Três anos após lançar as AirTags, pequenos rastreadores que podem ser desvirtuados para perseguir pessoas, Apple e Google lançaram uma especificação que alerta alguém que estiver carregando um desses sem saber. Os alertas também valem para rastreadores de outras marcas que aderirem à especificação.

No iPhone, o alerta veio com o iOS 17.5, lançado nesta segunda (13). No Android, o Google liberará a funcionalidade a todos os dispositivos rodando Android 6 ou superior.

No comunicado à imprensa, a Apple diz que “projetou desde o princípio [as AirTags] com proteções de privacidade e segurança”. A proteção para quem usa Android consistia em exigir o download de um app que só servia para emitir alertas de AirTags de perseguidores. Não deu certo, evidentemente. Via Apple.

https://www.youtube.com/watch?v=ntjkwIXWtrc&t=3s

Causou estranheza e reações exageradas nas redes sociais (perdão pelo pleonasmo) o comercial “Crush!”, da Apple, para o novo iPad Pro.

O conceito é óbvio — o iPad substitui esse monte de objetos e produtos da criatividade humana —, mas a execução… O comercial sintetiza o “ethos” do Vale do Silício, de esmagar e pasteurizar tudo e todos que suas empresas de tecnologia tocam.

Pior: era só tocar o vídeo ao contrário para consertar o comercial.

Sem alarde, a Apple eliminou da sua linha de tablets o iPad de 9ª geração — último modelo com o visual clássico de bordas grossas, botão “home” redondo na frente e entrada para fones de ouvido. A boa notícia é que o iPad de 10ª geração, que mantém o Touch ID, mas se parece com os modelos mais caros (Air e Pro), caiu de preço. A má é que mesmo com a redução de 20% no Brasil, ele continua caro (R$ 4 mil; nos EUA, sai por US$ 349). Via The Verge (em inglês).

As novidades da linha iPad foram anunciadas nesta terça (9), em um infomercial de 40 minutos. O novo iPad Air tem chip M2 e ganhou uma versão maior, com tela de 13 polegadas, e o novo iPad Pro agora tem tela OLED, chip M4, corpo finíssimo e novos acessórios (capa/teclado e Pencil Pro).

No Dia Mundial das Senhas, uma reflexão sobre chaves-senha

Hoje (2) é o Dia Mundial da Senha, data propícia para retomarmos um assunto abordado recentemente neste Manual: as chaves-senha, ou passkeys.

Na minha coluna de 12 de abril, tentei, da melhor maneira que consegui, explicar o que são as chaves-senha. Mencionei no final que existem “preocupações legítimas com as chaves-senha ajudando a concentrar ainda mais poder nas mãos (ou nos servidores) de poucas empresas”.

No final de abril, William Brown, mantenedor da principal biblioteca do padrão Webauthn em Rust (webauthn-rs), expôs seu descontentamento com chaves-senha. “Um sonho destroçado”, o título do post, dá uma ideia da desilusão do rapaz, que é basicamente o que costuma acontecer quando a big tech se envolve: Google implementou do jeito que quis e dane-se o padrão, Apple chegou depois e terminou de zoar o que já estava longe do ideal.

Fora o lance da namorada dele perder todas as chaves-senha salvas em sua conta da Apple e a concentração de dados vitais nas grandes empresas, as reclamações de Brown são de ordem técnica, no que quero dizer meio difíceis para leigos compreenderem. Quando alguém tão envolvido com o assunto se diz de saco cheio do negócio, talvez seja um momento para reflexão.

A essa altura, acho que as chaves-senha falharão nas mãos do público em geral. Perdemos a nossa chance de ouro de eliminar senhas graças ao desejo [da big tech] de capturar mercados e promover o hype.

[…]

Reforçando — minha companheira, que é extremamente inteligente, uma ávida gamer e cirurgiã veterinária, descartou as chaves-senha porque a UX é uma merda. Ela quer voltar às senhas.

E estou começando a concordar — um gerenciador de senhas oferece uma experiência melhor do que a das chaves-senha.

Isso mesmo. Estou aqui dizendo que senhas são uma experiência melhor do que chaves-senha. Você sabe o quanto me dói escrever essa frase? (E sim, isso significa que o MFA com TOTP ainda é importante para senhas que exigem memorização fora de um gerenciador de senhas.)

