Depois de AliExpress, Shopee e Shein, outro peso-pesado do varejo oriental chegou ao Brasil fazendo barulho. Em julho, o app da chinesa Temu foi o mais baixado no Brasil, com 7,7 milhões de downloads, segundo a consultoria AppMagic.
O receituário é, em parte, similar ao das rivais continentais — promoções o tempo todo, ofertas relâmpago, preços baixos e produtos de qualidade duvidosa. Há, porém, um componente extra na estratégia de crescimento da Temu: a “gamificação”.
A Folha de S.Paulo destrinchou os jogos da Temu. Seduzidos por promessas de brindes e descontos, consumidores são instados a interagir em jogos digitais e infernizar amigos para que se cadastrem na loja.
Sem surpresa, as “missões” vão ficando progressivamente mais difíceis e, mesmo quando o consumidor vence o jogo, a premiação decepciona. Uma das personagens ganhou uma pochete e uma torre de brinquedo.
(Conheci ali os “paradoxos de Zenão”. Adoro essas pequenas pérolas de saber polvilhadas sobre o texto noticioso.)
Esse tipo de “jogo” pode ser novo no varejo, mas é figurinha manjada em estratégias de crescimento. TikTok e Kwai, também empresas chinesas, tornaram-se titãs no mercado brasileiro abusando dela desde 2021, pelo menos. Joguinhos do novo mercado de mini-apps do Telegram, como o infame “Hamster Kombat”, idem.
Em qualquer caso, vale a velha lógica do capitalismo: não existe almoço grátis — nem dinheiro fácil obtido de maneira lícita.
