A Anatel abriu uma consulta pública para definir os detalhes da atribuição de número exclusivo para serviços de telemarketing. Pela proposta, formulada em parceria com as operadoras de telefonia, chamadas do tipo partiriam de números iniciados com o código 0303. Segundo a agência, “o uso padronizado dessa numeração será uma ferramenta importante para o consumidor na identificação das chamadas de telemarketing”. As contribuições da sociedade serão aceitas até 29 de setembro. Via Anatel.
Brasil
A Serasa lançou um recurso chamado Lock & Unlock que promete “minimizar as chances de o consumidor sofrer alguma fraude financeira”. Exclusivo para usuários “Premium” (R$ 19,90/mês, atualmente com 400 mil assinantes), o recurso bloqueia o score de crédito para consultas por empresas, então se alguém tentando se passar por você tentar um empréstimo ou a contratação de um produto de crédito, o bloqueio ao score sinalizará à empresa concedente de que você (você de verdade, não o fraudador) não está em busca de crédito.
A descrição soa como o pedido de resgate para um sequestro de dados. Afinal, a Serasa coletou meus dados sem eu pedir ou autorizar (obrigado, Cadastro Positivo!) e agora quer me cobrar para esconder esses mesmos dados de estelionatários. É isso mesmo ou entendi errado? Na dúvida, perguntei à própria Serasa que, por meio da assessoria, enviou a (não-)resposta abaixo:
O Serasa Score é uma informação que as empresas podem utilizar no processo de decisão para conceder ou não um crédito ao consumidor, juntamente de outras informação como, por exemplo, documentos, comprovantes de renda, histórico de dívidas etc., sempre de acordo com suas políticas internas.
Normalmente, quando um fraudador busca crédito em nome de outra pessoa, utiliza seus documentos indevidamente. Nesses casos, como o bloqueio do Serasa Score pode indicar que o consumidor não está em busca crédito no momento, essa pode ser uma ferramenta muito importante para que o consumidor e a empresa possam prevenir as fraudes.
O Serasa Score foi lançado para acesso gratuito do consumidor em 2017, e desde então mais de 60MM de brasileiros já consultaram e aprenderam sobre como cuidar da sua pontuação para facilitar o acesso ao crédito.
No mínimo, o Lock & Unlock deveria ser gratuito.
Streaming nordestino apresenta modelo alternativo na relação entre plataforma e artistas
Em 2013, Roni Maltz foi a um show do Aviões do Forró na cidade de Ipojuca, famosa pelo Porto de Galinhas, no litoral pernambucano. Era uma terça-feira e ele ficou impressionado com o público, de mais de 30 mil pessoas, e com a agenda da banda, lotada nos meses seguintes. Ali, descobriu com seus sócios, Rodrigo Amar e Allan Trope, um negócio local ligado com enorme potencial: a plataforma musical Sua Música. O trio se empolgou tanto com a ideia que comprou a plataforma. Oito anos mais tarde, eles agora dão os primeiros passos para expandir o Sua Música para muito além do Nordeste. Eles querem a América Latina.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mensurou o impacto da pandemia nas vendas online do varejo. De 9,2% antes da pandemia, elas mais que dobraram e chegaram a 21,2% em junho deste ano. Do Valor (com paywall), via Juliano Nóbrega.
As sanções administrativas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) começaram a valer neste domingo (1º). O rol de punições às empresas infratoras está no artigo 52 da lei, e inclui medidas como advertências, suspensão no tratamento de dados e multa de até 2% do faturamento anual da empresa, limitado ao teto de R$ 50 milhões.
Um levantamento da Fundação Dom Cabral com 207 companhias, sendo 95% de médio e grande porte, constatou que 40% ainda não estão preparadas para a LGPD. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por fiscalizar e aplicar as sanções da LGPD, não descarta punir empresas desde já, mas, a princípio, o órgão fará uma abordagem educativa, de orientação. Via O Globo, Jota (com paywall).
