, Abecs (PDF).

Contra o tecno-otimismo

Homem branco, careca, de camiseta branca, sorrindo para a câmera. Foto com efeito dithering nas cores branco, preto e rosa.

Nos anos 1990, Marc Andreessen criou o Netscape, primeiro navegador web comercial de sucesso, pivô da disputa que levou a Microsoft ao banco dos réus em um dos maiores julgamentos antitruste dos Estados Unidos.

Hoje, Andreessen é mais conhecido por ser sócio da Andreessen Horowitz, ou a16z, uma das firmas de capital de risco mais badaladas do Vale do Silício. Ele viu antes da maioria o potencial de crescimento de startups como Facebook, Skype, Airbnb e Stripe, e lucrou horrores com essas sacadas.

Andreessen também gosta de escrever. Bastante. Foi um dos que popularizam os detestáveis fios no Twitter (outra empresa em que investiu). Seus longos textos em tom de manifesto são populares no meio tecnológico, frutos da fama adquirida em uma tão rara quanto feliz previsão acertada feita em 2011, no artigo seminal “O software está devorando o mundo”. O que não significa que ele seja ou deva ser encarado como um oráculo.

(mais…)

O pedágio do Twitter

A última grande ideia de Elon Musk é cobrar um valor simbólico dos usuários do Twitter.

Por enquanto, é um teste limitado a novas contas criadas nas Filipinas e Nova Zelândia. Objetivo alardeado? Conter robôs que publicam spam na plataforma.

O fim é nobre, mas a solução proposta é ruim — e não só por barrar também (muitas) pessoas legítimas. A barreira financeira só afasta pessoas mal intencionadas se for maior que o retorno esperado. No caso das campanhas de desinformação do Twitter, às vezes o retorno imediato nem é financeiro.

E, mesmo que a motivação dos spammers seja dinheiro, estamos falando de US$ 1 por ano, valor da assinatura em testes que transforma o básico — postar e interagir — em benefício de assinantes.

Matt Mullenweg, co-fundador e CEO da Automattic, empresa por trás do WordPress, criticou a iniciativa. Ele lembrou que domínios e hospedagem de sites custam bem mais que US$ 1/ano e, ainda assim, a web é dominada por sites de spam:

Cobrar [pelo acesso] pode causar uma queda de curto prazo nos robôs enquanto os criminosos atualizam seus scripts, mas o valor de manipular o X/Twitter é tão alto que imagino que já haja milhões de dólares sendo gastos nisso.

O executivo sabe do que fala: a Automattic mantém o Akismet, um dos filtros anti-spam mais usados e eficientes para comentários em sites e blogs.

Para Mullenweg, o sucesso duradouro no combate ao spam passa por ter um “olhar sutil sobre o comportamento e o conteúdo […] e ter uma operação de trust & safety muito sofisticada, com ótimos engenheiros”.

Musk demitiu +75% dos funcionários. Mandou embora ótimos engenheiros e desmantelou a equipe de trust & safety (algo como “confiança & segurança”) do Twitter.

Cobrar não vai resolver esse problema, mas talvez solucione outro mais urgente para Musk: obter acesso aos cartões de crédito da base de usuários do Twitter.

Transparência: O Manual do Usuário está hospedado nos servidores da Automattic.

A vez em que tive prejuízo por proteger meus dados

Neste episódio do podcast, falo dos canais do WhatsApp (siga o do Manual), explico por que decidi criá-lo, falo das redes que abandonei e conto a história da vez em que tive um pequeno prejuízo por proteger demais meus dados.


Mande o seu recado ou pergunta, em texto ou áudio, no Telegram, pelo e-mail podcast@manualdousuario.net ou comentando na página deste episódio.

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iPhone 15 chega mais barato e mais caro no Brasil

A Apple anunciou nesta terça (12) o iPhone 15 com uma “revolucionária” porta USB-C, cortesia da União Europeia. Como faz desde 2021, a loja virtual da Apple já mostra os preços dos novos produtos para o mercado brasileiro. Vamos ver quão mais caro (ou mais barato) o novo iPhone ficou por aqui, na terra do iPhone ostentação?

Em termos absolutos, o iPhone 15 (128 GB, modelo básico) ficou 3,9% mais barato, com preço de R$ 7.299.

Os dois modelos anteriores custavam R$ 7.599 no lançamento, seguidos do iPhone mais caro da história, o iPhone 12 de 2020, que chegou custando R$ 7.999.

Gráfico da variação de preços do iPhone no Brasil, 2011–2023.

Esses preços são os sugeridos pela Apple e não levam em conta descontos, promoções ou variações em outras lojas do varejo, onde costuma ser mais barato adquirir iPhones.

A inflação oficial medida pelo IBGE, o IPCA acumulado dos últimos 12 meses até agosto, foi de 4,61%.

A análise que faço leva em conta, também, o preço em dólar, que costumava ser estável até 2022, mas que ainda assim ajuda a colocar os preços brasileiros em perspectiva.

