O escritório em casa da consultora de tecnologia da informação Anna e só

Mesa de escritório de madeira, com dois monitores, um deles na vertical, computador, ring light, mouse e teclado.

Durante a pandemia de COVID-19, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria da Anna.


Sou consultora em tecnologia de informação durante o dia (trabalhando principalmente com a Software Freedom Conservancy, organização sem fins lucrativos estadunidense que é a casa de projetos como Git, Wine e Outreachy) e graduanda em Sistemas de Informação pela Universidade Federal de Goiás durante a noite. Já sou uma trabalhadora remota experiente — a minha carreira na tecnologia e no software livre começou através do Outreachy, onde trabalhei remotamente com a comunidade Wikimedia por três meses em tempo integral. Tive alguma experiência com trabalho em escritórios em um dos laboratórios de pesquisa em que trabalhei, mas não me acostumei com essa rotina. Prefiro a liberdade de poder criar o meu próprio horário e espaço em casa.

A mesa retratada nas fotos foi construída e decorada ao longo de quase 12 meses em isolamento, apesar de trabalhar remotamente há quase quatro anos. Ela mudou de lugar no quarto que divido com meu noivo várias vezes até encontrar o seu espaço próxima à janela. Ali, recebo luz solar indireta durante quase todo o dia e consigo criar duas plantas: um bambu-da-sorte (que tem a companhia para meu caderno de jardinagem, Kindle, uma fotografia que tirei em Londres e a minha Instax Mini 90) e uma peperômia-filodendro variegata, a mais nova habitante do pedaço.

Dois computadores compõem a mesa: um ThinkPad T480 (Core i5 8350U vPro, SSD de 512 GB e 16 GB de RAM) com Fedora, escondido atrás do monitor na horizontal, uma Celeste do Animal Crossing feita em pequenos blocos, um carregador sem fio da Samsung e da arte feita por @mariabelhas; e um computador de mesa que eu mesma montei com Windows 10 Pro (Ryzen 3 3200G, SSD de 240GB + HDD de 2 TB, 16 GB de RAM em dual channel), desejando separar lazer de estudo e trabalho.

O ThinkPad se conecta aos dois monitores de 23″ da Dell através de uma dockstation USB-C da Lenovo específica para a linha ThinkPad. Conecto a soundbar (também da Dell) e outros acessórios aos dois computadores através de um chaveador KVM genérico. Por que um monitor na vertical? A leitura de documentos e código-fonte se torna muito melhor para mim, especialmente quando preciso lidar com PDFs — essa foi a melhor solução que encontrei após muitas tentativas frustradas de manipular arquivos do gênero com programas como k2pdfopt para tentar lê-los no meu Kindle.

Atrás do monitor vertical há uma luminária com uma lâmpada RGBW da Osram (a qual pertence o controle abaixo dos fones de ouvido). Eu a ligo durante a noite, como forma de obter uma iluminação indireta, rebatida pela parede branca ao fundo.

Além da soundbar, uso um Sony WH-1000XM4 para silenciar um pouco do caos à minha volta (a vizinhança é muito movimentada e o ar condicionado portátil ao meu lado também faz um bom barulho) e um Blue Yeti Nano em reuniões e livestreams (uma vez que elas substituíram as conferências e outros eventos dos quais participava pré-pandemia). Já no departamento de câmeras, a Logitech C920s é o suficiente para transmitir vídeo de boa qualidade, especialmente quando auxiliada por uma ring light genérica.

Em um mousepad com desenho de folhas de bananeira repousa um MX Keys e um MX Vertical, ambos da Logitech. O mouse vertical trouxe alívio às minhas dores no pulso e o teclado é um bom par da mesma linha. Apesar de ser um teclado de membrana, é o meu teclado favorito.

A cadeira é a Uni da Flexform, já sem seus braços (que acabavam provocando mais acidentes com a mesa do que me ajudando). O assento começou a ficar desconfortável após um ano de uso, então acabei adicionando uma almofada externa.

