A “celularia” que trouxe a Blu de volta ao Brasil

Homem de roupa preta e terno roxo, braços abertos, em frente a uma loja de celulares com o letreiro "Casa do Celular" acima.

A rede de franquias paraense Casa do Celular anunciou no início de fevereiro um acordo de exclusividade com a fabricante norte-americana Blu para distribuir seus celulares no Brasil.

A princípio, serão três modelos criados exclusivamente para a parceria — B51 Lite, B71 e B91 —, que devem começar a ser vendidos nas 129 unidades da Casa do Celular em março. O trio de aparelhos está sendo homologado pela Anatel, roda o sistema Android e conta com algumas características de celulares modernos — “telas infinitas” e múltiplas câmeras — e outras nem tanto — o B51 Lite tem apenas 1 GB de RAM, quantidade insuficiente para rodar bem o Android.

“A ideia é fazer da Blu a principal marca de celular do Brasil, porque consideramos ela o melhor custo-benefício para o cliente”, diz Darlan Almeida, fundador e presidente da Casa do Celular e influenciador nas redes sociais. No Instagram, onde tem quase 400 mil seguidores, exibe fotos em aviões, mansões, carrões e ao lado de Wesley Safadão, garoto-propaganda da sua empresa.

Homem branco de óculos, camisa branca e terno azul, sentado em uma poltrona, encarando a câmera.
Foto: Casa do Celular/Divulgação.

Fundada em Santarém (PA) há mais de 20 anos, a Casa do Celular é, nas palavras de Darlan, um conceito único no mundo: “Um lugar que vende todo tipo de livro é chamado ‘livraria’; todo tipo de pão, ‘padaria’; e todo tipo de celular, a gente considera ‘celularia’. Não tem essa palavra no vocabulário, mas acredito que terá em breve.”

Atualmente, a Casa do Celular tem 129 lojas em 22 estados brasileiros, sendo 80% delas de franqueados. Outras 45 estão em processo de abertura e a previsão, segundo Darlan, é fechar 2021 com 300 lojas. A Casa do Celular tem forte presença nas regiões Norte e Nordeste; agora, foca sua expansão no Sul e Sudeste — “lá [Norte e Nordeste] já não tem mais onde por loja”, brinca o executivo, que se mudou para São Paulo no início da pandemia e para abrir um novo escritório em Barueri. Já há negociações para levar a marca a outros países, como Portugal e Argentina. O objetivo é internacionalizar a marca.

A história da Casa do Celular tem alguns deslizes, como sete quebras que serviram de aprendizado — “em todas juntamos os cacos, aprendemos com os erros e ressurgimos com tudo, mais experientes e com menos chances de erro”, diz Darlan. O deslize que ficou mais conhecido, porém, foi de outra natureza. Em outubro de 2020, a Receita Federal fez uma mega-operação em 27 unidades da Casa do Celular em 13 estados. As lojas eram suspeitas de importarem irregularmente celulares chineses, chegando a se apresentar falsamente como importadora oficial de uma das marcas, segundo o G1. Em nota enviada após a entrevista, a assessoria da Casa do Celular informou que a empresa “não realiza a importação de nenhum aparelho”, que os adquire de “distribuidores homologados pela franqueadora e a aquisição ocorre sempre mediante as notas fiscais, regularmente declaradas para os órgãos competentes”, e que, “portanto, a companhia não se responsabiliza por eventual importação realizada de maneira irregular por terceiros”.

“O nosso Big Mac”

O acordo com a Blu é visto por Darlan como um diferencial estratégico. “Como nós somos franquia, precisamos criar o nosso ‘Big Mac’, o nosso ‘McLanche Feliz’”, diz ele em referência aos sanduíches icônicos do McDonald’s. Ele explica que a proximidade com Jorbel [Jacson Griebeler, presidente da Blu na América Latina] e Daniel [Ohev-Zion, fundador da Blu] foi determinante para fecharem a parceria exclusiva.

A Blu, uma fabricante norte-americana fundada em 2009 pelo brasileiro Jorbel, foca no mercado latino-americano e trabalha “ocidentalizando” celulares de marcas chinesas, um processo conhecido por “ODM” no jargão do setor. Ela já atuou de maneira independente no Brasil há alguns anos (um dos aparelhos daquela fase foi objeto de review no Manual em 2015), afastou-se do nosso mercado e, agora, retorna em parceria com a Casa do Celular, num movimento que está se tornando comum.

Recentemente, marcas como Xiaomi e HMD Global (que fabrica celulares com a marca Nokia) entraram no Brasil da mesma maneira, firmando parcerias com empresas locais — DL Eletrônicos e Multilaser, respectivamente — que as auxiliam em toda a parte burocrática e, em alguns casos, até fabricam os produtos no país. Os celulares da Blu são fabricados na China, mas Darlan garante estar trabalhando para trazer a montagem deles ao Brasil.

