Bloco de notas #9

Notas curtas e curiosidades do mundo da tecnologia que publicaria no Twitter se o Twitter fosse uma rede legal. (Não é.)

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“O ImageNet Roulette é uma provocação criada para nos ajudar a ver como seres humanos são classificados em sistemas de aprendizagem de máquina”, explica o site do projeto de arte. “Ele usa uma rede neural treinada nas categorias de ‘Pessoas’ do conjunto de dados ImageNet, composto por mais de 2.500 rótulos usados para classificar imagens de pessoas”.

Basta enviar uma foto e ver como a inteligência artificial, que está embarcada em inúmeros sistemas, apps e plataformas comerciais, as classifica. Alguns resultados são engraçados; outros, extremamente perigosos. O projeto demonstra de maneira muito efetiva como a inteligência artificial, em geral fundada em conjuntos de dados rotulados por pessoas mal pagas, é sempre enviesada [New York Times, em inglês] (e ainda seria mesmo que as pessoas fossem bem pagas).

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Nesta semana, o Manual do Usuário está sendo patrocinado pelo Cambly, a única plataforma online sob demanda de aulas particulares de inglês baseadas na conversação com falantes nativos do idioma. Você agenda a sessão com o professor ou escolhe um que estiver online no momento e começa a conversar no site ou pelo app (Android ou iOS), o que preferir. Fácil assim.

→ Para leitores do Manual, a primeira sessão é gratuita — basta usar o cupom MANUALDOUSUARIO10 na hora do cadastro, que pode ser feito aqui.

→ Tem filhos com idade entre 3 e 14 anos? O Cambly Kids disponibiliza professores especializados no ensino de idiomas a crianças. Experimente o Cambly Kids por 30 minutos pagando apenas R$ 1.

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A Lei de Moore prevê que o número de transistores em um circuito integrado dobra a cada dois anos. Criada em 1965 por Gordon Moore, um dos pioneiros do setor de semicondutores, ela tem sido cumprida com uma precisão assombrosa desde então. Este vídeo traz uma representação gráfica bem legal da Lei de Moore [Invidious, em inglês].

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Nesta semana, tivemos quatro novos apoiadores da campanha de financiamento do blog: Vinicius Andrade SantosRogerio Christofoletti, Carolina Helena Ambrosio Giorno e Fernando Jorge Godinho da Silva. Obrigado!

Além de contribuir para a continuidade do blog, assinantes pagos do Manual vez ou outra concorrem a prêmios. Na próxima terça-feira (1º), teremos sorteio valendo um Chromecast de 3ª geração. Para concorrer é muito simples: basta ser assinante. Se você ainda não é, considere tornar-se. Na página do blog no Catarse tem todos os detalhes.

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A redução do número de encaminhamentos de mensagens no WhatsApp, de 256 contatos/grupos para cinco, está surtindo efeito. Estudo feito por pesquisadores da UFMG e do MIT [arXiv, em inglês] com dados coletados de grupos públicos no Brasil, Índia e Indonésia, demonstrou que “os limites baixos no encaminhamento de mensagens (até cinco contatos/grupos simultâneos) oferecem um atraso na propagação de mensagens de até duas ordens de magnitude em relação ao limite original de 256”. Apesar do avanço, cerca de 20% do conteúdo viral de desinformação ainda consegue se espalhar rapidamente pelo aplicativo.

→ Na conclusão da pesquisa, os pesquisadores sugerem colocar usuários e conteúdos virais em “quarentena”, restringindo temporariamente ferramentas de propagação de mensagens, em especial nos períodos eleitorais a fim de evitar “campanhas coordenadas de inundação de conteúdo enganoso”.

→ Outro estudo apontou que pelo menos 70 países já tiveram campanhas coordenadas de desinformação via redes sociais [New York Times, em inglês]. A plataforma favorita é o Facebook: campanhas do tipo na rede social foram encontradas em 56 países.

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Desde 2016, o Facebook abre exceções e mantém conteúdos que tenham valor de notícia mesmo que violem suas políticas de comunidade. Agora, a rede social anunciou que a exceção será estendida a todos os políticos que usam a plataforma [Facebook, em inglês]. Em outras palavras, políticos terão carta branca para dizerem o que quiserem no Facebook. O que define alguém como político? Ninguém sabe [BuzzFeed News, em inglês]. O movimento foi encarado como uma tentativa de lavar as mãos antecipadamente para eventuais descalabros que ocorrerem nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2020.

→ No mesmo comunicado, soube-se que há um ano o Facebook parou de submeter posts duvidosos de políticos, incluindo anúncios, às agências de checagem de fatos.

