WeHashed: como a fintech Hash foi dos milhões às demissões

WeHashed: como a fintech Hash foi dos milhões às demissões, por Leandro Miguel Souza no Startups:

A história da Hash, fintech que surfou a onda de empolgação que tomou o cenário startupeiro do país nos últimos anos, causou impacto. A pergunta que ficou foi como uma startup que parecia tão promissora, que anunciou ter levantado portentosas rodadas de investimento (perto de US$ 60 milhões), chegou ao ponto de deixar de atender clientes, demitir sua força de trabalho e encerrar abruptamente suas operações? Como ela gastou tanto dinheiro?

Para tentar encontrar respostas, o Startups conversou com alguns ex-funcionários e fontes do mercado. E o que encontramos foi uma espécie de “cautionary tale” – um termo em inglês que não tem uma tradução específica em português, mas que indica uma história que serve de aviso para quem estiver interessado em ler e tirar suas conclusões.

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música (em inglês), por James Tapper no The Guardian:

Os fãs de ruídos dizem que estudar, dormir e meditar são realçados ao ouvir esses sons em volume baixo. A matemática da economia de música por streaming significa que criadores de ruídos podem ganhar dinheiro com isso. Alguém que adormece na faixa de 90 segundos Clean White Noise – Loopable With No Fade, do artista White Noise Baby Sleep, repetida por sete horas, fará 280 reproduções. Na última sexta-feira, ela já havia sido tocada 837 milhões vezes, gerando um valor estimado de US$ 2,5 milhões em royalties. A faixa principal na playlist Rain Sounds, do próprio Spotify, dois minutos de chuva, tem mais de 100 milhões de reproduções.

Por outro lado, Laura Mvula tem apenas 541 reproduções no Spotify da faixa-título do álbum vencedor do Ivor Novello deste ano, Pink Noise — nada sonolenta, mas sim um lírico e sonoro dance-pop dos anos 1980 que levou três anos para ser criado.

“Sempre fui muito crítico ao fato de que todas as reproduções [no streaming] são tratadas da mesma forma”, disse Tom Gray, guitarrista de Gomez e fundador da BrokenRecord, uma campanha para que artistas recebam mais receita dos streamings. “[A economia dos streamings] Parece democrática em algum nível, mas não leva em conta o valor real que o ouvinte recebe.”

Prazo curto, pressão e ansiedade: a saga dos entregadores do Mercado Livre

Prazo curto, pressão e ansiedade: a saga dos entregadores do Mercado Livre, por Rogério Galindo e Flavia Barros, no Plural:

Depois da pandemia, toda grande cidade hoje tem milhares de pessoas trabalhando com entregas de mercadorias, não só para o Mercado Livre. As pessoas acostumaram a fazer encomendas via Internet e isso movimenta bilhões de reais. Só no primeiro ano da pandemia, o Mercado Livre registrou um espantoso crescimento de 185%. Hoje, com capacidade para entregar 2 milhões de pacotes por dia, a empresa, que tem sede na Argentina, se expande às pressas. A receita também explodiu: foram US$ 2,1 bilhões só no último trimestre de 2021.

Na ponta, isso significa uma só coisa: pressão para entregar tudo no prazo, ainda mais porque algumas compras oferecem ao consumidor a promessa de ter tudo em casa em poucas horas — às vezes no mesmo dia, às vezes no dia seguinte. O exército de entregadores não para de crescer — assim como o Uber no começo, hoje é para o serviço de entregas que correm muitos desempregados em busca de renda.

“Silicon Values”

“Silicon Values” (em inglês), por Nick Heer no Pixel Envy:

A ideia de um mundo digital não mais influenciado em grande parte pelo “soft power” dos EUA nos traz de volta à tensão com o TikTok e a sua propriedade chinesa. É compreensível que algumas pessoas fiquem nervosas com a plataforma de meios de comunicação social mais popular para muitos norte-americanos tendo o apoio de um regime autoritário. Alguns preocupam-se com a possibilidade de influência externa do governo na política pública e no discurso, embora um estudo que encontrei reflita uma clara distinção dos princípios de moderação entre TikTok e o seu correspondente chinês, o Douyin. Alguns estão preocupados com a coleta em massa de dados privados. Eu entendo.

