A Meta anunciou o Quest 3 (em vídeo) nesta quinta (1º), poucos dias antes de a Apple — caso os rumores estejam certos — mostrar o seu aguardado headset de realidade mista.

É um movimento de defesa, ou reativo. O lançamento do Quest 3 ocorrerá apenas no final do ano, entre setembro e dezembro.

Parece uma evolução notável comparado ao Quest 2: perfil 40% mais fino, novas câmeras e sensores frontais, duas vezes mais rápido. O preço, de US$ 499, é ~66% mais caro que o do Quest 2, porém.

Tudo muito legal, mas: 1) A Meta não vende produtos da linha Quest no Brasil; e 2) É da Meta. Via Meta (em inglês).

Na próxima segunda (5/6), tudo indica que a Apple revelará ao mundo seu headset de realidade aumentada e/ou virtual.

Há grandes expectativas em torno desse possível lançamento.

Nas últimas décadas, a Apple fez fama como uma espécie de Midas corporativo, capaz de transformar em ouro tudo o que toca, mesmo em categorias de produtos que outras empresas não conseguem emplacar sucessos, como tablets e relógios inteligentes.

Não será tarefa fácil. Grandes empresas, como Meta e Microsoft, há anos investem pesado no setor, sem grandes retornos até aqui.

Quando se fala em software, o grande (único?) sucesso de realidade aumentada de que se tem notícia é Pokémon Go, joguinho de celular de 2016.

Ainda assim, há quem argumente que a grande sacada da Niantic não foi a realidade aumentada, mas sim a geolocalização. Não era raro, no auge da febre, ver celulares com o jogo aberto, mas a câmera fechada, porque a experiência era mais ou menos a mesma, com o bônus de preservar bateria.

O fato de a Niantic nunca mais ter emplacado outro jogo, mesmo com franquias do mesmo nível de Pokémon — NBA, Harry Potter —, é um sinal de alerta.

No início de maio, a Niantic lançou Peridot, seu primeiro jogo de realidade aumentada original, uma espécie de bichinho virtual moderno, no celular. Embora porta-vozes da empresa afirmem que o jogo teve boa receptividade, na frieza dos números Peridot não empolgou — as avaliações de parte dos jogadores é negativa e os downloads, poucos.

Talvez uma versão para o vindouro headset da Apple — caso o toque de Midas ainda esteja funcionando — possa reverter esse cenário.

A Apple anunciou uma série de novos recursos de acessibilidade para suas plataformas, no que já é uma espécie de tradição anual da empresa, que aproveita o Dia Mundial de Conscientização sobre a Acessibilidade (18/5) para promover seus esforços na área.

Dois destaques:

  • Acesso Assistido, que simplifica bastante a interface do iOS e iPadOS para facilitar o uso. Lembra aqueles launchers para idosos que existem aos montes no Android (e que é o diferencial do celular da brasileira Obabox.) No link abaixo, para a Apple, tem imagens da interface e dos aplicativos adaptados/compatíveis.
  • Voz Pessoal, uma inteligência artificial no próprio dispositivo que, com 15 minutos da voz do usuário, consegue treinar e reproduzir a voz para ajudá-lo a conversar. Parece um primeiro passo para outras IAs locais (leia-se: com mais privacidade) que a Apple poderá lançar no futuro.

Via Apple (em inglês).

A Apple anunciou versões para iPad dos seus aplicativos profissionais, Final Cut Pro (para vídeo) e Logic Pro (para músicas). Eles serão lançados em 23 de maio.

O mais curioso é que, pela primeira vez, a Apple venderá um aplicativo próprio no modelo de assinatura. Ambos custarão US$ 4,99 cada por mês — na “cotação Apple”, em torno de R$ 30/mês. Via Apple (em inglês).

A sangria da tecnologia é consequência de um “novo normal” que nunca chegou

por Guilherme Felitti

Queremos conhecer quem ouve o Tecnocracia. Se puder, tire dois minutinhos para responder a primeira pesquisa demográfica do podcast. Ajuda bastante e não custa nada.

