Google promete mais privacidade no Android

O Google apresentou uma proposta para aumentar a privacidade dos usuários de Android, algo parecido com o recurso que a Apple trouxe no iOS 14.5 e que tem feito o Facebook/Meta deixar de ganhar bilhões de dólares.

A iniciativa plurianual do Google, porém, espera ser menos agressiva contra empresas de publicidade — afinal, o próprio Google é uma.

Especificamente, o Google anunciou que levará a Privacy Sandbox, um conjunto de soluções criado para o Chrome, ao Android. Isso se traduzirá em “soluções que limitam o compartilhamento de dados do usuário com terceiros e que operem sem identificadores cruzados, como o ID de publicidade”.

A janela para a implementação deverá ser de pelo menos dois anos, para não causar rupturas em modelos de negócio que dependem das soluções em uso atualmente. É o mesmo processo (lento) que o Google adotou para aposentar os cookies de terceiros no Chrome — todos os navegadores já abandonaram a prática, mas o Chrome ainda terá isso pelo menos até 2023.

No anúncio da novidade, o executivo Anthony Chavez chamou as soluções de “outras plataformas” (leia-se a Transparência no Rastreamento em Apps da Apple) de “ineficiente”, mas a proposta do Google não caiu muito bem entre especialistas.

Um deles, ouvido pelo New York Times, disse que o Google só fez isso para não ficar atrás da Apple, e classificou as medidas como “um gesto fraco” e demorado.

O site especializado Ars Techcnica disse que a solução apresentada erra o alvo, é “desdentada” e provavelmente será ainda menos efetiva que o Privacy Sandbox do Chrome, já muito criticado por especialistas — é nesse bojo que propostas controversas e tidas como perigosas, como o (descontinuado) FLoC e os Tópicos, estão. Via Google, New York Times, Ars Technica (todos em inglês).

O Twitter liberou a marcação de contas automatizadas, mantidas por robôs, para todos os usuários. Perfis que publicam de maneira autônoma que forem marcadas como tais exibirão um selo indicativo. A identificação é opcional e foca nos robôs benignos, aqueles que não tentam se passar por seres humanos para tumultuar o debate público.

O Twitter espera que o selo ajude os usuários a tomarem decisões melhores a respeito de quem seguir e, em consequência, aumentar a transparência e confiança da plataforma. Via @TwitterSafety/Twitter, Engadget (ambos em inglês).

Post livre #305

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

A Uber lançou nesta quarta (16) uma atualização em seu app para permitir que os usuários passageiros vejam detalhes da sua nota no aplicativo. Na nova Central de Privacidade, é possível ver os volumes totais de avaliações — quantos motoristas te deram cinco, quatro, três, duas ou uma estrelas.

As avaliações não são atualizadas em tempo real, a fim de previnir que o usuário possa associar avaliações aos motoristas.

A Uber diz que o recurso está disponível no mundo inteiro, a todos os usuários. A Central de Privacidade fica nas configurações do aplicativo. (Aqui, ainda não apareceu.) Via Uber (em inglês).

Astrologia genética

Astrologia genética, por Natalia Pasternak n’O Globo (talvez tenha paywall):

E por que as aspas [em “terras ancestrais”]? Porque os testes não podem ser levados a sério. Não há como, empregando a metodologia dessas empresas, aferir com precisão a ancestralidade de alguém. 99,9% do nosso genoma é igual ao de qualquer outro ser humano. O que essas empresas fazem é pegar essa pequena fração de diferença, e comparar com bancos de dados. Usam-se regiões do genoma onde se sabe que existem variações de um indivíduo para outro, e essas regiões são comparadas a pedaços de DNA de de origem geográfica conhecida. Isso quer dizer que os bancos de dados contêm amostras de genomas “típicos” da Itália, ou da Espanha, etc. Mas como saber se as amostras de referência são mesmo típicas? Primeiro problema: o banco de dados é autorreportado, são os doadores que se declaram isso ou aquilo. Não há como checar se aquele 0,1% de DNA variável realmente representa o que se vê num país. Então, a interpretação de “DNA originário da Irlanda” é no máximo, uma aproximação: o que permite é dizer é que o DNA do cliente é parecido com o de irlandeses que contribuíram para aquele banco de dados específico.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou parcerias com as principais plataformas digitais que atuam no Brasil para combater a desinformação nas eleições gerais de outubro: Facebook (e Instagram), Google (e YouTube), Kwai, TikTok, Twitter e WhatsApp.

A ausência notável no rol de plataformas foi o Telegram, que continua ignorando o TSE e outras autoridades brasileiras. Via justicaeleitoral/YouTube.

O estado norte-americano do Texas ajuizou uma ação contra o Facebook/Meta pedindo uma indenização na casa das “centenas de bilhões de dólares”, segundo uma fonte do Wall Street Journal, pela coleta e uso de dados de biometria facial de fotos postadas pelos usuários na rede social Facebook – essa era uma prática vigente na plataforma entre 2010 e novembro de 2021.

O caso lembra outro, uma ação civil pública movida pelo mesmo motivo no estado de Illinois. Em fevereiro de 2021, o Facebook/Meta concordou em pagar US$ 650 milhões para encerrar o caso.

Em novembro de 2021, o Facebook/Meta encerrou o programa de reconhecimento facial do Facebook, citando incertezas quanto aos efeitos negativos da tecnologia e insegurança jurídica, ou ausência de regulação. Via Wall Street Journal (em inglês).

O Instagram embolou o meio-campo nos stories: agora é possível curtir as fotos e vídeos que se apagam em 24h. “Mas isso já não existia?”, você pode se perguntar. Mais ou menos. Havia (e ainda há) as reações, que aparecem como uma mensagem. A nova curtida, um coraçãozinho ao lado do botão de enviar mensagem, não aparece na conversa privada com esse contato, são privadas (outros usuários não a vêem) e não possui contadores. Um coração ao lado do contato que curtiu seu story fica visível na lista de visualizações. Confuso? Via @instagram/Twitter (em inglês).

