O Twitter está trabalhando em um botão “não curti”, similar aos do Reddit e YouTube. A pesquisadora Jane Wong flagrou a tela de apresentação do recurso no app do Twitter e, pelo que se lê ali, a abordagem pega características do YouTube (não exibe o total de votos negativos) e do Reddit (em vez de um joinha para baixo, o botão deve ser uma seta).

O Twitter explica que os votos não são públicos e o autor do post não fica sabendo quem desaprovou sua obra. O objetivo, ainda de acordo com a rede social, é ajudá-la a “priorizar conteúdo de mais qualidade a você — e a todos no Twitter”. Como é um teste que sequer foi confirmado oficialmente pelo Twitter, ninguém sabe quando ou mesmo se esse recurso chegará ao grande público. Via @wongmjane/Twitter (em inglês).

Depois do Google, agora é a vez do Twitter abandonar o AMP, formato de sites leves que carregam rapidamente. Donos de sites já perceberam uma queda no tráfego AMP vindo do Twitter, mesmo com a documentação oficial informando que o suporte à tecnologia na rede social será descontinuado “no quarto trimestre”.

Não acompanho de perto as idas e vindas do desenvolvimento web, então minha surpresa pode ser infundada. Dito isso, estou um pouco surpreso com o desmantelamento acelerado (risos) do AMP. O que só reforça que a única utilidade prática do AMP foi aquilo que os críticos sempre afirmaram e evidências recentes comprovaram: que o AMP era um cavalo de Troia criado apenas para consolidar o domínio do Google sobre a web. Via Search Engine Island (em inglês).

Uma choradeira recorrente de pessoas à direita no espectro político é a de que os algoritmos de redes sociais comerciais — Twitter, YouTube, Facebook — privilegiariam conteúdos de esquerda. Uma pesquisa feita pelo Twitter, porém, revela um cenário diferente. Ao analisar milhões de posts de políticos eleitos e de usuários comuns com links para publicações jornalísticas, o Twitter detectou que conteúdos à direita foram mais amplificados pelo algoritmo da timeline.

A análise compreendeu sete países (Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido) e as classificações de políticos e publicações jornalísticas — em esquerda ou direita — vieram de fontes externas.

“Conseguimos ver que isso está acontecendo; não temos certeza de por que isso está acontecendo”, disse ao site Protocol Rumman Chowdhury, que lidera a equipe de aprendizagem de máquina, ética, transparência e responsabilidade do Twitter. Em outras palavras (dela também), o Twitter descobriu “o que [acontece], não o porquê”.

No comunicado oficial, o Twitter compartilhou a íntegra da pesquisa (PDF) e prometeu avançar a análise aos “porquês”. Ao Protocol, Rumman sugeriu, sem entrar em detalhes, um anúncio iminente do Twitter que facilitará a replicação dos seus estudos científicos por terceiros. Uma postura bem diferente da do Facebook, né? Via Protocol (em inglês), Twitter (em inglês).

Este site apaga seus posts antigos no Twitter de graça, mas só se você não curte fascistas

Pássaro com faixa preta nos olhos, mascote do Semiphemeral, olhando para uma linha do tempo do Twitter do @ghedin com um gradiente na base, sugerindo que conteúdo antigo está sendo excluído.

Quando o Cardigan encerrou suas atividades, deixei de apagar automaticamente posts antigos no meu perfil pessoal no Twitter. Foi uma decisão pragmática: somente alguém lacônico e extremamente organizado conseguiria apagar seus próprios posts de uma rede social em intervalos regulares. O Cardigan fazia isso, tão bem que eu havia pago uns trocados pelo serviço. Após um tempão sem ter meu perfil limpo automaticamente, encontrei um ótimo substituo, o Semiphemeral.

(mais…)

Aos gigantes da tecnologia, que parem de explorar a fragilidade humana, as vulnerabilidades das pessoas, para obter lucros

— Papa Francisco, no Twitter.

O papa Francisco tirou o sábado (16) para pedir que grandes grupos econômicos e pessoas de poder tenham mais consciência sobre seus poderes. Antes do comentário acima, feito em um fio no Twitter (que não foi publicado como um fio), Francisco cutucou o capitalismo sem dar nome aos bois dizendo que “devemos dar aos nossos modelos socioeconômicos um rosto humano, porque muitos modelos o perderam”. Amém!