Desolador o impacto da alta dos combustíveis no trabalho dos motoristas e entregadores de aplicativos. Via G1.
Do gasto diário de um motorista, a gasolina representa entre 40% e 50%. A taxa paga aos aplicativos gira em torno de 25%. Para boa parte dos condutores, há ainda o pagamento de parcelas do veículo ou locação.
A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) estima que 25% dos motoristas deixaram de dirigir na cidade, em relação ao total do início de 2020.
Nos apps de delivery, a pandemia teve um efeito contrário ao dos motoristas na pandemia, aumentando a demanda e, com isso, o número de entregadores circulando nas ruas, o que fez cair os preços das corridas. O segundo impacto em um ano, o do aumento no preço dos combustíveis, tem feito muitos deles trabalharem mais — e ficarem mais suscetíveis a acidentes:
O aumento de acidentes de moto é flagrante. Os últimos números do Infosiga SP mostram que o número de acidentes com motociclistas na capital paulista saltou de 1.011 em abril de 2020 para 1.584 em junho de 2021 (alta de 56,6%). As mortes subiram 58,8%, de 17 para 27.
Vários serviços do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência federal de fomento à pesquisa, estão indisponíveis desde o último sábado (24). Uma falha em um servidor interrompeu as atividades do órgão e, para piorar, há suspeitas de que não exista backup ou de que a restauração seja complexa. Via Revista Fórum.
Em grupos de WhatsApp, circula o print de um e-mail (veja) desta segunda (26), supostamente enviado por alguém do CNPq e endereçado à Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), pedindo ajuda para restabelecer o equipamento avariado, um servidor de armazenamento EMC VNX 8000, da Dell. A mensagem informa que “o equipamento encontra-se fora de garantia e não possui contrato de manutenção corrente que permita um reparo imediato”.
Uma mensagem publicada diretamente no WhatsApp, também supostamente de alguém do CNPq, explica que “desde sábado [estamos] tratando de resolver com a Dell um apagão no controlador do sistema de TI. Não se trata de uma placa. Infelizmente, a recuperação da infraestrutura da instituição não tem como ser feita da noite para o dia. Há um ano estamos trabalhando focados na organização institucional, com recursos financeiros administrativos adequados. Obviamente, a pandemia com o trabalho remoto tem atrapalhado”.
Também em grupos do app de mensagens, circula o áudio (ouça abaixo) de uma suposta servidora do CNPq afirmando que diversos serviços da agência, como a plataforma Lattes, e-mail e até a folha de pagamento, estão indisponíveis devido à falha. É nesse áudio que a pessoa fala que “a placa do servidor do CNPq ‘queimou’ e não tinha backup” e que não sabe precisar, em relação ao backup existente, o que se perdeu, “se segundos, alguns minutos, horas, dias…”
Pelas redes sociais, o CNPq informou que está trabalhando junto ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para restabelecer seus sistemas após “evento que causou a indisponibilidade das plataformas”, que a prioridade é restabelecer o acesso à plataforma Lattes e que prazos estão suspensos e serão prorrogados. O posicionamento oficial omite dificuldades ou problemas com o backup de dados.
Nota relacionada: Em 2021, CNPq tem o menor orçamento do século XXI. Via Poder360.
Atualização (14h45): Em nova manifestação nas redes sociais, publicada às 14h21, o CNPq informou que “o problema que causou a indisponibilidade dos sistemas já foi diagnosticado em parceria com empresas contratadas e os procedimentos para sua reparação foram iniciados” e que “já dispõe de novos equipamentos de TI e a migração dos dados foi iniciada antes do ocorrido. Independentemente dessa migração, existem backups cujos conteúdos estão apoiando o restabelecimento dos sistemas. Portanto, não há perda de dados da Plataforma Lattes.” Disse, ainda, que o pagamento de bolsas não será afetado e reforçou a suspensão e prorrogação de prazos.