Mas do meu ponto de vista canadense, parece que a maior parte do mundo está envolvida em um debate entre uma superpotência e uma quase-superpotência, sendo preferível que os Estados Unidos continuem a dominar apenas por comparação e familiaridade. Vários países europeus proibiram o Google Analytics porque é impossível para os seus cidadãos se protegerem da vigilância das agências de inteligência norte-americanas. Os Estados Unidos podem ter processos legais para restringir o acesso “ad hoc” de seus espiões, mas esses são quase que uma formalidade. Seus processos são conduzidos em segredo e com uma supervisão pública falha. O que se sabe é que eles raramente rejeitam mandados para vigilância e que as empresas privadas têm de cumprir calmamente os pedidos de documentos com poucas oportunidades de refutação ou transparência. Às vezes, esses processos são totalmente burlados. O negócio dos data brokers permite a vigilância de qualquer pessoa disposta a pagar — incluindo as autoridades norte-americanas.

A promessa quebrada do bitcoin em El Salvador

A promessa quebrada do bitcoin em El Salvador, por Jacob Silverman e Ben McKenzie no The Intercept Brasil:

Apesar do talento ocasional do governo salvadorenho para o marketing, o país enfrenta enormes desafios econômicos, uma crise da dívida, lutas constantes com o crime e a violência, uma disputa diplomática com os Estados Unidos e a gestão intempestiva de Bukele, que pode ser descrito superficialmente como uma mistura salvadorenha de Donald Trump, do presidente filipino Rodrigo Duterte e, incrivelmente, de um influenciador digital bitcoiner. Em 2021, Bukele remodelou o judiciário do país, nomeando novos juízes que interpretaram de forma criativa a Constituição para permitir que o presidente se candidatasse à reeleição. Preenchendo cargo governamentais com parentes e amigos de escola, Bukele dirige El Salvador quase como se fosse uma empresa familiar. As finanças da empresa podem estar em crise, mas, com sua política de prisões em massa e leis de censura visando a imprensa independente, Bukele parece determinado a consolidar ainda mais seu poder.

Pairando sobre tudo isso está a consequência, que ainda se desenrola, do desastroso projeto de Bukele para usar o bitcoin. Em junho de 2021, em uma apresentação de vídeo em uma conferência sobre bitcoin em Miami, Bukele anunciou que seu país seria o primeiro do mundo a adotar o criptoativo como moeda de uso legal. Em 7 de setembro de 2021, o bitcoin foi oficialmente adotado em El Salvador, com muita fanfarra propagandística e algum descontentamento, incluindo protestos sociais. Naquele dia, os mercados globais de criptomoedas caíram, com várias bolsas fechando inesperadamente. Seguiram-se inúmeras denúncias de fraude e roubo de identidade; um bitcoiner local nos disse que seu amigo usou uma foto de um cão para confirmar sua identidade. Problemas técnicos desenfreados atormentaram a implantação do Chivo, a carteira digital oficial em que todos os cidadãos receberiam US$ 30 em bitcoin (cujo valor despencou desde então). A adoção geral tem sido mínima, com a maioria das pessoas ainda preferindo dólares americanos, a outra moeda utilizada no país. O bitcoin também não se mostrou útil com remessas vindas do exterior, que são fundamentais para a economia de El Salvador: menos de 2% das remessas enviadas para o país agora usam bitcoin.

O projeto do bitcoin em si é levado a cabo por um confuso emaranhado de interesses governamentais e privados, alguns deles estrangeiros; poucas pessoas externas ao sistema sabem quem faz o quê ou onde. Bukele se gaba no Twitter de que compra bitcoin pelo telefone, usando dinheiro público, enquanto está sentado no vaso sanitário. Ele nunca postou o endereço da carteira que usa para que a população possa examinar essas transações, mas, se forem reais, ele já conta milhões de dólares no vermelho. Assim como o povo salvadorenho.

Fundador da Ricardo Eletro vira “coach” de vendas após deixar negócio à beira da falência

Fundador da Ricardo Eletro vira “coach” de vendas após deixar negócio à beira da falência, por Fernanda Guimarães e Lucas Agrela no Estadão:

No mês passado, mais de 6 mil pessoas aguardavam o início do evento “Explosão de Vendas”, que seria conduzido no YouTube por Ricardo Nunes, 52 anos, o fundador da Máquina de Vendas, a dona da Ricardo Eletro, varejista que dribla hoje repetidos pedidos de falência. Com um público inflamado no chat da plataforma, o curso, de três dias em modelo híbrido, começou com Nunes dizendo que seu objetivo era passar o melhor de sua experiência em 30 anos para “construir a segunda maior empresa de varejo desse País”.

Segundo fontes, o novo negócio de cursos e mentoria vem garantindo um bom dinheiro ao empresário. Procurado em múltiplas ocasiões pela reportagem, o empresário não deu entrevista.

