Acabar com o plano gratuito da API será (mais) uma pá de cal no Twitter. Incontáveis serviços, produtos e pesquisas que confiavam nesse acesso serão descontinuados. São importantes, mas não justificam ou não há fundos para bancar o acesso — que custará, segundo Musk, “cerca de US$ 100/mês”.

O perfil do Manual lá, automatizado via IFTTT, corre o risco de parar. Os vários projetos legais do Núcleo e de outras publicações sofrerão o baque. O NetNewsWire já avisou que removerá o suporte ao Twitter na próxima atualização. Um punhado de robôs legais, úteis e interessantes deixará de funcionar.

Musk justifica a mudança (avisada com uma semana de antecedência, e sem detalhes cruciais, como preços, definidos) como uma forma de combater robôs. Pode ser, mas o estrago que a cobrança causará nos usos legítimos da API superam, de longe, quaisquer problemas que o Twitter tenha com robôs e spam — ao menos é a percepção de quem está de fora.

Parece que a era de ouro do Mastodon/fediverso em aplicativos se estenderá a usos da API.

Esse risco sempre existe com plataformas proprietárias, e não foi a primeira vez que o Twitter sacaneou desenvolvedores. Nunca, porém, a passada de perna foi tão violenta. Via @TwitterDev/Twitter, @elonmusk/Twitter, NetNewsWire, BuzzFeed (todos em inglês).

A era de ouro dos aplicativos para Mastodon

Cada decisão equivocada de Elon Musk gera ondas de migração para o fediverso — hoje, basicamente o Mastodon. Por isso, embora eu ainda fique surpreso com a minha linha do tempo no Mastodon sempre tão ativa, não deveria. Quase dá para não sentir saudades do Twitter dos velhos tempos.

(mais…)

A Meta, de alguma forma, anunciou que 2023 será o “ano da eficiência” e que pretende torrar mais de US$ 14 bilhões no mesmo período com o metaverso e, em paralelo, recomprar até US$ 40 bilhões em ações. Os dados foram compartilhados pela empresa na divulgação do balanço de 2022, nesta quarta (1º).

Outro dado chocante: apesar de tudo, a família de aplicativos legados (Facebook, Instagram e WhatsApp) bateu a marca de 2 bilhões de usuários acessando pelo menos um deles todos os dias. Via Meta, The Verge (ambos em inglês).

Post livre #352

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

“As pessoas que não moram em sua residência precisam usar a própria conta para assistir à Netflix.” É assim que a Netflix abre o documento em que explica como combaterá o compartilhamento de senhas.

A Netflix usará “informações como endereços IP, IDs de dispositivos e atividade da conta em aparelhos conectados à conta Netflix” para determinar quais são associados à residência do titular.

Quando detectar um aparelho estranho (leia-se em outra rede Wi-Fi ou que não acesse a Netflix regularmente da rede da residência do titular), a empresa exigirá uma senha temporária enviada ao titular.

Patético. Boa sorte com isso.

Embora a documentação atualizada só tenha sido descoberta agora, o primeiro registro da versão brasileira salvo na Wayback Machine data de 25 de dezembro de 2022. A ofensiva contra o compartilhamento de senhas deve começar ainda neste trimestre, segundo o Wall Street Journal. Via Netflix.

Do nosso arquivo: Netflix e a impossibilidade de negócios sustentáveis (abril de 2022).

Gráfico do Spotify mostrando geração de receita entre 2017 e 2021, com linhas finas referentes a conteúdo “não musical” nos dois últimos anos/barras.
Imagem: Spotify, com intervenção de Tim Ingham/Music Business Worldwide.

O Spotify superou a marca de +200 milhões de usuários pagantes no quarto trimestre de 2022. Os outros números da empresa não são bonitos, porém.

Esta boa análise do Tim Ingham é reveladora. (Ela foi publicada dias antes da divulgação do balanço de 2022.) Os gastos operacionais do Spotify, o ritmo alucinado de contratações em 2022 e o investimento bilionário em podcasts parecem, na ausência de mais detalhes, erros crassos da gestão de Daniel Ek.

O gráfico de receita (acima) compartilhado pelo próprio Spotify no “investor day” de 2022, com intervenção artística de Ingham, é chocante. E piora com mais contexto: por trás aquela linha vermelha, que representa a receita gerada por podcasts e áudiolivros, está um prejuízo de US$ 103 milhões em 2021 — e a previsão de um desempenho ainda pior em 2022. Via Music Business Worldwide, Variety (ambos em inglês).

Atualização (11/2): A Apple emitiu um posicionamento ao AppleInsider negando que a falha mencionada abaixo tenha sido explorada e que o iFood tenha burlado os controles de privacidade do iOS.

O leitor Guilherme Teixeira notou algo estranho em seu iPhone no início de janeiro: o aplicativo do iFood estava acessando a localização do aparelho sem ter permissão para tal.

Quando Guilherme compartilhou essa curiosidade no nosso grupo do Telegram (para apoiadores), ficamos intrigados. Outro leitor respondeu: “iFood passando a perna na Apple.” Parece loucura. Mas… será?

Dois prints do iOS mostrando o aplicativo do iFood acessando a localização do aparelho mesmo sem permissão para tal.
Imagens: Guilherme Teixeira/Reprodução.

É uma hipótese reforçada pelas notas de lançamento do iOS 16.3, liberado pela Apple no dia 23 de janeiro. Entre outras, ela lista a falha CVE-2023-23503, submetida por um pesquisador anônimo, que permitia que um aplicativo conseguisse “ignorar as preferências de privacidade [do Maps]”.

