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China pede maior cooperação tecnológica ao mundo

por Shūmiàn 书面

A Conferência Mundial da Internet, evento organizado anualmente pela China para promover seu modelo de governança da web, foi realizada na semana passada em Wuzhen, na província de Zhejiang.

Apesar do clima adverso devido às sanções estadunidenses, compareceram centenas de representantes da indústria de tecnologia, dos quais se destacam os CEOs de IBM, Intel e Cisco.

Na abertura do evento, Xi Jinping divulgou uma carta pedindo por maior cooperação tecnológica global. A Conferência também serviu para a estreia de Li Shulei como chefe de propaganda do PCCh, cargo que assumiu no 20º Congresso Nacional do partido.

Li criticou as atuais regras internacionais para a internet e citou o recém-publicado white paper sobre o ciberespaço como uma tentativa de aprimorar a rede. O documento pode ser lido na íntegra aqui.


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Trabalhadores em fuga na Foxconn

por Shūmiàn 书面

O grande assunto nas mídias sociais chinesas neste final de semana foram as imagens do êxodo de centenas de trabalhadores de uma fábrica da Foxconn em Zhengzhou.

As fotografias e vídeos mostram pessoas caminhando por avenidas vazias com seus pertences, por receio de serem detidas em checkpoints de covid-19 caso usassem transporte público.

Desde então, a situação evoluiu rapidamente: no domingo (30), a Foxconn confirmou a circulação do vírus em suas fábricas e anunciou que disponibilizaria transporte para os trabalhadores que quisessem deixá-las; na terça (31), passou a oferecer incentivos financeiros para quem quisesse continuar trabalhando; nesta quarta (2), o governo declarou lockdown de uma semana ao redor da fábrica, afirmando que a situação é “severa e complicada”.

Metade dos iPhones do mundo é montada nessas instalações onde trabalham 300 mil pessoas. Além da apreensão na Foxconn, há também a preocupação de que os trabalhadores que se retiraram estejam infectados e levem o vírus para suas cidades.


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TikTok espionando cidadãos dos EUA?

por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da Forbes na última quinta-feira (20), a ByteDance teria planejado em ao menos duas ocasiões utilizar dados de geolocalização coletados pelo seu aplicativo TikTok para monitorar cidadãos estadunidenses. A reportagem não concluiu se a estratégia teria sido de fato utilizada, nem definiu o perfil dos usuários alvos desse tipo de iniciativa.

A falta de detalhes sobre o caso atraiu ceticismo por parte de especialistas em China e tecnologia, como neste fio do editor da DigiChina Graham Webster. O TikTok respondeu às acusações afirmando que a reportagem omitiu sua declaração de que não coleta os tipos de dados indicados pela reportagem.

A acusação da Forbes ocorre em um momento em que a empresa chinesa se aproxima de fechar acordo com a administração Biden. Essa decisão garantiria a segurança dos dados dos usuários estadunidenses e evitaria que a ByteDance precisasse vender suas operações locais.


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Sanções dos EUA ao setor de semicondutores paralisam a indústria chinesa

por Shūmiàn 书面

Logo depois de os Estados Unidos publicarem restrições no segmento, a China foi listada formalmente como o principal desafio econômico para os EUA, segundo documento publicado pela Casa Branca na semana passada. De acordo com a Estratégia de Segurança Nacional do governo de Joe Biden, a China tem destaque sobretudo na concorrência econômica.

Mais do que isso, a nova política do governo Biden levou à demissão em série de funcionários estadunidenses que trabalhavam em empresas de semicondutores chinesas.

O impacto, explicado nesta edição do ChinaTalk, veio a partir de um documento, lançado na sexta-feira (7), que impõe uma série de sanções no setor, inclusive exigindo licenças para seus cidadãos trabalharem com essas tecnologias na China e exigindo inspeções em uma lista de fábricas selecionadas.

A Associação Chinesa da Indústria de Semicondutores (CSIA) respondeu às mudanças, criticando a decisão de transformar uma questão comercial em tema de segurança nacional. O discurso de Xi Jinping — sobre autossuficiência — parece estar em consonância com o perigo que a nova política oferece para a indústria chinesa, conforme comentou Jordan Schneider.


