Obrigado, Elon, por trocar o nome do Twitter por X

Não é de hoje que o Twitter apodrece em praça pública, sabotado pelo próprio dono. A última grande ideia de Elon Musk foi jogar no lixo a marca “Twitter”, rebatizando o serviço de X. Sim, a letra X.

Fiquei incrédulo, como em muitas ocasiões desde outubro de 2022, ao saber disso. Hoje, gosto da mudança. Ela põe um fim à degradação agonizante do Twitter e ajuda a separar o legado de uma empresa imperfeita, mas que acertou bastante, do caos instaurado por Musk.

(mais…)

Adesivo colado sobre um QR code: “Diz muito que os investidores estejam desperdiçando dezenas de milhões em um novo esquema de criptografia a fim de ajudar os pobres do mundo. Se eles estivessem realmente interessados em ajudar comunidades de baixa renda, deveriam doar seu dinheiro em vez de investir em mais uma forma de vigilância.”
“Diz muito que os investidores estejam desperdiçando dezenas de milhões em um novo esquema de criptografia a fim de ajudar os pobres do mundo. Se eles estivessem realmente interessados em ajudar comunidades de baixa renda, deveriam doar seu dinheiro em vez de investir em mais uma forma de vigilância.” Foto: @docpop@mastodon.social.

O artista Doctor Popular criou adesivos para colar em cima dos cartazes da Worldcoin, startup/esquema co-fundado por Sam Altman, CEO da OpenAI, que quer registrar a íris de todas as pessoas do mundo em troca de uma criptomoeda fajuta.

Parece o plano diabólico de um filme ruim. O objetivo da Worldcoin é distinguir pessoas de inteligências artificiais, “habilitar processos democráticos globais” (?) e financiar com IA uma renda básica universal. (Sério, eu não estou inventando; está no site oficial.)

É esse cara — que não entendeu Oppenheimer — que está na vanguarda do Vale do Silício, moldando regulações de IA ao redor do mundo. Via @@docpop@mastodon.social (em inglês).

Novos estudos analisam o papel do Facebook e Instagram nas eleições

O presidente global de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, comentou com entusiasmo a divulgação de quatro artigos sobre a influência do Facebook e Instagram nas eleições norte-americanas de 2020.

São os primeiros resultados de um projeto mais amplo, iniciado em 2020, entre pesquisadores de universidades norte-americanas e a Meta. Da Science:

Em um experimento, os pesquisadores impediram que os usuários do Facebook vissem quaisquer postagens “recompartilhadas”; em outro, eles exibiram feeds do Instagram e do Facebook para os usuários em ordem cronológica inversa, em vez de em uma ordem com curadoria do algoritmo da Meta. Ambos os estudos foram publicados na Science. Em um terceiro estudo, publicado na Nature, a equipe reduziu em um terço o número de postagens que os usuários do Facebook viram de fontes com opiniões parecidas — ou seja, pessoas que compartilham suas inclinações políticas.

Em cada um dos experimentos, os ajustes mudaram o tipo de conteúdo que os usuários viram: remover postagens recompartilhadas fez com que as pessoas vissem muito menos notícias de política e menos notícias de fontes não confiáveis, por exemplo, mas mais conteúdo incivil. Substituir o algoritmo por um feed cronológico levou as pessoas a ver mais conteúdo não confiável (porque o algoritmo da Meta rebaixa fontes que compartilham repetidamente desinformação), embora tenha cortado o conteúdo de ódio e intolerante quase pela metade. Os usuários dos experimentos também acabaram gastando muito menos tempo nas plataformas do que outros usuários, sugerindo que eles se tornaram menos atraentes.

(mais…)

O projeto Fairwork divulgou a segunda edição do relatório de trabalho plataformizado no Brasil. Em 2023, foram analisadas dez plataformas de diferentes segmentos, das quais apenas três pontuaram — AppJusto, iFood e Parafuzo.

