Imagem: Spotify, com intervenção de Tim Ingham/Music Business Worldwide.
O Spotify superou a marca de +200 milhões de usuários pagantes no quarto trimestre de 2022. Os outros números da empresa não são bonitos, porém.
Esta boa análise do Tim Ingham é reveladora. (Ela foi publicada dias antes da divulgação do balanço de 2022.) Os gastos operacionais do Spotify, o ritmo alucinado de contratações em 2022 e o investimento bilionário em podcasts parecem, na ausência de mais detalhes, erros crassos da gestão de Daniel Ek.
O gráfico de receita (acima) compartilhado pelo próprio Spotify no “investor day” de 2022, com intervenção artística de Ingham, é chocante. E piora com mais contexto: por trás aquela linha vermelha, que representa a receita gerada por podcasts e áudiolivros, está um prejuízo de US$ 103 milhões em 2021 — e a previsão de um desempenho ainda pior em 2022. Via Music Business Worldwide, Variety (ambos em inglês).
Atualização (11/2): A Apple emitiu um posicionamento ao AppleInsider negando que a falha mencionada abaixo tenha sido explorada e que o iFood tenha burlado os controles de privacidade do iOS.
O leitor Guilherme Teixeira notou algo estranho em seu iPhone no início de janeiro: o aplicativo do iFood estava acessando a localização do aparelho sem ter permissão para tal.
Quando Guilherme compartilhou essa curiosidade no nosso grupo do Telegram (para apoiadores), ficamos intrigados. Outro leitor respondeu: “iFood passando a perna na Apple.” Parece loucura. Mas… será?
Imagens: Guilherme Teixeira/Reprodução.
É uma hipótese reforçada pelas notas de lançamento do iOS 16.3, liberado pela Apple no dia 23 de janeiro. Entre outras, ela lista a falha CVE-2023-23503, submetida por um pesquisador anônimo, que permitia que um aplicativo conseguisse “ignorar as preferências de privacidade [do Maps]”.
A falha está em modo “reservado” no banco de dados do sistema CVE, ou seja, os detalhes ainda não foram publicados.
Guilherme disse que, depois que reiniciou o iPhone, o aplicativo do iFood voltou ao normal, ou seja, antes do iOS 16.3 ser disponibilizado.
Pode ter sido outra coisa? Uma falha pontual? Um erro de exibição do iOS? Pode. Mas que é uma estranha coincidência, isso é.
O Manual do Usuário entrou em contato com a assessoria de imprensa do iFood pedindo um posicionamento. Eles receberam a demanda, pediram mais detalhes e mais prazo, que foi concedido, mas o posicionamento ainda não havia chegado até a publicação desta nota. O post será atualizado assim que ele chegar.
Atualização (1/2, às 17h30): Segue o posicionamento do iFood na íntegra:
O iFood reforça que a segurança de dados é prioridade em seu negócio e na relação com os consumidores, entregadores e restaurantes. Os dados coletados são utilizados apenas para as finalidades previstas em nossa Declaração de Privacidade.
Neste caso, após análise minuciosa pela equipe de tecnologia, não foi identificado nenhum código no aplicativo iFood que permite o acesso a localização do usuário sem autorização, mas ainda assim, a empresa permanece à disposição para esclarecer qualquer dúvida referente ao assunto ou qualquer suposta falha, de modo a contribuir para trazer mais segurança à plataforma.
Presente em mais de 1700 cidades no Brasil e referência em delivery online, o iFood realiza investimentos constantes em segurança, tecnologia e monitoramento para identificação e correção de possíveis falhas e melhoria contínua do aplicativo.
Pouco mais de um ano após a última versão (6.1) e de um racha entre os fundadores, o elementary OS 7 “Horus”, nova versão da distribuição Linux focada em desktops, foi lançado nesta terça (31).
A atualização traz melhorias em várias partes do sistema, do suporte a GTK4 aos ícones modernizados (com um quê de macOS pós-Catalina). O anúncio oficial, assinado pela fundadora e CEO Danielle Foré, está repleto de imagens e mais detalhes. Via elementary OS (em inglês).
