Truth, a rede social de nome sugestivo do ex-presidente norte-americano Donald Trump, foi lançada nesta segunda (21). Por ora, apenas a versão para iOS do aplicativo está disponível, e somente para usuários dos Estados Unidos.

Por lá, relatos apontam que o serviço não aguentou a demanda inicial, ainda que ela não pareça das maiores — a Folha de S.Paulo entrou na lista de espera atrás de ~110 mil pessoas. Para comparação, Trump chegou a ter 88,7 milhões de seguidores apenas no Twitter.

Quem conseguiu entrar se deparou com uma apresentação muito similar ao Twitter, rede social preferida de Trump, de onde foi expulso em janeiro de 2021. Não chega a ser surpresa — a Truth Social é feita com o código do Mastodon, uma espécie de Twitter descentralizado e de código aberto. Via Folha de S.Paulo, The Verge (em inglês).

Depois do desastre de comunicação interna que destruiu 1/3 da força de trabalho do Basecamp ano passado, agora um dos fundadores da empresa se diz convertido à necessidade de criptomoedas devido aos protestos antivacina de caminhoneiros protofascistas no Canadá. Via DHH/Hey World (em inglês).

Olha, a gente usa e eu gosto muito do Basecamp, mas parece que os fundadores estão se esforçando um bocado para viraram os véios da Havan da gringa. Dica do Vinícius Ribeiro no nosso grupo de apoiadores.

Aumentando o XP: popularidade e regulação de games na China

por Shūmiàn 书面

Com prêmios chegando a 40 milhões de dólares, pode dizer para os críticos que vale a pena jogar videogame, sim. A indústria de eSports na China é o tema deste artigo do The Wire China, que cobre os estrondosos valores e sucesso de audiência desse setor. O The World of Chinese também abordou o tema e contou da inclusão de eSports nos Asian Games 2022, que vai acontecer em Hangzhou. A China é o maior mercado de eSports do mundo e uma fatia enorme do de videogames, com jogos para celular sendo particularmente lucrativos (consoles foram proibidos no país de 2000 a 2015), com destaque para League of Legends.

A regulação na indústria das plataformas online tem sido uma pauta recorrente e atingiu o setor de videogames, como comentamos em agosto e em outubro do ano passado. Uma medida de grande impacto foi o controle de horas para uso de jogos por menores de idade, mas questões políticas sobre o que é conteúdo aceitável nos jogos também afetaram empresas e usuários. Segundo o relatório de 2021 publicado pela associação do setor, o crescimento foi de menos de 7% (havia sido de 20% no ano anterior). Além disso, o governo tem segurado a liberação para novos jogos, como conta Josh Ye no SCMP. Ainda assim, a produção local de jogos de qualidade (categorizados como AAA) fervilha, como mostra essa interessante matéria no Polygon, que entrevistou criadores e desenvolvedores na China.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O governo federal tirou do ar toda a área de microdados do Inep, denuncia o Lagom Data, um estúdio de inteligência de dados. Em nota, o Inep afirmou que a remoção dos dados teria sido necessária para adequar a atuação do órgão à LGPD, a fim de “suprimir a possibilidade de identificação de pessoas” — entendimento equivocado da lei de proteção de dados pessoais, de acordo com especialistas.

A indisponibilidade dos microdados do Inep impede estudos e análises diversas com base no Censo Escolar. “Foi excluído todo o detalhamento que permitia analisar o quanto as disparidades socioeconômicas impactam na educação. Só o mais importante”, exemplificou o Lagom Data. Via @DataLagom/Twitter, Brasil de Fato.

Dos riscos de nuvens comerciais: o Google Drive estava sinalizando alguns arquivos .DS_Store como infração a direitos autorais. Esses arquivos são ocultos e gerados automaticamente pelo macOS para registrar definições do diretório onde estão. Imagine perder o acesso à conta Google por um não-problema como esse?

Ao Bleeping Computer, que reportou o problema, o Google informou que ele afetou um pequeno número de usuários e foi corrigido em janeiro, mas que alguns “casos isolados” ainda persistem e estão sendo atualizados. Via Bleeping Computer (em inglês).