Trabalhar remotamente em isolamento é completamente diferente de trabalhar remotamente em “tempos normais”. O estresse e a ansiedade, a angústia sempre estão em níveis mais altos que o normal. Por isso, tento me cercar de coisas que me fazem bem e me trazem boas lembranças.

Detalhe do lado direito do escritório da Anna, mostrando um dos monitores, o computador com uma ring light e web cam em cima, microfone e uma planta suspensa acima de tudo.
Foto: Arquivo pessoal.

Edição 21#3

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24 comentários

  1. Gostei da seu espaço de trabalho e da ideia dos dois monitores.
    Fica bem mais dinâmico para trabalhar em duas telas.
    Instalei um linux openSuse com KDE no meu notebook para testar recentemente e ainda estou me adaptando.
    Já o Lenovo ThinkPad vale o mesmo investimento?

    1. Obrigada! openSUSE e KDE são um time imbatível, openSUSE tem uma das melhores (se não a melhor) implementações do KDE.

      Para te falar da minha perspectiva sobre ThinkPads, começo com a minha história com notebooks e Linux:

      O meu primeiro notebook foi um Vaio, da época em que a Sony os produzia. O desempenho era bastante satisfatório no Linux. Mas quando recebi o meu primeiro salário, resolvi comprar um notebook com um hardware que julgava que seria de bom desempenho por muitos anos (um notebook “gamer”). Foi um pesadelo de compatibilidade, em especial por causa da placa de vídeo da NVIDIA. Após um ano, decidi que venderia o notebook antigo e compraria algo que fosse excelente para Linux. Daí surgem os ThinkPads.

      Novo, no Brasil, não vale a pena. Os preços são estupidamente elevados por ser um produto com foco “empresarial”. Mas, assim como nos Estados Unidos, muitas empresas vendem vários e vários ThinkPads usados quando fazem trocas em massa em departamentos. Comprei o meu dessa forma, por menos de R$3.000 em 2019. A surpresa: ele estava praticamente novo. Tinha alguns anos de garantia ainda! Era parte do inventório de uma empresa que havia acabado de entrar em falência.

      A compatibilidade com Linux é fenomenal, posso usar qualquer distribuição que eu quiser sem dores de cabeça. As dores de cabeça ficam mais por parte da Lenovo, que tem um atendimento que considero muito ruim (vivi na pele quando fui comprar a minha dockstation). Tive outra experiência (bem, mas bem melhor) quando comprei alguns produtos da Dell no meio da pandemia.

      As partes que funcionam:
      * DIY: o manual de manutenção é acessível e você consegue fazer muita coisa sozinho, especialmente modificações (telas de resoluções maiores, trocar touchpad, teclado).
      * Compatibilidade com Linux
      * Soluções de dock

      As partes duvidosas:
      * Se você quiser um custo-benefício melhor, terá que procurar por notebooks usados
      * O atendimento da Lenovo é bem ruinzinho

      Se mesmo assim você se interessar, esse guia foi decisivo para me ajudar a decidir entre modelos: https://www.bobble.tech/free-stuff/used-thinkpad-buyers-guide

      Há modelos mais novos sendo enviados de fábrica com Fedora também. As coisas estão ficando bem legais para Linux.

      1. Anna, obrigado pelas dicas.
        Com o alto preço dos macbooks, notebook + openSuse será o meu caminho mesmo.

      2. Olá, Ana. Desculpa estar me metendo na tua conversa com o Paulo, mas muitíssimo obrigado pelas dicas. Ainda hoje trabalho com um notebook da Toshiba (Core 2 Duo, sim, um notebook de 2008!) e estou pensando seriamente em trocá-lo. Agora sim, finalmente sinto que o coitado está cansado. Essa tua dica de como adquirir um ThinkPad foi muito boa. Vou atrás deles. Obrigado, guria!

