Como seriam as lojas de apps com sistemas de pagamentos alternativos?

A Coreia do Sul fez história nesta terça-feira (31). O país asiático aprovou a primeira lei do mundo que obriga grandes lojas de aplicativos, como a App Store da Apple e a Play Store do Google, a se abrirem a sistemas de pagamentos alternativos para compras “in-app”, ou seja, realizadas dentro dos apps. Como seria um ecossistema de aplicativos com essa regra valendo?

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Dois dados importantes da pesquisa de mensageria móvel do Mobile Time/Opinion Box publicada nesta quinta (1):

  • Apenas 7% dos usuários de WhatsApp cadastraram um cartão de débito no WhatsApp Pagamentos. Dos que não embarcaram nessa, a maioria (50%) não tem interesse no serviço e 33% não confia em ceder dados de cartão ao WhatsApp. Aquele bloqueio do recurso pelo Banco Central, pouco antes da liberação do Pix, parece ter sido providencial. E a má fama do Facebook, justificadamente, segue crescendo.
  • O Telegram já está em 53% dos celulares brasileiros. Em um ano, cresceu 18 pontos percentuais. O clima de terra de ninguém do Telegram, somado a essa ascensão meteórica, pode se transformar em um campo de batalha sem regras nas desde já conturbadas eleições do ano que vem.

Via Mobile Time (2).

Baseada na GDPR, a lei de proteção de dados da União Europeia, a Irlanda multou o Facebook em € 225 milhões (cerca de R$ 1,41 bilhão) nesta quinta (2) devido a violações praticadas com o WhatsApp. Segundo a Comissão de Proteção de Dados do país, onde fica a sede europeia do Facebook, o WhatsApp faltou com transparência na explicação, a usuários e não usuários, de como seus dados são tratados, incluindo o compartilhamento deles com outras propriedades do grupo, como a rede social Facebook.

De acordo com o Wall Street Journal, esta é a segunda maior multa aplicada pela União Europeia com base na GDPR; o valor equivale a 0,8% do lucro do Facebook em 2020. (Em julho, Luxemburgo multou a Amazon em € 746 milhões.) A princípio, a Irlanda queria multar o Facebook em € 50 milhões, mas oito países da União Europeia fizeram objeções ao valor, considerado baixo, o que desencadeou um mecanismo de resolução de disputas previsto na GDPR. Após uma votação, a Comissão de Proteção de Dados irlandesa quase quintuplicou o valor original. O Facebook pode e vai recorrer. Via Comissão de Proteção de Dados (em inglês), Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que vazar conversas por aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, gera o dever de indenizar sempre que for constatado dano. Segundo a ministra Nancy Andrighi, relatora do caso julgado, de 2015, o registro da conversa em si não é ilegal, mas divulgá-lo, sim, pois esses diálogos estão protegidos pelo sigilo das comunicações. “Em consequência, terceiros somente podem ter acesso às conversas de WhatsApp mediante consentimento dos participantes ou autorização judicial”, afirmou.

A única exceção é quando a exposição das mensagens visa resguardar um direito próprio de um dos participantes da conversa, num exercício de autodefesa. Nesses casos, porém, a análise da situação deve ser feita em juízo, caso a caso. Via Agência Brasil.

Post livre #284

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Para a surpresa de poucos, o LinkedIn anunciou que removerá o recurso de stories no final de setembro. O recurso foi lançado há menos de um ano. Segundo a diretora de produto Liz Li, o LinkedIn promete (ameaça?) lançar um novo produto parecido com stories no futuro, com diferenças baseadas no retorno dos usuários dos stories, como tornar os vídeos permanentes em vez de sumir com eles após 24 horas. Via LinkedIn (em inglês).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

O Windows 11 chega dia 5 de outubro. Para quem já tem um computador elegível com Windows 10, via atualização gratuita. Para quem não tem, computadores com o sistema pré-instalado começarão a ser vendidos na data.

A distribuição da atualização do Windows 11 será gradual. “Seguindo os tremendos aprendizados do Windows 10, queremos garantir que estamos oferecendo a melhor experiência possível”, escreveu Aaron Woodman, gerente de marketing da Microsoft. Tomara: falhas catastróficas marcaram algumas grandes atualizações do Windows 10. A expectativa é terminar a atualização da base elegível em meados de 2022. Via Microsoft (em inglês).

O Nubank enfim liberou suporte ao Apple Pay em seus cartões de crédito. Sobrou algum bancão ou fintech popular que ainda está fora desse sistema? Via Nubank.

