Os papéis da Roku na Nasdaq deram um novo mergulho na última sexta-feira (29/7), desvalorizando ~23% após a empresa apresentar números ruins referentes ao segundo trimestre de 2022. O prejuízo operacional foi 260% pior que no ano anterior, chegando a US$ 110,5 milhões, e a empresa alertou os acionistas de que o próximo também não será nada bom.

Um dado curioso da operação da Roku: a empresa fatura muito mais com publicidade do que com a venda dos aparelhos em si. É por isso que seus controles remotos contam com aqueles quatro botões de serviços de streaming. As empresas que aparecem ali pagam pelo privilégio, como lembra o The Verge.

Nesse último trimestre, a Roku faturou US$ 91,2 milhões com a venda das suas caixinhas e outros produtos físicos.

Já com a “plataforma”, que engloba publicidade, taxas de parceiros do streaming, acordos de licenciamento e, explícito na documentação da empresa, “a venda de botões patrocinados de canais nos controles remotos”, a receita foi de US$ 673,2 milhões, um valor 638,1% maior. Via The Verge, CNBC, Roku (todos em inglês).

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo recomendou ao WhatsApp que adie a liberação das Comunidades no Brasil para 2023. No compromisso firmado com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o WhatsApp/Meta disse que seguraria essa e outras atualizações, como a expansão do limite de usuários em grupos, para depois do segundo turno das eleições, ou seja, final de outubro.

A recomendação do MPF tem 30 páginas de considerações. Embora o pedido faça sentido considerando a patifaria que ocorreu nos Estados Unidos em janeiro de 2021, quando o candidato derrotado e golpista Donald Trump tentou melar o resultado das eleições de lá, e considerando (estou parecendo o MPF nas considerações) a retórica golpista explícita do nosso postulante à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), é quase como se os procuradores estivessem mirando no mensageiro (literalmente) e não no problema em si.

Afinal, não é como se o WhatsApp só pudesse ser usado para arquitetar golpes de estado, nem seja o único aplicativo do tipo. A um toque de distância está o Telegram, por exemplo, com capacidade para 200 mil pessoas por grupo e cada vez mais popular no Brasil.

Um caminho alternativa seria incluir salvaguardas e restrições ao funcionamento dos aplicativos na legislação — algo complexo e não sei se o melhor caminho. Outro, que em tempos de normalidade institucional seria óbvio, é enquadrar quem usa o WhatsApp ou qualquer outro meio digital para causar arruaça nos crimes já previstos em lei. Via Núcleo, MPF-SP.

O Brasil aparece em 54º lugar, com um preço médio de US$ 0,74 por 1 GB baseado em 45 planos, no ranking de planos de internet móvel da Cable.co.uk, empresa especializada em comparação de preços de planos de internet.

Ficamos atrás de alguns vizinhos sul-americanos — Uruguai (9º, US$ 0,27/GB), Colômbia (31º, US$ 49/GB) e Chile (32º, US$ 0,51) —, mas bem melhor que a média da região (US$ 4,09/GB). Note-se, porém, que essa média é puxada bastante para cima pelas Ilhas Malvinas, que têm o segundo gigabyte mais caro do mundo, por US$ 38,45.

O território com o gigabyte mais caro do mundo é Santa Helena, outra ilha britânica ao Sul do Atlântico, com pouco mais de 4 mil habitantes. Por lá, 1 GB custa US$ 41,06. O gigabyte mais barato é o de Israel, onde custa US$ 0,04.

O levantamento da Cable.co.uk considerou 5 mil planos de dados móveis de 233 países e territórios, com dados coletados entre 16 de março e 2 de junho. Gráficos, planilhas com os dados brutos e comentários da empresa estão no link ao lado. Via Cable.co.uk (em inglês).

O Mint 21, codinome “Vanessa”, chegou à versão final. Ele é baseado no  Ubuntu 22.04 LTS e vem com o kernel Linux 5.15. Links para uma apresentação das novidades (sabor Cinnamon) e de download.

Mint é uma distribuição Linux que entrega uma experiência mais “clássica”, com uma interface WIMP (para ser usada com mouse), e que acaba sendo bastante aproveitada em computadores antigos. O ambiente gráfico principal é o Cinnamon; há outros dois sabores com Xfce e MATE. Via Mint (em inglês).

Mude esta opção no Instagram para impedir que suas fotos e vídeos sejam “remixadas”

Não é segredo nem novidade que o Instagram deixou de ser uma rede social de fotos para virar uma plataforma para “criadores” de conteúdo.

Com isso, o Instagram passou a estimular a “remixagem” de todo o conteúdo publicado ali, o que não é muito legal para quem é mais reservado ou trabalha de alguma forma com imagens e vídeos.

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Robô enxadrista quebra dedo de menino na Rússia e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O melhor iPhone

O iPhone SE é o celular mais insosso que já existiu. Com ele, quase ninguém percebe que você está com um celular novo; quando alguém repara, a conversa termina rápido e invariavelmente em uma frase do tipo “é igual o antigo, só que mais rápido”.

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por Cesar Cardoso

A expansão latino-americana das marcas da BBK Electronics segue um roteiro bem previsível: chega pelo Chile ou pelo México, se expande para países do Pacífico com mercados grandes (Peru ou Colômbia) e, a partir daí, atravessa os Andes para chegar no Brasil. Foi assim com a Realme, está sendo assim com a Oppo, conforme previmos há cinco newsletters atrás (e será assim com a OnePlus e a vivo).

