Inteligência artificial generativa chegou no limite

O rápido avanço da inteligência artificial generativa nos últimos dois anos convenceu investidores de que o crescimento da tecnologia seria exponencial. / pt.wikipedia.org

Nada garante isso. Pelo contrário: Bloomberg e Reuters reportaram que, dentro das empresas mais quentes do setor (OpenAI, Google, Anthropic), novos modelos maiores e mais caros de treinar apresentaram melhorias tímidas em relação aos que já estão no mercado — em alguns casos, pioraram. / ndtv.com, reuters.com (ambos em inglês)

Em vez de crescimento exponencial (o “taco de hóquei”), a IA generativa parece ter chegado a um platô e vislumbra uma nova era de crescimento logarítmico — ou, em termos corporativos, já chegou no topo da “curva em S”. / pt.wikipedia.org

(Fiquei um bom tempo pesquisando essas metáforas e termos da biologia e da matemática. Se escrevi alguma bobagem, corrija-me, por favor.)

Dario Amodei, fundador e CEO da Anthropic, disse em um podcast que a IA generativa seguirá crescendo linearmente, o que é uma espécie de meio termo entre o exponencial e o logarítmico. / lexfridman.com

Por óbvio, Dario disse também que a “inteligência artificial geral” (AGI, na sigla em inglês), que excederia a capacidade cognitiva humana, chegará em 2026 ou 2027, baseado “na taxa em que essas habilidades estão crescendo”.

A AGI é a utopia que empresas vendem ao mercado para seguir captando a quantidade absurda de dinheiro necessária para rodar modelos de IA generativa. Se realizada, seria uma espécie de deus capaz de nos levar a uma escala de trabalho 0×7 ou de subjugar a humanidade — ninguém arrisca dizer qual dos dois destinos nos aguarda.

(Na realidade, porém, tudo o que temos até o momento são geradores de lero-lero, resumos errados e imagens cafonas, ou seja, nenhum indicativo de que estejamos perto do surgimento de uma AGI.)

Por isso não é estranho que Sam Altman, da OpenAI, esteja se manifestando como se fosse um profeta. A OpenAI não comentou a reportagem da Bloomberg, mas Sam o fez em seu perfil no X, dizendo apenas que “não existe barreira”. Como em toda religião, é preciso ter fé. / x.com/sama (em inglês)

A Casio vai lançar um relógio de dedo — ou anel-relógio — funcional 

Para celebrar os 50 anos do seu negócio de relógios, a Casio vai lançar um relógio de dedo — ou anel-relógio — funcional. (Juro que, a princípio, achei que se tratasse de uma piada.) O acessório, batizado Casio Ring Watch CRW-001, lembra relógios clássicos da marca, com mostrador digital e funções tais como cronômetro, fuso-horário alternativo e luz de fundo. Segundo o MacMagazine, a edição limitada sai em dezembro no Japão pelo preço sugerido de ¥ 19,8 mil (~R$ 750). / casio.com (em japonês), youtube.com/@CasioJapanOfficial

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Debian 12.8: As atualizações “ponto” do Debian são do jeito que eu gosto: apenas “correções para problemas de segurança, além de pequenos ajustes para problemas mais sérios”. / Linux / debian.org

Final Cut Pro 11: O editor de vídeo profissional da Apple ganhou novos poderes baseados em IA e a edição de “vídeos espaciais” (aqueles para serem vistos no Vision Pro, caso já tenha esquecido). Outros dois apps profissionais, Logic Pro e Final Cut Camera, também têm novidades. / iOS, iPadOS, macOS / apple.com (em inglês)

Google Gemini: O novo assistente de IA do Google agora tem um aplicativo exclusivo no iOS. (Já existia no Android.) / iOS / apps.apple.com

IronCalc: Um rival (e de código aberto!) para o Google Planilhas? No mínimo, vale uma olhada. Dica da Clarissa. / Web / ironcalc.com

Signal: As ligações e videochamadas do Signal ganharam links e podem ser organizadas independentemente de grupos no app. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows / signal.org

