Quatro diretores da Anvisa endossaram o documento elaborado pela área técnica da agência e mantiveram a proibição da venda, importação e promoção de cigarros eletrônicos no Brasil, vigente desde 2009. Não só: o texto traz, entre outras recomendações, a da proibição de fabricar o produto por aqui.

No final de junho, a FDA, espécie de Anvisa dos Estados Unidos, mandou a Juul, uma das principais fabricantes de cigarros eletrônicos do país, a recolher todas as unidades do produto dos pontos de venda. O caso foi judicializado e, por ora, a Juul ganhou o direito de continuar comercializando seus produtos. Via O Joio e o Trigo, NPR e Associated Press (os dois últimos em inglês).

Após testes bem sucedidos, a Meta avisou nesta quinta (7) que dará “menos ênfase a comentários e compartilhamentos para determinar a distribuição de conteúdo político no Facebook no país [Brasil]”. Em outras palavras, menos ênfase ao engajamento motivado pela raiva. Parece uma boa, mas tenho a sensação de que isso aí é enxugar gelo. Via Meta.

Post livre #324

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

O que está acontecendo com as startups brasileiras?

Após anos de bonança, com rodadas de investimento e “valuations” nas alturas, em 2022 o mercado global de tecnologia tropeçou e está cambaleante. São frequentes as notícias de demissões em massa, motivadas por novas políticas de contenção de custos que, por sua vez, derivam de um cenário macroeconômico mais tenso, com inflação e juros altos e muita apreensão. Eu ouvi “crise”?

(mais…)

Dia desses topei com um material do Google com dados da base instalada do Chrome. Embora já tenha mais de um ano (alcançam até abril de 2021, eles pintam um retrato do tipo de dispositivo (celulares e computadores) que a maioria usa e, o que me chamou a atenção, traz dados segmentados para o Brasil.

Por aqui, por exemplo, mais da metade dos usuários do Chrome para Android usavam dispositivos com 2 GB de RAM ou menos, quantidade tida por alguns como insuficiente hoje (e já em 2021). Os processadores desses celulares tinham, a maioria (~60%), entre 5 e 8 núcleos.

Nos computadores Windows, a quantidade de RAM é mais diversificada, sendo a maioria com até 4 GB. Em processadores, por outro lado, dominam com mais da metade da base aqueles com até dois núcleos.

Outro exercício interessante é comparar os gráficos brasileiros aos de outros países. Há piores nos indicadores, como Nigéria e África do Sul, e, claro, alguns bem mais avançados no critério dispositivos melhores, como Alemanha e Reino Unido. O documento, no link ao lado, também traz dados de dispositivos que rodam Chrome OS. Via Google, blog do Chrome (ambos em inglês).

Contando com as antenas da Claro e da Vivo, além das da TIM, comentadas na quarta (6), Brasília já tem 80% da população coberta pelo 5G puro graças a , segundo a Folha de S.Paulo. Detalhe: ao contrário da TIM, as outras duas operadoras não cobrarão adicional para entregar 5G aos clientes.

O primeiro dia de 5G puro (“standalone”) no Brasil foi de boa velocidade em regiões privilegiadas — Plano Piloto e na região dos lagos (sul e norte) —, mas pontos cegos, oscilação nas velocidades e a presença do 5G “impuro”, ou DSS, a versão capenga baseada na combinação de múltiplas frequências 4G e que já estava ativa no país. Claro e Vivo, aliás, não distinguem 5G DSS do “puro”, que opera na frequência de 3,5 GHz. Via Folha de S.Paulo.

A TIM ligou sua rede 5G “pura” (standalone) nesta quarta-feira (6) em Brasília, primeira cidade liberada pela Anatel para que o serviço seja oferecido. No lançamento, são 100 antenas que cobrem 50% da população. O presidente da TIM Brasil, Alberto Griselli, prometeu outras 64 antenas nos próximos dois meses, que aumentará a cobertura a 65%.

Aos moradores de Brasília, clientes da TIM e com celulares compatíveis com 5G (veja a lista), a TIM dará uma cortesia de 12 meses do chamado “booster”, um adicional no plano que concede acesso à nova rede e uma franquia mensal de 50 GB. Passado esse período, o “booster” custará R$ 20 por mês.

Ainda segundo Griselli, a base instalada no Brasil de celulares 5G corresponde a 3,5% do total, mas as vendas de novos aparelhos do tipo já são metade do total. Via Correio Braziliense, Teletime.

O projeto Darktable lançou uma nova grande versão (4.0.0) para celebrar seu décimo aniversário. Entre as principais mudanças, a interface foi reescrita para “melhorar o visual e a consistência”, foram feitas melhorias de desempenho e há novos recursos, como um mapeamento de cores e exposição e outros novos ajustes.

O Darktable é uma solução gratuita e de código aberto para tratamento de fotos — uma alternativa a aplicativos como o Fotos da Apple e o Lightroom, da Adobe. Via Darktable (em inglês).

Um bilhão de pessoas afetadas em possível vazamento de dados na China

por Shūmiàn 书面

Em meio ao crescimento da iniciativa chinesa de cibersegurança, no domingo (3) começou a circular o boato de que uma base de dados da polícia de Shanghai (vinculada ao Ministério da Segurança Pública) foi hackeada, segundo os supostos invasores.

