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Bloco de notas 20#10: Você permitiu que a In Loco monitore a sua localização?

Mapa do Brasil com a porcentagem da população em distanciamento social segundo dados da In Loco.

Notinhas, impressões pessoais e curiosidades do mundo da tecnologia.


Você permitiu que a In Loco monitore a sua localização?

No último fim de semana, a In Loco, startup de Recife (PE), divulgou que 60% dos brasileiros aderiram ao distanciamento social [Brazil Journal]. Como ela sabe disso? Analisando dados dos 60 milhões de celulares que monitora. A startup afirma que coleta esses dados com o consentimento de cada usuário. Eu nunca tinha ouvido falar da In Loco. Alguma coisa aí não bate.

Nesta reportagem [Valor] há mais detalhes. Segundo um sócio-fundador da In Loco, a startup coleta dados de sensores de celulares (Wi-Fi, Bluetooth) para obter localizações mais precisas. A In Loco oferece sua tecnologia para varejistas e bancos que precisam de recursos de geolocalização em lugares fechados; em troca, presumivelmente, coleta os dados gerados por meio desses apps.

→ O consentimento de fachada para a cessão de dados a plataformas obscuras é o tema do podcast Guia Prático desta semana. Ouça.

→ Em nota relacionada, o governo do estado de São Paulo firmou um acordo com a Telefônica para o compartilhamento de dados de clientes da Vivo [Reuters]. O objetivo é usá-los para monitorar o deslocamento da população no estado mais afetado até agora pelo coronavírus.


Office 365 vira Microsoft 365

O Office 365 para consumidores domésticos mudará. A partir de 21 de abril, ele passa a se chamar Microsoft 365 [Microsoft]. Há novidades nos aplicativos do Office, mas a maior é a expansão do Teams, o “WhatsApp corporativo” da Microsoft, para o uso familiar e em grupos de amigos. É a Microsoft tentando recuperar os consumidores fora do expediente, ainda que com uma oferta… esquisita?

→ Pouco antes de anunciar o Microsoft 365, a subsidiária brasileira havia comunicado os usuários de um aumento nos preços do então Office 365. A anuidade da versão Home, por exemplo, que comporta até seis usuários, saltaria de R$ 299 para R$ 369 — aumento de 25%. Os preços do Personal, para uma pessoa só, também subiriam. Em plena pandemia, pegou mal. Tanto que a empresa voltou atrás [Olhar Digital].


Sem brincadeira

Os rumores se confirmaram: pela primeira vez em muitos anos, o Google não fez brincadeiras no 1º de abril [The Verge, em inglês]. Além do risco de errar o tom e gerar constrangimento, a direção temia que alterações em serviços críticos na pandemia, como Mapas e busca web, pudessem causar confusão.

→ O temor não é descabido. Para ficarmos em um exemplo, em 2016 o Google incluiu um novo botão de envio no Gmail, bem ao lado do tradicional, que enviava o GIF animado de um minion e encerrava a conversa marcando-a como muda [Folha]. (Dessa maneira, novas mensagens não apareciam na caixa de entrada.) Foi um desastre tão grande que o recurso acabou removido no meio do dia.

→ O Manual fez uma brincadeira consciente™ neste 1º de abril: um review de celulares multifuncional e definitivo.


Houseparty vazando senhas?

Da onda de apps que explodiram em popularidade com o distanciamento social, temos o Houseparty, uma espécie de Zoom mais despojado que faz sucesso entre adolescentes. Nessa semana, surgiram suspeitas de que o app estivesse vazando senhas dos usuários [Estadão]. A empresa negou e lançou um programa de recompensas, no valor de US$ 1 milhão, para quem der pistas de como esses vazamentos estão ocorrendo na plataforma.


Não se faz celular sem a bênção do Google

Anúncio de celular chinês só por streaming e sem apps do Google — um evento que traduz bem o setor de tecnologia neste início de 2020. A linha P40 é o novo carro-chefe da Huawei [Ztop] e segue a receita meio indigesta do modelo anterior, o Mate 30: hardware espetacular, mas meio inútil no Ocidente sem a bênção, os apps e o ecossistema do Google.


Redes sociais contra a desinformação

Twitter e, em seguida, Facebook e Instagram excluíram posts do presidente Jair Bolsonaro [Folha]. As mensagens apagadas exibiam vídeos dele passeando em feiras livres nas cidades-satélite de Brasília, atitude que contraria as recomendações do Ministério da Saúde para conter a disseminação da COVID-19. A justificativa das redes sociais é de que o material poderia “causar danos reais às pessoas”.

→ Curioso como essas ações sempre ocorrem em efeito cascata — e o Facebook nunca dá o primeiro passo. Em 2018 aconteceu algo parecido com Alex Jones, um conspirador norte-americano. Após a Apple banir seu podcast, Facebook, Google e Spotify seguiram o exemplo [New York Times, em inglês].


Leituras de fôlego recomendadas


Adiamento da LGPD

Com a pandemia do coronavírus, o lobby para adiar a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) ganhou força no Congresso. Um projeto de lei do senador Antonio Anastasia (PSD-MG) pede que o início da LGPD, previsto para agosto deste ano, seja adiado para fevereiro de 2022. Entidades civis reclamaram [Estadão].