  2. E esse Linux com Fone, aí sim heim!!!
    Muito legal o espaço. Duas telas é muito útil. Estou esperando a oportunidade de comprar um monitor ultrawide para colocar mais janelas no mesmo desktop ao mesmo tempo, deve ser uma boa experiência também.

    1. As pessoas criticam o GNOME mas o GNOME é meu xodó. Fedora + GNOME é um time campeão.

      Cheguei a cogitar ultrawide, mas gosto de manter as telas como ambientes de trabalho separados (em um ultrawide, você teria que fazer uso extensivo de tiling para reproduzir algo semelhante). Além disso, não tinha muita certeza se conseguiria reproduzir o mesmo conforto na leitura de PDFs, por exemplo. Mas um monitor dedicado é 100% melhor do que usar algo como uma TV como monitor externo (palavras de quem fez isso por quase um ano 😬)

      1. Também gosto e uso GNOME há mais de 1 ano, antes alternava com XFCE. Acho que, quem vem de outro ambiente gráfico tem certa dificuldade, é questão de adaptar-se, questão de gosto também. O gerenciamento de janelas e área de trabalho do Gnome é top. Me acostumei de uma forma que é difícil trocar por outro realmente, uso no Ubuntu e Debian.

        Sou desenvolvedor Java, entendo essa disposição de exibir portrait-mode é muito boa pra classes extensas e páginas web. Realmente um segundo monitor permite melhor organização. O Ultrawide é bom para outras atividades, programação também, mas edição de mídia aproveita melhor.

        Como estou ficando velho (38)… os olhos estão pedindo água já de ficar em frente de monitor o dia todo, a hora que entrar em uma promoção quero pegar um Onix Boox Max 3 (conhece?), faz teeeeempo que quero esse tablet Android e-ink com entrada HDMI para virar um monitor. Aí sim a vista vai agradecer hehehe. Mas pra importar hoje sai mais de 7k.

  3. Que cantinho bem gostoso, Ana. Toda a decoração ficou super bem encaixada, tudo parece funcionar numa simbiose bem feita. Curti também o Fedora e o Firefox ali no PC. Para ser sincero, o que mais achei legal foi teu envolvimento com a Software Freedom Conservancy e projetos de software livre em geral. Parabéns!

    1. Obrigada! Eu tenho muito orgulho desse privilégio de trabalhar com software livre. É uma das experiências mais recompensadoras não estar limitada pelo pensamento tradicional de segredo, competição ao invés de colaboração. Posso trabalhar em algo em que realmente acredito!

  4. Caramba, logo antes de vir aqui tava lendo sobre Free Software (nunca tinha parado pra pensar nessa diferente do free de grátis e free de livre).
    Lindo o escritório.
    E meu pulso tá começando a incomodar, fiquei curioso com esse mouse vertical…

    1. É uma pena que esses produtos ergonômicos sejam tão “de nicho” porque a melhor forma de saber se eles funcionam é experimentá-los. A experiência varia muito com a sua postura, tamanho da mão, etc. Outra solução interessante são trackballs. Eu tive uma também da Logitech por muitos anos, era do começo da década… De 2000. Um periférico muito legal e que não te força a movimentar o pulso!

  5. Adorei seu espaço, Anna! Um dos mais bonitos, funcionais e aconchegantes que já vi por aqui.
    Inclusive, acho que seu escritório foi a última pá de cal para eu decidir parar de trabalhar na mesa da copa e investir em um espaço definitivo e dedicado para o trabalho em casa. Muito do seu setup vai servir de inspiração!

    1. Obrigada! Espero que você consiga montar um ambiente de trabalho que te faça feliz. E por favor mande o seu escritório quando ele ficar pronto, estou curiosa para saber como ele vai ficar!

  6. Parabéns, acho que o cantinho mais aconchegante que eu vi postado nessa série. Além de bonito, tudo muito bem pensado também.