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Tecnologia na Iniciativa Cinturão e Rota

por Shūmiàn 书面

Uma das maiores empresas de telefonia celular tailandesas, a AIS, assinou um acordo de cooperação com a chinesa ZTE para criar um hub de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia 5G em Bangcoc, capital da Tailândia. As duas pretendem lançar tablets e smartphones conjuntamente, além de oferecer soluções para negócios e construir infraestrutura digital para a tecnologia 5G no país do sudeste asiático.

Pouco antes do anúncio do acordo, o The Japan Times publicou uma matéria sobre como as tecnologias disponibilizadas pela China na Rota da Seda Digital, sobretudo as de monitoramento com inteligência artificial, são temidas por ativistas e sindicalistas em países asiáticos: sob o argumento de aumentar a segurança pública, esse aparato seria usado para controle social, como é feito em locais politicamente sensíveis como Xinjiang e Tibete.

O Camboja, por exemplo, instalou aproximadamente 1.000 câmeras de vigilância fornecidas pela China na capital Phnom Penh, constrangendo a realização de manifestações na cidade e levantando debates sobre privacidade e transparência sobre os dados coletados.


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Hacker também bate ponto e tira folga

por Shūmiàn 书面

Saíram mais informações sobre o hack que mencionamos há algumas semanas, quando o governo chinês fez uma acusação de ciberespionagem pela Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) dos EUA. As invasões teriam sido feitas pela NSA contra a Universidade Politécnica do Noroeste da China, localizada em Xi’An.

Em junho, a direção da universidade anunciou tentativas de phishing para roubar dados de pesquisadores e alunos da instituição — o que eventualmente deu acesso ao sistema com dados sensíveis de diversas pessoas e à infraestrutura de telecomunicações. Uma força tarefa do National Computer Virus Emergency Response Center da China (CVERC) junto com uma empresa privada analisou os ataques, concluindo que 13 pessoas estavam envolvidas diretamente.

O plot twist é que a acusação veio principalmente do fato de que os hackers teriam invadido e mexido no sistema apenas durante os dias de semana, no horário das 9h da manhã até 16h da tarde do fuso da costa leste dos Estados Unidos. Além disso, eles teriam tirado “folga” coincidentemente nos mesmos dias de feriados importantes do país americano, como o 4 de Julho. Zichen Wang do Pekingnology explicou a história.


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Na China, dificuldades no mercado de trabalho viralizaram nas redes

por Shūmiàn 书面

Nas últimas duas semanas, os currículos de dois professores universitários foram um dos assuntos mais comentados nas redes sociais chinesas. Conforme matéria do SCMP, Hu Jinniu e Cheng Jing são professores da Escola de Física da Universidade Nankai em Tianjin e recontaram suas trajetórias profissionais de maneira bem-humorada, com muita honestidade e humor autodepreciativo.

Por exemplo, Hu chamou atenção para a dificuldade de conseguir empregos acadêmicos e de sustentar-se trabalhando na sua área. Já Cheng comentou que só estuda o que gosta, porque não deve ser capaz de ganhar um Nobel.

O mercado de trabalho no setor de tecnologia também não foi poupado. Recentemente, a Tencent realizou demissões em massa — foram desligadas aproximadamente 5 mil pessoas, ou 5% da força de trabalho da empresa —incluindo toda a equipe de redação da Fanbyte, revista online especializada em jogos virtuais.

O TechCrunch conta que o processo foi especialmente lento e cruel, mas teve desforra: a gerente de mídia sociais manteve o login das redes da revista e aproveitou a situação para apontar a injustiça e pedir apoio para a equipe demitida.


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China exige que empresas de telecomunicações e financeiras ajam contra fraudes online

por Shūmiàn 书面

No começo deste mês, o Comitê Permanente do Politburo aprovou uma Lei Contra Fraudes Online e via Telecomunicações. A lei define responsabilidades para empresas de telecomunicação, do setor financeiro e provedores de internet para prevenir e controlar os riscos de fraudes realizadas por meio desses serviços.

Segundo o Ministério de Segurança Pública chinês, nos 15 meses que antecederam julho de 2022, foram resolvidos 594 mil casos desse tipo e, apenas em 2021, foi possível evitar que 1,5 milhão de pessoas transferisse ¥ 329,1 bilhões (US$ 47,5 bilhões) para golpistas.