A falha está em modo “reservado” no banco de dados do sistema CVE, ou seja, os detalhes ainda não foram publicados.

Guilherme disse que, depois que reiniciou o iPhone, o aplicativo do iFood voltou ao normal, ou seja, antes do iOS 16.3 ser disponibilizado.

Pode ter sido outra coisa? Uma falha pontual? Um erro de exibição do iOS? Pode. Mas que é uma estranha coincidência, isso é.

O Manual do Usuário entrou em contato com a assessoria de imprensa do iFood pedindo um posicionamento. Eles receberam a demanda, pediram mais detalhes e mais prazo, que foi concedido, mas o posicionamento ainda não havia chegado até a publicação desta nota. O post será atualizado assim que ele chegar.

Atualização (1/2, às 17h30): Segue o posicionamento do iFood na íntegra:

O iFood reforça que a segurança de dados é prioridade em seu negócio e na relação com os consumidores, entregadores e restaurantes. Os dados coletados são utilizados apenas para as finalidades previstas em nossa Declaração de Privacidade.

Neste caso, após análise minuciosa pela equipe de tecnologia, não foi identificado nenhum código no aplicativo iFood que permite o acesso a localização do usuário sem autorização, mas ainda assim, a empresa permanece à disposição para esclarecer qualquer dúvida referente ao assunto ou qualquer suposta falha, de modo a contribuir para trazer mais segurança à plataforma.

Presente em mais de 1700 cidades no Brasil e referência em delivery online, o iFood realiza investimentos constantes em segurança, tecnologia e monitoramento para identificação e correção de possíveis falhas e melhoria contínua do aplicativo.

Pouco mais de um ano após a última versão (6.1) e de um racha entre os fundadores, o elementary OS 7 “Horus”, nova versão da distribuição Linux focada em desktops, foi lançado nesta terça (31).

A atualização traz melhorias em várias partes do sistema, do suporte a GTK4 aos ícones modernizados (com um quê de macOS pós-Catalina). O anúncio oficial, assinado pela fundadora e CEO Danielle Foré, está repleto de imagens e mais detalhes. Via elementary OS (em inglês).

O novo aplicativo de Kevin Systrom e Mike Krieger, fundadores do Instagram, se chama Artifact e é uma espécie de “TikTok de textos”.

A dupla está fascinada com recomendações por aprendizagem de máquina, e acham que há uma oportunidade de usar a tecnologia em textos.

Lembra muito o Flipboard, na real. (Alguém aí usa? O Manual tem um perfil/revista lá.) Eles prometem componentes sociais, como recomendações de artigos e comentários, mas… né, não é como se faltassem lugares para fazer essas coisas.

O Artifact ainda está fechado. Você pode deixar o telefone no site oficial e esperar por um convite. Via Platformer (em inglês).

Uma abordagem alternativa para lidar com o fluxo de mensagens e grupos no WhatsApp

Eu nem participo de muitos grupos no WhatsApp, e mesmo assim me vejo sempre vencido pelo volume de mensagens que recebo pelo aplicativo. Foi numa dessas que decidi mudar de estratégia e usar o WhatsApp mais ou menos como uso o e-mail.

Embora o foco desta dica seja o WhatsApp, ela funciona com qualquer aplicativo de mensagens que ofereça o recurso de arquivamento de mensagens, como Signal e Telegram.

(mais…)

PlayStation 2 menor que o Slim e outros links legais

A tour global do TikTok

Quando o democrata Joe Biden venceu as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020, suspiros de alívio devem ter ecoado nos escritórios da chinesa ByteDance.

(mais…)

O WhatsApp começou a liberar as comunidades no Brasil, após atrasar o recurso por aqui a fim de evitar maus usos durante e após as eleições presidenciais de 2022. A liberação será gradual e levará alguns meses para que todos os usuários tenham acesso à novidade.

Fico curioso com a recepção. Não é um recurso novo. Outros aplicativos, do Discord ao Telegram, já oferece essa quebra por assuntos em grupos, ou “grupos dentro de grupos”, mas nenhum deles tem a escala e capilaridade do WhatsApp.

Como o pessoal de mais idade, menos versado, vai lidar com a nova camada (grossa) de complexidade? Vídeos como este serão suficientes para educar o público? Será, por exemplo, que os cinco grupos do condomínio em que estou vão convergir numa comunidade? A conferir. Via Estadão.

Enquanto isso, no Twitter de Elon Musk, mais de 30 mil perfis banidos já tiveram o acesso restaurado.

Alguns casos são tragicômicos, como o do neonazista Nick Fuentes, banido novamente nesta semana, menos de 24 horas depois de retornar à plataforma. Motivo? Enalteceu Hitler numa conversa em um Spaces. Via Twitter is Going Great (em inglês).

O Telegram questionou uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e não suspendeu o canal do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Os advogados do aplicativo disseram, em petição, que faltou embasamento legal ao pedido e que ele “implica em censura”. Seria uma decisão “desproporcional”. A audácia dessa galera… Via O Globo.

Atualização (14h): O STF aplicou uma multa de R$ 1,2 milhão ao Telegram por descumprir sua determinação. Via O Globo.

Atualização (16h08): Em nova decisão, o STF restabeleceu as contas de Nikolas em seis redes sociais — incluindo o Telegram. Via O Globo.