O que Google e WhatsApp podem fazer para evitar armadilhas como o Balloon Pop 2
Um jogo aparentemente inocente, chamado Balloon Pop 2, foi removido da Play Store pelo Google. Motivo? Ele copiava os históricos de conversas do WhatsApp para um site e permitia que qualquer um visualizasse esses arquivos mediante pagamento. De quem é a culpa?
Graham Cluley descobriu o problema e o divulgou em seu blog pessoal. Só que o “problema”, na visão dos criadores do joguinho, não existe. Tanto que a página do site para onde as conversas são copiadas, o WhatsappCopy, anuncia o Balloon Pop 2 explicitamente como o meio de copiar as conversas para lá.

Entendo que encarar uma barra de progresso por alguns minutos seja tedioso. A Microsoft, nos primórdios do SkyDrive, oferecia uma bola de praia manipulável com o mouse para que aqueles minutos de upload fossem mais divertidos. Situações diferentes, óbvio, e a do Balloon Pop 2 é, para dizer o mínimo, insustentável.
O jogo não avisa que as conversas estão sendo copiadas. Não avisa sequer que tem alguma relação com o WhatsApp. Segundo Cluley, o Balloon Pop 2 não informa em momento algum, nem na página do Google Play, ter essa funcionalidade de “backup”. O WhatsappCopy diz que se trata disso, de uma ferramenta de backup; na prática, parece uma forma maldosa de conseguir históricos sem que os usuários saibam e, com a posse deles, extorqui-los.

O Google faz o que pode para protegê-lo de apps como o Balloon pop 2
O Balloon Pop 2 já foi removido do Google Play. O Google tem um arsenal de tecnologias preemptivas com o objetivo de coibir apps maliciosos. Como esse caso exemplifica, ele nem sempre funciona.
Ainda assim, a incidência de código malicioso, considerando o mar de apps existente no Google Play, é pequena. Tanto que uma das boas práticas de segurança no sistema consiste em ficar na loja oficial na hora de baixar novos apps.
De todo modo, é sempre bom desconfiar de apps muito novos, ainda sem avaliações, de desenvolvedores desconhecidos. Embora exista, a triagem do Google Play fica atrás da que Apple, Microsoft e BlackBerry fazem em suas lojas. Há vantagens e desvantagens nessa abordagem mais aberta do Google — uma das desvantagens, você deve ter adivinhado, é a probabilidade maior de furos como esse ocorrerem, além daqueles apps quem parecem mas não são grandes sucessos, como os clones de Angry Birds e Instagram que fazem sabe-se lá o quê.
Ainda que o Google Play fosse imune a apps com segundas intenções, o Android permite a instalação por fora, o “sideloading” de apps. O WhatsappCopy oferece link direto para o APK (instalador) do Balloon Pop 2. Uma indicação para a vítima, e o estrago está feito. Ou estaria, já que a verificação de apps perigosos, presente no Android 4.2 e mais recentes, felizmente já consegue impedir a instalação do jogo.
(A minha intenção era testar o Balloon Pop 2 em um smartphone que não tem, e nem terá antes de um wipe total, o WhatsApp. Parei na tela ao lado porque o app pede acesso a todas as contas cadastradas no Android, o que nesse aparelho em questão inclui Google, Facebook e Twitter. Melhor não arriscar, né?)
O WhatsApp também precisa melhorar
Nada disso aconteceria se o WhatsApp criptografasse direito as mensagens. Até 2011, as conversas eram salvas em texto puro! Ninguém sabe qual padrão de criptografia o serviço usa atualmente, mas há acusações de que sejam protocolos fracos e casos como o do Balloon Pop 2 atestam que, qualquer que seja a técnica usada, ela não é muito eficaz.
O WhatsApp sempre foi um app muito frágil no que diz respeito à segurança. Vineet Bhatia escreveu em maio uma compilação de tropeços do serviço na tentativa de reforçar a privacidade dos usuários. Não mudou muita coisa até hoje, ele continua facilmente hackeável, perigosamente inseguro.

Da popularidade aliada à fragilidade do WhatsApp, alternativas têm surgido. A mais promissora é o Hemlis, “segredo” em sueco. Idealizado por Peter Sunde, co-fundador do The Pirate Bay, o Hemlis tem foco total em privacidade. O projeto foi financiado via Kickstarter e terá apps para Android e iPhone.
A menos que você negocie produtos ilícitos, seja um agente secreto ou leve a sua privacidade muito, mas muito a sério, não há motivo para pânico, nem para abandonar o WhatsApp. Apesar de frágil, é preciso algum conhecimento e muita dedicação para ter acesso a conversas de terceiros. Preocupe-se, e muito, com quem tem lábia boa. Não é de hoje que a engenharia social é a técnica mais bem sucedida no intento de obter informações privadas.