Em janeiro de 1953, estreou no Théâtre de Babylone, em Paris, a nova peça de um dramaturgo irlandês chamado Samuel Beckett. Na peça, dois mendigos passam dois atos conversando sobre a vida, interagindo com outros três personagens e esperando um sujeito que só conhecemos pelo nome. Dado que em janeiro de 2023 completaram-se 70 anos da estreia, não tem por que se preocupar com spoiler, não é mesmo? Então um leve spoiler para você: no fim, o tal Godot não aparece e os mendigos, Estragon e Vladimir, terminam a peça revoltados com a ausência, mas imóveis, incapazes de se movimentarem. Ambos, em outras palavras, se mantêm Esperando Godot, o que vem a ser o título da peça. Esperando Godot é um clássico do teatro moderno, reencenado centenas de vezes com diferentes abordagens e panos de fundo e dissecada atrás de significados políticos, psicológicos, filosóficos, sexuais…

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A “classe média” dos desenvolvedores de aplicativos

Em 2022, baixamos pouco mais de 140 bilhões de aplicativos em nossos celulares1. Em termos financeiros, gastamos US$ 129 bilhões tocando em botões virtuais na tela de aparelhos que cabem no bolso.

Nem o mais otimista executivo da Apple poderia imaginar em 2008, no lançamento da App Store do iOS, que esse negócio de aplicativo em celular poderia ser tão rentável. E tão útil. De atividades triviais dos primórdios daquela época, como ler o e-mail e abrir sites, passamos a fazer meio que tudo no celular, de pagar por coisas e investir até “invocar” carros e comida.

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O Apple Music Classical é um deleite. O novo aplicativo, disponibilizado na noite desta terça (27), é autoexplicativo em sua razão de existir: ele pega o(a) ouvinte pela mão e mostra as especificidades da música clássica, em especial a taxonomia própria do gênero, com divisões por compositor, gravações e até instrumentos.

Bônus: uma série em dez partes de uma espécie de podcast introdutório, “A história da música clássica” (infelizmente apenas em inglês).

É um aplicativo que eu não pagaria à parte, mas imperdível como extra sem custo na assinatura do Apple Music. E, acho eu, o Classical funciona quase como uma declaração do posicionamento do serviço da Apple como um de música, e somente de música — sem podcasts, sem audiolivros, uma antítese do que o Spotify está tentando se transformar custe o que custar. Via App Store.

Lembre-se: serviço de armazenamento de dados na nuvem não é backup

Josh Hill, CEO da Koingo Software, um pequeno estúdio de aplicativos, perdeu todas as fotos e vídeos que tinha em sua conta no Apple Fotos/iCloud.

O estrago aconteceu quando ele subiu mais de 6 mil fotos e vídeos de uma vez só à nuvem da Apple. “Ao editar e excluir algumas fotos, topei com um problema com o Fotos.app, que no fim levaram ao sumiço completo de toda a minha biblioteca na nuvem.”

O estrago foi tão grande que Josh suspendeu as operações da sua empresa.

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Enquanto o Spotify coloca a música em segundo plano para promover podcasts e outros produtos de áudio, a Apple segue na direção contrária, reforçando o foco em música do seu streaming… de música. (Parece óbvio, né?)

Nesta quinta (9), a Apple anunciou o Apple Music Classical, um aplicativo à parte dedicado a música clássica.

O Apple Music Classical é baseado no Primephonic, um serviço de streaming que a Apple adquiriu em agosto de 2021.

Pode parecer meio estranho dedicar um aplicativo a um estilo (? gênero? Como se define isso?) musical, mas a dor não só existe como é objeto de vários aplicativos específicos para este fim.

A classificação/organização de música clássica é bem diferente das canções contemporâneas, começando pelo fato de que os compositores têm maior peso e são mais conhecidos do que os intérpretes. (No mínimo, é impossível ouvir os maiores, como Mozart ou Beethoven, tocando suas próprias composições; ambos morreram antes da invenção da música gravada.)

Esta boa reportagem do New York Times (em inglês), de 2019, explica um pouco o drama dos ouvintes de música clássica na era do streaming.