O número é igual ao da edição 2022, mas com outros nomes (à exceção do iFood) e uma nova nota máxima, de 3/10 pontos, obtida pelo AppJusto, estreante na pesquisa. Em outras palavras, ainda há muito a ser feito para assegurar condições justas de trabalho a quem depende das plataformas digitais.

O relatório também chamou a atenção ao lobby intenso que as plataformas têm feito no país para “convencer a opinião pública sobre seu ponto de vista, muitas vezes de maneira sutil ou como washing — ou seja, tentativa de limpar a imagem”.

Montadoras chinesas ocupam vácuo deixado por europeias e norte-americanas em fábricas no Brasil

por Shūmiàn 书面

Se a indústria automobilística do Brasil vem sofrendo com a debandada das montadoras europeias e estadunidenses, agora está gerando oportunidades para as chinesas.

A BYD anunciou na semana passada (20) que deve abrir um complexo industrial na Bahia, em espaço que antes comportava a produção da Ford. Com um investimento de R$3 bilhões, a expectativa é de que a fabricação de veículos híbridos e elétricos gere 5 mil novos empregos na cidade de Camaçari.

A maior fabricante de veículos elétricos do mundo não está sozinha: a Great Wall Motor deve iniciar sua produção em São Paulo em 2024, ocupando um espaço deixado pela Mercedes-Benz.

O objetivo das montadoras chinesas no Brasil é conquistar o mercado latino-americano e facilitar exportações para os Estados Unidos e Canadá.

A Senacon, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, deu 24 horas para Google e Meta removerem anúncios identificados de golpes relacionados ao Desenrola Brasil de suas plataformas, e 48 horas para removerem todos os conteúdos e anúncios do tipo, sob pena de multa de R$ 150 mil por dia em caso de descumprimento. O despacho foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta (26). Via Convergência Digital.

Visão geral do r/Place, nos momentos finais, com a frase “FUCK SPEZ” escrita em branco contra o fundo colorido dos desenhos.
Imagem: Reddit/Reprodução.

Belíssima a homenagem feita pelos usuários do Reddit ao CEO, Steve Huffman (u/spez no Reddit). A obra de arte foi o “gran finale” do r/Place, um projeto colaborativo que o Reddit abre vez ou outra. Via r/Place@Reddit.

Instapaper ganhou um recurso que eu sugeri

O Instapaper 8.4 para iOS, lançado nesta terça (25), trouxe uma série de refinamentos e atualizações sutis que deixaram o app mais moderno e integrado aos padrões da plataforma da Apple.

Uma das novidades foi resultado da minha insistência com um dos sócios do Instapaper, Brian Donohue.

Em maio, mandei um e-mail com algumas sugestões. Entre elas, que ao segurar o dedo sobre um link durante a leitura, a pré-visualização do link aparecesse — é um comportamento padrão do iOS e algo de que sentia muita falta.

Na época, ele me disse que:

Sobre a pré-visualização de links, eu tentei adicionar quando ele [o recurso] foi lançado. Funcionou bem, mas não havia como adicionar opções personalizadas para permitir que as pessoas salvassem artigos diretamente no produto [Instapaper]. Na época, pareceu algo importante, mas percebo que a pré-visualização de links é tão onipresente agora que vale a pena reavaliá-la. Também não tenho certeza se a Apple agora permite que você adicione opções personalizadas na pré-visualização de links, então pode não ser mais um problema.

De fato, não é mais um problema. O Instapaper 8.4 tem pré-visualização de links no modo leitor e a primeira opção é salvar o link.

Esse tipo de interação é muito comum em projetos de código aberto, bem menos em software proprietário, como é o caso do Instapaper. Ter essa abertura é bom para todo mundo: acabei conseguindo resolver uma “dor” que tinha em um aplicativo que uso muito e o Instapaper tornou-se um app um pouquinho melhor pelo toque dado. Via Blog do Instapaper (em inglês).

