Maus-tratos ao Kindle e a iPhones

Toda fabricante de gadgets tem uma “câmara de tortura” para testar a durabilidade deles. A Amazon abriu as portas da sua para mostrar os maus-tratos que o Kindle sofre para garantir que ele fique inteiro tanto quanto possível.

Algumas semanas atrás, a Apple abriu as portas da sua ao youtuber Marques Brownlee para mostrar os testes com iPhones.

Apple finalmente abraça o mau gosto

As expectativas monstruosas para a entrada da Apple na rinha de IA se realizaram na segunda (10), quando a empresa anunciou não a “artificial intelligence”, mas sim a “Apple Intelligence” na abertura da WWDC.

Ambas são “AI”, como dizem os gringos, mas na Apple a “AI” é diferente, o “A” é de “Apple”, ainda que no fundo seja tudo igual, mais do mesmo.

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Os 15 jornalistas e youtubers obcecados em usar o iPad como se fosse um notebook devem estar frustrados com a Apple. Havia a expectativa (nutrida por eles) de que o anúncio antecipado do iPad Pro com tela OLED, em maio, seria “complementado” com novos recursos super poderosos guardados para o iPadOS 18.

E… não deu em nada.

O destaque da nova versão do iPadOS é um aplicativo de calculadora que faz contas de um jeito mais lento, mas mais legal — escrevendo com o Apple Pencil, se você tiver um.

Três anos após lançar as AirTags, pequenos rastreadores que podem ser desvirtuados para perseguir pessoas, Apple e Google lançaram uma especificação que alerta alguém que estiver carregando um desses sem saber. Os alertas também valem para rastreadores de outras marcas que aderirem à especificação.

No iPhone, o alerta veio com o iOS 17.5, lançado nesta segunda (13). No Android, o Google liberará a funcionalidade a todos os dispositivos rodando Android 6 ou superior.

No comunicado à imprensa, a Apple diz que “projetou desde o princípio [as AirTags] com proteções de privacidade e segurança”. A proteção para quem usa Android consistia em exigir o download de um app que só servia para emitir alertas de AirTags de perseguidores. Não deu certo, evidentemente. Via Apple.

https://www.youtube.com/watch?v=ntjkwIXWtrc&t=3s

Causou estranheza e reações exageradas nas redes sociais (perdão pelo pleonasmo) o comercial “Crush!”, da Apple, para o novo iPad Pro.

O conceito é óbvio — o iPad substitui esse monte de objetos e produtos da criatividade humana —, mas a execução… O comercial sintetiza o “ethos” do Vale do Silício, de esmagar e pasteurizar tudo e todos que suas empresas de tecnologia tocam.

Pior: era só tocar o vídeo ao contrário para consertar o comercial.

Sem alarde, a Apple eliminou da sua linha de tablets o iPad de 9ª geração — último modelo com o visual clássico de bordas grossas, botão “home” redondo na frente e entrada para fones de ouvido. A boa notícia é que o iPad de 10ª geração, que mantém o Touch ID, mas se parece com os modelos mais caros (Air e Pro), caiu de preço. A má é que mesmo com a redução de 20% no Brasil, ele continua caro (R$ 4 mil; nos EUA, sai por US$ 349). Via The Verge (em inglês).

As novidades da linha iPad foram anunciadas nesta terça (9), em um infomercial de 40 minutos. O novo iPad Air tem chip M2 e ganhou uma versão maior, com tela de 13 polegadas, e o novo iPad Pro agora tem tela OLED, chip M4, corpo finíssimo e novos acessórios (capa/teclado e Pencil Pro).

No Dia Mundial das Senhas, uma reflexão sobre chaves-senha

Hoje (2) é o Dia Mundial da Senha, data propícia para retomarmos um assunto abordado recentemente neste Manual: as chaves-senha, ou passkeys.

Na minha coluna de 12 de abril, tentei, da melhor maneira que consegui, explicar o que são as chaves-senha. Mencionei no final que existem “preocupações legítimas com as chaves-senha ajudando a concentrar ainda mais poder nas mãos (ou nos servidores) de poucas empresas”.

No final de abril, William Brown, mantenedor da principal biblioteca do padrão Webauthn em Rust (webauthn-rs), expôs seu descontentamento com chaves-senha. “Um sonho destroçado”, o título do post, dá uma ideia da desilusão do rapaz, que é basicamente o que costuma acontecer quando a big tech se envolve: Google implementou do jeito que quis e dane-se o padrão, Apple chegou depois e terminou de zoar o que já estava longe do ideal.

Fora o lance da namorada dele perder todas as chaves-senha salvas em sua conta da Apple e a concentração de dados vitais nas grandes empresas, as reclamações de Brown são de ordem técnica, no que quero dizer meio difíceis para leigos compreenderem. Quando alguém tão envolvido com o assunto se diz de saco cheio do negócio, talvez seja um momento para reflexão.

A essa altura, acho que as chaves-senha falharão nas mãos do público em geral. Perdemos a nossa chance de ouro de eliminar senhas graças ao desejo [da big tech] de capturar mercados e promover o hype.

[…]

Reforçando — minha companheira, que é extremamente inteligente, uma ávida gamer e cirurgiã veterinária, descartou as chaves-senha porque a UX é uma merda. Ela quer voltar às senhas.

E estou começando a concordar — um gerenciador de senhas oferece uma experiência melhor do que a das chaves-senha.

Isso mesmo. Estou aqui dizendo que senhas são uma experiência melhor do que chaves-senha. Você sabe o quanto me dói escrever essa frase? (E sim, isso significa que o MFA com TOTP ainda é importante para senhas que exigem memorização fora de um gerenciador de senhas.)

Então faça um favor a si mesmo. Adote algo como Bitwarden ou se você gosta de hospedagem suas coisas, Vaultwarden. Deixe-o gerar suas senhas e gerenciá-las. Se você realmente quiser chaves-senha, coloque-as em um gerenciador de senhas que você controla. Mas não use chaves-senha em um local controlado por plataformas e tenha muito cuidado com as chaves de segurança.

E se você quiser usar uma chave de segurança, basta usá-la para desbloquear seu gerenciador de senhas e seu e-mail.

Ouch.

Coloquei um aviso bem grande no início da coluna sobre chaves-senha, linkando para esta nota. Talvez o melhor seja aguardar um pouco mais para ver no que isso vai dar antes de aposentarmos as (não tão) boas e velhas senhas. Feliz Dia Mundial das Senhas…?

O fim das senhas?

Quem estava prestando atenção ao tentar criar ou acessar contas em serviços de grandes empresas em 2023 deve ter reparado: Apple, Google e Microsoft passaram a insistir muito para que adotemos um substituto futurista da velha senha alfanumérica, as passkeys — no Brasil, traduzidas como chaves-senha ou chaves de acesso.

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A Mozilla está testando a tradução de trechos selecionados no Firefox. Por ora, como mostra o Omg! Ubuntu, está disponível apenas em versões experimentais do navegador.

É um recurso fantástico, similar ao que a Apple introduziu no macOS 12 Monterey, em 2021. Pela natureza do que faço, lido com muito texto em inglês ao longo do dia. Ter um tradutor decente a um clique do mouse, em qualquer lugar do sistema, é um super poder que eu não sabia que precisava.

Na semana em que usei Linux (e o Firefox como navegador principal), recorri à extensão do DeepL, que oferece um recurso similar, ainda que seja meio instável. Tê-lo integrado ao navegador deve ser melhor.

A solução do Firefox é, por óbvio, limitada ao Firefox/navegador. É uma pena, mas melhor que nada.