Bloqueie anúncios no Firefox do iOS 
support.mozilla.org

O Firefox para iOS ganhou um bloqueador de anúncios nativo, com uma lista fixa baseada na EasyList. Melhor que nada, mas aquém do que uma solução independente oferece: fora a falta de personalização, o do Firefox não bloqueia anúncios em buscadores web e os próprios na página inicial do navegador — o ganha-pão da Mozilla. A liberação está sendo gradual, ou seja, pode demorar um pouco para aparecer aí.

BoredOS 
boredos.dev

O BoredOS é um sistema operacional x86_64, FOSS, com extensa documentação e licença GPLv3. Foi criado do zero e já conta até com interface gráfica.

Como a marca d’água em texto do Claude funciona 
anthropic.com

Todos os grandes provedores de LLMs serão obrigados, pelo AI Act da União Europeia, a adicionar marcas d’água no conteúdo gerado, incluindo texto. A Anthropic, dona do Claude, explicou o seu método:

Grandes modelos de linguagem, como o Claude, funcionam gerando uma palavra de cada vez. A cada nova palavra, o modelo escolhe entre uma lista de candidatas possíveis, selecionando no fim a mais coerente ou provável com base no texto anterior. Pegue a frase “O tempo hoje estava frio e…”. É muito improvável que a próxima palavra seja “açucarado”. Mas é bem provável que seja “nublado” ou “cinzento”. Na maioria dos casos, não faz muita diferença para o leitor qual dessas duas últimas palavras o modelo escolhe — o sentido da frase permanece praticamente o mesmo de qualquer forma. Em situações assim, a escolha é decidida por um número aleatório.

A marca d’água usa justamente essas escolhas de baixo impacto — que se repetem muitas vezes ao longo de um texto gerado — para deixar um padrão nas respostas do Claude. Esse padrão é imperceptível para quem lê, mas identificável por qualquer um que tenha uma chave capaz de decodificá-lo. Quando a marca d’água é usada, as escolhas continuam sendo feitas de forma aleatória, mas a origem dessa aleatoriedade muda. Em vez de recorrer a um gerador de números aleatórios qualquer para escolher a próxima palavra, o sistema usa a chave e as palavras anteriores para definir qual palavra o modelo deve escolher. Ou seja, as palavras que o Claude escolhe continuam sendo aleatórias, mas agora é possível verificar a sequência de palavras e checar se ela é compatível com as escolhas que o Claude faria caso estivesse usando aquela chave. Se for, dá para calcular a probabilidade de que o texto tenha sido gerado pelo Claude.

A solução é a mesma que o Google criou e usa desde 2024 no Gemini, chamada SynthID-Text.

Tem gente arrancando os cabelos por causa dessa mudança. Como digo há algum tempo, para mim tanto faz.

Além disso, é provável que apareçam (se já não existirem) sistemas simples que substituam algumas palavras por sinônimos, o que (em tese? Alguém me corrija se for o caso) quebraria a assinatura digital do SynthID-Text. Ainda no campo das suposições, imagino que jogar o texto em outro LLM e pedir para substituir algumas palavras e estruturas já surta efeito.

Independentemente de qualquer coisa, está na hora de quem usa IA generativa para criar texto assumir os seus BOs, né?

Acho que a primeira coisa que ocorre às pessoas quando esse assunto vem à tona é o uso da marca d’água para apontar dedos e humilhar quem os usa. É possível imaginar, porém, outros usos, como auxiliar na triagem de solicitações a órgãos públicos, que, como Ronaldo Lemos apontou em sua coluna na Folha de S.Paulo deste domingo (16), já está afogando governos e a Justiça de vários países.

A semana do Manual (9–15/8/2026)

Reading Maps 
readingmaps.com

Muitas históricas fictícias se desenrolam em longas jornadas. Este site coloca algumas delas, de livros e filmes — Moby Dick, A odisseia e Diários de motocicleta, por exemplo —, em um mapa real e interativo.

Os novos planos da assinatura do Manual

Há muitos anos que a assinatura do Manual do Usuário não varia. No plano anual, o valor é a partir de R$ 99 — o mesmo desde julho de 2022, quando lancei essa modalidade.

As coisas mudam a partir de hoje, com três novos planos, totalizando quatro. É só escolher um e mandar um Pix no valor correspondente para a chave pix@manualdousuario.net:

  • Continue, Manual: R$ 99/ano.
  • Gosto muito de você, Manual: R$ 150/ano.
  • Manual é bom demais: R$ 200/ano.
  • Eu amo o Manual: R$ 390/ano.

Na mensagem do Pix, informe o seu e-mail para estabelecermos contato, por favor.

Os benefícios da assinatura não mudam de acordo com o plano, mas fazem muita diferença do lado de cá. Os novos planos são sugestões de valores para facilitar a sua vida, caso você possa e queira contribuir com mais.

(Para deixar claro: continua valendo a regra de sempre, ou seja, o envio de pelo menos R$ 99/ano já ativa a assinatura.)