O Google anunciou nesta terça (15) o Chrome OS Flex, uma versão do Chrome OS que pode ser instalada em qualquer PC ou Mac. O objetivo do Google é dar sobrevida a computadores antigos, que não conseguem ou rodam mal as versões mais recentes do Windows e do macOS.

Há algumas diferenças entre o Chrome OS “normal”, que vem pré-instalado em notebooks homologados pelo Google, e o novo sabor Flex. A principal é a ausência, no segundo, do suporte a aplicativos Android. Esta página traz mais detalhes.

O Chrome OS Flex parece fruto direto da aquisição da Neverware pelo Google em 2020. A empresa distribuía o Cloudready, um Chrome OS instalável em qualquer computador, criado a partir do projeto de código aberto do Chrome OS.

O Chrome OS Flex já pode ser baixado aqui, mas é um “early access”, ou seja, versão sujeita a falhas. O Google espera lançar uma versão estável nos próximos meses. Via Ars Technica, Google Cloud (ambos em inglês).

Dois prints do Apollo, lado a lado. O da esquerda mostra as configurações, com a opção “Infinite Scrolling” desmarcada e destacada. O da direita, uma tela do feed, no final de uma página, com o link “Load Page 2” destacado.
Imagem: Manual do Usuário.

Sempre bato na tecla de que o design dos aplicativos e sistemas que usamos tem um peso grande no nosso comportamento durante o uso desses apps e sistemas. Costuma ser em sentido negativo, mas, ainda que mais raros, existem bons exemplos de design anti-vício e pró-usuário.

Vide esta opção do Apollo, um (ótimo) cliente extraoficial do Reddit para iOS. Nas configurações do app, é possível desativar a rolagem infinita (Infinite Scrolling; o app não está traduzido).

Ao fazer isso, o feed do Reddit, que quem usa sabe ser um poço de matar tempo, fica paginado. Para mim, tem sido muito útil. Em vez de ficar muito tempo ali, encerro as sessões ao bater no final da primeira ou segunda página.

Morte de funcionário do “YouTube chinês” reacende debate sobre excesso de trabalho em plataformas

por Shūmiàn 书面

A saúde mental e física de trabalhadores da área de tecnologia ganhou novamente os noticiários na China. A gigante de vídeos Bilibili entrou em alerta após a morte de um funcionário do setor de moderação de conteúdo, como cobriu o China Digital Times. O falecimento do homem de 25 anos reacendeu o debate sobre o excesso de trabalho nas plataformas.

Segundo um blogueiro (que recebeu notificação judicial da empresa), o funcionário teria trabalhado cinco turnos consecutivos de 12 horas durante o feriadão do Ano Novo Lunar, antes de colapsar com uma hemorragia no cérebro, conta o TechNode.

A Bilibili nega, dizendo que ele trabalhou turnos regulares, mas prometeu contratar mais 1.000 moderadores e implementar um grupo de apoio. Durante finais de semanas e feriados, não é incomum que moderadores de conteúdo trabalhem mais horas, já que há maior produção de conteúdo por parte de influenciadores, a quantidade de funcionários é reduzida e o pagamento é maior por turno.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O Telegram bloqueou 64 canais na Alemanha acusados de espalhar desinformação a respeito da pandemia de covid-19, teorias da conspiração e extremismo de direita, segundo o jornal Süddeutsche Zeitung.

A exemplo do Brasil, a Alemanha vinha tentando, sem sucesso, estabelecer contato com o Telegram. E, como aqui, lá também rolaram ameaças de bloquear o aplicativo em todo o país devido à ausência de interlocução com autoridades locais. Até então, o Telegram só respondia às autoridades norte-americanas. Via Deutsche Welle (2) (em inglês).

O Banco Central (BC) colocou no ar a nova versão do site para consulta do dinheiro esquecido em bancos — cerca de R$ 8 bilhões. (A primeira não aguentou a demanda.) Agora, é preciso ter uma conta gov.br (a modalidade por registrato foi descartada) e há agendas específicas para o resgate. Via Valor Investe.

O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) abriu uma investigação contra a Serasa e a SuperSim para apurar uma prática que beira o surrealismo: concessão de crédito com o celular como garantia — se o cliente ficar inadimplente, o celular é bloqueado e passa a fazer apenas chamadas de emergência.

A SuperSim, que trabalha com a modalidade, oferece empréstimos de até R$ 2,5 mil. Para tomá-lo, é preciso ter um celular Android (provavelmente porque o iOS não permite esse tipo de interferência por um aplicativo) e instalar o “super aplicativo” dela. O celular não exclui a análise de crédito e os juros mensais são pesados, entre 12,5% e 17.5%.

“Perderam a noção do bom senso”, resumiu o professor de Direito do Consumidor Ricardo Morishita. Via O Globo. Dica do leitor Rafael Avelino.

A Mozilla anunciou uma parceria com o Facebook/Meta “em uma nova proposta que objetiva ativar a mensuração de conversão — ou atribuição — para a publicidade chamada Atribuição Privada Interoperável” (IPA, na sigla em inglês).

A tarefa é quase paradoxal: resolver o problema da atribuição, ou seja, de conectar campanhas publicitárias à conversões (compras) preservando a privacidade. Mas o que mais causou estranheza foi a união entre Mozilla, empresa/fundação que costuma se posicionar em prol da privacidade dos usuários, e Facebook/Meta, uma das empresas que mais violam e abusam da privacidade das pessoas em geral, até mesmo de não usuários. Complicado. Via Mozilla (em inglês).