Mas não foram apenas os ouvidos das big techs que doeram. Sobrou também para grandes laboratórios, grupos financeiros e aos organismos internacionais de crédito, empresas poluidoras do meio ambiente, meios de comunicação, telecomunicações, fabricantes e traficantes de armas, indústria de alimentos, países poderosos, governos e políticos em geral e até aos próprios líderes religiosos, ele incluso.

Na condição de alguém que não lê o Twitter pelos apps oficiais, às vezes me choca o estado lastimável da experiência que eles proporcional. Nesta semana, o Twitter prometeu atacar um problema crônico: impedir que a timeline atualize e tire de foco o post que o(a) usuário(a) está lendo.

A rede social reconheceu o óbvio, que essa “é uma experiência frustrante”, mas aparentemente não é tão simples manter menos de 280 caracteres parados na tela por tempo suficiente para que alguém consiga lê-los: “Nos próximos dois meses, liberaremos atualizações da maneira como mostramos tuítes a você de modo que eles não desapareçam.” Obrigado? Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

O Twitter expandiu o recurso de gorjetas (no Brasil, traduzido como “bonificações”). Agora, é possível incluir um botão no perfil que leva os seguidores a um dos parceiros do Twitter que fazem efetivamente a transação. No Brasil, o Twitter firmou parceria com o PicPay. Também é possível enviar/receber pagamentos em bitcoin. Por ora, a configuração e o envio de bonificações só estão disponíveis no aplicativo para iOS. Via Twitter, Ajuda do Twitter.

Às vésperas do 7 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (SFT), ordenou que Facebook, Instagram, Twitter e YouTube removessem perfis de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) envolvidos na organização das manifestações de teor golpista do feriado. As plataformas atenderam ao pedido, mas na terça (21) Twitter e Google (YouTube) manifestaram desconforto junto ao STF.

A decisão de Moraes estaria em desacordo com o que prevê o Marco Civil da Internet, “podendo configurar-se inclusive como exemplo de censura prévia”, segundo o Twitter.

O Google apontou dois problemas: a ausência do apontamento dos conteúdos ilegais, e a falta de apreciação prévia das ilicitudes pelo Judiciário. Via Folha de S.Paulo.

Não é de hoje que muita gente pede ao Twitter para que identifique robôs na plataforma a fim de melhorar o nível do debate. Infelizmente, existem fortes incentivos para que o Twitter não faça isso. Explicitar que grande parte da sua base de usuários é, na realidade, formada por robôs, não cairia bem junto aos anunciantes — pelo menos enquanto robôs não puderem consumir.

Ainda assim, nesta quinta (9) o Twitter deu mais um pequeno passo nessa direção. Cumprindo uma promessa feita em dezembro de 2020, robôs identificados como tais exibirão um selo público em seus perfis. É “opt-in”, ou seja, identifica o robô e coloca o rótulo quem quiser. O Twitter alega que a medida visa identificar os “bons robôs”, seja lá o que isso signifique.

Na prática, a novidade não atinge aquele tipo de robô que realmente precisa ser exposto: o que se passa por humano para tentar legitimar pautas e pontos de vista por vezes absurdos ou impopulares entre os usuários de carne e osso. Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

O processo de “facebookzação” do Twitter segue firme. A rede social lançou as comunidades, áreas temáticas onde apenas membros convidados podem tuitar e responder, mas que podem ser lidas por qualquer pessoa. É como se fossem grupos abertos do Facebook. Por ora, apenas usuários do iOS e da web podem interagir (postar/respoder) e somente contas em inglês podem criar comunidades. Via Twitter.

Dois prints do Twitter no iOS, mostrando o “antes e depois” no visual borda a borda da timeline.
Imagem: Twitter/Divulgação.

O Twitter segue lançando novos recursos e testes públicos em ritmo acelerado. Nesta terça, dois novos testes foram apresentados: o novo visual “borda a borda” da timeline, que estende o conteúdo dos tuítes a toda a tela do celular (no iOS), e a remoção manual de seguidores, um tipo de “soft block” (web). Não há prazo nem certeza de que esses recursos serão oficializados e estendidos a outras platformas. Via @TwitterSupport/Twitter (2) (em inglês).

