Yellow e outros puzzles de Bart Bonte

por Fabio Bracht

Ícone do jogo Yellow: quadradinho preto dentro de um quadrado amarelo.

Infelizmente, eu tenho a tendência de complicar as coisas. A série jogos integrais só tem quatro posts antes deste, e dois deles (metade!) são sobre jogos que “fogem à regra” de alguma forma.

Em um, eu tive que escrever uma tese inteira sobre o problema da baixa percepção de valor dos jogos mobile; no outro, eu tive que explicar as regras de um jogo analógico jogado com um baralho comum.

Neste, vou pecar pela simplicidade.

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Até você, Automattic?

Depois do Reddit, agora é a Automattic, dona do Tumblr e WordPress.com, que está vendendo o conteúdo dos usuários para empresas de inteligência artificial.

A notícia, vazada pelo 404 Media, sinaliza que tal prática será comum daqui para frente. Digo isso porque a Automattic, com todas as suas falhas, sempre foi respeitosa com o conteúdo dos usuários — o que é o mínimo, mas cá estamos, elogiando quem faz o mínimo.

O maior problema dessas iniciativas é que, mesmo as que dizem respeitar a escolha dos usuários, o fazem por meio de “opt-out”, ou seja, exigem uma ação de nós para impedir que o conteúdo seja usado para IA.

É desrespeitoso, mas não surpreendente. Como disse a Molly White, se não fosse por opt-out, ninguém toparia a parceria caracu — e é exatamente esse o problema. Via 404 Media (em inglês).

O Manual é hospedado no WordPress.com e, obviamente, vai bloquear essa palhaçada.

A mesa de trabalho da Júlia Alberto

Nesta seção, leitores do Manual mostram suas mesas (e o que tem em cima delas), explicam o que usam e como, e nessa todo mundo aprende alguma coisa nova. Veja outras mesas e, se puder, envie a sua.

Olá, meu nome é Júlia Alberto, tenho 30 anos e trabalho como Lead de DesignOps na Vivo. Montei meu escritório no começo de 2023, quando me mudei pra essa casa, já pensando em ser meu canto de trabalho. Aqui adaptei e ajustei tudo pra me facilitar a vida.

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Startup sueca diz que seu assistente de IA faz o trabalho de 700 pessoas depois de demitir 700 pessoas

Executivos de empresas dizem que a inteligência artificial é parceira e que não vai acabar com empregos.

Também executivos de empresas: “Klarna diz que seu assistente de IA faz o trabalho de 700 pessoas depois de demitir 700 pessoas.”

Pode ser só lorota para inflar o tal assistente de IA, mas isso pouco importa às 700 pessoas demitidas. Via FastCompany (em inglês).

Em nota relacionada, 87% dos profissionais de marketing temem por seus empregos diante da IA e 26% dos seus chefes planejam demitir (por causa da IA) em 2024. Via Convergência Digital.

Como o Reddit pretende fazer dinheiro

Pouco antes de liberar a papelada que dá o ponta-pé inicia à abertura de capital, o Reddit anunciou uma parceria que permitirá ao Google explorar e treinar inteligências artificiais com o conteúdo dos debates em subreddits.

O valor do acordo não foi divulgado. Estima-se que seja de US$ 60 milhões por ano, um valor relativamente baixo.

O Reddit é um dos últimos lugares da web que ainda não sucumbiram à praga do SEO e da publicidade disfarçada de conteúdo, o que é o combustível do Google (e do seu negócio de publicidade). Além disso, é um conteúdo valioso para treinar IAs, se isso for mesmo o futuro.

Isso deve valer bem mais que US$ 60 milhões. A título comparativo, o Google paga à Mozilla mais de US$ 400 milhões por ano para ser o buscador padrão do Firefox, que tem uma fatia de mercado de um dígito — e um dígito baixo.

O que mais me intriga, porém, é observar esse acordo e o IPO à luz do fechamento da API pública, em 2023. Embora o documento S-1 do Reddit coloque a publicidade como a principal frente de geração de receita, a outra, de licenciamento de conteúdo, precisa de… conteúdo. Afugentar usuários e moderadores que confiavam em aplicativos de terceiros parece contraditório.

E nem seria o caso de manter as coisas como sempre foram. O Reddit poderia cobrar um valor razoável pelo acesso, ou incluir anúncios na API pública.

A centralização nos apps e site oficiais do Reddit provavelmente contribuiu para o aumento de 21% no faturamento em 2023, de US$ 804 milhões. O Reddit, um negócio fundado há 18 anos, ainda está queimando caixa e operando no vermelho para crescer um negócio em “seus primeiros estágios de esforços de geração de receita”, segundo o S-1.