VMware Fusion/Workstation: A Broadcom tornou essas duas versões do VMware totalmente gratuitas. / Linux, macOS, Windows / blogs.vmware.com (em inglês)

20 anos de “Half-Life 2”

Half-Life 2 ganhou um tratamento de primeira da Valve em celebração dos 20 anos de seu lançamento, incluindo correções de falhas, melhorias gráficas, comentários dos desenvolvedores e até um documentário. / store.steampowered.com

O jogo, que custa ~R$ 32, está sendo distribuído de graça até terça (18). Difícil encontrar alguém que se interessa pelo tema que não o tenha ainda; se for o seu caso, aproveite. / store.steampowered.com

É o mesmo tratamento que a Valve deu ao Half-Life original, em 2023, na ocasião dos seus 25 anos. / half-life.com

Só é uma pena que o título não foi recompilado para sistemas de 64 bits, o que o torna incompatível com versões modernas do macOS.

Sill é um “Nuzzel do Bluesky e/ou Mastodon” 

Em outra vida, existiu um serviço chamado Nuzzel que fazia uma varredura dos links compartilhados por quem você seguia no Twitter e entregava um e-mail bonitinho, todo dia, com os mais populares.

Em 2021, o então Twitter comprou e encerrou o Nuzzel. / daringfireball.net (em inglês)

O Sill, criado por Tyler Fisher, ressuscita a proposta do Nuzzel, só que usando o Bluesky e o Mastodon como motores. (Dá para combinar duas contas nos dois serviços.) Por enquanto, é gratuito. / sill.social (em inglês)

Incompreensível que o Bluesky, que se apresenta como plataforma descentralizada…

Incompreensível que o Bluesky, que se apresenta como plataforma descentralizada, tenha sofrido com instabilidades e indisponibilidade nesta quinta (14) diante do dia de maior tráfego da sua história, graças a uma nova leva de refugiados do X. / theverge.com, @dholms.xyz/Bluesky (ambos em inglês)

Se fosse no Mastodon/ActivityPub, isso não teria acontecido.

Jornais europeus abandonam o X

O jornal britânico The Guardian e o espanhol La Vanguardia anunciaram, nesta semana, que deixarão de interagir no X, a rede social do bilionário, troll e futuro secretário de “eficiência governamental” (rs) dos EUA, Elon Musk. theguardian.com (em inglês), lavanguardia.com (em espanhol)

Os motivos, você deve imaginar, giram em torno dos níveis elevados de teorias da conspiração, desinformação e conteúdo perturbador na plataforma, parte do chorume disseminada pelo próprio Musk.

Este Manual abandonou o então Twitter em dezembro de 2022.

Passo por uma fase menos ~ativista, priorizando a sanidade mental no lugar de comprar qualquer briga. Sinal mais forte disso foi a mudança recente do grupo de assinantes do Manual do Signal para o WhatsApp, plataforma de outro sociopata do Vale do Silício.

(Relato do front: o pessoal está curtindo o Zap. O lance de comunidades é confuso, mas funciona. As conversas estão frenéticas.)

O que me leva à reflexão do permanecer fora do X. Para além do meu desprezo por Musk, não é como se estivesse perdendo alguma coisa ao ignorar o X. Deixar aquela plataforma, hoje, é uma decisão muito mais pragmática que ideológica.

Quando a plataforma voltou ao ar no Brasil, após um mês suspensa por determinação do STF, loguei no meu perfil pessoal para… sentir o clima. Pareceu-me terra arrasada: virais apelativos, anúncios de golpes dos mais variados tipos a cada dois posts, maluquices para todos os gostos.

Ignorar é a melhor arma de que dispomos na guerra por atenção. Dito isso, vale o registro de que até mesmo jornalistas, os últimos crackudos de Twitter, estão abandonando o barco. Já não era sem tempo.

E fica a pergunta: qual será o primeiro grande jornal brasileiro que fará tal movimento?

O egoísmo na inteligência artificial

Mulher de meia-idade em uma cozinha, colocando café em uma xícara, olhando para a sua esquerda.

