Achados e perdidos #6

Toda semana acumulo links curiosos, vídeos e outras coisas legais, mas que achei não valiam uma notinha. Descaradamente inspirado pelos link packs da Tina, decidi reuni-los numa lista e publicá-la aqui.

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Diorama de um pequeno vale arenoso com algumas construções e bonecos digitais inseridos.
Imagem: Mistwalker/Divulgação.

— Todos os 150 cenários de Fantasian, novo jogo para o Apple Arcade de Hironobu Sakaguchi, criador da série Final Fantasy, são dioramas reais feitos à mão (em inglês). Sai ainda este ano.

Deep Nostalgia é uma inteligência artificial que anima rostos em fotos antigas. Fascinante e assustador na mesma medida. Falamos disso no segundo bloco do último Guia Prático.

— O MUBI Remix, novo app da MUBI, cria vídeos com frases personalizadas a partir de falas de filmes. Em inglês e apenas para iOS.

— Um fio no Twitter da @maffalda de sites muito específicos para verificar coisas.

— Outro fio no Twitter, do @NonsenseIsland, de músicas clássicas em desenhos animados antigos (em inglês).

Os sons da Dundler Mifflin (em inglês), o lendário (e hilário) escritório da série The Office.

— A Logitech lançou no Brasil o Ergo M575, seu último mouse do tipo “trackball”. Custa R$ 350.

— Você consegue vencer este algoritmo de xadrez feito com 1 KB de JavaScript?

Crie fluxogramas escrevendo linha após linha (depois, dá para baixar em formato de imagem SVG).

— O site Cameron’s World é uma ode à web dos anos 1990, cheia de sites pessoais com GIFs animados, paletas de cores espalhafatosas, contadores de visitas e uma boa dose de ingenuidade. Os links abrem sites do Geocities salvos pelo Internet Archive em um frame que lembra o Netscape. Nostalgia pura!

Post livre #258

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo por volta das 16h.

O iPhone esmola

O jornal Folha de S.Paulo teve acesso a mensagens de uma rede interna usada por procuradores da República em que eles reclamam do celular funcional que receberão para trabalhar, um iPhone SE, cujo preço sugerido começa em R$ 3,6 mil. O aparelho foi chamado por um deles de “esmola”.

(mais…)

O navegador Brave anunciou a aquisição do buscador Tailcat, desenvolvido pela Cliqz, uma empresa que tinha seu próprio navegador focado em privacidade e que fechou as portas em abril de 2020. O objetivo do Brave é oferecer uma alternativa privada ao Google. Além dos “anúncios éticos”, que já são veiculados no navegador, o Brave quer oferecer uma versão paga do futuro buscador que não exibiria anúncios. Via The Register (em inglês).

O WhatsApp liberou chamadas de áudio e vídeo em seus aplicativos para computadores. Por ora, apenas chamadas individuais; as em grupo serão disponibilizadas “futuramente”. Curioso para saber qual será o impacto desse recurso no uso de outros aplicativos mais comumente usados em computadores, como Skype e Zoom. Via WhatsApp.

Com 20 anos de atraso, o Google reconheceu que monitorar os usuários por toda a web é uma prática abusiva e anunciou, com um texto pra lá de confuso, que a abandonará. Ou algo parecido com isso.

A parte que importa do comunicado é esta:

Hoje deixamos claro que, com a desativação gradual dos cookies de terceiros, não vamos criar identificadores alternativos para rastrear pessoas que navegam pela internet — e tampouco usaremos esse tipo de identificador em nossos produtos.

Cookies de terceiros são uma maneira antiga e muito difundida de rastrear usuários em sites diversos. O Firefox da Mozilla e o Safari da Apple bloqueiam essa prática desde setembro de 2019. O Chrome do Google ainda vai bani-lo até o início do ano que vem. A novidade é que, ao contrário de outras empresas de publicidade, o Google não pretende criar um substituto para os cookies de terceiros.

Note que o anúncio só se refere a sites da web. O Wall Street Journal pontua que ele não contempla as ferramentas de anúncios e identificadores únicos usados em apps de celulares. E, talvez mais importante, que a medida não atinge os “first-party data”, ou seja, dados coletados pelo Google em suas propriedades. Não deve ser coincidência que, desde o ano passado, mais da metade das pesquisas do Google terminam na página de resultados.

Talvez o Google não precise mais disso pela hegemonia que alcançou em duas décadas de abusos? Ou consiga os dados de outras maneiras que não via sites de terceiros? Afinal, além do buscador mais usado do planeta, o Google também tem o navegador mais popular de todos.

“Ninguém deve ser obrigado a aceitar ser rastreado enquanto navega em troca do benefício de ver anúncios relevantes para o seu perfil”, diz o comunicado em outro trecho. Só rindo.