O novo aplicativo de Kevin Systrom e Mike Krieger, fundadores do Instagram, se chama Artifact e é uma espécie de “TikTok de textos”.
A dupla está fascinada com recomendações por aprendizagem de máquina, e acham que há uma oportunidade de usar a tecnologia em textos.
Lembra muito o Flipboard, na real. (Alguém aí usa? O Manual tem um perfil/revista lá.) Eles prometem componentes sociais, como recomendações de artigos e comentários, mas… né, não é como se faltassem lugares para fazer essas coisas.
O Artifact ainda está fechado. Você pode deixar o telefone no site oficial e esperar por um convite. Via Platformer (em inglês).
O WhatsApp começou a liberar as comunidades no Brasil, após atrasar o recurso por aqui a fim de evitar maus usos durante e após as eleições presidenciais de 2022. A liberação será gradual e levará alguns meses para que todos os usuários tenham acesso à novidade.
Fico curioso com a recepção. Não é um recurso novo. Outros aplicativos, do Discord ao Telegram, já oferece essa quebra por assuntos em grupos, ou “grupos dentro de grupos”, mas nenhum deles tem a escala e capilaridade do WhatsApp.
Como o pessoal de mais idade, menos versado, vai lidar com a nova camada (grossa) de complexidade? Vídeos como este serão suficientes para educar o público? Será, por exemplo, que os cinco grupos do condomínio em que estou vão convergir numa comunidade? A conferir. Via Estadão.
Alguns casos são tragicômicos, como o do neonazista Nick Fuentes, banido novamente nesta semana, menos de 24 horas depois de retornar à plataforma. Motivo? Enalteceu Hitler numa conversa em um Spaces. Via Twitter is Going Great (em inglês).
O Telegram questionou uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e não suspendeu o canal do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Os advogados do aplicativo disseram, em petição, que faltou embasamento legal ao pedido e que ele “implica em censura”. Seria uma decisão “desproporcional”. A audácia dessa galera… Via O Globo.
Atualização (14h): O STF aplicou uma multa de R$ 1,2 milhão ao Telegram por descumprir sua determinação. Via O Globo.
Atualização (16h08): Em nova decisão, o STF restabeleceu as contas de Nikolas em seis redes sociais — incluindo o Telegram. Via O Globo.
A volta de Donald Trump às redes da Meta, Facebook e Instagram, dois anos após ser suspenso indefinidamente por incitar o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, é uma tragédia anunciada.
Nick Clegg, ao anunciar a decisão, disse que foram criadas “salvaguardas para conter ofensas repetidas” do ex-presidente dos Estados Unidos. Alguém acha, de verdade, que Trump irá se conter?
A Meta precisa de Trump para gerar engajamento (e dinheiro) e Trump, da Meta (para criar o caos). O retorno se dará “nas próximas semanas”. Trump tinha o perfil no Facebook mais seguido do mundo antes de ser suspenso. Via Meta (em inglês).
A desenvolvedora estadunidense Blizzard encerrou nesta semana sua colaboração com a chinesa NetEase, que há 14 anos licenciava seus jogos para o mercado chinês.
O fim não foi exatamente amistoso: ainda durante a vigência do contrato, a estadunidense buscava outra licenciadora ao mesmo tempo em que pedia a extensão da parceria por mais seis meses — o que levou a acusações de infidelidade (com direito a misoginia) e ao livestream da demolição das estátuas do jogo World of Warcraft que ficavam no escritório da empresa chinesa em Hangzhou, capital da província de Zhejiang.
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) e oito estados norte-americanos processaram o Google nesta terça (24). A acusação? Monopólio do mercado de publicidade digital.
A ação pede para que o Google seja obrigado a se desfazer das suas áreas de publicidade, frutos de aquisições que, hoje, posicionam o Google em todas os estágios da compra e venda de anúncios digitais.
