Não basta pensar, é preciso ser como os bilionários

Existem inúmeras medidas de sucesso, embora sejamos bombardeados por algumas poucas: emagrecer, ser popular e, disparada a maior delas, ter dinheiro. Não há fórmulas para conquistar esses sucessos ou seríamos todos magros, requisitados e ricos, mas vender a ideia de que eles estão ao alcance de qualquer um é, em si mesmo, um negócio rentável. Pode ser um esquema suspeito que privilegia uns poucos em detrimento de muitos, como os de pirâmide, ou, de uma forma menos danosa e mais opaca, um discurso que normaliza situações especiais. (mais…)

Um guru atípico no Vale do Silício: debate do livro “Bem-vindo ao Futuro”, de Jaron Lanier

por Fabio Montarroios

Tinha o livro de Jaron Lanier1 comigo há alguns anos. Talvez desde seu lançamento, não sei precisar. Comprei uma cópia em uma livraria grande de São Paulo porque estava ansioso demais pra esperar ele ser entregue pela Amazon (que na época ainda não estava no Brasil). Paguei mais caro por isso, obviamente.

No começo me senti, não sei bem o porquê, intimidado com o livro por vislumbrar algo difícil pela frente. Deixei-a de lado e parti para outros temas e leituras. Acabei que me livrei da edição numa arrumação de livros aqui em casa por achar que tinha perdido a oportunidade de lê-lo no momento certo. Às voltas com o Clube de Leitura me lembrei dele e lastimei sua ausência já que resolvi inclui-lo na seleção a despeito do que achava sobre não tê-lo lido na “hora certa”. (mais…)

Debate do livro Neuromancer, de William Gibson

por Fabio Montarroios

Não será nada espantoso o dia em que vislumbrarmos mais e mais pessoas conectadas aos seus aparelhos de realidade virtual. O que hoje nos parece exótico, coisa de nerds loucos, não o será mais. Mas o maior problema (ou não) será justamente a combinação de drogas com a RV: os aparelhos disponíveis hoje, aparentemente desconfortáveis e um tanto toscos, serão necessariamente diferentes e melhores (imperceptíveis), e as drogas, legais e ilegais, estarão à disposição para uso combinado, permitindo uma quase total imersão virtual. Se hoje não há dispositivos em nossos corpos que nos ligam diretamente às máquinas, essa combinação vai bastar por enquanto, já que é mais barata e acessível que implantes e procedimentos cirúrgicos. Daí, o vício inerente. Serão outros tempos e o que vamos fazer com essas outras realidades que superarão a Internet que conhecemos fazendo-a parecer primitiva, irá além do entretenimento e conhecimento: a busca por novas sensações ou sensações recriadas que passarão a nos interessar como nunca! Muita coisa pesada, evidentemente, será encontrada em algo parecido com o que temos hoje na Deep Web. O corpo, essa carcaça que nos serve de simples suporte para o Eu, é demasiadamente carente e repleto de anseios ainda não anunciados que vão nos fazer agarrar em distrações para deixar livre a mente em seus novíssimos descaminhos. Anestesiados em nossos cubículos, conectados à matriz, talvez nos comportemos como idiotas ou encontremos finalmente o sentido da existência. Todos os outros meios de se chegar em estágios menos sofisticados, possíveis com drogas como o LSD, serão inúteis sem essa combinação de RV+drogas. Disso, como não poderia deixar ser, surgirá uma nova religião e os primeiros adeptos serão os ateus. Vamos comungar, como num sonho-pesadelo, enfim, imaterializados no ciberespaço.

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“Digital e territorializado”: Debate do livro Smart: O que você não sabe sobre a Internet, de Frédéric Martel

por Fabio Montarroios

Depois de sairmos da leitura d’O Círculo, a ficção de uma empresa aniquiladora da já frágil privacidade como a conhecemos hoje, partimos para a dura e cruel realidade em Smart: O que você não sabe sobre a Internet, do francês Frédéric Martel, que mostra, com estilo e narrativa agradáveis, as entranhas da Internet (não confunda com a deep web!), ou melhor, o que as pessoas fazem com ela e seus arranjos vistos de um outro modo — um praticamente invertido do que comumente achamos. Não deve ter sido mera coincidência, então, que algumas coisas que vimos no livro de Dave Eggers sejam notáveis também no de Martel, só que dessa vez para valer. (mais…)

“Tudo que acontece deve ser conhecido”: Debate do livro O Círculo, de Dave Eggers

por Fabio Montarroios

Não será por O Círculo que, daqui a alguns anos, poderemos bater no peito e dizer que a nossa geração também teve o seu 1984 (de 1949) ou Admirável Mundo Novo (1932). Esses dois clássicos são referências fortes no livro de Dave Eggers, objeto do nosso debate de hoje, mas, na verdade, sinto dizer: em termos literários, estamos bem longe de termos algo parecido. Isso não significa, porém, que se trate de uma obra vazia. Por aquele texto relativamente fraco argumentos e indagações inquietantes se revelam. (mais…)

Pensando fora da “kill box”: Debate do livro Teoria do Drone, de Grégoire Chamayou

por Fabio Montarroios

Estou feliz em voltar a falar com vocês, sobreviventes da primeira indicação de leitura — Reprodução, uma cutucada proposital em termos estéticos para tirá-los do conforto de seus remansos literários habituais. Aos que começam agora no Clube de Leitura do Manual do Usuário, sejam bem-vindos! Chegou o momento em que viramos a chave pra adentrarmos no mundo da não-ficção. (mais…)

O Círculo é o livro de março do Clube de Leitura

Mais um mês, mais um livro para devorarmos no Clube de Leitura do Manual do Usuário. Cumprindo a promessa de alternar entre obras de ficção e não-ficção, em março leremos O Círculo, do escritor norte-americano Dave Eggers. (mais…)