Ainda quero ler mais opiniões e análises desta mudança. Há quem diga que ela é paradigmática, que pode afetar todo o ecossistema de publicidade digital, em especial as empresas menores. A conferir. Via Google, Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

Neste sábado (6), acontece o Open Data Day, uma celebração anual do uso de dados abertos no mundo todo. Já são mais de 200 eventos marcados ao redor do mundo, pouco mais de dez deles no Brasil. Em Curitiba, organizado pelo grupo Code for Curitiba, o objetivo para esta edição é engajar cidadãos no uso de dados públicos e impactar o desenvolvimento da cidade. A programação está repleta de gente boa. O evento, por óbvio, é virtual, e a inscrição é gratuita. [Dica da leitora Estelita Carazzai, que está no apoio do ODD e faz excelente uso de dados abertos em sua newsletter local, a O Expresso.]

Já sabíamos, mas não deixa de ser triste ver a Sony saindo do país. No fim de março, a fabricante japonesa deixará de vender câmeras, TVs e equipamentos de áudio no Brasil. Por aqui, apenas as operações de games, cinema, música e soluções profissionais continuarão. Via @sonybrasil/Twitter.

Em tempo: a loja oficial da Sony está com alguns descontos dignos de queima de estoque.

Novidades legais de dois serviços usados por este Manual do Usuário.

O Buttondown, ferramenta de disparo de newsletters, tornou o monitoramento via pixel espião desativado por padrão para novas newsletters. (Entenda a questão.) No anúncio, Justin Duke, criador e mantenedor do serviço, diz que pretende fazer algumas mudanças para oferecer informações da newsletter sem que o dono dela precise recorrer ao pixel espião. No aguardo!

(O Manual já optava por não usar pixel espião nem monitorar de qualquer modo os assinantes da newsletter.)

O FeedLetter, serviço de feedback para newsletters (aquelas “notas” que aparecerem no final da mensagem), encerrou o período de apoio inicial, em que Jens Boje, criador e mantenedor do serviço, concedia um desconto especial. A mudança veio acompanhada de algumas novidades e de um mapa dos próximos recursos que serão implementados, e fortalece o compromisso de manter o serviço de pé, funcionando e recebendo manutenção.

Uma coisa muito legal que o Jens faz é o “desconto de paridade”. Em lugares onde o dólar é muito caro, ele concede um desconto para adequar o custo do FeedLetter à realidade local. No momento, três usuários se beneficiam da paridade — eu sou um deles.

Sempre procuro trabalhar com parceiros e fornecedores alinhados aos princípios que norteiam o Manual do Usuário, como o Buttondown e o FeedLetter.

O app Watomatic (Android, gratuito e de código aberto) ajuda a tornar a saída do WhatsApp menos dolorosa. Com ele, é possível configurar uma mensagem automática que é enviada toda vez que alguém manda uma mensagem para você pelo WhatsApp — vale para grupos também. O Watomatic age a partir das notificações; para ele funcionar, o WhatsApp precisa estar instalado e com permissão de exibir notificações no Android. Segundo o criador do app, ele está quase todo traduzido para o português. Dica de um leitor anônimo.

Em março de 2020, publiquei neste Manual uma reportagem sobre a falta de privacidade das ferramentas de newsletter. O assunto voltou à tona agora, com mais força, graças a três fatores: o serviço de e-mail pago Hey (que bloqueia pixels espiões por padrão), esta reportagem da BBC e a campanha No To Spy Pixels lançada por Dave Smyth — todos, coincidentemente, britânicos.

Pixels espiões também são usados em e-mails um-para-um, para avisar o remetente quando o destinatário abre sua mensagem.

A renovada atenção a esse assunto ainda não tem força para fazer um Mailchimp ou Substack da vida rever suas políticas e configurações padrões, mas colocou em destaque alguns remédios.

O principal e mais simples deles é bloquear o carregamento de imagens remotas nas mensagens. O Fastmail, por exemplo, publicou um post informando que há anos protege seus usuários dessa maneira. Apps de e-mail não executam JavaScript, o que inviabiliza métodos tradicionais na web de monitoramento do usuário. O método padrão para aferir estatísticas nos e-mails, então, consiste em inserir na mensagem uma imagem minúscula e invisível, o tal “pixel espião”, que ao ser requisitada pelo aplicativo de e-mail ao servidor, “avisa” que a mensagem foi aberta e transmite outros dados, como o endereço IP (que expõe a localização aproximada do usuário).

