É impossível saber quais apps e sites respeitam a nossa privacidade

Neste podcast eu falo do mercado de kiwis e de startups para argumentar que é impossível saber o que aplicativos e sites fazem com os nossos dados. No final, indico dois filmes, um espanhol e um brasileiro.

Ilustração com uma mãozinha depositando uma moeda em uma caixa com o logo do Manual do Usuário em uma das faces, segurada por dois pares de mãos. Ao redor, moedas com um cifrão no meio flutuando. Fundo alaranjado.

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3 comentários

  1. Existe um site chamado “Terms of Service; Didn’t Read” que resume as políticas de privacidade de vários serviços online, destacando os principais pontos (positivos, negativos e neutros) e atribuindo uma classificação final que vai de A a E. Ele tem extensão para navegadores, o que permite checar a classificação de um site mais convenientemente, e inclusive o notifica se você estiver entrando num site com uma política ruim. Dei uma pesquisada e aparentemente existem algumas outras alternativas, que nunca experimentei, como Guard, PrivacySpi e Polisis.

  2. Uma reflexão: sempre que vem esse debate entre grande empresa (má) e pequena empresa (boa) eu tenho a coisa fica meio contraditória. As grandes empresas são muito poderosas e podem fazer o que querem com os consumidores, mas também que as suas práticas são fiscalizadas por mais gente, o que é a base para que elas ajustem o seu comportamento. As grandes empresas são também mais fiscalizadas pelo poder público, o que permitiria que, tendo leis boas, elas teriam que seguir. É claro que elas tem lobby mais forte e são mais capazes de impedir ou sabotar leis pró-consumidor. Já a pequena empresa teria mais proximidade com seus consumidores, mas nem sempre esse público menor é capaz de identificar se as práticas da pequena empresa são boas ou ruins.
    Veja o próprio caso da Zoom: enquanto era uma empresa “pequena” e nichada, ninguém se importava em olhar suas políticas e práticas. Bastou ela crescer que veio a supervisão social. E olha que eles eram nichados em público corporativo, que supostamente é mais qualificado.
    Essa coisa da pequena empresa que vai crescendo com práticas ruins é bem comum.
    Não sei se chegou em outros lugares, mas tinha uma empresa de sucos integrais Do Bem que alegava na embalagem que comprava as laranjas de pequenos produtores (um “seu Francisco”), mas que também de grandes empresas.
    Então, não é que a pequena empresa seja necessariamente boa, e nem que a grande empresa seja sempre ruim. A fruta que você compra na feira pode ter tanto agrotóxico quanto a que veio de navio da Nova Zelandia. Acho que precisa ter cuidado com essa dicotomia.
    No mais, estou curtindo essa fase mais intimista do podcast.
    Abraços e boa quarentena!

    1. Concordo contigo, Vitor. O tamanho do negócio não é sinônimo de idoneidade. Para ficar em um exemplo, em cidades pequenas é muito comum ter as oficinas mecânicas que passam os clientes para trás.

      Existem outros aspectos, além do tamanho, que podem guiar o consumidor na hora de tomar suas decisões. A transparência dos donos, as ações da empresa na comunidade, as ambições e as relações que elas mantêm. E, nesse sentido, um bom marketing — que jamais precisa ser personalizado — pode fazer toda a diferença. Uma fazenda local de kiwis orgânicos que explicitasse isso em sua comunicação já ganharia muitos consumidores conscientes, por exemplo. Sem esse trabalho, fica a cargo do consumidor buscar essas informações e, como disse no programa, estender esse desafio a todas as nossas relações de consumo é uma missão impossível.

      Agora, fiquei pensando aqui… será que existe empresa grande que não é “ruim”? Existe uma gradação na característica “ruim”, por óbvio, porém não consigo pensar em uma que tenha um histórico ilibado ou, mais difícil ainda, que tenha crescido sem qualquer suspeita.

      Eu tenho comigo que, no plano pessoal, é impossível tornar-se bilionário sem ser imoral — são condições mutualmente excludentes. E que o capitalismo no qual as empresas se estruturam é inerentemente imoral, injusto também. Mas, mesmo que a gente suspenda essas premissas (que, reforço, são minhas, pessoais), será que existe alguma empresa grande que se possa dizer ilibada?

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