Em paralelo, a Casa do Celular lançou uma marca própria de celulares, chamada BrasilTec. “É uma marca que se inspira na Apple”, explica Darlan. “Penso que seja a Apple brasileira. Vamos ter o bPhone em vez de iPhone. Ao invés de iPad, o bPad. Em vez de iCloud, o bCloud. Em breve teremos o bPhone 1, 2, 3, 4 e 5.” Até agora, apenas o bPhone 1 está à venda.

Como vender duas marcas desconhecidas em um mercado em que a tradição é o maior argumento de venda e onde celular é praticamente sinônimo de Samsung e Motorola? Darlan explica que a capilaridade da franquia e a persuasão dos vendedores ajudarão a consolidar Blu e BrasilTec entre seus clientes.

“Normalmente o cliente chega perdido na loja”, explica. “A gente vai mostrar a ele o melhor custo-benefício, ajudando-o a optar pelo melhor celular — que seria a Blu, no caso. As outras [marcas] têm tecnologia, mas a Blu tem o melhor custo-benefício com alta tecnologia também.”

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15 comentários

  1. Minha cunhada comprou um Xiaomi nessa casa do celular em Fortaleza na rua barão do Rio branco, e quando chegou em casa tinha um Blu na sacola……..kkkkkkk. Esquenta que da para fritar um ovo em cima. Voltou lá e a gerente Vanessa disse: Va procurar seus direitos, que aqui não trocamos. Fui tentar conversar com a gerente por pena da minha cunhada, pagou 1500,00 num celular porcaria, que eles falaram que era Xiaomi, eu mesmo falei com vendedor Matheus por telefone na hora da compra e ele me passou todas as configurações e nenhum momento me disse que era Blu. Eu quase apanhei do segurança da loja que foi logo me empurrando para meio da rua. Não entrem nessa loja o som lá e no último volume para poder deixar vc mais perturbado. A própria vizinhança e os camelos próximo confirmaram que toda hora tem uma confusão com cliente por motivo de enganação.

  2. Já fui três vezes na Casa do celular em Abreu e Lima, PE. É horrível o atendimento. Eles tentam empurrar um celular que você não tem interesse e se recusa a mostrar ou dizer o preço do aparelho que você procura. Isso aconteceu nas três vezes que fui lá.
    Conclusão: nunca mais ponho meus pés!

  3. eu tenho bastante curiosidade com a blu desde q comprei um celular deles anos atrás. Nem todo mundo tinha smartphone ainda, eu mesma tinha faz pouco tempo, e os celulares q meus pais herdaram das filhas estavam morrendo. Acho q era 2012, por aí. Aí fui caçar uns feature phones baratos na amazon americana pra alguém viajando trazer e peguei uns blu. Até estranhei ter selinho da anatel pra um telefone dos eua q nunca ouvi falar da marca, mas agora faz sentido. Meu pai estava ainda usando até uns 4 anos atrás, pq ele não ligava pra celular se podia usar o computador desktop pra ver a internet.

  4. “A Casa do Celular tem forte presença nas regiões Norte e Nordeste…”

    Interessante. Moro aqui em Recife há mais de 15 anos e nunca tinha ouvido falar nessa loja. É a primeira vez que conheço a empresa, através do MdU. Não tem nenhuma loja deles por aqui, até onde eu saiba (pode ser que eles tenham aberto em algum shopping por aqui, mas como eu não ando frequentando esses lugares desde o início da pandemia, então eu posso não ter visto).

    1. Eu moro em Caucaia (CE), desde 2018 tem uma loja deles na minha cidade. Fiquei impressionado porque quase nunca aparecem lojas de tecnologia por aqui. Só não sei te dizer se eles ainda continuam com loja aqui por conta das restrições da pandemia, mas eram bem populares por serem uma das poucas lojas especializadas em celulares. Eles também possuem quiosques em alguns dos shoppings de Fortaleza, então por aqui a presença é garantida.