Descentralização centralizada no Bluesky

O Bluesky começou, enfim, a federação, ou seja, a permitir que outros servidores integrem a rede. A princípio, apenas para pequenos/pessoais e cheio de poréns. O porém mais estranho é que alguns componentes relevantes da descentralização são bastante centralizados — o DID e o índice de ações (“relay”). Via Bluesky para Desenvolvedores, anderegg.ca (ambos em inglês).

Nova geração do ThinkPad T14 é bastante reparável

Muito legal ver a Lenovo abraçando a reparabilidade em seus notebooks. A nova geração do ThinkPad T14, anunciada no MWC, foi desenvolvida com o auxílio do iFixit e traz vários componentes substituíveis pelo próprio consumidor — memórias, SSD, bateria e até adaptadores de redes sem fio.

É a maior fabricante de notebooks do mundo tomando o caminho oposto à da Apple (a mais lucrativa?), que não permite trocar nada em seus últimos notebooks.

A notícia é especialmente boa para nós, brasileiros, porque ao contrário da Framework (referência em notebooks reparáveis), a Lenovo atua no país e é quase certo que esses novos T14 serão vendidos aqui. Via iFixit (em inglês).

ClassicPress 2.0 “Bella”

Saiu o ClassicPress 2.0 “Bella”, nova versão do fork do WordPress que promete manter a experiência pré-Gutenberg (o sistema de blocos do WordPress). Ele é baseado no WordPress 6.3.2, com algumas pequenas melhorias próprias.

Não sei se essa abordagem tem futuro. É o pior dos dois mundos: um WordPress defasado sem todas as vantagens do WordPress. Parece-me mais vantagem ficar no WordPress e usar um plugin como o Disable Gutenberg.

Para mais contexto, leia esta coluna. (Eu estava bem esperançoso naquela época.)

Kindle sem Amazon

Foto de um Kindle de 11ª geração, mostrando informações do dispositivo, incluindo o “não registrado [na Amazon]”.

Mesmo eu, que prefiro livros de papel, não consigo negar as vantagens dos leitores digitais, ou e-readers, como o Kindle e… bem, o Kindle. No Brasil, você pode escolher qualquer leitor digital, desde que seja um Kindle.

A compra do dispositivo da Amazon é, na verdade, um contrato com o diabo, digo, com Jeff Bezos, digo, com a própria Amazon. Embora seja possível carregá-lo com livros e documentos não adquiridos na Amazon, esse tráfego de arquivos alternativos tem que passar pelos servidores da empresa.

Ou será que não?

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Auracast

A Samsung atualizou alguns celulares e tablets para torná-los compatíveis com o Auracast, uma tecnologia Bluetooth para emitir áudio de fontes distintas para múltiplos destinatários. Algumas TVs da marca também já são compatíveis.

(Imagine uma TV em um bar, por exemplo, emitindo seu som para os fones de ouvido de alguém que queira acompanhar a narração, ou receber nos seus próprios fones a tradução simultânea de uma palestra.)

No site oficial, tem um breve vídeo mostrando alguns casos de uso e outros materiais. Via Samsung, Bluetooth (ambos em inglês).

Com o Hotspot Meter, fica fácil monitorar o consumo de dados em conexões com franquia

Ícone do Hotspot Meter: Uma espécie de velocímetro preto com ponteiro vermelho.

Usar o celular com 4G ou 5G de hotspot para conectar o notebook e outros dispositivos à internet é um caminho sem volta, exceto quando a franquia acaba.

O Hotspot Meter é um aplicativo gratuito para a barra de menus do macOS que te ajuda a monitorar o consumo de dados em conexões do tipo.

Diz o desenvolvedor, Sylvester Wilmott, que o app é esperto o bastante para detectar essas conexões e ativar-se sozinho.

É possível personalizar o que é exibido e de que forma na barra de menus. Por ali, também, dá para reiniciar o contador e escolher entre medidores da sessão ou de todo o uso.

Hotspot Meter / macOS / Gratuito

Download (App Store) »

Signal ganha nomes de usuário e fecha sua grande lacuna de privacidade

Desde a sua concepção, o Signal tinha uma lacuna em sua proposta de privacidade: o uso exclusivo do número de telefone como meio de contato.

Isso muda agora, com o lançamento dos nomes de usuários — os famosos @nomes, popularizados e adotados por outros aplicativos de mensagens e, principalmente, redes sociais.

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