Quatro meses após anunciar sua saída do mercado brasileiro, a Sony, ou parte dela, retorna via parceria com a Multilaser: a brasileira distribuirá os fones de ouvido da japonesa. Por ora, todos os produtos serão importados. Via Estadão.
Nos últimos anos, esse tipo de parceria tem sido explorado por empresas daqui como a própria Multilaser (além dos fones da Sony, vende os celulares da Nokia/HMD Global e TVs da Toshiba), Positivo (notebooks Vaio) e DL (Xiaomi).
A propósito, a Multilaser abriu capital na B3 semana passada. Estreou valendo R$ 9 bilhões. Via Uol.
O Manual do Usuário é uma das 11 novas publicações da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). As atividades da Ajor se estruturam em três eixos: profissionalização e fortalecimento das associadas, defesa do jornalismo e da democracia e foco na diversidade. Lá, em boa companhia, espero que possamos contribuir e aprender para sempre melhorar o Manual e o jornalismo digital feito no Brasil. Via Ajor.
A Febraban, em cooperação técnica com o Banco Central, lançou nesta segunda (19) o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB). Na pesquisa para a construção do índice, feita com 5.220 maiores de idade de todas as regiões do país no final de 2020, a nota média dos brasileiros foi de 57 pontos (a escala vai de 0 a 100).
O site do I-SFB tem um formulário que, após preenchido, calcula sua nota e oferece “um diagnóstico individual para identificar vulnerabilidades e personalizar estratégias de educação financeira”. Acesse-o aqui.
O Magazine Luiza anunciou, na manhã desta quinta (15), a aquisição do e-commerce de informática/games Kabum. O valor do negócio é de R$ 3,5 bilhões, incluindo o pagamento à vista de R$ 1 bilhão em dinheiro e transferências pontuais de ações ordinárias até 2024. Via Magazine Luiza (PDF).
Do fato relevante:
Depois da conclusão da aquisição, o Magalu e KaBuM! poderão aproveitar uma série de oportunidades: (i) os produtos do KaBuM! serão oferecidos no SuperApp do Magalu; (ii) os clientes do KaBuM! poderão contar com todos os benefícios da multicanalidade, incluindo a entrega mais rápida do Brasil; (iii) diversos produtos do Magalu, como smartphones e TVs, complementarão o sortimento do KaBuM!; e (iv) produtos financeiros do Magalu, como cartão de crédito e seguros, também serão oferecidos aos clientes do KaBuM!.
Em 2020, impulsionadas pela pandemia, as vendas do KaBuM! mais que dobraram, crescendo 128% em relação a 2019. Nos primeiros 5 meses de 2021, o KaBuM! continuou evoluindo de forma acelerada, com 62% de crescimento comparado ao mesmo período de 2020. Nos últimos 12 meses, o KaBuM! superou a marca de 3,4 bilhões de reais em receita bruta. No mesmo período, com um modelo de negócio altamente eficiente, a KaBuM! obteve lucro líquido de 312 milhões de reais.
Na data desta publicação, eu tinha ações do Magazine Luiza (MGLU3).
A Polícia Federal (PF) anunciou, na segunda (6), a aquisição do ABIS, um novo sistema de identificação de pessoas por biometria. O ABIS é uma evolução do AFIS, em uso há 16 anos pela PF e centrado na impressão digital. O ABIS, além de expandir a capacidade de registros (para 50,2 milhões em 48 meses, podendo chegar a 200 milhões de indivíduos no futuro), incorpora reconhecimento facial e de íris ao banco de dados da PF. Segundo o site TeleSíntese, o consórcio Iafis Brasil e Idemia é o fornecedor da solução. Via Ministério da Justiça e Segurança Pública e TeleSíntese.
