Um guia para prevenir um naufrágio algorítmico

Foto em close do título do prefácio e nome da Yasmin Curzi. Ao fundo, desfocados, pen drive e celular.

por Yasmin Curzi

Nota do editor: Tive a felicidade de ter o prefácio do livrinho Outros jeitos de pensar a tecnologia, Volume II escrito pela Yasmin Curzi. Suas palavras gentis captam bem o espírito dos textos — ou a minha intenção ao escrevê-los. Ainda há cópias da primeira tiragem disponíveis, para envio imediato. Para comprar o seu, envie um e-mail ou uma DM no Instagram ao Felipe Moreno, da editora Casatrês. O preço é R$ 40 e o frete é grátis para todo o Brasil.

A sobrecarga de informação, a economia da atenção e a ascensão do marketing predatório são sintomas de uma era definida pela lógica algorítmica embutida na plataformização da web. Este é um tempo onde a informação não apenas flui, mas nos inunda, desafiando a nossa capacidade de discernir o essencial do supérfluo. Ninguém quer ficar de fora das redes do momento. Há pressão social para que se saiba tudo o que acontece, o tempo todo. Ainda, se a promessa do início de vida das plataformas de redes sociais era que todos seriam “broadcasters”, isto é, todos produziriam conteúdo e teriam capacidade de serem ouvidos por outras pessoas, a promessa do período mais recente era de que todas as pessoas poderiam ser influenciadores — de moda ou da opinião pública. Muitos conteúdos, muitas vezes superficiais, mas cujo ruído agregado causa um barulho imenso. 

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Minhas expectativas — positivas e negativas — para 2024

A convite do Fernando Paiva, diretor editorial do Mobile Time, escrevi no final de 2023 quais eram as minhas expectativas — positivas e negativas — na tecnologia para o ano que se avizinhava.

Transcrevo-as abaixo, e deixo o convite a você para ler as dos outros colunistas do Mobile Time.

Qual tendência do mundo da tecnologia mais te entusiasma para 2024? Por quê?

Soluções não comerciais para comunicação via internet.

Coisas como o Mastodon e o protocolo que o move, o ActivityPub, não são novas, mas ganharam um impulso importante desde os primeiros rumores de que Elon Musk poderia comprar o Twitter, no início de 2022.

Sinto que, até pouco tempo atrás, protocolos abertos eram quase uma excentricidade. Hoje ainda são poucos que se aventuram nesse universo — o Mastodon, talvez o projeto de maior sucesso do tipo, tem ~2 milhões de usuários ativos —, mas ganhamos espaço no mainstream, uma barreira dificílima de transpor.

Seria ótimo se soluções do tipo — para redes sociais, mensageiros instantâneos e tantas outras aplicações — fossem dominantes, mas me darei por satisfeito se elas apenas se sustentarem como alternativas viáveis às comerciais.

Qual tendência do mundo da tecnologia mais te preocupa para 2024? Por quê?

O domínio da inteligência artificial no mundo do trabalho.

Arrisco dizer que, em 2024, o ritmo de inovação não será tão intenso quanto foi em 2023. Em vez disso, é provável que o novo ano seja de racionalização e “pé no chão”, de separar o que é realmente útil daquilo que é apenas curioso.

O “realmente útil” da minha previsão é o que me preocupa, porque o termo enseja uma questão vital: útil para quem?

Há mais de um século, novas tecnologias prometem futuros utópicos aos trabalhadores, de menos trabalho, mais lazer e a distribuição da riqueza excedente gerada pelas inovações. Na prática, até agora, essas promessas não se realizaram. Ao contrário: temos mais gente trabalhando mais do que antes e a riqueza ainda mais concentrada nas mãos de poucos.

Nada indica que com a IA será diferente. De inédito, apenas o perfil de profissional afetado — talvez pela primeira vez, os trabalhadores intelectuais, criativos.

A ver como essas disputas serão travadas.

Clear 2.0 está de volta com sua interface agradável para listas de tarefas simples

Ícone do Clear 2.0: sinal de “check” com degradê marcado ao fundo do vermelho para o amarelo.

Em 2012, o aplicativo Clear, para iOS, fez barulho com suas listas de tarefas bonitas, em um visual marcante, animações agradáveis e interface baseada em gestos.

Apesar do barulho, ele ficou mais de uma década sem grandes atualizações. Até que nesta segunda (8), do nada, apareceu o Clear 2.0.

A história da nova versão, contada pelo The Verge, é curiosa. Ele passou anos sem grandes novidades, mas sendo atualizado, porque seus criadores consideravam-no um app completo.

Dois anos atrás, um deles, Phill Ryu, comprou os direitos do app de colegas da empresa que desenvolveu o Clear, a Realmac Software, para recriar o app em seu atual estúdio, o Impending.

A estrutura básica do Clear 2.0 é similar à da antiga versão. Fora uma bem-vinda repaginada visual, a grande novidade é que, agora, o aplicativo é gratuito.

A geração de receita do Clear vem da venda de itens cosméticos, como temas e ícones. A loja interna do app altera os itens à venda todo dia.

Para quem procura por um aplicativo de listas de tarefas “radicalmente simples”, como dizem os desenvolvedores, é uma boa pedida.

Detalhe: estranhei o tamanho do app, 423 MB. No Twitter, os desenvolvedores disseram haver muita margem para comprimir arquivos dentro do app, e que mudanças de última hora colaboraram para o inchaço.

Clear 2.0 / Gratuito / iOS, iPadOS

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Switcheroo, um simpático conversor de imagens para Linux

Ícone do aplicativo Switcheroo. Uma imagem colorida, com borda branca e duas setas arredondadas no meio.

