A Automattic, dona do WordPress.com, entrou em modo de contenção de danos e promoveu alterações no novo plano gratuito, um dos dois remanescentes da nova estrutura simplificada de planos do serviço:

  • O espaço de armazenamento subiu, de 500 MB para 1 GB;
  • O teto para acessos, de 10 mil/mês para o gratuito e de 100 mil/mês no Pro, foi abolido.

Um post/anúncio da nova estrutura de planos foi publicado só nesta terça (5), depois da péssima repercussão da notícia nos últimos dias.

A Automattic manteve, porém, um único plano pago (“WordPress Pro”), de R$ 75/mês, e que só pode ser pago anualmente, o que se traduz numa fatura de R$ 900. Via WordPress.com (em inglês).

Exemplo de post no Twitter de um candidato a presidente do Brasil, com um rótulo embaixo do nome indicando o cargo a que ele concorre.
Imagem: Twitter/Divulgação.

O Twitter detalhou as iniciativas para as eleições deste ano no Brasil. Candidatos terão rótulos identificando-os (como na imagem acima), haverá uma aba específica para o pleito na seção “Explorar” e a política de integridade cívica passará a valer no país.

O foco dessa última iniciativa, diz o Twitter, está em “prevenir informações enganosas que possam prejudicar o andamento, a participação popular e a consumação do processo eleitoral democrático”, e que ela “não prevê atuação sobre todo tipo de conteúdo político, incluindo declarações enganosas, imprecisas ou polarizadas sobre candidatos e partidos”. Via Blog do Twitter.

China começa a regular mercado de streamers

por Shūmiàn 书面

Uma nova legislação pretende regular a atuação de streamers — uma indústria de US$ 30 bilhões na China. A Administração Tributária chinesa publicou uma circular em conjunto com a Administração de Ciberespaço e a Administração de Regulação do Mercado propondo uma promoção e desenvolvimento mais sadios da indústria, incluindo a responsabilidade com impostos. A notícia veio na quarta (30), como contaram a Reuters e a CGTN.

Segundo fontes ouvidas pelo Wall Street Journal, as novas regras devem incluir controles sobre a quantidade de dinheiro que os influenciadores podem receber de cada pessoa (as gorjetas), de modo a reduzir o excesso de gastos online. Outras preocupações devem ser diminuir o tempo de exposição de jovens a esses vídeos, bem como regular o conteúdo de alguns desses criadores, como resumiu o Protocol China.

Não é novidade que Pequim está de olho na evasão fiscal de celebridades e streamers. Em dezembro, Viya, a rainha das vendas online, viu seu império colapsar ao ser multada em US$ 210 milhões (¥ 1,3 bilhão) por evasão fiscal e perder suas contas em redes sociais. Esta matéria de janeiro de Shen Lu conta mais sobre o caso e a regulação da indústria de streaming. Vale uma lida neste artigo acadêmico de 2019 sobre as tensões sociais, políticas e econômicas que fazem parte de ser um streamer na China.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

Na sexta (1º), trabalhadores do centro de distribuição da Amazon de Staten Island, o único da cidade de Nova York e conhecido como JFK8, conseguiram votos suficientes para criar o primeiro sindicato de trabalhadores da Amazon — fora 2.654 votos a favor e 2.131 contrários.

A vitória foi apertada e a Amazon, que fez um lobby fortíssimo contra a sindicalização, lamentou o resultado em nota e disse que irá contestá-lo. Do seu lado, o Amazon Labor Union, nome do novo sindicato, já está mostrando a que veio: já pediu uma reunião com a Amazon para o início de maio. Via New York Times, Amazon, @amazonlabor/Twitter (todos em inglês).

A máquina oculta de propaganda do iFood

A máquina oculta de propaganda do iFood, por Clarissa Levy na Agência Pública:

Naquele abril de 2021, os adesivos e a faixa que pediam “vacinação já” no estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, vieram acompanhados pela disseminação de posts e comentários de usuários falsos, que teriam sido criados por agências de publicidade a serviço do iFood no Twitter e Facebook. Em paralelo, as agências contratadas teriam criado duas páginas que deram suporte à narrativa: a fanpage de conteúdo político Não Breca Meu Trampo e a página de memes Garfo na Caveira. 