Um aspecto importante da lei é seu foco em colaboração transfronteiriça. Como comentamos em julho, têm se tornado muito comuns os casos de pessoas na China continental, Taiwan, Tailândia, Vietnam e Hong Kong que são iludidas com promessas de trabalho no Camboja, em Laos e Myanmar e que acabam se tornando vítimas de tráfico humano para praticar golpes em escala industrial.

Na última terça-feira (13), a ProPublica trouxe uma longa reportagem sobre o assunto, detalhando a crueldade e profissionalização desse tipo de crime. Segundo a ONG Global Anti-Scam Organization, pelo menos 1.838 pessoas em 46 países perderam, em média, US$ 169.000 cada uma em golpes do tipo no ano de 2021.


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Chips ganham protagonismo na disputa tecnológica entre China e Estados Unidos

por Shūmiàn 书面

Em mais um capítulo da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, Washington mandou a AMD parar de vender seu chip de inteligência artificial mais avançado para a China, medida que se estendeu também à Nvidia.

Pequim considerou o banimento um ato de “hegemonismo tecnológico”, mas representantes do setor na China consideram que, apesar das dificuldades iniciais, a decisão dos EUA deve impulsionar a indústria chinesa de chips. Mas, em contraste, as restrições ao compartilhamento de tecnologia com a Huawei foram aliviadas para conter o avanço chinês na padronização tecnológica global, segundo apurou a Bloomberg.

De todo modo, os EUA estudam ainda limitar os investimentos feitos por empresas do país em companhias de tecnologia da China: o governo Biden estaria negociando com o Congresso a formulação de uma lei que exija a divulgação antecipada de investimentos em determinados setores industriais chineses e que dê ao governo o poder de vetá-los.

Ainda no campo da tecnologia, autoridades chinesas acusaram os EUA, especificamente a Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês), de tentarem hackear a Universidade Politécnica do Noroeste em Xi’an. A instituição participa ativamente em pesquisas envolvendo os programas aeronáutico e espacial chinês. Será que o jogo virou?

Falando de relações China-EUA, a pesquisadora Yuen Yuen Ang publicou um excelente texto na revista Noema sobre o que está em jogo na competição das grandes potências. Segundo a autora, longe de um “confronto civilizacional” ou de uma “nova guerra fria”, Pequim e Washington estão em uma corrida para domar os excessos do capitalismo, cada um a seu modo. Vale um cafezinho.


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O mercado de tecnologia chinês, com Júlia Rosa e Mariana Marcondes

Neste Guia Prático, Jacqueline Lafloufa e Rodrigo Ghedin recebem Júlia Rosa e Mariana Marcondes, da newsletter Shūmiàn (inscreva-se, é gratuita!), para uma conversa a respeito do mercado de tecnologia da China — as diferenças, as coisas boas e as não tão boas, o domínio do TikTok e outros assuntos entraram na pauta. Ouça no seu aplicativo de podcasts favorito.

Aviso: Na próxima sexta (9/9), não teremos Guia Prático. O podcast volta na semana seguinte, no dia 16/9.

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Não está sendo fácil para os trabalhadores de TI na China

por Shūmiàn 书面

A Xiaomi anunciou na sexta-feira (19) que, nos três meses anteriores, demitiu 900 pessoas, ou quase 3% de sua força de trabalho, como reportou o South China Morning Post.

O período foi marcado por uma queda de 83,5% no lucro líquido da empresa, que ficou em ¥ 1,4 bilhão (cerca de R$ 1 bilhão) — no mesmo período no ano anterior, o lucro tinha sido de ¥ 8,3 bilhões (cerca de R$ 6 bilhões).

Em declaração a analistas, o presidente da companhia explicou que os resultados negativos podem ser atribuídos aos impactos da covid-19 no mercado chinês e à inflação global, além de um ambiente político “complexo” — a empresa vem tendo problemas na Índia, seu maior mercado fora da China.

Como comentamos na semana passada, no mesmo trimestre a Alibaba realizou 10 mil demissões. Reforçando o pessimismo, no começo da semana passada o fundador da Huawei circulou um memorandointerno para funcionários pedindo foco na lucratividade da empresa para aguentar a recessão global dos próximos três anos.