Neste comercial da Apple Intelligence1, a inteligência artificial generativa da Apple, vemos um pai recebendo presentes mambembes das duas filhas, e a mãe, na cozinha, alarmada por ter esquecido do aniversário e/ou do presente do marido.

A mãe pega o seu iPhone com Apple Intelligence e pede à IA para gerar um vídeo de memórias do pai com as filhas. Por fim, deixa celular com os três no sofá, hipnotizados e/ou emocionados com a obra artificial, enquanto ela caminha triunfante de volta ao que quer que estivesse fazendo, nos encarando como se fôssemos cúmplices da trapaça.

A Apple — que não é de hoje vem perdendo a mão com comerciais — apresenta a IA como um passe-livre de toda e qualquer demanda externa, incluindo as afetivas. Uma tecnologia tão poderosa que é capaz de distrair pessoas queridas com um conteúdo pasteurizado que você nem se dá ao trabalho de revisar.

Não é à toa que a IA generativa fascina tanto executivos e funcionários de grandes empresas, público que lida com toneladas de textos ruins, do tipo que ninguém lê porque quer — isso, quando lê.

O chamariz da Apple Intelligence extrapola essa dinâmica amalucada para os afetos mais profundos — no caso, o seio de uma família. Os presentes toscos das filhas, mas feitos de coração, passam a ser apenas toscos. A intenção não importa. O cliente ideal da Apple não tem coração.

(mais…)

Desenvolvedor do KDE Plasma explica modelo de desenvolvimento do projeto

Comentário do Filipe Saraiva ao meu pensamento alto sobre o modelo de desenvolvimento do KDE Plasma:

Respondendo ao teu post utilizando meu chapéu de dev/ex-dev do KDE.

Acho que a diferença do KDE Plasma para outros projetos e essa sensação de “reforma eterna” é porque:

  1. O KDE é transparente mesmo;
  2. O KDE escuta e atende a sua base de usuários; e
  3. O Nate é um cara que quer mostrar o tanto de serviço que é feito e dar crédito pra todo mundo.

Quando fazemos um software, no geral ele atende a uma demanda nossa bem básica. Após a disponibilização vão chegando relatos de bugs, inconsistências, pedidos de novas funcionalidades… essa dinâmica no mundo do software livre é frenética em projetos com muitos usuários e desenvolvedores, portanto as vezes aquela coisinha minúscula que ninguém dá atenção alguém foi lá e corrigiu/modificou/adicionou, e isso gera conteúdo.

Outro ponto da “reforma eterna” é que o Plasma 6 é recente (fev/2024), então ele ainda está em uma fase de muitas mudanças, com muitos ports de coisas do KDE 5/Qt 5 para o Qt 6. Soma-se a isso o atual estado do desktop Linux que está desenvolvendo e implementando toda uma pilha nova de protocolos de vídeo (wayland), áudio (Pipewire), integração com o kernel (systemd) e outros, então sempre tem muito o que mover.

Resumindo, essa sensação é apenas o acompanhamento de um projeto grande, sadio, e que está em contínuo desenvolvimento. É a dinâmica de uma comunidade Linux funcionando em pleno vapor e carga máxima! :)

A LG demonstrou o protótipo de uma “tela elástica” capaz…

Três fotos coladas mostrando uma tela flexível sendo dobrada e esticada de diferentes maneiras.
Foto: LG/Divulgação.

A LG demonstrou o protótipo de uma “tela elástica” capaz de aumentar seu tamanho em até 50% — um novo recorde; o anterior, de 2022, chegava a 20%. O desenvolvimento da tecnologia tem o apoio do governo sul-coreano. / lgdisplay.com (em inglês)

O Emojam é uma espécie de “pager moderno”, baseado em emojis… 

O Emojam é uma espécie de “pager moderno”, baseado em emojis, fabricado pela Sega. Não entendi o vídeo (pois, em japonês), mas no site Creative Bloc, uma repórter emocionada diz que são +1,1 mil emojis, até 10 emojis por mensagens e que só dá para “adicionar” alguém conectando dois dispositivos fisicamente. O Emojam será lançado em 10/12, por ¥ 7.150 (~R$ 270). / youtube.com/@SegatoysChannel (em japonês), creativebloq.com (em inglês)

Eu amo que o primeiro assunto do novo grupo…

Eu amo que o primeiro assunto do novo grupo de assinantes no WhatsApp foi a exposição do número de telefone dos participantes. (Ou: como saber que você está entre leitores do Manual do Usuário sem que eles se identifiquem como leitores do Manual do Usuário.)