A grana das assinaturas é a principal receita do Manual do Usuário. Além de permitir que eu continue escrevendo aqui tendo um teto e comida no prato, elas bancam tudo que fazemos: PC do Manual, Órbita, pagamentos ao Renan e outros colaboradores eventuais, entre outras coisas.

Ao tornar-se assinante, você recebe:

  • Acesso à nossa comunidade no WhatsApp. O pessoal é bem legal, respeitoso e sempre rolam conversas engraçadas e/ou cabeçudas (no bom sentido). Ainda temos uns grupos inusitados, como o de figurinhas e de fotos de bichinhos de estimação;
  • Acesso vitalício a alguns serviços do PC do Manual: Linkding, Miniflux e Readeck&nbsp e
  • Acesso ao clube de descontos.

***

Também dá para assinar com periodicidade mensal, pagando no cartão de crédito ou Apple/Google Pay:

***

Se a grana estiver curta, dá para ajudar também espalhando a palavra do Manual para mais gente. Você deve ter ouvido por aí que o Google está tão chapado de IA que parou de mandar leitores aos sites, né? Aqui também está acontecendo. O boca a boca, que sempre foi importante, ficou ainda mais.

Deve ter muita gente que curtiria o Manual e não o conhece. Traga essa galera para a conversa!

Sonhos de design do Gnome Shell 
blogs.gnome.org

A interface de usuário do Gnome Shell teve apenas refinamentos pontuais e melhorias de usabilidade na maioria dos últimos ciclos, mas, do lado do design, exploramos diversas ideias de longo prazo que gostaríamos de colocar em prática. Para algumas delas já temos planos relativamente bem definidos; outras ainda são ideias vagas, que exigem mais pesquisa e prototipagem. Como sempre, colocar esse tipo de coisa em prática depende da disponibilidade e do interesse dos desenvolvedores (e, às vezes, de financiamento).

Gosto das ideias. Nenhuma delas representa uma grande ruptura com a interface atual; várias alinham o Gnome à experiência esperada e comum em outros ambientes desktop e sistemas operacionais.

A mais avançada, que deve aparecer na próxima versão (Gnome 51), é a camada sobreposta à tela com os resultados da pesquisa (imagem), em vez desses aparecerem numa tela própria/inteira. A mudança se justifica à luz da filosofia adotada no Gnome 40: “Quando você navega pelo Gnome Shell, os elementos da interface sempre vêm de algum lugar e saem para outro lugar, de uma forma que é semântica e previsível ao longo do tempo.”

Outra semana no Linux

Às vezes sou picado pelo bichinho do software livre. Acompanho há décadas a indústria da tecnologia de consumo e, mergulhado nesse universo, é difícil não se desiludir com seus monopólios, práticas questionáveis e abusos normalizados. Embora o desprezo pelas big techs esteja mais popular, estamos longe de mudanças práticas universais porque… convenhamos, essas custam caro. Tente convencer alguém a trocar o WhatsApp pelo Signal, por exemplo.

No final de julho, a minha febre de software livre atingiu temperaturas perigosas. Vi-me, mais uma vez, instalando uma distribuição Linux com o intuito de me livrar do macOS, o primeiro passo para sair do jardim murado que é o ecossistema da Apple; achava estar à porta de uma utopia digital, mais ou menos como aquele sonho do homem moderno de largar tudo e viver no mato, do que a natureza dá.

Adianto que, tal qual das outras duas vezes, o sistema do pinguim não durou muito. Alguns dias, para ser exato. Apesar do fim precoce, foi bom enquanto durou e a experiência deixou ensinamentos valiosos.

(mais…)

Posse de vídeo ilegal em armazenamento automático não configura crime 
conjur.com.br

Um juiz de Joinville (SC) inocentou um homem que tinha três vídeos de abusos de menores no celular, recebidos automaticamente de um grupo do WhatsApp. A defesa alegou que ele recebeu os vídeos em um grupo antigo de vizinhos, onde não interagia. O parecer da Meta/WhatsApp reforçou o argumento da defesa:

Ao analisar o processo, o magistrado ressaltou que o suporte técnico do WhatsApp informou que os metadados de “modificação” e “último acesso” não provam que o usuário visualizou o arquivo.

Apesar do precedente (correto, na minha humilde opinião), é boa prática de higiene digital sair de grupos do WhatsApp muito ativos que você não acompanha e/ou (no mínimo) desativar o download automático de mídias.

“Como usuário do Windows, é um jeito surreal de instalar um aplicativo” 
unsung.aresluna.org

Das muitas estranhezas que uma pessoa novata tem no macOS, a maneira de instalar aplicativos é das mais curiosas. Basta arrastar o ícone para qualquer lugar, de preferência o diretório /Applications. Os instaladores (arquivos *.dmg) costumam abrir janelinhas no Finder com instruções. Marcin Wichary coletou um punhado delas para analisar as diferentes maneiras com que desenvolvedores guiam os usuários.