O Apple Music Classical será lançado no dia 28 de março como um extra, sem custo adicional, na assinatura do Apple Music. Já dá para “pré-baixar” o aplicativo na App Store. Via @AppleClassical/Twitter (em inglês).

O iOS 16.4, em testes no momento, trará suporte ao 5G Standalone (5G SA, ou “puro”) ao Brasil.

(O ex-ministro Fabio Faria deve estar contente por ver o resultado do seu grande esforço em prol da nação. Ou não; é mais provável que as duas coisas, a peregrinação de Faria à sede da Apple na Califórnia e o suporte ao 5G SA no iOS, não tenham uma relação de causalidade.)

Vitor Gomes publicou no Twitter telas da versão beta do sistema mostrando a opção em diferentes operadoras. Vivo e TIM já suportam o 5G SA; a Claro, ainda não.

Um detalhe que me intrigou é a necessidade, em alguns casos, de ter que trocar o SIM card para usufruir do 5G SA. Quando detecta um SIM card incompatível, o iOS diz:

A tecnologia 5G Standalone está indisponível porque não há segurança suficiente no SIM.

Via MacMagazine.

Um ano depois da onda de assaltos das quadrilhas “limpa contas” no Brasil, o problema chegou aos Estados Unidos, como reportado pelo Wall Street Journal.

Lá, a julgar pelos relatos, os assaltantes agem mais em bares, observando e até interagindo com as vítimas de modo a forçá-las a inserirem a senha do iPhone. Depois, o mesmo roteiro daqui se segue: iPhone furtado, acessos à Conta Apple bloqueados e contas bancárias varridas.

O cerne do problema é o mesmo: a fim de facilitar a vida dos clientes, alguém precisa apenas da senha de desbloqueio do iPhone para alterar a senha da Conta Apple.

Em nota ao WSJ, a Apple disse que eventos do tipo são raros e demandam várias etapas físicas para serem bem sucedidos. “Continuamos a avançar as proteções para ajudar a manter as contas de usuários seguras”, concluiu um porta-voz.

Enquanto a Apple segue em negação, há duas medidas que ajudam a mitigar estragos — uma delas negligenciada pela reportagem do jornal norte-americano:

  • Trocar a senha do iPhone por uma alfanumérica. As de quatro ou seis dígitos são fáceis de serem observadas e memorizadas por terceiros.
  • Usar o Tempo de Uso para restringir alterações de código e da conta no iPhone (em Conteúdo e Privacidade). Isso cria uma senha alternativa, de quatro dígitos, para mexer nessas áreas sensíveis.

Via Wall Street Journal (em inglês).

A Apple enviou ao AppleInsider um posicionamento a respeito da suspeita de que aplicativos como o iFood poderiam ter explorado uma falha no iOS e acessado a localização do iPhone sem autorização.

A empresa negou esse cenário e deu mais detalhes da falha corrigida no iOS 16.3. Segundo a Apple, ela só podia ser explorada em aplicativos fora da “sandbox” no macOS, mas foi propagada para os outros sistemas da casa mesmo assim, ainda que “eles nunca tenham estado em risco”.

Segue abaixo o comunicado oficial (tradução minha):

Na Apple, acreditamos firmemente que os usuários devem escolher quando compartilhar seus dados e com quem. Semana passada, emitimos um alerta para uma vulnerabilidade de privacidade que só poderia ser explorada a partir de aplicações “unsandboxed” no macOS. A base de código que corrigimos é compartilhada pelo iOS e iPadOS, tvOS e watchOS, portanto a correção e o alerta foram propagados para esses sistemas operacionais também, apesar do fato de que eles nunca estiveram em risco.

A sugestão de que esta vulnerabilidade poderia ter permitido que aplicativos burlassem os controles do usuário no iPhone é falsa.

Um relato também sugeriu incorretamente que um aplicativo iOS estava explorando esta ou outra vulnerabilidade para burlar o controle do usuário sobre os dados de localização. Nossa investigação concluiu que o aplicativo não estava burlando os controles do usuário através de nenhum mecanismo.