A Samsung mudou a postura do programa de resgate de adaptadores para novos celulares. Agora, o programa tem caráter permanente, e não mais promocional. Isso significa que os compradores dos produtos elegíveis poderão solicitar o acessório mesmo meses ou anos após o lançamento — antes, havia uma janela promocional. O pedido deve ser feito até 30 dias após a emissão da nota fiscal, porém, como especifica o regulamento:

3.1. Período de Aquisição do Produto: de 01 de janeiro de 2022 até vida final do produto.

3.2. Período para Resgate do Produto: em até 30 (trinta) dias a partir da emissão da Nota Fiscal do Produto.

O carregador fornecido é de 25W e os produtos elegíveis são:

  • Galaxy S21 FE 5G (SKU: SM-G990EZ);
  • Galaxy S21 5G (SKU: SM-G991BZ);
  • Galaxy S21+ 5G (SKU: SM-G996BZ);
  • Galaxy S21 Ultra 5G (SKU: SM-G998BZ);
  • Galaxy Z FOLD3 5G (SKU: SM-F926BZ);
  • Galaxy Z FLIP3 5G (SKU: SM-F711BZ);
  • Galaxy S22 Ultra (SKU: SM-S901E);
  • Galaxy S22+ (SKU: SM-S906E);
  • Galaxy S22 (SKU: SM-S908E). Via TechTudo.

O que é pior que moderar posts e comentários no Facebook? Aparentemente, moderar o metaverso do Facebook/Meta, o Horizon Worlds (pense em um Facebook, só que com avatares 3D feios, flutuantes e sem pernas, tipo Garparzinho).

O Horizon Worlds propicia a criação de “comunidades” para usuários dos headsets de realidade virtual da Meta Quest (novo nome da Oculus). Para orientar novatos e conter abusos na área comum, o Facebook/Meta emprega os community guides, ou moderadores do Horizon Worlds.

Sem surpresa, os community guides têm sido alvos de pegadinhas e abusos, e sofrem com usuários mais estridentes, como crianças que ficam gritando sem parar. Segundo apurou a Vice, canais no YouTube e no TikTok organizam e reúnem vídeos mostrando o sofrimento dessas pobres almas aprisionadas no ambiente virtual do Facebook. Vários vídeos no link ao lado. Via Vice (em inglês).

4 maneiras de burlar paywalls de sites de jornais

Indiquei na newsletter de sábado uma boa matéria com dicas de conservação para reutilizar máscaras PFF2. Alguns leitores reclamaram que não conseguiram ler porque bateram no paywall do jornal O Globo. Ops! E aí teve o caso bizarro da Folha de S.Paulo, que deu um serviço de como doar para ajudar as vítimas das enchentes em Petrópolis (RJ), mas escondeu o texto atrás de um paywall. Oi?

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Congestionamento de robôs entregadores, novo Tico e Teco e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O youtuber Bruno “Monark” Aiub teve seus dois canais, Flow Podcast e Monark, desmonetizados pelo YouTube — em outras palavras, eles não podem mais gerar receita a partir dos anúncios veiculados pela plataforma.

Em nota à imprensa, o YouTube informou que suas políticas proíbem “comportamento ofensivo que coloque em risco a segurança e o bem-estar da comunidade do YouTube” e que ao fazer apologia ao nazismo em uma transmissão no Flow Podcast, Monark as infringiu.

“A violação dessas políticas pode fazer com que o canal seja suspenso do Programa de Parcerias do YouTube e, consequentemente, ser desmonetizado”, disse o YouTube em nota.

Monark ainda pode subir vídeos na plataforma, mas não pode gerar receita a partir deles. Tentativas de burlar a restrição criando novos canais ou usando canais de terceiros violam os termos de uso do YouTube e podem sujeitá-lo à perda definitiva da sua conta.

O YouTube disse, ainda, que usuários suspensos do programa de monetização podem solicitar nova inclusão e que esses pedidos serão “analisados pela plataforma”.

Em 2019, o WhatsApp conseguiu uma importante vitória no Brasil: a resolução 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu disparos em massa de cunho político em aplicativos de mensagens. Agora, o WhatsApp quer estender essa proibição legal a todos os segmentos.