99 e Uber falham em fazer o básico

Um motorista na Bahia diagnosticado com a COVID-19 não conseguiu receber os auxílios que 99 e Uber prometeram a seus motoristas nessa condição. Após o contato da reportagem do G1, a Uber liberou o pagamento; a 99 prometeu fazê-lo “em até 15 dias”.

Agradecimento ao leitor Sheltom, que me passou esta notícia.


Capitalismo de vigilância na educação pública

O distanciamento social atinge também a educação. Muitas escolas e faculdades têm recorrido à tecnologia para manterem suas atividades. Quais ferramentas usar? É um detalhe importantíssimo. O projeto Educação Vigiada revelou que 65% das universidades públicas e secretarias estaduais de educação [Lavits] já usavam — antes da pandemia — ferramentas gratuitas que ameaçam a privacidade, como as do Google.


A venda do Dark Sky e a falta de competição

A Apple comprou o app de previsão do tempo Dark Sky [Dark Sky, em inglês]. Notícia meio irrelevante para nós (o app nunca foi disponibilizado no Brasil), mas que diz muito sobre a (falta de) competição no capitalismo tardio: as versões web e Android serão descontinuadas em julho e a API do Dark Sky, que muitos outros apps usam, deixará de funcionar no final de 2021. Com um cheque de valor não divulgado, mas que deve ter sido uma migalha perto do seu caixa e faturamento, a Apple causou um estrago enorme num setor carente de bons apps — a maioria dos de previsão do tempo abusa da privacidade dos usuários; o Dark Sky era uma das poucas alternativas decentes.


Vida em quarentena

→ Estava procurando clássicos brasileiros para ler quando descobri que a Câmara dos Deputados tem uma editora que publica alguns deles. Há títulos de Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Maria Firmina dos Reis, José de Alencar e outros. As versões digitais podem ser baixadas de várias livrarias online e, o melhor, são gratuitas.

→ O distanciamento social provocado pela pandemia enterrou o debate sobre tempo de tela, argumenta Nellie Bowles [New York Times, em inglês]. De fato: na última semana, passei mais de 10h por dia grudado em telas — celular, tablet e notebook —, quase o dobro das médias de semanas anteriores ao início da crise.

→ Escrevi uma reportagem para o LABS sobre apps de relacionamento na América Latina. Dado o momento, não poderíamos publicá-la sem levantar os efeitos da pandemia nesse tipo de relação. Apps que dependem de geolocalização, como Tinder e Happn, flexibilizaram limites que normalmente impõem: no Tinder, o recurso Passaporte, para curtir e conversar com pessoas de qualquer lugar do mundo, deixou de ser pago. No Happn, o raio de parceiros potenciais passou de 250 metros para 90 km.

→ Com mais gente ficando mais tempo em casa, era de se esperar que os podcasts ganhassem espaço, certo? Nos Estados Unidos, pelo menos, não é o que está acontecendo [Nieman Lab, em inglês]. A Podtrac notou que os downloads de podcasts vêm caindo há três semanas — na última, o tombo foi de 4%. Os de tecnologia e história tiveram as maiores quedas. Por outro lado, os de ficção, negócios, ciência e familiares/infantis cresceram.

→ O Segura a Onda é um “guia de iniciativas cidadãs frente ao coronavírus. Inovação social e resiliência cívica em tempos de pandemia”. Para guardar nos favoritos e consultar vez ou outra.


Um app: Time Cop

Está começando um projeto e precisa ou gostaria de saber quanto tempo foi gasto nele? Existem vários aplicativos que fazem isso. O Time Cop é um deles. Foi criado recentemente por um cara que só queria algo bem simples para esse fim. Além de simples, ele é offline e não te monitora. Para Android (R$ 3,39) e iOS (R$ 3,90).


Um vídeo: Quanto ganhei com meu jogo pra celular

O youtuber Amdré Young fez um jogo gratuito e publicou ele na Play Store. O jogo tem anúncios e, neste vídeo, ele mostra quanto faturou com sua obra[Invidious]. É uma vislumbre interessante das mecânicas de geração de receita dos jogos gratuitos e que explica por que a maioria apela a táticas detestáveis. Aparentemente, é o único jeito de fazer dinheiro nesse ramo.


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Imagem do topo: In Loco/Reprodução.

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2 comentários

  1. eu vi sentido em mudar o nome de office para microsoft, pois não vem só o office na assinatura, vem OneDrive e Skype tb;

    Essa parada de tempo de tela é complicado, eu tenho passado mais tempo tb, visto que minhas aula de inglês e faculdade passaram a ser online, fora que quando to lendo livro estou no…kindle;

    podcast tb tenho escutado menos, pois geralmente escutava no transporte e academia, e como eles estão limitados, ouço bem menos;

  2. Pra mim, a queda dos downloads de podcasts faz sentido. Eu ouço podcasts quando faço academia ou quando estou andando na rua. Como não estou mais fazendo nenhuma das duas coisas, parei de ouvir podcasts. Ainda tem gente com hábitos que envolvem estar em casa, tipo ouvir podcast lavando louça (meu marido faz isso), mas como tem muitos hábitos de podcast que estavam ligados a atividades fora de casa, faz sentido ter a queda.

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