A Pública acessou mais de 30 documentos das campanhas — entre relatórios de entrega, cronograma de postagens, vídeos, atas de reuniões e trocas de mensagens —, além de conversar com pessoas que trabalharam nas agências e acompanharam a campanha desenvolvida para o iFood durante pelo menos 12 meses.

[…]

Entre as páginas administradas pela campanha “lado B”, a Garfo na Caveira continua ativa e postando conteúdos. Já a página Não Breca Meu Trampo parou de ser alimentada em julho de 2021. Em um registro acessado pela reportagem, um dos coordenadores da campanha resume o trabalho: “Coisas assim que vão tirando o foco. Como a gente fez, por exemplo, com a greve geral. O Garfo [página Garfo na Caveira] abriu um território importante, de chegar de igual pra igual. E depois isso serviu pra gente ir esvaziando o discurso.”

 

Foto de uma página de jornal, com anúncio do Google de página inteira. Lê-se na chamada: “O Projeto de Lei 2630 pode obrigar o Google a financiar notícias falsas.”
Foto: @orlandosilva/Twitter

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do PL 2630/2020, o PL das Fake News, está revoltando com a campanha da big tech contra o projeto — de novo.

Neste domingo (3), o Google emplacou em alguns jornais um anúncio de página inteira dizendo que “O PL 2630 pode obrigar o Google a financiar notícias falsas”, uma referência ao artigo 38, que obriga as plataformas digitais a remunerarem sites jornalísticos pelo uso de seu conteúdo. (Como se o Google nunca tivesse financiado fake news, né?)

O artigo 38 está longe de ser unanimidade. Entidades setoriais, como a Associação de Jornalismo Digital (Ajor; o Manual do Usuário é associado) também criticaram a nova regra.

No Twitter, o deputado compartilhou uma foto do anúncio do Google dizendo que a empresa “gastou os tubos, abusando do poder econômico, para MENTIR sobre o PL das Fake News”. E prosseguiu:

A verdade é que o Google usa conteúdo alheio para enriquecer, não tem ética e nem solidariedade com quem produz informação. Querem ganhar sozinhos. TUBARÕES DA INTERNET!

Não é a primeira vez que Orlando se manifesta contra um desses anúncios de página inteira. No início de março, o deputado criticou um da Meta (ex-Facebook) de tom similar.

O relatório final do PL 2630/2020 foi apresentado na última quinta-feira (31) e deve ser votado no plenário nos próximos dias. Via @orlandosilva/Twitter.

o tempo da usenet, irc, da web…mesmo do e-mail (c/ PGP)…era fantástico. centralizar a descoberta e a identidade em empresas danificou de verdade a internet. Entendo que parte da culpa é minha, e me arrependo.

— Jack Dorsey, ex-CEO e co-fundador do Twitter.

Livrar-se do comando do Twitter deixou Jack Dorsey mais confortável em tecer críticas à sua criação. Será que ele já ouviu a palavra do Mastodon? Via @jack/Twitter (em inglês).

Apoie o Manual do Usuário pelo preço de um cafezinho

O Manual do Usuário é um projeto editorial que cobre tecnologia de consumo com pé no chão e opinião. Saiba mais.

Uma das bases do Manual é a transparência. Dentro desse pilar está o nosso financiamento: não existe doador secreto ou financiadores obscuros; aqui, é tudo às claras. Quem nos lê sabe de onde vem o dinheiro. Quem assina, sabe até para onde vai cada centavo e quanto os colaboradores recebem.

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Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo, adquiriu 73,5 milhões de ações do Twitter e agora é dono de 9,2% da empresa. A aquisição foi feita no dia 14 de março e divulgada pela SEC nesta segunda (4.abr).

As ações do Twitter na Nasdaq subiam 26% no pré-mercado após o anúncio da compra de Musk.

O Twitter é a rede social preferida do executivo, onde ele vocifera várias das suas maluquices e provocações. O uso da rede já lhe custou um puxão de orelha da SEC em 2018, quando ele postou que pensava em fechar o capital da Tesla e causou tumulto no mercado.