O Twitter oficializou o Super Follows, sistema que permite a usuários cobrarem de seus seguidores por conteúdo exclusivo. Nesta primeira fase, somente contas pré-cadastradas nos Estados Unidos podem oferecer a assinatura paga, e usuários de lá e do Canadá podem assiná-las. O Twitter oferece três faixas de preço para as assinaturas: US$ 2,99, US$ 4,99 e US$ 9,99. Via Twitter.

Um ponto cego muito comum no debate da moderação em plataformas digitais é que, regra geral, não é proibido mentir nelas. Twitter, YouTube, Facebook e afins não preveem, em seus termos de uso, proibições amplas para a disseminação de mentiras. Essas redes proíbem apenas mentiras que possam ter consequências graves, como danos físicos a terceiros. Sim, tem muita mentira que indigna, mas talvez não seja do nosso interesse que essas empresas se tornem árbitras da verdade.

O Twitter cruzou essa linha nesta terça (17). Em testes, a rede social está permitindo que usuários da Austrália, Coreia do Sul e Estados Unidos denunciem “conteúdo enganoso”. Há duas categorias disponíveis, “Política” e “Saúde”, e dentro da última, uma subdivisão entre COVID-19 e outros assuntos.

Todas as grandes redes sociais, Twitter entre elas, já proibiam desinformação relacionada à COVID-19 com base na política de danos a terceiros. A diferença é que, agora, esse tipo de abuso tem previsão oficial no fluxo de denúncias da plataforma. Ainda bem que foram rápidos — não é como se a pandemia tivesse começado a… sei lá, um ano e meio?

O Twitter não promete muita coisa, porém. “Estamos avaliando se essa abordagem é efetiva, por isso estamos começando em pequena escala”, informou no perfil @TwitterSafety. “Podemos não tomar medidas e não podemos responder a cada denúncia neste experimento, mas as contribuições de vocês nos ajudarão a identificar tendências para que possamos melhorar a velocidade e a escala do nosso trabalho mais amplo em desinformação.” Via @TwitterSafety (em inglês), @Sci_Phile (em inglês).

O que era apenas uma impressão tem, agora, respaldo científico: curtidas e compartilhamentos em redes sociais condicionam seres humanos a demonstrarem mais indignação na internet.

Pesquisadores da Universidade de Yale desenvolveram um software que analisou 12,7 milhões de postagens no Twitter de 7.331 usuários. Aqueles que receberam mais curtidas e retuítes quando expressaram indignação apresentaram uma tendência maior a repetir tal comportamento em postagens futuras. “É a primeira evidência de que algumas pessoas aprendem a expressar mais indignação com o tempo porque elas são recompensadas pelo desenho básico das redes sociais”, disse William Brady, doutor e pesquisador do departamento de Psicologia de Yale e um dos líderes da pesquisa.

Uma conclusão curiosa é que pessoas moderadas seriam mais suscetíveis à influência algorítmica. “Nossos estudos descobriram que pessoas com amigos e seguidores politicamente moderados são mais sensíveis ao feedback social que reforça suas manifestações de indignação. Isto sugere um mecanismo para como grupos moderados podem se tornar politicamente radicais com o tempo — as recompensas das redes sociais criam um ciclo de feedbacks positivos que exacerba a indignação”, disse Molly Crockett, professora associada de Psicologia e outra líder da pesquisa.

O estudo não visa fazer juízo moral, ou seja, dizer se essa indignação gerada pelas redes é boa ou ruim, mas Molly afirma que ele pode ter implicações para líderes que usam essas plataformas e legisladores que estejam considerando regular as empresas do setor. Via YaleNews (em inglês).

Em seu relatório de transparência do período de julho a dezembro de 2020, o Twitter revelou que apenas 2,3% dos usuários ativos tem a verificação em duas etapas ativada. E, dentro desse minúsculo universo, 79,6% das contas usam o método por SMS, o mais frágil dos três — 30,9% adotam aplicativos OTP e apenas 0,5% as chaves de segurança físicas. Via Twitter (em inglês).

Caro(a) leitor(a) que está no Twitter: faça um favor a si mesmo(a) e ative a 2FA agora mesmo. E repita isso em todos os serviços que oferecem tal recurso, em especial no seu e-mail e sistema operacional (iCloud para Apple, Google para Android).