O Jota listou uma série de ações movidas pelo WhatsApp na Justiça brasileira contra empresas que oferecem o serviço, e em várias delas obteve liminares favoráveis. A acusação do WhatsApp é de que essas empresas fazem uso indevido da sua marca e violam seus termos de uso, que proíbem disparos em massa.

Apesar dos bons resultados na via judicial, o WhatsApp quer tornar lei tal proibição. O tema consta no polêmico PL das fake news, mas, por ora, cobre apenas o uso político de ferramentas de disparo em massa. Via Jota.

Pirataria costuma ser tratada na imprensa e em outros meios formais de um jeito meio maniqueísta e com muitas reservas. É importante superarmos esse… medo? Moralismo barato? para tratar do tema, porque a pirataria é importante e, para a indústria cultural, acaba servindo de termômetro para saber quando a parte “indústria” está sufocando a “cultural”.

O exemplo do streaming é um sintoma previsível e, ainda assim, interessante. Um estudo da Akamai constatou um aumento nas visitas a sites de pirataria em 2021. Foram 132 bilhões de visitas no ano, aumento de 16%, e a maior parte delas atrás de conteúdo audiovisual, ou seja, séries e filmes.

Não precisava de uma bola de cristal para antecipar que a fragmentação das plataformas de streaming levaria a um ressurgimento da pirataria.

Em outro contexto, a decisão da Nintendo de encerrar as lojas virtuais do Nintendo 3DS e do Wii U fará com que cerca de 1 mil jogos desapareçam do mercado. Restará à pirataria a missão de preservar tanta memória.

Apesar do clichê, a história por vezes se repete. Parte da produção cinematográfica da primeira metade do século XX, em especial de filmes mudos, foi perdida. (No Brasil também.) Na época, havia dificuldades técnicas e faltava visão para o valor da preservação desses materiais. Hoje, apenas a ganância de executivos justifica que tantos jogos tenham esse mesmo destino, mesmo que temporariamente — não é como se a Nintendo fosse incinerar todos esses jogos para abrir espaço em um servidor.

Por algum motivo que ainda me foge à compreensão, tenho passado mais tempo no feed do LinkedIn. Notei, entre outras coisas, uma profusão de notícias do tipo “Primeiro [insira qualquer coisa] a chegar no metaverso”.

Dizer que a história se repete talvez seja reducionista, mas o paralelo com o Second Life é explícito demais para resistir a esse chavão. Muito bem, agora que seu restaurante, prefeitura, podcast ou qualquer coisa está no metaverso, o que acontece? Qual a vantagem? Ninguém sabia na época do Second Life e, aparentemente, continuamos sem saber.

O Facebook fez um show do Foo Fighters no metaversono último domingo, dia de Super Bowl nos Estados Unidos. A julgar pelos relatos, foi um desastre muito parecido com o show do NX Zero no Second Life, 15 anos atrás.

O metaverso, nos moldes em que o Facebook o está vendendo (e todo mundo, ou aqueles mais deslumbrados, comprando), é uma canoa furada. A gente já viu esse filme, digo, esse jogo.

“Não acho bom que a única forma de moderação de conteúdo seja a remoção”: Uma conversa com Francisco Brito Cruz, do InternetLab

Um dia, todos os programas do podcast Guia Prático serão transcritos. Esse dia ainda não chegou, mas decidimos transcrever esta entrevista com o Francisco Brito Cruz, do InternetLab, pela importância e urgência do tema. (Você pode ouvi-la nos podcasts Guia Prático e Tecnocracia ou assisti-la no YouTube.)

Na conversa, conduzida por mim, Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti, fizemos ao Chico perguntas vitais para o que talvez seja o maior debate envolvendo tecnologia no Brasil em 2022: a moderação de conteúdo nas plataformas digitais.

Há muito em jogo, com eleições decisivas em outubro, e dado o papel das redes sociais no pleito de 2018 e em outras eleições majoritárias ao redor do mundo nos últimos anos, não será diferente desta vez.

A transcrição abaixo sofreu leves alterações para tornar a leitura mais fluída.

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