No intervalo de um ano, considerando a cotação fechada de 12 de setembro, o dólar comercial desvalorizou 5,4% em relação ao real, de R$ 5,238 para R$ 4,953.

O preço do iPhone brasileiro, convertido pelas respectivas cotações nos dias de lançamento, aumentou 1,6%, para US$ 1.473,65. É, pelo terceiro ano consecutivo, o iPhone “dolarizado” mais caro que já desembarcou por aqui.

Nos Estados Unidos, o iPhone 15 desvinculado de operadoras manteve o mesmo preço de 2020, US$ 829. Naquele ano, porém, o então lançamento iPhone 12 disparou 18,6%. No mesmo período, entre 2019 e agora, o iPhone brasileiro “dolarizado” aumentou 20,3%.

Tabela com variação de preços do iPhone no Brasil, de 2011 (iPhone 4S) a 2023 (iPhone 15).

Para quem não se importa em adquirir o último modelo, os das linhas iPhone 13 e 14 tiveram reduções de preços significativas com o anúncio do iPhone 15, de até 24,4%. O único contra é que apenas os modelos padrões e Plus sobreviveram, ou seja, a versão mini já era…

Anos anteriores: iPhone 5S (2013), iPhone 6 (2014), iPhone 6S (2015), iPhone 7 (2016), iPhone XR (2018), iPhone 11 (2019), iPhone 12 (2020) e iPhone 13 (2021). Não teve post em 2017 porque estava fora do site na época e em 2022 porque… sei lá, acho que esqueci?

A Amazon fez um barulhão esta semana, com direito a evento presencial em São Paulo, para lançar seu cartão de crédito. Ele dá “cashback” em pontos que só podem ser gastos na própria Amazon e parcelamento a perder de vista. O que me chamou a atenção foi a cobertura da imprensa. Não me recordo de outro cartão de loja (convenhamos, é disso que se trata) que tenha atraído tanto a atenção dos colegas.

A assinatura premium do Spotify ficou mais cara no Brasil:

  • Individual: de R$ 19,90 para R$ 21,90 (+10,1%);
  • Duo: de R$ 24,90 para R$ 27,90 (+12%);
  • Universitário: de R$ 9,90 para R$ 11,90 (+20,2%).

O plano família não sofreu alterações — continua custando R$ 34,90.

Estelionatários já estão usando o Desenrola Brasil, programa de quitação de dívidas lançado pelo governo federal nesta segunda (17), para aplicar golpes. A Agência Lupa encontrou posts patrocinados no Facebook, com gastos de até R$ 7 mil, que levam a páginas fraudulentas.

Mais uma vez, a Meta (dona do Facebook) lucra com o uso das suas plataformas para a prática de crimes. A responsabilidade solidária das plataformas digitais, que estava prevista no PL das fake news, provavelmente cairá. Percebe-se que é algo necessário. Via Agência Lupa.

Clientes do Ame, a carteira digital da Americanas, receberam um e-mail (veja) informando que a partir de 5/7, contas com saldo de cashback e sem transação há mais de 90 dias terão uma tarifa de manutenção de R$ 2,99, debitada apenas do saldo de cashback.

Não dá para dizer que a Americanas não está inovando para sair da “crise”: é a primeira vez que vejo cobrança de taxa sobre cashback. É tipo pedir um presente de volta. Feio.

O Banco Central está desapontado com a falta de criatividade dos bancos na exploração do open finance, o sistema que permite aos clientes movimentarem seus dados bancários entre instituições. A declaração foi feita por Matheus Rauber, assessor sênior de regulação no BC, no evento setorial Febraban Tech. Os bancos, de seu lado, se justificam com o “dilema tostines”: não entregam produtos melhores porque os clientes não compartilham dados, e esses não compartilham dados por falta de produtos interessantes. Via Convergência Digital.

A Apple aumentou os preços do iCloud+, assinatura que garante mais espaço na nuvem da empresa e alguns outros benefícios. O aumento foi expressivo: o plano de 50 GB foi de R$ 3,50 para R$ 4,90 (+40%); 200 GB foi de R$ 10,90 para R$ 14,90 (+36,7%); e 2 TB foi de R$ 34,90 para R$ 49,90 (+42,9%). Os novos valores já estão valendo. Via MacMagazine.

O Banco Central divulgou o cronograma do Pix Automático, modalidade para pagamentos recorrentes que poderá ser usado no lugar do débito automático e do cartão de crédito. A previsão é que seja lançado ao público em abril de 2024. A proposta parece bem amarrada, com gratuidade para os pagadores e controles do limite máximo permitido e cancelamento unilateral. Via Banco Central.

A Netflix vai começar a cortar o compartilhamento de senhas no Brasil nesta terça, segundo comunicado à imprensa.

As pessoas afetadas receberão um e-mail para “para assinantes que compartilham a conta Netflix fora da própria residência no Brasil”.

O custo do assinante extra, ou seja, para continuar o compartilhamento com pessoas que não residam no mesmo endereço, será de R$ 12,90 por mês, por assinante extra. Via Netflix.