  5. O patrão na no segundo BLU o VIVO e o meu é o G9 PRO 128G andou dando problema nas rolagens ficava fixo aí teria que sair e depois voltar e vezes travava de novo assim que puder no mês de março vou levar lá representante

  6. Casa do Celular, aqui em Fortaleza, é quase como Bacio di Latte em São Paulo. Tem em todo lugar. Perto do meu trabalho, tem duas na mesma rua, a uns 300m uma da outra.
    As lojas costumam ser pequenas, com muitos estímulos visuais (majoritariamente em preto e azul), com um totem em tamanho real do garoto propaganda da loja, Wesley Safadão.
    Os aparelhos, até uns meses atrás, eram majoritariamente de fabricantes chinesas – inclusive Xiaomis mais básicos. Hoje, é mais comum ouvir o anunciante gritando (sem máscara) no microfone pra quem quiser ouvir que chegou o novo lançamento da LG ou da Samsung. Sempre aparelhos mais de entrada, com preços que – posso estar enganado, afinal tudo subiu do ano passado pra cá – parecem um bocado inflacionados.
    E como uma boa loja grande brasileira, faz algumas semanas que além dos 7 vendedores numa loja apertada e do promotor/anunciante sem máscara citado acima, a porta da loja tem recebido uma ou duas pessoas oferecendo o cartão de crédito da Casa do Celular, enquanto os pedestres vão desviando o quanto podem.

  7. Honestamente, parece que essa entrevista foi tirada de um documentário satírico sobre tecnologia. O mote é retratar um entrepreneur (sim, em inglês) que crê piamente ser capaz de dominar o mercado.

    “O conceito de celulaleria”, as fotos em mansões e acreditar honestamente no bPhone e bPad são os pontos altos da sátira.

    1. Acho que tem toda uma cultura de empreendedor de sucesso utilizada pra promover o próprio negócio. Esse tipo de atitude me lembra da “menina do vale”, que um youtuber curioso parou pra analisar as credenciais profissionais dela e descobriu que os 5 diplomas na verdade eram 2 graduações e 3 especializações. E isso só aconteceu por causa de um financiamento coletivo para fazer um restaurante focado em hambúrgueres.
      Esse tipo de atitude não se sustenta por muito tempo.

      1. Eu já ia falar disso, hahaha, a famigerada hamburgueria Zebeleo. Esse cara tem pinta de ser do mesmo naipe. Tem uma loja deles na cidade vizinha à minha, e pelo que ouço falar, de barato não tem nada. Sem falar que os vendedores faltam só arrastar o cliente da calçada pra loja pra ver se alguém se interessa.

  8. Eu sempre notei a BLU como uma “marca do paraguai”. Sim, neste sentido mesmo, “pejorativo”.

    Ao menos há uns 5-10 anos atrás, via muito os celulares da BLU com especificações muito baixas para um uso comum (pouca memória e processamento), mas só com detalhes um pouco melhores como grande tela e dual sim.

    Notei que ao menos no BR, em lojinhas de “paraguaios”, diminuiu bastante a quantidade destes para ser vendidos. Geralmente são modelos de 1GB de RAM e 16GB de armazenamento à R$ 500,00 ou menos (na mesma faixa dos Multilasers e Positivos similares). Quando não, já vi também os de 512 MB de RAM .

    É interessante ver esta tentativa de pegar o mercado. Para um país continental como o Brasil, a gente que está aqui no MdU e muitas vezes estamos vendo o mercado Sudeste-Sul (São Paulo ao Rio Grande do Sul), ignoramos muitas vezes o mercado Norte-Nordeste (Amazonas a Bahia), que tem mais amplitude, portos e variantes. Em comparativo: por incrível que pareça, tem mais marca de motos para o Norte-Nordeste por causa de alguns importadores do que para o Sul-Sudeste.

    Voltando ao caso do Blu, e nisso também aproveitando esta deixa que falei, é outra nuance que muitos de nós participantes do MdU não notamos: a questão de quem está abaixo de uma faixa de renda.

    À estes (em partes só não me incluo por motivos que posso falar depois), uma lojinha do paraguai, há 5 anos atrás, era mais interessante do que pegar um celular nas Casas Bahia / Magazine Luiza porque apesar dos preços ainda um pouco baixos, os celulares tipo Blu, Redmi (a linha barata) e Positivo / Multilaser eram um pouco mais baratos (R$ 300,00 a 500,00 – não mudou tanto o preço no mercado cinza) e compensava pelo preço, até a pessoa conseguir juntar uma grana e depois comprar um “de marca” (Samsung, LG, Motorola, etc…) e aí repassar o “paraguaio” seja vendendo ou doando.

    Não tenho visto mais as configs dos BLU que são vendidos no mercado cinza – posso averiguar depois. Mas é bom ver que há ao menos uma tentativa de trazer ela no mercado, de uma forma certinha e com celulares com melhores especificações.

    Um adendo: outro ponto que deveria ser visto por quem vende celular no BR é a questão do pós venda, isso falando de peças e qualidade de suporte em um todo.

  9. Acho meio difícil de se levar a marca “Casa do Celular” para Portugal, vai se tornar “Casa do Telemóvel” hahaha

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