Não faltam sites e aplicativos para converter imagens entre os vários formatos disponíveis. O Switcheroo é mais um, mas um honesto (que apenas faz o seu trabalho) e bem feito.

Na real, o Switcheroo é uma interface gráfica para o ImageMagick, talvez o mais completo conjunto de ferramentas para trabalhar com imagens. O aplicativo facilita as coisas, porque para usar diretamente o ImageMagick, só decorando um monte de comandos em texto no terminal.

Na prática, o Switcheroo trabalha com estes formatos de arquivo: jpeg, png, webp, svg+xml, heif, image/heic, bmp, avif, jxl, pdf, tiff, gif e x-icon. Ufa!

E, além de converter imagens entre esses formatos, ainda traz alguns truques legais, como definir a qualidade da imagem, alterar a densidade de pixels em imagens svg e alterar a resolução e proporção. Ah, e trabalha em lotes.

O Switcheroo é um aplicativo para Linux, parte do Gnome Circle, uma iniciativa do projeto Gnome para destacar e oferecer suporte a bons apps independentes. O código é aberto e o download, feito via Flathub.

Switcheroo / Linux (Gnome) / Gratuito

Download (Flathub) »

Novas regras para eleições municipais contemplam IA gerativa e mais obrigações às redes sociais

O TSE divulgou minutas (rascunhos) das resoluções para as eleições municipais de 2024. A da propaganda eleitoral traz vários dispositivos relacionados à internet, com novas atribuições às plataformas/empresas de redes sociais, transparência e restrições a conteúdo “fabricado ou manipulado” (leia-se: por IA gerativa). Na íntegra (PDF).

Algumas coisas ali me pareceram bastante otimistas.

No dia 23 de janeiro, às 9h, será feita uma audiência pública híbrida do tema, com transmissão ao vivo pelo YouTube. Via TSE, Folha de S.Paulo.

Notebooks Windows virão com nova tecla Copilot

Baixou o espírito da Positivo na Microsoft. Em 2024, notebooks “com inteligência artificial” e Windows 11 virão com uma nova tecla do Copilot, a marca guarda-chuva das aplicações de IA da empresa. (Veja o vídeo.) O bom é que quando o Copilot não estiver disponível, a tecla invocará a pesquisa do Windows. Mais útil que a de menu de contexto, que a nova tecla substitui. Via Blog da Microsoft (em inglês).

Intel lança plugins de IA do Audacity para edição de podcasts e música

A Intel lançou alguns plugins gratuitos e de código aberto, baseados em inteligência artificial, para o editor de áudio Audacity. Batizados de OpenVINO, eles são indicados para podcasts (remoção de ruído e transcrição de áudio em texto escrito) e música (geração de músicas e separação de vocais e instrumentos). Parecem bem úteis.

Infelizmente, por ora os plugins só funcionam em uma versão específica do editor e apenas no Windows — e, mesmo ali, a instalação é complicada. Via Audacity (em inglês).

Labirinto de privacidade do Facebook ganha mais uma opção

A Meta liberou uma nova opção de privacidade no Facebook, a do histórico de links. Implementada por pressão regulatória, ela vem ativada por padrão e o histórico é usado para segmentar anúncios.

Acho estranha a ideia de ter que enveredar por labirintos de opções para que o serviço que utilizo não me espione. A tática não é nova (valeu um puxão de orelha da União Europeia em julho passado), e demonstra a quem a Meta realmente serve (dica: não é você nem eu).

Se por qualquer motivo você ainda usa o Facebook, a Central de Ajuda da plataforma explica como desativar o histórico (apenas no aplicativo para Android e iOS). Via Gizmodo (em inglês).

Bluesky: novo logo, posts e perfis sem login e feeds RSS

Logo do Bluesky, uma borboleta azul, com o nome da rede ao lado.
Novo logo do Bluesky.

Há alguns dias, o Bluesky lançou a versão 1.60 do seu aplicativo com ótimas novidades gerais: um novo logo de borboleta (que, com a graça dos deuses, substituiu o ícone horroroso do aplicativo móvel), posts e perfis acessíveis sem login e, talvez o mais legal de tudo, feeds RSS para perfis. Via @bsky.app/Bluesky (em inglês).

Meta começa a testar integração do Threads ao fediverso (Mastodon)

Quando a Meta lançou o Threads e anunciou que ele usaria o protocolo ActivityPub, para integrar-se ao fediverso/Mastodon, desconfiei.

Nesta quarta (13), quase seis meses depois do lançamento da rede, Zuck disse no Threads que estavam “testando a integração”. Continuei cético.

Hoje (14) pela manhã, abri o Mastodon e dei de cara com o perfil do Threads de Adam Mosseri, executivo à frente do Threads e Instagram, no meu feed, acessível pelo Mastodon (procure por @mosseri@threads.net).

Ainda estou cético, mas agora um pouco menos.

Começou a pré-venda do livrinho “Outros jeitos de pensar a tecnologia, Volume II”

Está aberta a pré-venda do livrinho Outros jeitos de pensar a tecnologia, Volume II, deste Manual do Usuário!

Para garantir o seu (a primeira tiragem é limitada), envie um e-mail ao Felipe Moreno ou DM no Instagram da editora Casatrês, informando quantas unidades deseja comprar e o endereço de entrega. Felipe retornará em seguida com a chave Pix para fazer o pagamento.

O preço do livrinho é R$ 40, já incluso o frete, e os envios começam no dia 21/12.

Se você ainda não tem o primeiro volume, preparamos um pacote com os dois a um preço promocional de R$ 65. O caminho é o mesmo — e-mail ou DM para o Felipe.

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