KDE Plasma 6 traz melhorias importantes, mas pouco perceptíveis

Print da área de trabalho do KDE Plasma 6, com o neofetch aberto no Konsole, uma janela do Dolphin e o site do Manual aberto no Firefox.

O projeto KDE fez o “mega lançamento” de quatro peças fundamentais do seu ambiente Linux nesta quarta (28).

O mais chamativo é o Plasma 6, nova versão do ambiente gráfico portada para o Qt 6 (o framework em que é baseado) e que migra a plataforma gráfica para o Wayland.

As outras peças são o Frameworks 6, um conjunto de bibliotecas para desenvolvimento de aplicativos em Qt; o Gear 24.02, o conjunto de +100 aplicativos do ambiente KDE; e o KDE Neon 6, distribuição Linux de referência.

Apesar da virada no número e dos importantes avanços em áreas de baixo nível do sistema, quem está acostumado com o Plasma 5.x não deverá notar muitas diferenças. (O fato do novo papel de parede padrão ser um dos destaques já dá uma pista disso.)

Elas existem, não se engane: um punhado de pequenos retoques na interface, alguns novos padrões, a promessa de ganhos de desempenho e até uns efeitos visuais para impressionar os amiguinhos (o famigerado cubo está de volta).

Há duas semanas, instalei uma versão beta do KDE Neon, com o Plasma 6, no meu mini PC. (Com a versão final disponível, “converti” a instalação para ela — coisas do Linux. O print acima é de lá, aliás.) A sensação de refinamento é palpável. Dada a maturidade do projeto, parece-me uma escolha acertada.

Alguns novos padrões são bem-vindos, como o clique duplo para abrir arquivos no Dolphin, e outras são de bom gosto, como a barra de tarefas flutuante que “gruda” nas bordas da tela quando sobrepõe uma janela.

A reorganização das configurações, em especial, passa uma sensação maior de organização. Ainda é possível alterar meio que tudo no Plasma, mas àqueles que só querem usar o computador, o ambiente chega mais “pronto”, sem exigir tanta escovação de bits.

Mesmo em um hardware modesto, as animações do Plasma 6 são suaves. Uma das novidades, o novo efeito panorâmico (muito parecido com o Gnome), talvez seja o melhor exemplo de suavidade da interface. Dá gosto de ver.

O KDE Neon, baseado no Ubuntu 22.04 LTS, vem com um conjunto de aplicativos bem enxuto, do jeito que eu queria quando instalei o Debian pelado, sem nada. Talvez seja uma boa para quem quiser pular de cabeça no KDE.

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18 comentários

  1. Engraçado como pequenos hábitos geram agonias no futuro. Uso bspwm há quase 3 anos e não consegui usar KDE por mais de 30 minutos sem começar a ficar irritado/desconfortável. É muita coisa na tela, muitas opções, muita borda redonda. Admiro quem consegue usar qualquer coisa que não seja uma tela preta com atalhos para os programas e ser extremamente produtivo. Maldito vício em TWM.

    1. Mas tipo, isso varia conforme você usa. Aqui eu não tenho nada no desktop e na barra de tarefas só os apps que uso (deve ser uns 6)

  2. Outra coisa que me irrita. E olha que experimentei isso em várias distros diferentes. Na instalação padrão de qualquer distro com KDE, a taskbar sempre apresenta 2 ícones de volume. Qual a explicação para essa redundância?

    1. Provavelmente alguma incompatibilidade ou anomalia relacionada ao hardware e/ou à distro. Aqui só aparece um ícone de volume, como se vê no print ali em cima.

    2. Aqui sempre foi 1 ícone… Talvez teu hardware tenha alguma peculiaridade…

    3. Isso acontece porque o KDE tem o kmix (um aplicativo que coloca um ícone de som na taskbar) e também um widget de som da taskbar. Algumas distros, como o Slackware, esquecem de desativar um deles — preferencialmente o kmix.

      O KDE é como aquela frase do Pascal: ‘I’m sorry I wrote you such a long letter; I didn’t have time to write a short one.’