O TeleSíntese pediu a opinião de especialistas em privacidade. Eles manifestaram desconforto com a iniciativa, “uma vez que não há menção a salvaguardas dos dados, não houve debate prévio sobre o tema com a sociedade civil organizada, e a tecnologia de reconhecimento facial é considerada ainda imatura e enfrenta a repulsa de organizações e reguladores de todo o mundo”. Via TeleSíntese.
O Supremo Tribunal Federal (STF) agora tem um perfil oficial no TikTok. Se você, ao ler esta notícia, imaginou Luis Fux e Carmen Lucia dançando alguma música ruim que viralizou no app, não se anime tanto. Os poucos conteúdos já postados contemplam notícias e curiosidades da corte em uma linguagem mais acessível, cheia de GIFs animados. Via @STF_oficial/Twitter.
A Raia Drogasil, dona das farmácias Drogasil, Droga Raia e Onofre, interrompeu a coleta da impressão digital após ser questionada pelo Idec e pelo Procon-SP. O dado, considerado sensível pela legislação brasileira, era pedido com base nela própria: atendentes das lojas eram orientados a justificar o pedido impressão digital por tratar-se de uma suposta exigência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O condicionamento de generosos descontos à cessão da impressão digital deixava muita gente sem alternativa, mesmo sendo “opcional”.
A LGPD prevê situações excepcionais e específicas para a coleta de dados sensíveis em seu artigo 11. Em nota, ao tentar explicar a necessidade de uma farmácia coletar a impressão digital dos clientes, a Raia Drogasil foi evasiva: “O uso da identificação biométrica ocorreu com o único objetivo de garantir a praticidade e a segurança desse processo.” Via Uol Tilt.
Um membro de uma gangue “limpa-contas”, preso em novembro de 2020 em São Paulo (SP), revelou à polícia como consegue burlar a criptografia do iPhone. Na real, ele não consegue. Pelo relato, publicado pela Folha de S.Paulo, é mais um golpe de engenharia social do que técnico, aplicado com base no número/chip do celular da vítima. Mais ou menos assim:
- Assaltante tira o chip do celular da vítima, coloca em outro aparelho e ativa o número nele.
- Assaltante procura o endereço de e-mail da vítima usado como Apple ID (iPhone) ou Conta Google (Android) em redes sociais, como Facebook e Instagram.
- Assaltante ganha acesso ao Apple ID/Conta Google.
- Assaltante restaura backup da nuvem (iCloud/Google Drive) em um novo aparelho e procura senhas de outros serviços no backup, encontra-as e repassa o aparelho a terceiros que farão a limpa nas contas bancárias.
Algo que não fica evidente é como o assaltante consegue recuperar a senha do iCloud/Google Drive. Uma hipótese é que ele inicia o processo de recuperação de senha, que tanto na Apple quanto no Google envolvem o número de telefone para a recuperação de contas, conforme as imagens a seguir:


Outro detalhe que chama a atenção é a busca por senhas no conteúdo do celular: “Ao baixar as informações da nuvem no novo aparelho, passa a procurar ali informações ligadas a palavra ‘senha’ e, segundo dele, obtém geralmente os números e acesso do celular e das contas bancárias.”
À luz desse relato, uma medida fácil para dificultar esse ataque é alterar/ativar a senha/PIN do seu chip (SIM card). É um código de quatro dígitos que, depois de ativado, passa a ser pedido quando se insere o chip em outro celular.
Este tutorial do TechTudo explica como configurá-lo no Android e no iOS, e apresenta os códigos padrões de cada operadora. Cuidado na hora de alterar o PIN: após três tentativas erradas, ele bloqueia o chip. Caso você já tenha feito a troca e esqueceu o PIN cadastrado, é necessário o código PUK, que vem impresso na embalagem do chip ou, caso não a tenha mais, pode ser requisitado junto ao atendimento da sua operadora.
Outra dica, básica, mas aparentemente ainda não muito difundida, é jamais salvar qualquer tipo de senha em texto puro ou em apps de anotações. Use um gerenciador de senhas decente e ative o segundo fator de autenticação onde for possível.