O KDE Plasma foi promovido de “spin” para “edition” no Fedora

O KDE Plasma foi promovido de “spin” para “edition” no Fedora. / pagure.io (em inglês)

Isso significa que o lançamento do Fedora 42 Workstation será dependente do KDE Plasma, da mesma forma que era, até então, do Gnome. Os dois ambientes gráficos passam a ter o mesmo status dentro do Fedora.

Existe uma proposta para inverter os papéis e rebaixar o Gnome a uma spin do Fedora. Ainda é só uma proposta. Muita calma nessa hora. / fedoraproject.org (em inglês)

O KDE Plasma está com muito prestígio desde a liberação da sexta versão, em fevereiro. (Ou talvez seja só uma impressão pessoal, reforçada pela semana que passei no Linux com KDE Plasma 5, em janeiro.)

Embora tenha saído daquela experiência satisfeito, ela não transcorreu sem alguns percalços. Até mesmo no breve teste do Plasma 6 topei com inconsistências e falhas. A maioria ignorável, mas em uma quantidade que não esperava em um projeto tão maduro.

Os posts semanais de correções e melhorias do Nate Graham são fascinantes e, ao mesmo tempo, me intrigam. É tanta coisa sendo mexida que passa a impressão de que o KDE Plasma está em eterna reforma. / blogs.kde.org, pointieststick.com (ambos em inglês)

O macOS está longe de ser perfeito, mas tenho a sensação de ter menos pontas soltas. Outros ambientes gráficos do Linux, como Gnome e Xfce, parecem mais consistentes e/ou com ritmos de desenvolvimento menos acelerados.

“Sensação”, “parece”, “intrigam”. Fica a dúvida: todo grande projeto de software é assim, mas o KDE Plasma explicita mais em um (bem-vindo!) exercício de transparência, ou o KDE Plasma é um ponto fora da curva?

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

AirBattery: Um ícone de bateria para a barra de menus mais parrudo que o nativo: além do nível da do notebook, o AirBattery mostra a de outros dispositivos conectados. / macOS / lihaoyun6.github.io

Card Buddy: Este aplicativo ajuda a organizar/estruturar uma história arrastando cartões. / iOS, macOS / ussherpress.com

Getmobi: Este aplicativo promete fazer seu celular “responder” a palmas e assobios a fim de ser encontrado. Não testei. / Android / getmobi.ai

LXQt 2.1: O ambiente gráfico leve para Linux baseado no Qt ganhou, enfim, suporte ao Wayland. (Ainda é parcial.) / Linux / lxqt-project.org (em inglês)

Material Notes: Bons editores de texto simples nunca são demais. / Android / github.com/maelchiotti

SplitPro: Uma alternativa gratuita e de código aberto ao SplitWise — app para dividir despesas. / Web / splitpro.app (em inglês)

YAM Launcher: Lançador minimalista que lembra muito o Olauncher, porém com a opção de exibir a previsão do tempo. / Android / codeberg.org/ottoptj

Os números do Nintendo Switch são surpreendentes

Os números do Nintendo Switch são surpreendentes: as vendas cumulativas das três variantes do video game somam 146 milhões de unidades em 7,5 anos, com 127 milhões de jogadores ativos. O Venture Beat reuniu esses e outros números divulgados pela empresa. / venturebeat.com (em inglês)

A propósito, a Nintendo confirmou que o sucessor do Switch será compatível com toda a biblioteca de jogos dele. / videogameschronicle.com (em inglês)