“As pessoas que não moram em sua residência precisam usar a própria conta para assistir à Netflix.” É assim que a Netflix abre o documento em que explica como combaterá o compartilhamento de senhas.

A Netflix usará “informações como endereços IP, IDs de dispositivos e atividade da conta em aparelhos conectados à conta Netflix” para determinar quais são associados à residência do titular.

Quando detectar um aparelho estranho (leia-se em outra rede Wi-Fi ou que não acesse a Netflix regularmente da rede da residência do titular), a empresa exigirá uma senha temporária enviada ao titular.

Patético. Boa sorte com isso.

Embora a documentação atualizada só tenha sido descoberta agora, o primeiro registro da versão brasileira salvo na Wayback Machine data de 25 de dezembro de 2022. A ofensiva contra o compartilhamento de senhas deve começar ainda neste trimestre, segundo o Wall Street Journal. Via Netflix.

Do nosso arquivo: Netflix e a impossibilidade de negócios sustentáveis (abril de 2022).

Gráfico do Spotify mostrando geração de receita entre 2017 e 2021, com linhas finas referentes a conteúdo “não musical” nos dois últimos anos/barras.
Imagem: Spotify, com intervenção de Tim Ingham/Music Business Worldwide.

O Spotify superou a marca de +200 milhões de usuários pagantes no quarto trimestre de 2022. Os outros números da empresa não são bonitos, porém.

Esta boa análise do Tim Ingham é reveladora. (Ela foi publicada dias antes da divulgação do balanço de 2022.) Os gastos operacionais do Spotify, o ritmo alucinado de contratações em 2022 e o investimento bilionário em podcasts parecem, na ausência de mais detalhes, erros crassos da gestão de Daniel Ek.

O gráfico de receita (acima) compartilhado pelo próprio Spotify no “investor day” de 2022, com intervenção artística de Ingham, é chocante. E piora com mais contexto: por trás aquela linha vermelha, que representa a receita gerada por podcasts e áudiolivros, está um prejuízo de US$ 103 milhões em 2021 — e a previsão de um desempenho ainda pior em 2022. Via Music Business Worldwide, Variety (ambos em inglês).

Chegou a vez do Spotify demitir em massa. Nesta segunda (23), o CEO da empresa sueca, Daniel Ek, anunciou um corte de 6% dos quase 10 mil funcionários.

Dawn Ostroff, até então diretora de conteúdo e publicidade, responsável por “aumentar em 40 vezes o nosso conteúdo em podcasts”, pediu demissão. Sua saída parece não ter relação com as demissões em massa, mas foi anunciada no mesmo comunicado de Ek.

Não é o primeiro abalo que a vertical de podcasts sofre. Em outubro do ano passado, o Spotify demitiu 1/3 dos funcionários dos estúdios que havia comprado, Gimlet e Parcast, e cancelou 11 podcasts. Os sindicatos dos dois estúdios culparam falta de apoio e a restrição do acesso aos programas ao Spotify pela queda de audiência.

Ek usou a mesma desculpa dos outros CEOs — esperava que o crescimento da pandemia se mantivesse, corte de custos, “assumo total responsabilidade”, blablablá —, mas talvez o podcast enquanto mídia esteja passando por uma ressaca: o volume de lançamentos despencou mais 80% em 2022 no comparativo com 2020, segundo dados do Listen Notes compilados pelo Chartr. Via Spotify, The Verge, @Jason/Twitter (todos em inglês).

O serviço de streaming da Netflix completou 16 anos nesta segunda (16). (A empresa é mais antiga e começou com o aluguel de DVDs pelos Correios.)

Coincidência ou não, a Netflix atualizou seu aplicativo para iOS, trazendo novos efeitos visuais bem bacanas. (Veja um vídeo.)

Ok, legal, mas não é para ficar vendo pôster que alguém assina a Netflix — em tese, ao menos. Na Forbes, Paul Tassi argumenta que a Netflix criou um “ciclo de cancelamento auto-sustentável” a partir das várias séries canceladas do nada e sem conclusão, como os casos recentes de 1899 e The midnight club.

Paul explica:

A ideia é que já que você sabe que a Netflix cancela várias séries depois de uma ou duas temporadas, encerrando elas com pontas soltas ou deixando suas histórias abertas/sem final, quase não vale a pena investir tempo em uma série antes dela ter acabado e você tenha certeza de que ela tem um final coerente e um arco fechado.

Por isso, você evita assistir a novas séries, mesmo aquelas que lhe interessam, pois tem medo de que a Netflix as cancele. Um tanto de gente faz isso e, surpresa, a audiência [de novas séries] é baixa! E aí ela acaba sendo cancelada. O ciclo é fechado, e reforçado, porque agora há mais um exemplo, fazendo com que ainda mais pessoas tenham cautela da próxima vez. E agora chegamos a um cenário em que, a menos que uma série seja uma espécie de febre por acaso (Wandinha) ou uma super franquia estabelecida (Stranger Things), a chance de haver uma segunda ou terceira temporada não é nem meio a meio, mas sim algo como 10–20% na melhor das hipóteses.

