[Elon] Musk aparentemente acredita que é livre para mudar de ideia, detonar a empresa, bagunçar suas operações, destruir valor dos acionistas e sair impune.

— Advogados do Twitter.

O argumento do Twitter na Justiça nos Estados Unidos para obrigar Elon Musk a cumprir sua palavra e comprar a empresa por US$ 44 bilhões é pesada.

A empresa afirma que não há base para a alegação de Musk de que o acordo foi violado, o que lhe daria uma saída do negócio que, a essa altura, está evidente ele não quer mais. Via Reuters, Bloomberg (ambos em inglês).

Uma vantagem de ler publicações de negócios é que elas ajudam a limpar o “marketês” de anúncios de empresas e mostrar o que está por trás de certos movimentos.

O Nubank, por exemplo, anunciou um novo modelo de poupança, baseado em “caixinhas”, e mudou as regras da remuneração do dinheiro parado na conta. “Tudo para você ser protagonista da sua vida financeira”, diz o anúncio no blog oficial.

O Brazil Journal explica, porém, que as novas regras de rendimento — agora o dinheiro só começa a render diariamente após o 30º dia do depósito — é uma operação para diminuir os custos de “funding” da fintech. De lá:

O BTG estima que uma redução de 10 pontos percentuais no valor que o Nu gasta com a remuneração diária dos depósitos poderia gerar um ganho antes de impostos de US$ 250 milhões, ou 15% do lucro bruto estimado para o Nu este ano.

Já as “caixinhas” é uma forma do Nubank conhecer melhor o cliente e, de quebra, expô-lo a outros produtos de investimento disponíveis. O tipo de aplicação é oferecido de acordo com o prazo para resgate manifestado pelo cliente.

Um dado que chama a atenção: “O analista [Pedro Leduc, do Itaú BBA] estima que entre 40% e 50% dos depósitos a prazo do Nubank sejam resgatados em menos de 30 dias.” O resgate antes de 30 dias já era uma má ideia antes da mudança das regras devido à incidência de IOF. Via Nubank, Brazil Journal.

A 99, braço brasileiro da chinesa DiDi Chuxing, fechou uma parceria para colocar 300 carros elétricos da também chinesa BYD nas ruas de São Paulo. O modelo escolhido, D1, tem preço sugerido de R$ 270 mil, mas será oferecido aos motoristas na modalidade aluguel, via Aliança pela Mobilidade Sustentável, um grupo de empresas que se juntou em abril para promover a eletrificação da frota brasileira.

O chamariz, ao motorista, é um custo de manutenção até 80% menor que o de carros convencionais, com motores a combustão.

A 99 tem 750 mil motoristas ativos mensais no Brasil que atendem mais de 20 milhões de usuários. Via Folha de S.Paulo.

Depois de 11 anos à frente do Medium como CEO, o fundador Evan “Ev” Williams deixará o cargo. Em um comunicado publicado no Medium, ele disse que pretende passar os próximos meses ou anos criando uma holding/laboratório de pesquisas para “aprender tanto quanto possível coisas de que não sei muito a respeito”.

Uma dica, talvez, é aprender a não ferrar com editores e blogueiros que confiam o destino das suas publicações a uma startup de conteúdo, como o Medium fez com o The Awl e The Hairpin em 2018.

Tony Stubblebine, CEO do Coach.me e colaborador de longa data de Ev, assume o cargo de CEO do Medium. Via Ev Williams/Medium, New York Times (ambos em inglês).

Quando aquilo [a Uber] se revelou não ser o caso — que, na real, nós vendemos às pessoas uma mentira —, como você pode ter a consciência limpa se você não se levantar e se responsabilizar pela sua contribuição a como as pessoas estão sendo tratadas hoje?

— Mark MacGann, ex-lobista da Uber e delator dos “Uber files”.

Um dia depois de revelar os “Uber files”, o The Guardian trouxe uma entrevista com o responsável por vazar os 124 mil documentos que embasaram a reportagem original — e que, certamente, fará emergir outras revelações em breve. Via The Guardian (em inglês).

O PicPay está entrando de cabeça no universo das criptomoedas. A fintech capixaba lançará uma exchange em agosto e quer trabalhar com cerca de 100 criptomoedas até o fim do ano.

O segundo passo, mais ambicioso, será lançar uma “stablecoin” atrelada ao real brasileiro, a Brazilian Real Coin (BRC). (Uma “stablecoin” é uma criptomoeda que mantém paridade de valor com uma moeda fiduciária, ou assim promete.)

Embora possa ser negociada em outras exchanges, o PicPay quer alavancar sua base de 30 milhões de usuários e pontos de venda integrados para popularizar a BRC para pagamentos. Via Neofeed.

Will Cathcart, diretor responsável pelo WhatsApp, foi ao Twitter alertar os usuários de um aplicativo, o Hey WhatsApp, da HeyMods, que era na realidade uma emboscada para instalar malwares (vírus) em celulares e roubar dados pessoais das vítimas.

O Hey WhatsApp não era distribuído pela Play Store. Mesmo assim, o Google, a pedido da Meta, conseguiu remover o Hey WhatsApp dos celulares onde fora instalado, via Google Play Protect.