      Quem sabe como o KDE funciona por baixo dos panos não usa ele — bem, exceto os devs excêntricos que o desenvolvem, hehehe! A quantidade de ‘partes móveis’ é algo surreal. E, ainda que ele claramente não seja lá muito estável, pra ser sincero eu esperaria coisa pior pela grandiosidade, inclusive em números de devs.

      Eu certamente não disponibilizaria o KDE na minha distro se o Slackware não oferecesse os pacotes já compilados. Só pra configurar, stripar e deixar ele minimamente usável já é um pequeno inferno. As únicas coisas que bato palma são as configurações não ficarem em arquivos binários (caso do GNOME, Cinnamon, MATE e algumas partes do Xfce), e a performance de aplicativos de terceiros (jogos, por exemplo) ser muito boa. Agora, estabilidade, usabilidade, harmonia e performance dele em si, bah, não, obrigado.

  3. Testei o KDE Plasma dia desses. Como disseram, continuo com a impressão de que falta polimento. Dão tanta ênfase na questão de você poder customizar tudo… mas se esquecem de um ambiente padrão que tenha o mínimo de coesão.

    Pequenas coisas no KDE (quando comparado ao Gnome, por exemplo) me irritam, como:
    – Scroll do mouse não é responsivo (não sei explicar bem, mas basicamente 3 scrolls me retornam 2 scrolls; testei isso com 3 marcas diferentes de mouse e com diferentes configurações do sistema)
    – Tema do SDDM parece ser algo produzido lá no ano 2000 (https://i.imgur.com/oSWLDMD.png)
    – Meu monitor escurecia constantemente
    – Crashes aleatórios na taskbar, mesmo sem customização alguma
    – Widget padrão de meteorologia não encontra a minha cidade (mesmo sendo a terceira maior do estado)
    – Rolar a tela com o mouse acaba quase sempre alterando opções de menus dropdown não intencionalmente (https://bugs.kde.org/show_bug.cgi?id=446014)

    E por aí vai. Eram mais coisas, mas essas são as que me lembrei agora.

      1. Da última vez que instalei (pacote-meta “plasma-meta” no Arch), veio este tema aí por padrão.

        1. Faz tempo que não uso o KDE, mas era mais ou menos o KDM estava como o Ghedin mostrou.

  4. Eu só queria que eles implementassem poder reorganizar manualmente a ordem dos ícones na área de notificações da barra de tarefas do Plasma e permitir sincronizar as configurações delas entre monitores diferentes…

  5. Não sei explicar bem, mas guardo um afeto muito grande pelo KDE. Ainda no Windows, estou sempre acompanhando as notícias com olhos brilhando.

    Vendo de fora, pode parecer pouca coisa, mas o principal problema do KDE era mesmo certa instabilidade (pouco polimento talvez seja uma expressão mais adequada). Saber que corrigiram isso já me deixa muito satisfeito.

    Espero que nas próximas versões eles possam fazer mais modificações visuais. Sinto que a estética de algumas páginas, com botões em barras muito largas e menus tipo árvore com indicações pouco visuais andam um pouco surrados pelo tempo.

  6. Meu Neon atualizou ontem e, depois do boot, apareceu com uma série de bugs, sem barra de tarefas, sem responder aos cliques do mouse (só mexia). Em outro Pc baixei uma ISO zerada e formatei. A instalação nova ficou bacana, mas simplesmente o sistema não reconhecia os botões de reboot e desligamento. Aí não dá, né.
    Resumindo: não encontrei mais a ISO anterior do Neon, mandei um Kubuntu que ainda está no Plasma 5.27 e vida que segue…

    1. Rapaz, que coisa! Imagino que a próxima versão deva trazer esses ajustes finos.

    2. Fiz o teste no Neon ontem e realmente o botão power off e reboot não tem função nenhuma. É uma pena!! O sistema está realmente lindo!!

  7. Baixei o Neon ontem e fiz uns testes. Tá mais bonito o ambiente, mas ainda não consigo me adaptar ao Plasma. E pensar que lá no Conectiva 5, meus primeiros passos foram com o KDE.