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O ministro das Comunicações, Fabio Faria, disse que vai aos Estados Unidos na próxima terça-feira (2/8) pedir à Apple para atualizar o iPhone para a rede 5G brasileira. A suposta falta dessa atualização seria o impeditivo para que os modelos compatíveis (linha iPhone 13 e iPhone SE de 3ª geração) acessem a rede 5G standalone (o 5G “puro”, na faixa de 3,5 GHz).

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, deve acompanhar Faria nesta importantíssima ~missão crítica. Como os 1% de brasileiros com iPhone 13 nas capitais podem ficar sem 5G?? Ainda bem que o governo está atento a esse absurdo.

Pedi posicionamentos às três envolvidas na história — Anatel, Ministério das Comunicações e Apple.

A Apple não respondeu.

A Anatel disse apenas que eu deveria “entrar em contato com o Ministério das Comunicações”. Reforcei o questionamento, afinal esses modelos de iPhone constam na lista de aparelhos compatíveis com 5G da própria Anatel. Se não são compatíveis, não deveriam ser removidos de lá?

Por qualquer motivo estranho, essa segunda mensagem foi barrada porque “violou as políticas de segurança por ser classificada como SPAM/Phishing”.

O Ministério das Comunicações enviou o seguinte posicionamento:

Os aparelhos homologados pela Anatel para funcionamento com a quinta geração de redes móveis já estão habilitados a operar as duas versões de 5G: o non-Standalone (em rede compartilhada com as outras gerações) e o Standalone (puro). Porém, smartphones da marca Apple necessitam de uma atualização de software para o funcionamento específico do 5G Standalone.

A visita do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e do presidente da Anatel, Carlos Baigorri, à sede da empresa nos EUA pretende agilizar a disponibilização dessa atualização para que os usuários brasileiros possam desfrutar do “5G puro” nas próximas semanas.

Por que o estado deveria se envolver nisso, sem falar no envolvimento pessoal do ministro das Comunicações, são perguntas que seguem em aberto. Afinal, não é como se não houvesse modelos já compatíveis com 5G — Samsung e Motorola têm vários à venda. É do interesse exclusivo da Apple, das operadoras e dos seus clientes que essa lacuna seja resolvida. O que o Estado tem a ver com isso? Via Telesíntese.

O Google anunciou um novo adiamento à aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome. A princípio, isso aconteceria agora, em 2022. Em junho de 2021, o prazo foi estendido para 2023 e, agora, estendido de novo, para 2024.

O adiamento é uma resposta ao “pedido mais consistente” que o Google tem recebido da indústria.

Embora não tenham sido concebidos para esse fim, cookies de terceiros são usados largamente por empresas de publicidade para monitorar o comportamento do usuário e formar perfis de consumo para direcionar publicidade.

Não é de se estranhar a demora do Google em aposentar um recurso tão valioso à publicidade invasiva — área que responde pela maior fatia do seu faturamento.

Felizmente, não é preciso esperar pela boa vontade do Google: praticamente todos os rivais do Chrome — Firefox, Safari, Edge — já desativaram o suporte a cookies de terceiros por padrão há anos, garantindo mais privacidade a seus usuários, e não têm planos de incluir uma tecnologia invasiva no lugar deles, como é o caso do Google com o leque de ferramentas chamado Privacy Sandbox, ainda em testes.

Os três navegadores são gratuitos e funcionam tão bem quanto o Chrome. Via Google, 9to5Google (ambos em inglês).

A Meta não aguentou a pressão e anunciou, nesta quinta (28), algumas reversões — tímidas e temporárias, é verdade — no processo de destruição a que submete o Instagram.

O teste com vídeos que ocupam a tela toda foram suspensos e o “conteúdo recomendado”, eufemismo para vídeos virais ruins de perfis que o usuário não segue, “reduzido” — seja lá o que isso signifique na prática; na quarta (27), Mark Zuckerberg disse que 15% do conteúdo mostrado no Facebook é desse tipo, e que no Instagram o volume é maior.

Adam Mosseri, em entrevista a Casey Newton, disse que essas mudanças são temporárias. Afinal, enquanto o Instagram apaga incêndios que ele próprio criou e tenta não perder estrelas da plataforma, o TikTok cresce no reproduzir e morde fatias cada vez maiores da receita de publicidade digital.

Sabe o que seria legal? Se o Instagram fosse um serviço aberto e descentralizado, nos moldes do que a Europa quer impor às plataformas de mensagens. Aí poderia surgir outro aplicativo que se conecta à rede do Instagram, mas que prioriza a linha do tempo cronológica e sem “conteúdo recomendado”. É pedir muito? Via Platformer (em inglês).

Câmeras do iPhone evoluem ano após ano, mas menos do que a Apple nos leva a acreditar

Alguém que leia os materiais de divulgação ou assista às apresentações de novos iPhones da Apple pode ficar com a impressão de que, ano após ano, as novas câmeras do celular da marca melhoram tanto que tornam as antigas obsoletas, quase indesejáveis.

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A queda em receita da Meta no segundo trimestre de 2022 foi de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, o que se traduziu em US$ 28,8 bilhões. Para o terceiro trimestre, alerta a empresa, a expectativa é de nova queda, e maior.

O lucro também desacelerou, em 36%, chegando a US$ 6,7 bilhões.

O Reality Labs, divisão da Meta responsável por materializar o metaverso, que Mark Zuckerberg, CEO e manda-chuva da empresa, encara como a próxima grande plataforma digital, causou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no trimestre.

Lembrando que, de acordo com Zuckerberg, o metaverso só comecará a dar lucro perto de 2030. Via The Verge (2) (em inglês).

Post livre #327

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