Bloquear o carregamento de imagens remotas é uma solução básica e funcional, mas pode ser imperfeita por ser do tipo “8 ou 80”, ou seja, ou carrega todas as imagens (incluindo o pixel espião) ou nenhuma. O já citado Hey tem uma lista de bloqueio inteligente que bloqueia apenas os pixels espiões, mantendo o carregamento de outras imagens. Essas passam por um proxy, para que ao serem carregadas não revelem o IP do usuário. Fastmail e Gmail (!) também funcionam assim.

Para quem usa webmail, existem extensões de navegador que bloqueiam pixels espiões, como a Trocker (Chrome, Firefox), PixelBlock 2 (Chrome, apenas para Gmail) e Ugly Email (Chrome e Firefox, apenas para Gmail). O Mail, aplicativo padrão do macOS, tem um plugin gratuito que bloqueia pixels espiões, o MailTrackerBlocker.

É isso mesmo, Darlan??!!! Você acha mesmo que depois de mais de três anos com um iphone 7, já ultrapassado, processador lento, bateria ruim, tela pequena, vamos aceitar por mais outros 30 meses um iphone SE?? Acho que ninguém aqui é moleque, Darlan!!

— Marco Tulio Lustosa Caminha, procurador da República de Piauí, em um fórum de discussões interno do órgão.

Procuradores da República estão irados com a perspectiva de receberem o iPhone SE, aparelho escolhido pela Procuradoria Geral da República (PGR), como celular de trabalho. Darlan Airton Dias, alvo das críticas dos procuradores, é secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação da PGR e responsável pela gestão dos contratos. Via Folha.

A Globo derrubou conteúdo de pelo menos dois canais do Telegram que cobrem o Big Brother Brasil (BBB) e publicavam pequenos vídeos do reality show. Ambos estavam veiculando publicidade de anunciantes pequenos; o Canal BBB 21, derrubado e recriado (agora sem vídeos), chegou a faturar R$ 1 mil por semana. Os donos dos canais são todos jovens e fãs da atração. Em nota, a Globo ofereceu uma justificativa meio esquisita para a ação tomada: “A pirataria expõe o usuário ao roubo de dados e crimes de outras naturezas.” Via Folha.

Toda semana acumulo links curiosos, vídeos e outras coisas legais, mas que achei não valiam uma notinha. Descaradamente inspirado pelos link packs da Tina, decidi reuni-los numa lista e publicá-la aqui.

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— Do mesmo criador do video game, uma versão de tabuleiro do ótimo Stardew Valley (em inglês). Uma partida, que compreende um ano no tempo do jogo, leva ~45 minutos (e pode ser adaptada para durar menos), pode ser jogado sozinho ou em até quatro pessoas, e a idade mínima recomendada é 13 anos. Custa US$ 55 lá fora e… bom, ontem (26), quando fui ver a loja, já estava esgotado.

Um listão de recursos e serviços gratuitos ou com planos gratuitos para desenvolvedores.

— Este cara quer colocar uma tela e-ink, a mesma dos Kindle, em um notebook convencional (em inglês). Aliás, por que isso não existe de fábrica?

— Falando em notebooks, uma nova empresa de São Francisco anunciou o Framework Laptop, um notebook modular (em inglês) que “pode ser atualizado, personalizado e reparado de maneiras que nenhum outro é capaz”.

Skittish é um espaço para conferências virtuais (em inglês). O lance ali é que os participantes são animais e interagem em um mundo animado, tipo Fortnite, mas sem aquela bobagem de atirar uns nos outros. Ainda sem previsão de lançamento.

— Recentemente dois livros célebres para entender a influência da tecnologia nas nossas vidas saíram em edições brasileiras: Algoritmos de Destruição em Massa, da Cathy O’Neil, pela editora Rua do Sabão; e A era do capitalismo de vigilância, da Shoshana Zuboff, Intrínseca. A Intrínseca, aliás, reeditou o ótimo Os inovadores, de Walter Isaacson. Essas e outras sugestões de leitura estão na nossa ~livraria.

— Este simulador de icebergs permite que você desenhe um e veja como ele flutuaria no mar. Inspirado pelo desejo de muitos cientistas de que icebergs sejam representados corretamente.

A origem etimológica de alguns termos da computação (em inglês). Cookies, spam, wiki, cache… fascinante.

Mais um streaming está chegando ao Brasil, ou sendo relançado. A partir de 4 de março, a versão reformulada do Paramount+ estará disponível no país. A assinatura custará R$ 19,90 por mês, com um período de degustação gratuito de sete dias. Tem produções de Paramount, Showtime, CBS, Nickelodeon, MTV, Comedy Central, BET e Smithsonian Channel, e filmes dos estúdios Paramount serão liberados em uma janela de 30 a 90 dias após a estreia nos cinemas. Ainda há espaço na fatura do cartão para mais um? Via Folha, Estadão.