Com 182 mil seguidores no Instagram, rede social que também utiliza para vender seus cursos, Nunes foi denunciado, em junho, por suspeita de sonegação da ordem de R$ 86 milhões. O empresário também já foi alvo de denúncias de lavagem de dinheiro e chegou a ser preso. “Ele mora nos Jardins, leva uma vida luxuosa e fica postando fotos em avião particular. Enquanto isso, mente sobre o que fez na empresa. Se ele hoje é bilionário, tirou esse dinheiro de algum lugar”, diz outra fonte ligada à Ricardo Eletro.

E-commerce é o novo banco

E-commerce é o novo banco, por Hugo Cilo na IstoÉ Dinheiro:

O executivo Tulio Oliveira, que comanda a fintech Mercado Pago, braço financeiro do maior site de classificados da América Latina, o Mercado Livre, vive uma espécie de crise de identidade profissional. Uma boa crise. À frente de um negócio que responde por 48% das receitas globais de US$ 2,6 bilhões da companhia no segundo trimestre, ele já não sabe se pilota um banco que tem um marketplace ou um marketplace que tem um banco. […]

O processo de bancarização do varejo ou de “varejização” dos bancos — a ordem dos fatores, neste caso, definitivamente não altera o produto — é um fenômeno que ultrapassa as fronteiras do Melicidade, sede do Mercado Livre, em Osasco (SP). Outras gigantes do e-commerce, como OLX, Magazine Luiza e Via (antiga Via Varejo, dona de Casas Bahia, Ponto e Extra.com.br) estão surfando na crista da onda dos serviços financeiros. A Lojas Renner tem a Realize, a Via tem o banQi, o Magazine Luiza tem o Magalu Pay, entre muitos outros. “O objetivo é garantir a inclusão financeira, criando conexão entre as lojas, o e-commerce e o marketplace”, disse André Calabró, CEO do banQi.

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais (em inglês), por Cal Newport na New Yorker:

Esta rejeição do modelo de grafo social permitiu ao TikTok burlar as barreiras de entrada que protegiam de fato as primeiras plataformas de mídias sociais, como Facebook e Twitter. Ao separar a distração das conexões sociais, o TikTok pode competir diretamente pelos usuários sem a necessidade de primeiro construir cuidadosamente uma rede subjacente, conexão por conexão. Sob qualquer ponto de vista, esta blitzkrieg de atenção tem funcionado incrivelmente bem. Estima-se que TikTok tenha um bilhão de usuários mensais ativos, número que atingiu em tempo recorde, e, de acordo com alguns relatórios o aplicativo é usado em sessões de em média 10,85 minutos, o que, se for verdade, são muito maiores do que a de qualquer outra grande rede social. Enquanto isso, a empresa-mãe do Facebook perdeu recentemente mais de US$ 230 bilhões em valor de mercado em um único dia, logo depois de anunciar que o crescimento da base de usuários havia estagnado. Analistas identificaram o TikTok como um fator importante nessa desaceleração.

Esses desenvolvimentos colocam as empresas tradicionais de redes sociais, como o Facebook, em situação de alerta. É óbvio que, se não fizerem movimentos para deter o fluxo de usuários saindo de suas plataformas para o TikTok, seus investidores se revoltarão e o valor de mercado continuará caindo. Isso explica a recente transição do Facebook para vídeos curtos e recomendações algorítmicas de conteúdos não publicados por amigos. Talvez menos óbvio, porém, é o perigo a longo prazo de se afastar do modelo centrado em conexões que tem servido tão bem à a empresa. É improvável, no momento, que um novo rival consiga construir um grafo social de tamanho ou influência comparáveis aos das plataformas legadas como o Facebook e o Twitter — é simplesmente muito difícil começar do zero quando esses serviços amadurecidos já existem. Daí resulta que, enquanto essas plataformas legadas se basearem nas suas redes subjacentes como fonte primária de valor, elas manterão uma espécie de proteção monopolista dentro da economia de atenção mais ampla. Se, em vez disso, elas se afastarem das suas fundações no grafo social para se concentrarem na otimização do engajamento momentâneo, entrarão num cenário competitivo que as coloca diretamente contra as muitas outras fontes de distracção móvel que existem hoje — não apenas o TikTok, mas também redes sociais mais personalizadas e especializadas, tais como a sensação Gen-Z BeReal, para não falar dos populares streamings de vídeos, podcasts, video games, aplicativos de auto-aperfeiçoamento e, para a demografia um pouco mais velha a que pertenço, o Wordle.