O preço pedido pelos hackers no Telegram é de 10 bitcoins ou cerca de 200 mil dólares, segundo matéria da Reuters, que não conseguiu verificar a autenticidade dos dados. A base contém informações pessoais (nome completo, endereço, número de identidade, registros policiais e de saúde) de cerca de um bilhão de pessoas — quase toda a população do país, incluindo menores de idade.

O CEO da corretora de criptomoedas Binance mencionou no Twitter que seus analistas já haviam identificado dados de um bilhão de residentes de um “país asiático” sendo vendidos na dark web. Lembrando que em abril entrou em vigor a lei de proteção de dados pessoais, o que gerou comentário do analista Roger Creemers sobre o uso da lei neste caso.

As autoridades não se manifestaram, mas se confirmado, seria um dos maiores vazamentos de dados da história. Os brasileiros não estão sozinhos.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Oferecimento: Insider

por Manual do Usuário

Nesta semana, o Manual do Usuário tem o patrocínio da Insider, a marca de roupas básicas — e essenciais — com tecnologia têxtil.

Iniciaram com undershirts e o portfólio não para de aumentar, agora é possível ter um guarda roupa completo Insider com as linhas masculinas e femininas de camisetas e shorts para o casual e esportivo, assim como underwears.

As peças da Insider são repletas de tecnologias, como a anti-odor e anti-bacteriana, contam com um acabamento legal, cores bonitas e são fabricadas de um jeito que consome menos água que camisetas de algodão, por exemplo.

Aos leitores do Manual, a Insider oferece o cupom de desconto MANUALDOUSUARIO12, que dá 12% de desconto em todo o site. Aproveite!

Se você estiver lendo isto, significa que a migração de servidor deu certo.

Peço desculpas pelos últimos dois dias de sumiço. Estávamos trabalhando nos bastidores para migrar o site de servidor. Agora, está tudo certo. Voltamos à programação normal.

Passou a valer na última sexta-feira (1º) a resolução 88 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que altera as regras do equity crowdfunding, modalidade de investimento que permite a pessoas físicas investirem em startups.

As duas principais mudanças são o teto das captações, que triplicou (de R$ 5 milhões para R$ 15 milhões) e a criação de um mercado secundário para as cotas, que dará liquidez aos investimentos feitos nessa fase.

A mudança foi elogiada pelas empresas que atuam no setor, como Kria, CapTable e EqSeed. Via Startups.com.br.

Por que esta quebra das criptomoedas é diferente

Por que esta quebra das criptomoedas é diferente (em inglês), por Frances Coppola na CoinDesk:

O ecossistema de cripto ligou-se fortemente ao sistema financeiro tradicional e o dólar domina os mercados de cripto tal como o faz nos mercados financeiros tradicionais. E na medida em que os mercados de cripto cresceram, cresceu também o valor em dólar da indústria de criptomoedas.

Mas esses dólares não são reais. Eles existem apenas no ambiente virtual. Não são, e nunca foram, garantidos pela única instituição no mundo que pode criar dólares reais, o Fed [Banco Central dos Estados Unidos]. O Fed não tem qualquer obrigação de assegurar que aqueles que fizeram quantias gigantescas de “dólares virtuais” possam trocá-los por dólares reais. Assim, quando a bolha de cripto estoura, os “dólares virtuais” simplesmente desaparecem. Se você não conseguir trocar seus dólares virtuais por dólares reais, a sua riqueza é uma ilusão.

Os únicos dólares reais na indústria de criptomoedas são os pagos pelos novos participantes quando fazem as suas primeiras compras de criptomoedas. O resto da liquidez do dólar nos mercados de cripto é fornecida por moedas estáveis atreladas ao dólar [“stablecoins”]. Estas dividem-se em dois grupos: as que têm dólares reais e/ou ativos líquidos seguros denominados em dólares que as suportam, e as que não os têm. Não há o bastante do primeiro tipo para viabilizar que todos possam converter [suas criptomoedas] em dólares reais, e não há qualquer garantia de que o segundo possa ser convertido em dólares reais. Assim, com efeito, toda a indústria de cripto está ligeiramente reservada.

Há agora uma corrida para trocar as exchanges de criptomoedas pelos poucos dólares reais ainda disponíveis. Como sempre acontece em mercados não regulados, aplica-se a lei da selva. Aqueles que têm os maiores dentes recebem os dólares. Talvez “baleias” seja o nome errado para elas. Crocodilos são mais similares.

No site oficial da Novi, carteira digital da Meta, há um anúncio dizendo que o programa piloto, lançado nos Estados Unidos e na Guatemala, será encerrado em 1º de setembro.

O nome Novi foi anunciado em maio de 2020, substituindo o anterior (Calibra). Originalmente, a Novi trabalhava com a Libra/Diem, criptomoeda da Meta/Facebook que foi descontinuada em janeiro. Com o fim da criptomoeda própria, a Meta passou a atrelá-la a uma “stablecoin” (USDP). No meio do caminho, David Marcus, que liderava os esforços da Meta em criptomoedas, saiu da empresa.

O encerramento da Novi significa o fim, também e por ora, dos planos da Meta para criptomoedas, mas não para criptoativos. A empresa tem apostado forte em dar suporte a NFTs no Instagram e no Facebook. Via Bloomberg (em inglês).