Então faça um favor a si mesmo. Adote algo como Bitwarden ou se você gosta de hospedagem suas coisas, Vaultwarden. Deixe-o gerar suas senhas e gerenciá-las. Se você realmente quiser chaves-senha, coloque-as em um gerenciador de senhas que você controla. Mas não use chaves-senha em um local controlado por plataformas e tenha muito cuidado com as chaves de segurança.

E se você quiser usar uma chave de segurança, basta usá-la para desbloquear seu gerenciador de senhas e seu e-mail.

Ouch.

Coloquei um aviso bem grande no início da coluna sobre chaves-senha, linkando para esta nota. Talvez o melhor seja aguardar um pouco mais para ver no que isso vai dar antes de aposentarmos as (não tão) boas e velhas senhas. Feliz Dia Mundial das Senhas…?

O fim das senhas?

Quem estava prestando atenção ao tentar criar ou acessar contas em serviços de grandes empresas em 2023 deve ter reparado: Apple, Google e Microsoft passaram a insistir muito para que adotemos um substituto futurista da velha senha alfanumérica, as passkeys — no Brasil, traduzidas como chaves-senha ou chaves de acesso.

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A Mozilla está testando a tradução de trechos selecionados no Firefox. Por ora, como mostra o Omg! Ubuntu, está disponível apenas em versões experimentais do navegador.

É um recurso fantástico, similar ao que a Apple introduziu no macOS 12 Monterey, em 2021. Pela natureza do que faço, lido com muito texto em inglês ao longo do dia. Ter um tradutor decente a um clique do mouse, em qualquer lugar do sistema, é um super poder que eu não sabia que precisava.

Na semana em que usei Linux (e o Firefox como navegador principal), recorri à extensão do DeepL, que oferece um recurso similar, ainda que seja meio instável. Tê-lo integrado ao navegador deve ser melhor.

A solução do Firefox é, por óbvio, limitada ao Firefox/navegador. É uma pena, mas melhor que nada.

Mastoot, o app de Mastodon simples que eu sempre quis

Ícone do Mastoot: elefante branco, de perfil, contra fundo roxo.

Eu não quero muita coisa de um aplicativo do Mastodon: apenas que ele seja leve, estável, sem muita invencionice e agradável de usar.

Por algum motivo que não sei, até hoje não havia testado o Mastoot. (Suspeito que o confundia com o Mast, que achei horrível; o pessoal precisa pensar em uns nomes mais originais.)

Dia desses, de bobeira, baixei o Mastoot e gostei muito do que vi. Tanto que substituí o app oficial do Mastodon por ele.

O Mastoot, desenvolvido por Bei Li, é simples de tudo. Não tem recursos avançados nem é muito personalizável — dá para trocar o ícone e a cor de destaque e personalizar a ordem das ações ao deslizar o dedo lateralmente. E só.

Por outro lado, o app é uma delícia de usar por ter todas as características que citei ali em cima. Ah, e é gratuito.

Mastoot / iOS, iPadOS / Gratuito

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EUA acusam Apple de monopolizar mercado de celulares

Estou lendo a acusação do Departamento de Justiça e 17 estados estadunidenses contra a Apple, por monopólio do mercado de celulares. (Íntegra aqui, *.pdf, em inglês.) Eles acusam a Apple de práticas anticompetitivas no mercado de celulares que levam ao aumento de preços e maior dificuldade aos consumidores para trocarem de aparelhos e ecossistema.

Numa primeira leitura incompleta (~2/3), sinto que a falta de foco nas acusações enfraquece o argumento contra a empresa. Há áreas em que ele é forte, como a restrição a partes do sistema (“tap to pay”, envio/recebimento de SMS), mas outras meio estranhas, como a dos “super apps” (uma panaceia no Ocidente, mas que só funciona na China — talvez pela sabotagem continuada da Apple a apps do tipo?) e superadas (restrição a apps que fazem streaming de jogos da nuvem, que caiu em fevereiro).

Um trecho saboroso é um em que os procuradores resgatam críticas de Steve Jobs feitas à Microsoft em 1998. O então CEO da Apple criticava o monopólio da rival e suas “táticas sujas” para atingir a Apple. A acusação também atribui ao processo antitruste contra a Microsoft a abertura aproveitada pela Apple para deslanchar o iPod e o iTunes às custas da compatibilidade com o Windows.

Brave, Firefox e Opera ganharam mais usuários na Europa. E agora?