Os procuradores afirmam que o Google embolsa 30% de cada dólar gasto com anúncios digitais, o que prejudica anunciantes e consumidores.
Ações desse tipo costumam levar anos até a sentença. Esta é encarada com seriedade, pelo escopo e pelo embasamento, tido como sólido. O Google já respondeu, obviamente negando as acusações. Via CNN, Platformer, Google (todos em inglês)._
O Ivory, aplicativo de Mastodon da Tapbots, acabou de ser lançado.
O preço veio mais salgado que o do finado Tweetbot: R$ 9,90 por mês ou R$ 79,90 por ano. Não é muito lá fora e, atendendo a pedidos, a Tapbots acrescentou uma assinatura anual mais cara, opcional, de R$ 129,90. Baixe-o na App Store.
Alguns eventos importantes no setor de aplicativos de entregas/caronas das últimas semanas:
A 99 encerrou o serviço de delivery com entregadores parceiros. Agora, o 99Food funciona apenas como marketplace, ou seja, os entregadores são todos vinculados a restaurantes ou terceiros. Via Mobile Time.
A Sis Express, maior operador logístico (terceirizada/intermediária) do iFood no Brasil, faliu. Em novembro de 2022, o The Intercept denunciou as investidas abusivas da Sis Express e do iFood contra um entregador youtuber. Via iFood.
O governo Lula conseguiu um feito: agradar empresários do setor e representantes dos entregadores/motoristas. O desafio agora é convergir as promessas feitas aos dos lados da mesa. Via Folha de S.Paulo.
Chegou a vez do Spotify demitir em massa. Nesta segunda (23), o CEO da empresa sueca, Daniel Ek, anunciou um corte de 6% dos quase 10 mil funcionários.
Dawn Ostroff, até então diretora de conteúdo e publicidade, responsável por “aumentar em 40 vezes o nosso conteúdo em podcasts”, pediu demissão. Sua saída parece não ter relação com as demissões em massa, mas foi anunciada no mesmo comunicado de Ek.
Não é o primeiro abalo que a vertical de podcasts sofre. Em outubro do ano passado, o Spotify demitiu 1/3 dos funcionários dos estúdios que havia comprado, Gimlet e Parcast, e cancelou 11 podcasts. Os sindicatos dos dois estúdios culparam falta de apoio e a restrição do acesso aos programas ao Spotify pela queda de audiência.
Ek usou a mesma desculpa dos outros CEOs — esperava que o crescimento da pandemia se mantivesse, corte de custos, “assumo total responsabilidade”, blablablá —, mas talvez o podcast enquanto mídia esteja passando por uma ressaca: o volume de lançamentos despencou mais 80% em 2022 no comparativo com 2020, segundo dados do Listen Notes compilados pelo Chartr. Via Spotify, The Verge, @Jason/Twitter (todos em inglês).
Às vezes acho que a minha preocupação com as inteligências artificiais (IA) gerativas, como o ChatGPT, são exageradas.
Aí leio que os co-fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page, voltaram aos escritórios da empresa após três anos longe do dia a dia da empresa para ajudarem na estratégia de resposta à tecnologia da OpenAI, e… talvez não seja o caso?
Se o Google está preocupado — o Google, com recursos quase ilimitados e dono do DeepMind desde 2015, talvez o vice-líder na corrida da IA —, imagine o resto de nós?
Em tempo: a coluna da Jacque e este artigo da The Atlantic (em inglês) ajudaram a ver o lado bom dessa revolução que se avizinha. Ainda acho que haverá um estrago grande, porque os dividendos de novas tecnologia, em vez de promoverem o bem-estar coletivo, só aumentam o fosso social, mas… né, um pouco de otimismo sempre cai bem. Via New York Times (em inglês).
O Google juntou-se às big techs que demitiram em massa nesta sexta (20). Já são mais de 50 mil empregos eliminados, em três meses, em quatro das empresas mais poderosas do mundo.