Típico da Meta esconder o feed cronológico de quem você segue no Threads e, ainda por cima, não deixar defini-lo como padrão.

Aliás, você sabia que o Instagram também tem um feed desse tipo desde março de 2022? Fica escondido e não pode ser tornado padrão, óbvio. Para vê-lo, toque no nome “Instagram”, no canto superior esquerdo da tela, e um menu aparecerá com a opção “Seguindo”. Via The Verge (em inglês), Blog do Instagram.

Relatório de Stanford identifica conteúdo de abuso infantil no Mastodon e oferece sugestões de melhorias

Dois pesquisadores do Observatório da Internet da Universidade de Stanford, David Thiel e Renée DiResta, publicaram um relatório sobre a segurança de crianças no fediverso — em específico, no Mastodon —, nesta segunda (24).

O relatório expõe algo grave e é, ao mesmo tempo, uma bem-vinda chamada de atenção a quem desenvolve projetos de/em plataformas sociais descentralizadas, um modelo que implica na busca de novas soluções para lidar com um problema que, embora longe de estar resolvido, é melhor atacado em/por plataformas centralizadas.

(mais…)

O Google vai adotar um padrão para mensagens criptografadas de ponta a ponta e interoperáveis no Google Messages e no Android. O Message Layer Security (MLS, especificação RFC 9420) foi finalizado neste mês de julho.

O Google arrisca ser visto lá na frente como um pioneiro: como não tem um app de mensagens popular, pode abraçar sem ressalvas a ideia; e com a força da União Europeia/Digital Markets Act, as chances do MLS vingar são bem maiores que as do RCS, que até hoje a Apple ignora mesmo diante de apelos públicos do Google. Via Google (em inglês).

A assinatura premium do Spotify ficou mais cara no Brasil:

  • Individual: de R$ 19,90 para R$ 21,90 (+10,1%);
  • Duo: de R$ 24,90 para R$ 27,90 (+12%);
  • Universitário: de R$ 9,90 para R$ 11,90 (+20,2%).

O plano família não sofreu alterações — continua custando R$ 34,90.

Sexta o Telegram ganhou stories. O diferencial é que, lá, só assinantes pagantes podem publicar stories. Nesta segunda (24), o TikTok lançou o formato de posts em texto escrito. A lei de Zawinski continua firme e forte. Via Núcleo, TikTok.

Marca do Twitter será aposentada; Musk mudará o nome do serviço para X

Teorias da conspiração não costumam resistir aos fatos, por isso a ideia de que Elon Musk estaria destruindo intencionalmente o Twitter para livrar-se da dívida enorme que criou com a compra da empresa não me parece plausível.

A favor dessa postura está o fato de que não é a primeira vez que ele tenta emplacar um “app de tudo” chamado X — o novo nome do Twitter, já em processo de mudança com logo provisório em todo lugar e x.com redirecionando para o Twitter.

No final dos anos 1990, Musk tentou a mesma coisa com o PayPal. Na época, perdeu a disputa com um sócio. Walter Isaacson, que escreveu a biografia do bilionário que sai em setembro, compartilhou essa passagem no Twitter, digo, no X.

Hoje, a fortuna de Musk é maior e não há ninguém no Twitter (ou fora dele) capaz de tirar da cabeça que queimar a marca do Twitter, passarinho azul e tudo, é uma decisão estúpida. Via @lindayacc@twitter.com, @WalterIsaacson@twitter.com (ambos em inglês).

O dia seguinte do Threads

Passada a euforia da estreia, é um bom momento para avaliar o impacto do Threads na confusão que virou a disputa pelo suposto vácuo deixado pela passagem do furacão Elon Musk pelo Twitter.

Os dados iniciais foram surpreendentes: 100 milhões de pessoas deram uma chance ao Threads nos primeiro cinco dias do app, lançado em 5 de julho. A taxa quebrou o recorde do ChatGPT, que havia demorado dois meses para chegar nove dígitos.

(mais…)