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras, por Daniel Camargos no Repórter Brasil:

Você não sabe disso, mas ao ler esta reportagem você pode estar usando ouro extraído ilegalmente de terras indígenas brasileiras. Celulares e computadores das marcas Apple e Microsoft, bem como os superservidores do Google e da Amazon, têm filamentos de ouro em sua composição. Parte desse metal saiu de garimpos ilegais na Amazônia, passou pela mão de atravessadores e organizações até chegar nos dispositivos das quatro empresas mais valiosas do mundo, revela uma investigação da Repórter Brasil.

Documentos obtidos pela reportagem confirmam que essas gigantes da tecnologia compraram, em 2020 e 2021, o metal de diversas refinadoras, entre elas a italiana Chimet, investigada pela Polícia Federal por ser destino do minério extraído de garimpos clandestinos da Terra Indígena Kayapó, e a brasileira Marsam, cuja fornecedora é acusada pelo Ministério Público Federal de provocar danos ambientais por conta da aquisição de ouro ilegal. A extração mineral em terras indígenas brasileiras é inconstitucional, apesar dos esforços do governo Jair Bolsonaro (PL) para legalizá-la.

Zuck aumenta a temperatura

Zuck aumenta a temperatura (em inglês), por Alex Heath e David Pierce no The Verge:

“Realisticamente, é provável que haja um monte de pessoas na empresa que não deveriam estar aqui”, disse Zuckerberg na chamada de 30 de junho, de acordo com uma gravação obtida pelo The Verge. “E parte da minha expectativa ao aumentar as expectativas e ter metas mais agressivas, e aumentar a fervura só um pouquinho, é que alguns digam que este lugar não é para vocês. E, para mim, tudo bem com essa seleção natural.”

Os comentários no Workplace, a versão interna do Facebook para funcionários da empresa, dispararam. “É tempo de guerra, precisamos de um CEO para tempos de guerra”, escreveu um deles. “Modo fera, ativado”, postou outro funcionário.

Outros não acreditavam no que tinham acabado de ouvir. “Mark acabou de dizer que há um monte de pessoas nesta empresa que não pertencem aqui[?]”, perguntou um funcionário. Outro respondeu: “Quem os contratou?”

Se uma reunião geral da empresa serve para reunir as tropas, esta foi sem dúvida mais divisória do que galvanizadora. Mas Zuckerberg cumpriu a promessa de transparência: seus funcionários agora entendem o que ele realmente acha deles.

Por que esta quebra das criptomoedas é diferente

Por que esta quebra das criptomoedas é diferente (em inglês), por Frances Coppola na CoinDesk:

O ecossistema de cripto ligou-se fortemente ao sistema financeiro tradicional e o dólar domina os mercados de cripto tal como o faz nos mercados financeiros tradicionais. E na medida em que os mercados de cripto cresceram, cresceu também o valor em dólar da indústria de criptomoedas.

Mas esses dólares não são reais. Eles existem apenas no ambiente virtual. Não são, e nunca foram, garantidos pela única instituição no mundo que pode criar dólares reais, o Fed [Banco Central dos Estados Unidos]. O Fed não tem qualquer obrigação de assegurar que aqueles que fizeram quantias gigantescas de “dólares virtuais” possam trocá-los por dólares reais. Assim, quando a bolha de cripto estoura, os “dólares virtuais” simplesmente desaparecem. Se você não conseguir trocar seus dólares virtuais por dólares reais, a sua riqueza é uma ilusão.

Os únicos dólares reais na indústria de criptomoedas são os pagos pelos novos participantes quando fazem as suas primeiras compras de criptomoedas. O resto da liquidez do dólar nos mercados de cripto é fornecida por moedas estáveis atreladas ao dólar [“stablecoins”]. Estas dividem-se em dois grupos: as que têm dólares reais e/ou ativos líquidos seguros denominados em dólares que as suportam, e as que não os têm. Não há o bastante do primeiro tipo para viabilizar que todos possam converter [suas criptomoedas] em dólares reais, e não há qualquer garantia de que o segundo possa ser convertido em dólares reais. Assim, com efeito, toda a indústria de cripto está ligeiramente reservada.

Há agora uma corrida para trocar as exchanges de criptomoedas pelos poucos dólares reais ainda disponíveis. Como sempre acontece em mercados não regulados, aplica-se a lei da selva. Aqueles que têm os maiores dentes recebem os dólares. Talvez “baleias” seja o nome errado para elas. Crocodilos são mais similares.

A grande barreira da inteligência artificial

A grande barreira da inteligência artificial, por Cezar Taurion no Neofeed:

As diferenças entre humanos e máquinas são brutais e o próprio nome IA é incorreto. O artigo Nonsense on stilts joga um pouco de luz nessa questão. Seu autor, Gary Marcus, que publicou o excelente livro Rebooting AI, mostra que o LaMDA não é senciente e está muito longe de ser.

