Segunda (16) foi dia de novos sistemas operacionais da Apple em um ano deveras estranho, com as principais novidades prometidas pela empresa ficando de fora — até a nova animação da Siri só virá no iOS 18.1.

Alguns iPad Pro com chips M4 pararam de funcionar e… foi isso de problemas graves. Isso e, claro, as reclamações de sempre de “coisas mudaram de lugar”, exacerbadas por mudanças significativas (e meio sem sentido) em aplicativos básicos (Fotos, em especial) e áreas que pareciam congeladas no tempo (Central de Controle). / macmagazine.com.br

Já tive fases de atualizar assim que possível. (De usar betas, nunca.) Mesmo curioso com o novo aplicativo Senhas e o espelhamento do iPhone no macOS, contive-me.

No mesmo dia, a Apple liberou atualizações de segurança — iOS 17.7 e macOS 14.7. Instalei-as e vida que segue. Quando saírem as versões ponto qualquer coisa do iOS 18 e macOS 15, eu penso em atualizar os meus dispositivos. / mjtsai.com (em inglês)

Curtas

Notícias e curiosidades que me chamaram a atenção durante a semana.

Começou na segunda (9), nos EUA, o segundo julgamento contra o Google por práticas monopolistas, desta vez no negócio de publicidade digital. No anterior, por monopólio do mercado de buscas online, o Google perdeu. / oglobo.globo.com

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O melhor anúncio do evento do iPhone 16 não foi um novo produto, mas sim a conversão dos AirPods Pro 2 em um aparelho auditivo. Foi um feito tanto técnico quanto político: governos eleitos que bateram de frente com um cartel que cobrava caro por dispositivos especializados e era blindado pela agência reguladora estadunidense do setor. Matt Stoller contou esta história em sua newsletter. / thebignewsletter.com (em inglês)

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A história do Flappy Bird foi uma bela (e curta) tragédia que, como toda propriedade intelectual nesses tempos esquisitos em que vivemos, não pôde ser deixada em paz. Dez anos após sumir da App Store, o jogo será relançado em 2025 maior e mais complexo. / 9to5mac.com (em inglês)

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O povo do Linux Mint vai dar um trato no tema padrão do Cinnamon, o ambiente gráfico feito por eles. Como o Mint usa um tema próprio, diferente, o padrão do Cinnamon acabou meio esquecido e, apesar disso, é usado por outras distros sem modificações. (Facilitaria se trabalhassem em um só, não?) / omgubuntu.co.uk (em inglês)

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A lista de alternativas ao Twitter fracassadas aumentou com o aviso de que o Cohost fechará as portas em breve. O serviço se junta ao Post.News e ao T2/Pebble — em comum, todos eram fechados/proprietários. / cohost.org (em inglês)

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O Mastodon liberou geral a vinculação do autor de posts aos cartões de links espalhados na plataforma. (Antes, um domínio precisava da bênção dos desenvolvedores.) Por ora, o recurso está limitado às versões de testes do Mastodon 4.3, que já roda na .social. Veja um exemplo: é aquele “Mais de Rodrigo Ghedin” ali. / @Gargron@mastodon.social (em inglês)

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A Meta liberou uma URL fixa para mandar aos teimosos, que insistem em usar o Threads em vez do Mastodon, quando pedirmos a eles para habilitarem a federação (leia-se: compatibilidade com o fediverso/Mastodon/etc.). Anote aí: https://www.threads.net/settings/account/fediverse. Espalhe! / techcrunch.com (em inglês)

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A Sony anunciou o PlayStation 5 Pro, com preço sugerido (lá fora) de US$ 699. Juro que tentei, mas é difícil encontrar as diferenças para o PS5 convencional nos vídeos comparativos. Nenhuma palavra sobre Brasil, por enquanto. / blog.playstation.com (em inglês)

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A OpenAI lançou um novo LLM, chamado o1, o primeiro capaz de “raciocinar” usando uma “cadeia de pensamentos”. O anúncio coincide com a notícia de que Sam Altman está tentando levantar +US$ 6,5 bilhões, o que, tenho absoluta certeza, é uma mera coincidência. / openai.com, pivot-to-ai.com (ambos em inglês)

Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

A União Europeia confirmou duas multas bilionárias contra big techs estadunidenses: € 13 bilhões contra a Apple por ter recebido benefícios fiscais ilegais da Irlanda por mais de 20 anos, e de € 2,4 bilhões contra a Alphabet, holding do Google, por abusar do monopólio do serviço de comparação de preços. / mobiletime.com.br

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A Amazon anunciou que sua divisão de nuvem, a AWS, investirá US$ 1,8 bilhão (~R$ 10,1 bilhões) para expandir a infraestrutura de data centers em São Paulo. / mobiletime.com.br

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A Anatel está organizando um hackaton para estimular o desenvolvimento de “uma solução inovadora” para bloquear IPTVs pirata. A pessoa que ajudar as operadoras a recuperarem milhões de reais em receita levará para casa a quantia de R$ 7 mil — sim, sete mil reais. / hackathonbrasil.com.br

Há espaço para o iPad?