→ O YouTube fará o contrário: a princípio, todo conteúdo que viole as regras do serviço será removido, mas exceções poderão ser feitas — inclusive a políticos — dependendo do contexto [The Verge, em inglês].

O Estadão conversou com Mark Zuckerberg [em português] em seu escritório nos Estados Unidos. “Temos de proteger a privacidade e a saúde mental das pessoas, a integridade das eleições e a liberdade de expressão”, disse o CEO do Facebook.

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O que saiu no Manual do Usuário esta semana:

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Em conversa com o UOL [em português], o sociólogo Ricardo Antunes falou sobre a ideia errada de que o empreendedorismo e a uberização são o futuro do trabalho. Destaque para a resposta que ele dá à falsa dicotomia entre trabalho precarizado e desemprego, um argumento recorrente nos debates desse tema.

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De acordo com a Samsung, 45% de tudo o que é assistido em TVs vem de streaming e 30% dos espectadores já consome conteúdo exclusivamente por streaming. Os que ficam alternando entre TV aberta e streaming, chamados de “surfistas de plataforma”, representam 44% do total [Broadcasting & Cable, em inglês]. Os dados são da Samsung Ads, braço da fabricante sul-coreana especializado em publicidade na TV.

→ No Brasil, o YouTube anunciou seus primeiros “Originals” locais, com gente como Whindersson Nunes e Nathalia Arcuri. O site de vídeos do Google também revelou dados de uma pesquisa local [Olhar Digital, em português] que apontou que 9% dos brasileiros já abandonaram a TV em prol do streaming via internet.

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Mais pesquisas. A Grow, das marcas Yellow e Grin, revelou que o brasileiro é o mais apressado em cima do patinete elétrico: a velocidade média por aqui é de 8,44 km/h. A distância média das viagens por aqui é de 1,73 km e o tempo dos aluguéis, de 12,3 minutos. Tem mais dados de onde saíram esses [Mobile Time, em português].

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O engenheiro de software Alexandre Storelli criou um bloqueador de anúncios para rádios. Neste post de blog [Adblock Radio, em inglês], ele conta em detalhes todas as abordagens tentadas e os inúmeros desafios com que se deparou durante o desenvolvimento da ferramenta, incluindo os jurídicos. E deixa o desafio: o que colocar no lugar dos anúncios? Como o rádio é ao vivo, não dá para simplesmente subtrair os espaços alocados à publicidade.

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Os resultados abaixo do esperado no último trimestre e o aumento da competição já se refletem no valor de mercado da Netflix. A queda do preço das ações nos últimos dois meses zerou o ganho acumulado no ano [CNBC, em inglês] — no pico, em julho, o papel acumulava valorização de 46% em relação a janeiro.

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A mais alta corte da União Europeia decidiu que a remoção de links dos índices do Google no bloco a pedido de cidadãos que se sentem prejudicados por resultados antigos em que a privacidade tem mais peso que o interesse público (o “direito ao esquecimento”), não se aplica às versões do índice do Google em outros mercados. A Electronic Frontier Foundation celebrou a decisão [EFF, em inglês]:

A capacidade de uma nação exigir que um motor de busca remova resultados globalmente impediria que usuários ao redor do mundo acessassem informações às quais eles têm direito de receber sob as leis dos seus países.

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A CloudFlare lançou o Warp, sua VPN gratuita [CloudFlare, em inglês]. (Tem um plano pago, o Warp Plus, que garante velocidade maior; custa R$ 8 por mês.) O serviço estava previsto para julho, mas acabou atrasando por dificuldades técnicas. O Warp é ambicioso: uma VPN gratuita e que não parece ter nenhuma pegadinha ou armadilha por trás. O Warp está disponível para Android e iOS no mesmo app do 1.1.1.1, o servidor de DNS também gratuito da CloudFlare.

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A Uber apresentou seu novo super app [Brazil Journal, em português]. Segundo o CEO, Dara Khosrowshahi, a empresa quer ser o “o sistema operacional do seu dia a dia”. O novo app integra outros serviços, como o UberEATS, e traz roteiros de transporte público fornecidos pelo app israelense Moovit. No Brasil, o novo app chega a São Paulo nas próximas semanas.

Em vídeo, Khosrowshahi explica o novo app da Uber [Invidious, em inglês].

→ Travis Kalanick, cofundador e ex-CEO da Uber demitido em meio a inúmeros escândalos em 2017, está à frente de outra startup, a CloudKitches [Neofeed, em português]. Ela oferece infraestrutura para as chamadas “dark kitchens”, restaurantes sem fachada ou atendimento local criados para atender exclusivamente via aplicativos, como… o UberEATS.

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