A Coreia do Sul aprovou a primeira lei do mundo que obriga grandes lojas de aplicativos, como as de Apple e Google, a permitirem sistemas de pagamento alternativos. A empresa que descumprir a lei, que ainda depende da sanção do presidente Moon Jae-in, poderá ser punida em até 3% do seu faturamento no país.

No Android (Google) e no iOS (Apple), desenvolvedores de aplicativos só podem receber dos usuários pelos sistemas de pagamentos nativos, das donas do sistemas operacionais. Pela conveniência, Apple e Google/Alphabet cobram 30% do valor pago. Elas alegam que esse arranjo garante mais segurança aos usuários, um argumento cada vez mais difícil de colar mundo afora. Em vários lugares, as duas empresas estão na Justiça se defendendo de tentativas de abrir suas lojas para sistemas de pagamento alternativos, como o movido pela Epic, de Fortnite, contra a Apple nos Estados Unidos. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

O Banco Central (BC) anunciou na última sexta-feira (27) uma série de alterações no Pix visando inibir sequestros relâmpagos e outros crimes motivados pelo sistema de pagamentos. As principais são:

  • Limite de R$ 1 mil para transferências das 20h às 6h, com possibilidade de aumentá-lo (no geral ou para contatos específicos), com prazo mínimo de 24h para efetivação do pedido de alteração.
  • Possibilidade de limites distintos para dia e noite.
  • Possibilidade de retenção de de transações por até 30 minutos (de dia) ou 60 minutos (noite) para análise de risco da operação.

Segundo Roberto Campos Neto, presidente do BC, 90% das transações com Pix é de valores inferiores a R$ 500. “[A] intervenção protege o patrimônio das pessoas, não diminui usabilidade e desincentiva crimes como sequestro relâmpago”, disse Roberto.

As novas regras ainda não têm data para começarem a valer. Via CNN (2).

O Star+, novo serviço de streaming da Disney, foi lançado no Brasil. Com foco em esportes e conteúdo mais adulto, a assinatura sai por R$ 32,90; o combo com o Disney+, por R$ 45,90. Os destaques do serviço são os eventos esportivos ao vivo (ESPN), séries, filmes e todas as temporadas d’Os Simpsons. Via LABS.

O livro A república das milícias, de Bruno Paes Manso, virou podcast, fruto da primeira parceria da Globo com a Rádio Novelo. O programa, que estreou na última sexta-feira (27), é um “original Globoplay” e só pode ser ouvido no próprio ou na Deezer. Via G1.

Não é o primeiro podcast exclusivo do Globoplay. Antes dele, veio o À mão armada, apresentado por Sônia Bridi. A fragmentação do ecossistema de podcasts, iniciada em 2019 pelo Spotify, segue aumentando.

A Apple adquiriu o streaming de música clássica Primephonic. O valor do negócio não foi informado. De imediato, o Apple Music ganhará playlists e conteúdo exclusivo do Primephonic e, em 2022, um novo aplicativo será lançado. Já o app/serviço independente do Primephonic será encerrado já no próximo dia 7 de setembro. Os atuais assinantes receberão seis meses de gratuidade no Apple Music. Via Apple (em inglês).

A música clássica tem toda uma organização de meta dados própria, que em muitos aspectos é estranha ou incompatível com a da música popular. Nesta matéria de 2019, que destaca Primephonic e um serviço rival, o Idagio, o New York Times explica tais particularidades:

Para a maior parte das músicas no Spotify ou Apple Music, uma listagem do artista, faixa e álbum funciona bem. Mas críticos do status quo [os serviços de streaming especializados] argumentam que a estrutura básica do gênero clássico — com compositores não performáticos e trabalhos compostos por múltiplos movimentos — não é adequada ao sistema construído para o pop.

A Microsoft não vai impedir a instalação do Windows 11 em computadores que não atendem os requisitos mínimos do sistema, desde que ele seja instalado manualmente, ou seja, baixando o sistema do site da Microsoft e rodando o instalador localmente.

Porém — e um enorme “porém” —, esse Windows 11 em computadores antigos não será elegível a receber atualizações, nem mesmo as de segurança e de drivers. A medida, informada pela empresa ao site The Verge, parece mais uma concessão diante das críticas aos requisitos mínimos aparentemente artificiais do Windows 11, que cada vez mais soa mais como um estímulo à troca de computadores do que uma atualização genuína.

Para computadores não elegíveis, será melhor permanecer no Windows 10, que tem atualizações garantidas até 2025. Via The Verge (2) (em inglês).