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“Silicon Values” 

“Silicon Values” (em inglês), por Nick Heer no Pixel Envy:

A ideia de um mundo digital não mais influenciado em grande parte pelo “soft power” dos EUA nos traz de volta à tensão com o TikTok e a sua propriedade chinesa. É compreensível que algumas pessoas fiquem nervosas com a plataforma de meios de comunicação social mais popular para muitos norte-americanos tendo o apoio de um regime autoritário. Alguns preocupam-se com a possibilidade de influência externa do governo na política pública e no discurso, embora um estudo que encontrei reflita uma clara distinção dos princípios de moderação entre TikTok e o seu correspondente chinês, o Douyin. Alguns estão preocupados com a coleta em massa de dados privados. Eu entendo.

Mas do meu ponto de vista canadense, parece que a maior parte do mundo está envolvida em um debate entre uma superpotência e uma quase-superpotência, sendo preferível que os Estados Unidos continuem a dominar apenas por comparação e familiaridade. Vários países europeus proibiram o Google Analytics porque é impossível para os seus cidadãos se protegerem da vigilância das agências de inteligência norte-americanas. Os Estados Unidos podem ter processos legais para restringir o acesso “ad hoc” de seus espiões, mas esses são quase que uma formalidade. Seus processos são conduzidos em segredo e com uma supervisão pública falha. O que se sabe é que eles raramente rejeitam mandados para vigilância e que as empresas privadas têm de cumprir calmamente os pedidos de documentos com poucas oportunidades de refutação ou transparência. Às vezes, esses processos são totalmente burlados. O negócio dos data brokers permite a vigilância de qualquer pessoa disposta a pagar — incluindo as autoridades norte-americanas.

Gigantes chinesas de tecnologia abrem seus algoritmos; Tencent desiste de NFTs

por Shūmiàn 书面

Na última sexta-feira (19), o órgão responsável pelo ciberespaço chinês publicou em seu site resumos dos algoritmos utilizados por 30 aplicativos de algumas das maiores empresas de tecnologia da China.

Gigantes como Alibaba, Tencent e ByteDance foram as primeiras empresas a revelar para o governo as regras de seus algoritmos de acordo com a lei que está em vigor desde março.

Embora a informação oferecida publicamente pelo órgão não seja muito esclarecedora, acredita-se que a versão entregue ao governo seja mais detalhada. Se você perdeu as discussões que rolaram sobre o assunto lá em março, pode passar um cafezinho que o tema é denso.

Adeus, incerteza. Diante do cenário ruim nas vendas e de um temor regulatório, a Tencent, detentora do WeChat, decidiu abandonar o mercado de NFTs. Como conta o SCMP, isso acontece apenas um ano depois de a gigante de tecnologia ter entrado neste setor, que começou com uma promessa de ser grande no futuro. Já tínhamos falado há algumas edições sobre a relação complicada da China com o mercado de NFTs.


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Na China, tecnologia sob controle (talvez)

por Shūmiàn 书面

Quem acompanha as edições da Shūmiàn já está careca de saber das regulamentações no setor de tecnologia na China, especialmente afetando as gigantes. Por exemplo, em 2021, os robotáxis chegaram a Shenzhen para serem testados. Desde 1º de agosto, veículos autônomos privados ou comerciais podem circular em certas vias da cidade — como contamos aqui, testes vinham acontecendo desde o ano passado. A regulação sobre o uso dos veículos é um passo importante para assegurar o bom funcionamento da tecnologia, especialmente no caso de acidentes.

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Cada vez mais empresas chinesas estão investindo em tecnologia quântica

por Shūmiàn 书面

Segundo reportagem da jornalista Dannie Peng  para o South China Morning Post, o mercado chinês de tecnologia quântica, considerada uma das novas fronteiras tecnológicas, valerá cerca de ¥ 80 bilhões (aproximadamente R$ 60 bilhões) em 2023. Em 2018, o mercado valia apenas ¥ 32 bi (~R$ 24 bi).

Antes o setor era limitado ao governo, mas a iniciativa privada vem demonstrando gradualmente mais interesse na tecnologia, sobretudo empresas de telecomunicação, energia elétrica e transporte.

Durante o lockdown de Shanghai, por exemplo, a Acadêmia Chinesa de Ciências Ferroviárias entrou em contato com uma empresa especializada no setor para levar a comunicação quântica ao gerenciamento da malha ferroviária de trens de alta velocidade.

Apesar das dificuldades, como altos custos e baixa familiaridade, o futuro parece ser promissor para as jovens empresas que fornecem esse tipo de tecnologia.


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