Por exemplo, nós humanos temos o pensamento abstrato. Fazemos analogias e criamos conceitos. Podemos ver uma foto e imaginar toda uma história em torno dela. Podemos ouvir um relato e visualizar as cenas ocorridas, embora não estivéssemos lá.

Os algoritmos de DL são modelos que criam representações matemáticas de pixels. São treinados “vendo” milhares e milhares de imagens de carros que estejam rotulados como “carros”. Quando recebe uma nova foto de carro, ele tenta fazer o casamento matemático com os modelos de pixels que já “aprendeu”. Quando dá match, ele aponta que é um carro. Se não der match, ele aponta para o padrão que mais se aproxima estatisticamente, que pode ser algo como uma tampa de lixeira.

A cidade inteligente é uma utopia eternamente não realizada

A cidade inteligente é uma utopia eternamente não realizada (em inglês), por Chris Salter na MIT Technology Review:

A visão contemporânea da cidade inteligente [“smart city”] já é bem conhecida. É, nas palavras da IBM, “uma visão de instrumentação, interconexão e inteligência”. “Instrumentação” refere-se a tecnologias de sensores, enquanto “interconectividade” descreve a integração de dados de sensores em plataformas computacionais “que permitam a comunicação de tais informações entre vários serviços da cidade”. Uma cidade inteligente é boa na medida da inteligência imaginada que produz ou extrai. O grande dilema, contudo, é qual o papel da inteligência humana na rede de “análises complexa, modelagem, otimização, serviços de visualização e, por último, mas certamente não menos importante, inteligência artificial” que a IBM anunciou. A empresa registou o termo “cidades mais inteligentes” [“smarter cities”] em novembro de 2011, sublinhando a realidade de que tais cidades deixariam de pertencer inteiramente àqueles que as habitavam.

O que é interessante tanto nas visões iniciais como nas contemporâneas das redes de sensores urbanos e do uso que poderia ser feito dos dados que produzem é a proximidade e, no entanto, a distância do conceito de Constant [Nieuwenhuys, pioneiro das “smart cities”] do que tais tecnologias produziriam. A imagem tecnológica da Nova Babilônia era a visão de uma cidade inteligente não marcada, como a da IBM, pela extração de dados em larga escala para aumentar os fluxos de receitas através de tudo, de estacionamento e compras à saúde e monitoramento dos serviços públicos. A Nova Babilônia era inequivocamente anticapitalista; era formada pela crença de que tecnologias difundidas e conscientes nos libertariam, de alguma forma, um dia, da estafa do trabalho.

Plataformas de internet estão destruindo a democracia, diz Nobel da Paz

Plataformas de internet estão destruindo a democracia, diz Nobel da Paz, por Patrícia Campos Mello na Folha de S.Paulo:

Líderes que usam as redes sociais como armas — como Narendra Modi, na Índia, Viktor Orban na Hungria, que também faz aparelhamento da mídia tradicional, e Rodrigo Duterte — todos foram reeleitos ou conseguiram eleger o sucessor. O que isso significa? O que funciona contra essas operações de informação?

Maria Ressa: Neste exato momento, estamos impotentes. No longo prazo, é preciso educação. No médio prazo, é legislação. E, no curto prazo, é preciso ação coletiva. Precisa ser uma abordagem de toda a sociedade para tentar redefinir o que significa engajamento cívico hoje. Foi o que tentamos fazer para nossas eleições em maio. É o que Brasil vai precisar fazer para as eleições de vocês.

É preciso perguntar se as pessoas realmente querem viver num mundo onde se pode manipular todas as pessoas ou onde a democracia é destruída e não vivemos numa realidade compartilhada. Estamos em 2022 e a situação está piorando. Eu estou apostando minha liberdade nisso, na ideia de que podemos fazer alguma coisa.

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo

Como a internet nos transformou em máquinas de conteúdo (em inglês), por Kyle Chayka na New Yorker:

A dinâmica que [Kate] Eichhorn descreve é familiar a qualquer pessoa que use redes sociais com qualquer regularidade. Ela não rompe com a nossa compreensão da internet tanto quanto esclarece, em termos eloquentemente diretos, como ela criou uma corrida brutal ao fundo do poço. Sabemos que o que publicamos e consumimos nos meios de comunicação social parece cada vez mais vazio, e mesmo assim somos impotentes para interromper isso. Talvez se tivéssemos uma linguagem melhor para o problema, seria mais fácil resolvê-lo. “Conteúdo gera conteúdo”, escreve Eichhorn. Tal como com o ovo do Instagram, a melhor maneira de obter mais capital de conteúdo é já tê-lo.