Nas últimas semanas, Musk vem questionando o compromisso do Twitter com a “liberdade de expressão”. Ele havia manifestado interesse em ter sua própria empresa de mídia, mas, pelo visto, optou pelo caminho mais curto — comprar uma. Via Valor, G1.

A Apple liberou uma pequena, mas importante atualização na sexta (1º) para o iOS, iPadOS (15.4.1) e macOS (12.3.1). No iOS/iPhone, ela corrige uma falha que fazia o celular consumir mais bateria que o normal. Nos três sistemas, tapa duas falhas do tipo “dia zero” que, segundo a empresa, já estavam sendo exploradas.

Em 2022, a Apple já corrigiu cinco falhas do tipo “dia zero” — preocupantes porque expõem os sistemas a ataques antes mesmo que a Apple saiba que elas existem. Via BleepingComputer, Apple (ambos em inglês)

Cassidy James, um dos dois co-fundadores do elementary OS, distribuição Linux focada em usuários finais, anunciou ter deixado o projeto.

Ele travava uma disputa de bastidores com Danielle Foré, a outra co-fundadora, desde que manifestou interesse em arranjar um emprego paralelo às suas funções na empresa que ambos criaram para gerir o elementary OS. Era uma tentativa de aliviar as contas do projeto, no vermelho desde o início da pandemia de covid-19.

Relembre o caso nestes dois posts.

Em seu blog, Cassidy deu mais contexto à situação que culminou com sua saída, mas não detalhou os termos dela, provavelmente por orientação de advogados. Ele disse que dedicará seu tempo livre a outros projetos de código aberto, como o ambiente Gnome e o pacote de distribuição Flatpak. Via CassidyJames.com (em inglês).

O WordPress.com da Automattic, braço comercial do WordPress, CMS de código aberto muito popular (e que faz funcionar este Manual do Usuário), simplificou a estrutura de planos pagos e deixou muita gente emparedada, como Anders Norén, que chamou a atenção para o problema em seu blog.

Antes, o WordPress.com oferecia cinco planos com preços e recursos variados. Agora, numa mudança abrupta e não comunicada previamente, tem apenas dois, o gratuito e o WordPress Pro (pago).

Problema: o preço do plano Pro é maior que o dos planos mais básicos, e o gratuito sofreu cortes significativos:

  • O espaço de armazenamento caiu de 3 GB para 500 MB; e
  • Foi imposto um teto para acessos mensais, de 10 mil visitas. (O plano Pro também tem um teto, de 100 mil visitas/mês.)

No Brasil, o plano Pro custa R$ 75 por mês e, o que é pior, é pago anualmente, o que significa que alguém interessado nos recursos precisa desembolsar R$ 900 de uma vez só. Pior ainda:

Dave Martin, CEO do WordPress.com, desculpou-se no Hacker News pelo que chamou de “péssimo trabalho” ao comunicar as mudanças.

Dave prometeu que usuários em planos não antigos não serão afetados pela mudança; que a Automattic tem por hábito ajustar preços por país, para que os valores sejam acessíveis dependendo do local; e que em breve o serviço terá “add-ons” pagos para recursos específicos, como mais espaço ou mais tráfego.

Mesmo com as promessas, fica um gostinho de retrocesso. Via Root Privilegies, Hacker News (ambos em inglês).

Encontre anexos gigantes no seu e-mail para economizar espaço — e dinheiro

Se ainda não aconteceu com você, um dia acontecerá: acabar o espaço do seu e-mail. As empresas que oferecem e-mails gratuitos cobram por mais espaço e embora pagar seja uma opção super válida, existem alguns paliativos que podem adiar em alguns meses ou até anos esse novo gasto na sua vida. O melhor deles é a exclusão de anexos gigantes.

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Robô que imita humano, Ryan de The O.C. contra o bitcoin e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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A interoperabilidade para aplicativos de mensagens vem aí

Uma das determinações do Digital Markets Act (DMA), a nova lei europeia gestada com o objetivo de conter o poder da big tech e restabelecer a competitividade no setor, e que deve entrar em vigor no final de 2022, é a exigência de interoperabilidade entre aplicativos de mensagens das empresas enquadradas como “gatekeepers”, aquelas com valor de mercado superior a € 75 bilhões ou que tenham faturamento anual de € 7,5 bilhões ou mais na União Europeia.

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