    Acho que vou considerar um mouse vertical também, para ver a questão de dor no punho. Acho que ainda é mais porque fica longe do teclado, já melhorou bem indo de teclado full-size para TKL, mas estou esperando um teclado mais compacto chegar. Infelizmente, essas coisas de “setup”, é meio difícil saber o que vai dar certo ou não…o jeito é ir testando aos poucos.

    1. Obrigada! Estou muito feliz com o meu espaço, trabalhar se tornou muito mais agradável depois que priorizei ergonomia com algumas pitadas de estética. As plantas também são ótimas colegas de trabalho!

      Concordo contigo, encontrar o setup dos sonhos exige tanto teste… Por exemplo, comprei o MX Keys com algumas expectativas (especialmente uso em vários dispositivos), mas percebi que um chaveador KVM é mais eficiente em fazer o que quero. Também percebi que um teclado tão grande não é o ideal para mim, e que um dos meus maiores desejos é software aberto nos periféricos que uso. Acabei comprando um Moonlander Mark I semanas atrás, numa tentativa de tirar a tensão dos meus ombros enquanto digito e procurando uma solução duradoura e que eu não tenha medo de mexer/quebrar com modificações. Vejamos como será!

  7. Que canto mais gostoso! E mouse vertical é ótimo! Ainda não tive coragem pra investir num MX… Enquanto isso, os genéricos que uso aqui estão suficientes.

    1. Eu acabei comprando o MX no ano passado, alguns meses depois do início da pandemia, porque a conversão dólar-real indicava que o preço está bem em conta. Tinha acabado de testemunhar um mouse estragando na minha mão e queria uma marca com uma boa política de garantia. Não sei se você perde muito por não ter um, o software é interessante mas muitas das coisas que você pode fazer com ele podem ser feitas através de uma KVM!

  8. O casamento perfeito: ThinkPad + Linux. Tudo de bom. Muito gostoso o espaço criado pra seu home office.

    1. Realmente! Tive um notebook anterior que era um pesadelo de compatibilidade. ThinkPad + Linux é uma combinação feita no céu.

  9. Legal conhecer o seu cantinho Anna :)
    Eu já tentei me acostumar com monitor na vertical, mas nunca consegui, sempre fico meio perdido nas bordas superior e inferior, mas realmente é um modo melhor de aproveitar o espaço lendo conteúdo longo. Agora que comecei a colaborar em tradução devo dar uma nova tentativa nesse formato.

    1. O segredo é deixar o monitor horizontal na sua frente, alinhar tudo a ele e deixar o monitor vertical ao lado, em um ângulo um pouco mais fechado se possível. Como eu sou completamente cega do olho direito, deixo o monitor vertical no lado esquerdo!

  10. Anna, o seu home office está muito bonito e aconchegante.
    Eu estou pensando em mudar de ramo dentro da área de TI.
    Achei interessante a sua jornada. Por onde eu poderia começar a pesquisar mais sobre o assunto?

    1. Obrigada! Você tem interesse em software livre/software aberto em específico ou em outra área de atuação?

      Sobre a minha jornada em específico, eu já escrevi algumas postagens:
      * Motivos que me levaram a reingressar no Ensino Superior: https://anna.flourishing.stream/2020/08/04/por-que-reingressei-no-ensino-superior/
      * Como me vejo na tecnologia: https://anna.flourishing.stream/2019/08/07/afinal-quem-sou-eu-na-tecnologia/ (e algumas postagens sobre o trabalho de documentarista: https://anna.flourishing.stream/series/season-of-docs/)
      * Um texto sobre OSS e trabalhar abertamente: https://anna.flourishing.stream/2019/07/15/codigo-aberto-nao-e-trabalhar-abertamente/ (escrevi pouco tempo após deixar a manutenção da tradução em português brasileiro do Mastodon)
      * Postagens sobre o programa de estágio que hoje ajudo a coordenar e organizar: https://anna.flourishing.stream/series/est%C3%A1gio-do-outreachy-com-a-wikimedia/

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