A entrada em vigor do Regulamento Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), em 7 de março, apresentou aos cidadãos da União Europeia uma tela de escolha ao abrirem o Safari no iOS 17.4 ou configurarem novos dispositivos Android. (O porquê dessa discrepância me escapa.)

Os primeiros resultados parecem animadores. Ao menos, as empresas beneficiadas com a medida demonstraram empolgação:

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iPulse para iOS e iPadOS mostra recursos de uso do dispositivo em qualquer lugar

Ícone do iPulse para iOS: duas barras de progresso, azul e verde.

Não existe, no iOS, um jeito de monitorar o uso de recursos do sistema em tempo real. Ou melhor, não existia.

Com o iPulse para iOS e iPadOS, essa lacuna foi suprida de um jeito… curioso: usando a tecnologia PIP (picture-in-picture), aquela que permite destacar um vídeo da web ou de um app e deixá-lo suspenso, acima de outras aplicações.

Craig Hockenberry, da The Iconfactory, explica a ~mágica:

O iPulse para iOS/iPadOS literalmente cria um vídeo do que está acontecendo dentro do seu dispositivo e o atualiza a cada segundo. Você pode redimensionar a janela para caber bem na sua tela ou deslizá-la completamente para fora do campo de visão. Tivemos o cuidado de usar recursos mínimos do sistema, como CPU (3% de uso) e memória (apenas 1 MB), enquanto criamos o vídeo.

O iPulse oferece dados do uso da bateria, espaço em disco, tráfego da rede e uso da CPU.

iPulse / iOS, iPadOS / R$ 49,90

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A Apple permitirá que europeus baixem aplicativos para o iOS direto dos sites dos desenvolvedores. Outra mudança, anunciada nesta terça (12), é a de que desenvolvedores mantenham lojas apenas para distribuir seus próprios apps. Não é tão difícil assim, né? Basta (a Apple) querer. Apesar disso, as novidades, que chegam no verão do hemisfério Norte, valerão apenas para países da União Europeia. Via Apple (em inglês).

Indie App Sales, edição de março de 2024

O Indie App Sales, evento de descontos em aplicativos para plataformas Apple, lançou uma edição agora em março. São +250 aplicativos em promoção somente nos dias 12 e 13 de março.

A Microsoft começou a extirpar o suporte a realidade mista do Windows. A versão de testes liberada nesta quinta quebra o suporte a headsets de realidade mista; a mudança alcançará todos os usuários no fim do ano, com o Windows 11 24H2.

Embora não impacte o HoloLens, é uma regressão à tentativa de popularizar headsets de realidade mista/aumentada/virtual. E num momento curioso, logo após o lançamento do Vision Pro, da Apple.

Parece que estamos em um ponto de inflexão, só não sei quem está certa, se a Apple ou a Microsoft. Via Pixel Envy (em inglês).

Um efeito colateral curioso da semana usando apenas Linux foi o tanto que meu computador contatou servidores externos.

Em um dia típico, o macOS faz até 9 mil requisições, a maioria tendo como destino domínios/servidores da Apple. (Não parece ser algo nefasto; são domínios de previsão do tempo e conexão com o iCloud, por exemplo.) Já o mini PC com Debian fez 3,3 mil no dia mais intenso de uso. Colhi os dados dos relatórios do NextDNS.

Outro recorte legal é o das conexões com o “GAFAM” (grupo que reúne Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft): no Debian, ~20% delas batem nos servidores dessas empresas. No macOS, +50%. (Ignore os números absolutos; peguei dados semanais para o Debian e mensais para o macOS, porque mal toquei no macOS semana passada.)

Significa que a Apple me “espiona”? Também, mas outra leitura possível é a de que, concomitante à espionagem, o macOS é um sistema mais “vivo”, ou seja, tem mais recursos que dependem de uma conexão à internet para funcionarem.

Atualização (15h05): Adicionei um “concomitante à espionagem” no último parágrafo. A redação anterior, como apontaram nos comentários, dava a entender que a outra leitura possível era de que a Apple não espiona os usuários.

O iOS 17.3, lançado nesta segunda (22), traz a Proteção de Dispositivo Roubado, uma opção que gera obstáculos (exigência de biometria e atraso de 1h) para alterar configurações sensíveis do celular e da conta Apple. O recurso vem desativado por padrão. Obrigado aos ladrões estadunidenses; é graças às ações deles, e não dos nossos, que a Apple se mexeu. O link ao lado traz detalhes e o passo a passo para ativar a novidade. Via Apple.