O mundo em 2010 era bem diferente. Na época, netbooks — notebookzinhos baratos e lentos — eram populares portas de acesso à digitalização. Parecia que todo mundo tinha um.

A Apple sofria pressão para surfar a onda dos netbooks. Em vez disso, o ainda vivo Steve Jobs apresentou o iPad — um celularzão barato e rápido.

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Cadê você?

Novas ondas da tecnologia de consumo geram novos hábitos, alguns deles estranhos. Quando a internet móvel em celulares se popularizou, por exemplo, muita gente achou divertido dizer ao mundo por onde passava em aplicativos como o Foursquare.

Embora os motivos para alguém não fazer isso sejam vários e óbvios e o Foursquare seja apenas uma sombra do que foi naqueles anos malucos, uma variação da prática continua muito viva e, para alguns, embrenhada no cotidiano.

Na newsletter de tecnologia da Bloomberg, Ellen Huet comentou a transformação do aplicativo Buscar, da Apple, em uma espécie de mini-rede social baseada em geolocalização.

Existem bons motivos para dividir com alguém a sua localização precisa e em tempo real, como combinamos de nos encontrarmos com alguém. O uso inicial era esse, explica Ellen, mas, hoje, ela diz que o compartilhamento “se transformou em um sinal de intimidade digital e confiança”. Para os mais novos, é ainda pior:

O hábito digital também se tornou mais popular entre as gerações mais jovens. Alguns na geração Z veem isso como um rito de amizade ou um marco indicando proximidade.

O Snapchat tem um recurso tão popular quanto o Buscar da Apple — ao menos nos Estados Unidos. A Meta, que oferece o mapa no WhatsApp, vem testando o recurso no Instagram, com uma abordagem menos utilitária, mais parecida com a do Snapchat.

Um pouco influenciado pela leitura (em andamento) de A geração ansiosa, em que Jonathan Haidt explica a fixação dos jovens pelo celular, em parte, pelo que chama de “segurismo”, um eufemismo bobo dele para a superproteção dos adultos, me peguei pensando se esse Big Brother com os amigos em um mapa digital não é mais um sintoma da solidão crônica que todos, independentemente da idade, enfrentamos nesses áridos anos 2020.

O movimento anti-IA chegou à fotografia digital

O Google segue chapado de IA generativa. No lançamento da linha de celulares Pixel 9 — que vêm recheados de recursos que adulteram fotos com IA —, Isaac Reynolds, diretor de produto da câmera dos Pixel, disse que o lance do Google é gerar memórias, e não fotografias.

Os exemplos mostrados pelo The Verge de um desses recursos, o “Reimagine”, dão uma boa ideia de como uma “memória” pode se revelar um completo delírio — e ter implicações sérias no mundo real.

Embora o Google seja o mais entusiasmado com a adulteração de fotos, a overdose de pós-processamento não é de agora nem exclusiva dessa empresa.

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Números enormes

Números que ajudam a colocar em perspectiva o tamanho do setor de tecnologia — em vários sentidos.

Pesquisa do Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública constatou que os brasileiros enfrentam mais de 4.600 tentativas de golpes financeiros por hora. / folha.uol.com.br

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Levantamento da AppMagic colocou o Google One como o aplicativo mais rentável dentro das lojas de aplicativos para celulares (App Store e Play Store), com faturamento de US$ 35 milhões entre janeiro e julho. O segundo lugar também é do Google, com o YouTube (US$ 21,8 milhões). / mobiletime.com.br

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O valor da ação da Americanas desabou 57,6% no pregão desta quinta (15), batendo em R$ 0,14, após a divulgação do balanço do primeiro semestre vir recheado de más notícias. / valor.globo.com

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 12/8

A Apple vai começar a morder 30% das assinaturas do Patreon feitas pelo app para iOS. Na ânsia de aumentar a geração de receita, a Apple achou uma boa “taxar” em 30% artistas, jornalistas e outros perfis pobretões que conseguem ser remunerados diretamente pela audiência. Boa sacada, Tim Cook. / news.patreon.com (em inglês)