Só fica a dúvida do que aconteceu no iPhone do Guilherme. Terá sido um “glitch” (uma falha na interface do iOS)?

Via AppleInsider (em inglês).

O que eu uso (2023)

Em 2022, mostrei as coisas que usava para fazer o Manual do Usuário. Foi uma tentativa de dar contexto a algumas escolhas editoriais — o que eu uso no meu dia a dia influencia muito do que é publicado aqui no site.

O objetivo é fazer esse raio-x todos os anos. Por isso, cá estamos em 2023 com a segunda edição.

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Seguindo a linha de que “onde há fumaça, há fogo”, Google e Mozilla estão testando versões dos seus navegadores (Chrome e Firefox) para iOS com motores de renderização próprios (Blink e Gecko).

Hoje, a Apple proíbe outros motores de renderização nos aplicativos do iOS — todos usam o dela, WebKit. Os testes podem ser um sinal de que, em breve, a Apple relaxará essa restrição, talvez já no iOS 17.

É uma situação complexa. Em outras plataformas, o Chrome domina o segmento de navegadores web. Bem ou mal, a obrigatoriedade do WebKit, embora limite a escolha dos usuários e seja uma postura nociva no geral, na prática serve como resistência contra o domínio total do Blink/Google. Via The Register (em inglês).

Atualização (11/2): A Apple emitiu um posicionamento ao AppleInsider negando que a falha mencionada abaixo tenha sido explorada e que o iFood tenha burlado os controles de privacidade do iOS.

O leitor Guilherme Teixeira notou algo estranho em seu iPhone no início de janeiro: o aplicativo do iFood estava acessando a localização do aparelho sem ter permissão para tal.

Quando Guilherme compartilhou essa curiosidade no nosso grupo do Telegram (para apoiadores), ficamos intrigados. Outro leitor respondeu: “iFood passando a perna na Apple.” Parece loucura. Mas… será?

Dois prints do iOS mostrando o aplicativo do iFood acessando a localização do aparelho mesmo sem permissão para tal.
Imagens: Guilherme Teixeira/Reprodução.

É uma hipótese reforçada pelas notas de lançamento do iOS 16.3, liberado pela Apple no dia 23 de janeiro. Entre outras, ela lista a falha CVE-2023-23503, submetida por um pesquisador anônimo, que permitia que um aplicativo conseguisse “ignorar as preferências de privacidade [do Maps]”.

A falha está em modo “reservado” no banco de dados do sistema CVE, ou seja, os detalhes ainda não foram publicados.

Guilherme disse que, depois que reiniciou o iPhone, o aplicativo do iFood voltou ao normal, ou seja, antes do iOS 16.3 ser disponibilizado.

Pode ter sido outra coisa? Uma falha pontual? Um erro de exibição do iOS? Pode. Mas que é uma estranha coincidência, isso é.

O Manual do Usuário entrou em contato com a assessoria de imprensa do iFood pedindo um posicionamento. Eles receberam a demanda, pediram mais detalhes e mais prazo, que foi concedido, mas o posicionamento ainda não havia chegado até a publicação desta nota. O post será atualizado assim que ele chegar.

Atualização (1/2, às 17h30): Segue o posicionamento do iFood na íntegra:

O iFood reforça que a segurança de dados é prioridade em seu negócio e na relação com os consumidores, entregadores e restaurantes. Os dados coletados são utilizados apenas para as finalidades previstas em nossa Declaração de Privacidade.

Neste caso, após análise minuciosa pela equipe de tecnologia, não foi identificado nenhum código no aplicativo iFood que permite o acesso a localização do usuário sem autorização, mas ainda assim, a empresa permanece à disposição para esclarecer qualquer dúvida referente ao assunto ou qualquer suposta falha, de modo a contribuir para trazer mais segurança à plataforma.

Presente em mais de 1700 cidades no Brasil e referência em delivery online, o iFood realiza investimentos constantes em segurança, tecnologia e monitoramento para identificação e correção de possíveis falhas e melhoria contínua do aplicativo.