Via Forbes (em inglês).

O Spotify teve uma ideia genial em dezembro de 2016: uma retrospectiva baseada nos hábitos de consumo dos próprios usuários. Desde então, o Spotify Wrapped virou uma espécie de celebração anual da vigilância tecnológica música.

Demorou, mas enfim o recurso foi copiado por todos os principais rivais do Spotify. Em 2022, Apple Music, Deezer e YouTube Music lançaram suas próprias retrospectivas personalizadas aos usuários.

O Shazam, aplicativo que “adivinha” a música que está tocando (e que é da Apple já faz alguns anos), está oferecendo três meses grátis da assinatura do Apple Music. Basta acessar esta página logado em uma conta da Apple e tocar/clicar no botão Resgatar.

Não sei dizer se a oferta vale para quem já é assinante do Apple Music, mas para quem usou/foi assinante do serviço no passado, sim. Era o meu caso e consegui resgatar os três meses gratuitos. Via MacMagazine.

O canal de YouTube Cinema com Rapadura testou o novo plano com anúncios da Netflix, de R$ 18,90 por mês, lançado nesta quinta (3). Há inserções no início e no meio das séries e filmes, que não podem ser puladas e têm duração de até 45 segundos.

Experiência de YouTube gratuito pagando quase R$ 20 por mês e com uma série de limitações — acervo menor, impossibilidade de download, qualidade de vídeo limitada a 720p. Difícil engolir isso. Valeu pela dica, Gustavo!

A Netflix detalhou o seu novo plano com anúncios/publicidade. Chega no dia 3 de novembro e custará R$ 18,90 por mês.

A qualidade de imagem é HD (720p) e o upgrade também vale para o plano básico, de R$ 25,90 e que, até agora, oferecia uma inaceitável resolução de 480p. Alguns títulos não estarão disponíveis e não será possível baixar séries e filmes para consumo offline.

A Netflix exibirá de 4 a 5 minutos de anúncios por hora, na forma de spots “de 15 ou 30 segundos, exibidos antes e durante as séries e os filmes”. Os anunciantes poderão segmentar o público por país e gênero do filme (ação, drama, romance, ficção científica), e terão a opção de impedir que eles apareçam em conteúdos “não têm a ver com a marca”, como cenas de nudez ou violência.

Meio caro, né? Será que cola? Via Netflix.

 

Alguns usuários do YouTube têm relatado (Twitter, Reddit) que a plataforma de vídeos está limitando o acesso a altas resoluções, como 4K, para quem não paga.

Ao expandirem o seletor de resolução, dentro do player de vídeo, as resoluções acima de 1440p exibem um “Premium” embaixo — em alguns casos, “Premium — Toque para atualizar”. No Brasil, o YouTube Premium custa R$ 20,99 por mês.

Por se tratar de um teste, não é possível saber no momento se o YouTube de fato tornará a exibição de vídeos em 4K um recurso pago.

Não é a primeira restrição técnica que o YouTube considera para incrementar sua assinatura paga. Recursos nativos dos sistemas, como ouvir vídeos com a tela do celular bloqueada e o modo PIP (picture-in-picture), por exemplo, são condicionados à assinatura paga.

Existem algumas maneiras de burlar tais limitações, especialmente em computadores. Via MacRumors (em inglês).

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música

Sem melodias, sem palavras, sem dança: por que o ruído branco é o último sucesso da indústria da música (em inglês), por James Tapper no The Guardian:

Os fãs de ruídos dizem que estudar, dormir e meditar são realçados ao ouvir esses sons em volume baixo. A matemática da economia de música por streaming significa que criadores de ruídos podem ganhar dinheiro com isso. Alguém que adormece na faixa de 90 segundos Clean White Noise – Loopable With No Fade, do artista White Noise Baby Sleep, repetida por sete horas, fará 280 reproduções. Na última sexta-feira, ela já havia sido tocada 837 milhões vezes, gerando um valor estimado de US$ 2,5 milhões em royalties. A faixa principal na playlist Rain Sounds, do próprio Spotify, dois minutos de chuva, tem mais de 100 milhões de reproduções.

Por outro lado, Laura Mvula tem apenas 541 reproduções no Spotify da faixa-título do álbum vencedor do Ivor Novello deste ano, Pink Noise — nada sonolenta, mas sim um lírico e sonoro dance-pop dos anos 1980 que levou três anos para ser criado.

“Sempre fui muito crítico ao fato de que todas as reproduções [no streaming] são tratadas da mesma forma”, disse Tom Gray, guitarrista de Gomez e fundador da BrokenRecord, uma campanha para que artistas recebam mais receita dos streamings. “[A economia dos streamings] Parece democrática em algum nível, mas não leva em conta o valor real que o ouvinte recebe.”