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Terça, 13/8

O Flipboard deu mais um passo na integração ao fediverso e agora dá para seguir qualquer um que esteja em outro serviço compatível com ActivityPub, como Mastodon, Pixelfed ou Threads. / about.flipboard.com (em inglês)

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Quarta, 14/8

A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar pedida pelo Ministério Público obrigando a Meta a, em até 90 dias, cessar o uso de meta dados do WhatsApp em outras plataformas da empresa, como Facebook e Instagram. / oglobo.globo.com

No iOS 18.1, a Apple vai abrir o acesso ao chip NFC e APIs de segurança a aplicativos de terceiros, permitindo interações sem contato (“contactless”) fora do Apple Pay e Apple Wallet. O Brasil será um dos sete países contemplados. / apple.com (em inglês)

A Meta encerrou o Crowdtangle, ferramenta de análise do Facebook e Instagram muito usada por pesquisadores e jornalistas. / npr.org (em inglês)

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Quinta, 15/8

As AI Overviews, respostas geradas por inteligência artificial antes dos resultados do Google, chegaram ao Brasil. Aqui, foram batizadas de “Visões Gerais criadas por IA”. / blog.google

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Sexta, 18/7

O Google vai desativar seu encurtador de URLs, o goo.gl. Todos os links do tipo deixarão de funcionar em 25/8/2025. Encurtadores de URLs sempre foram uma má ideia. / developers.googleblog.com (em inglês)

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Segunda, 22/7

O Google desistiu de aposentar o bloqueio a cookies de terceiros no Chrome. Em vez disso, vai introduzir uma “nova experiência” que permita às pessoas fazer uma “escolha informada” que vale para toda a navegação web. Finja surpresa… / privacysandbox.com (em inglês)

O Pix Automático, modalidade de cobranças recorrentes do Pix, foi adiado outra vez, para 16/6/2025. O Banco Central anunciou também alguns reforços na segurança do Pix que passam a valer em 1º/11 deste ano. / bcb.gov.br

A União Europeia notificou a Meta de que seu arranjo de exigir uma assinatura paga como alternativa à vigilância dos usuários do Facebook viola os direitos dos consumidores do bloco. Note que essa rusga em nada tem a ver com a GDPR (lei de proteção de dados pessoais), ou seja, ainda há espaço para mais porradaria. / ec.europa.eu

A Meta liberou a sua assinatura paga, Meta Verified, para empresas no Brasil. São quatro planos, com valores que chegam a R$ 10 mil por ano. / oglobo.globo.com

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Terça, 23/7

A Meta expandiu sua inteligência artificial para mais países, incluindo vários da América Latina, mas deixou o Brasil de fora “devido a incertezas regulatórias”. / about.fb.com

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Quarta, 24/7

Sistema do governo atingido por ataque hacker foi criado no Judiciário e é usado em mais de 300 órgãos. folha.uol.com.br

A beleza da concorrência: na Europa, a AltStore PAL, loja de apps alternativa para o iOS, publicou seus primeiros apps de terceiros — incluindo dois clientes de BitTorrent, categoria de app vetada pela Apple em sua App Store. / fosstodon.org/@altstore (em inglês)

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Quinta, 25/7

A OpenAI anunciou um protótipo (beta) do SearchGPT, seu aguardado buscador web. Pelos vídeos, parece trazer novas ideias à mesa, com a vantagem de não ter que conciliá-las com experiências legadas, como Bing e Google. Tem fila de espera para testar. / openai.com (em inglês)

Saiu o Linux Mint 22 “Wilma”. Esta versão é baseada no Ubuntu 24.04 LTS e terá suporte até 2029. / omgubuntu.co.uk (em inglês)

A União Europeia deu duas prensas em gigantes estadunidenses nessa semana — Apple e Microsoft.

O bloco acusa a Apple de descumprir o Regulamento dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês) no que diz respeito à liberdade dos criadores de apps de poderem informar usuários de preços e condições mais vantajosas fora da App Store. A Comissão Europeia dará um veredito em 12 meses e, entre as penalidades, a Apple pode ser multada em 10% da sua receita global.

Contra a Microsoft, a UE diz ter concluído preliminarmente que a empresa violou leis antitruste quando vinculou o Teams ao Office/Microsoft 365. As reclamações partiram do Slack (Salesforce) e Alfaview. Não há prazo para o fim desse caso.