Cathcart disse que a Meta tomará outras medidas para impedir que a HeyMods continue operando e prejudicando usuários do WhatsApp. E pede para que todos fiquem atentos com os aplicativos que amigos e familiares usam para conversar pelo WhatsApp, evitando as versões alternativas e falsas — um alerta já dado pelo Manual do Usuário. Via @wcathcart/Twitter (em inglês).

O jornal britânico The Guardian obteve acesso a 124 mil documentos internos da Uber, produzidos entre 2013 e 2017, que revelam a estratégia agressiva de expansão da empresa, as táticas questionáveis do então CEO Travis Kalanick e as relações questionáveis com líderes mundiais.

Os chamados “Uber files” expõem com riqueza de detalhes alguns fatos que já eram conhecidos, como a estratégia da Uber de entrar primeiro em cidades e fazer lobby depois. Já valeriam só por isso, mas tem mais: contatos secretos entre Kalanick e alguns líderes mundiais, como o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e da França, Emmanuel Macron — este teria ajudado ativamente a Uber a entrar e se firmar na França.

Os documentos foram compartilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e repassados a outras redações do mundo inteiro. Em outras palavras, teremos mais revelações nos próximos dias.

Resumos no Núcleo (meu) e na Folha de S.Paulo. Matéria completa ao lado. Via The Guardian, ICIJ (ambos em inglês).

Na última quarta (6), a Apple anunciou uma novidade para os vindouros iOS/iPadOS 16 e macOS Ventura: o “Lockdown Mode”, ou Modo de Bloqueio, uma configuração opcional que incrementa a segurança do dispositivo a fim de protegê-lo de ataques sofisticados, como o Pegasus, do NSO Group.

O Modo de Bloqueio limita os tipos de arquivos aceitos no iMessage, desabilita algumas tecnologias web no Safari, bloqueia por padrão o contato por tecnologias da Apple, como o FaceTime, bloqueia acessórios cabeados com o dispositivo bloqueado e impede a instalação de novos perfis de uso.

São mudanças pontuais que prejudicam um pouco a usabilidade e, ao mesmo tempo, a área de ataque possível. (O Pegasus, por exemplo, se disseminava via imagens compartilhadas por mensagens de texto.)

Por isso, a Apple foi bem cuidadosa na divulgação do recurso: ele é direcionado a pessoas que correm algum risco real de serem alvos de ataques sofisticados, como ativistas, políticos e jornalistas investigativos.

Será interessante ver até que ponto o Modo de Bloqueio prejudica o uso comum do aparelho. Segurança, como se sabe, é o resultado do equilíbrio entre proteção e comodidade. Arrisco dizer que a maior parte dos recursos do Modo de Bloqueio não é tão incômoda, mas só testando na prática para ter certeza. Via Apple (em inglês).

Calibre é um aplicativo para gerenciar e ler e-books (livros eletrônicos). O Calibre 6.0, nova grande versão, trouxe novidades significativas:

  • Suporte à indexação e pesquisa de livros inteiros. É opcional.
  • Suporte à leitura dos livros, usando o sistema “text-to-speech” nativo do sistema operacional.
  • Suporte a URLs iniciadas com calibre://.
  • Suporte à arquitetura ARM no macOS (chips M1, M2 e variantes) e no Linux. Por outro lado, o aplicativo deixa de suportar sistemas 32 bits.

O Calibre 6.0 está disponível para Linux, macOS e Windows. Via Calibre (em inglês).

Como ser lembrado(a) dos aniversários de amigos e familiares sem depender do Facebook

Até algum tempo atrás, era comum ouvir de gente com perfis no Facebook que o único motivo de continuar usando essa rede social eram os lembretes de aniversários. Se este for o seu caso, boa notícia: a dica de hoje é como ser lembrado(a) de aniversários sem depender do Facebook.

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Dilemas (absurdos) do trem, um Walkman novo e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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Sem muita surpresa — dados os últimos acontecimentos —, o advogado de Elon Musk, Mike Ringler, enviou uma carta à SEC (a CVM dos Estados Unidos) nesta sexta (8) demandando o rompimento do acordo de compra do Twitter, um negócio de US$ 44 bilhões.

Musk alega que o Twitter não lhe entregou dados relacionados ao volume de contas falsas/de spam na plataforma, que o Twitter afirma não ser superior a 5% do total, o que Musk contesta.

A desculpa, fajuta, desde o início foi encarada pelo mercado como uma desculpa para o arrependido Musk pular fora do negócio.

No Twitter, Bret Taylor, presidente do conselho do Twitter, disse que a empresa quer levar o negócio a cabo e que recorrerá à Justiça para que Musk cumpra sua palavra. Via SEC, CNBC, @btaylor/Twitter (todos em inglês).

O que está acontecendo com as empresas de tecnologia dos Estados Unidos?

Dois mil e vinte dois tem sido um ano estranho. Depois juntar os cacos da catástrofe da bolha pontocom, na virada do milênio, o setor de tecnologia teve uma ascensão espetacular e tornou-se o mais valioso do planeta. Agora, porém, a maré virou e o que era bonança virou um tsunami de notícias ruins: demissões, desvalorizações, quebras. O que está acontecendo?

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