A DappRadar, consultoria especializada em aplicações de blockchain, levantou alguns números intrigantes de duas startups de metaverso, a Decentraland e a The Sandbox: os picos de audiência diária nelas foram de 675 e 4.503 usuários, respectivamente. Elas são avaliadas em US$ 1,3 bilhão cada.

A contagem da DappRadar é meio estranha, só leva em conta usuários que transacionaram nas blockchains desses ambientes — a maioria não quer/não faz negócios, só está ali para interagir e socializar.

Ao Coinbase, porém, Sam Hamilton, diretor criativo da Decentraland, disse que a média de audiência diária do metaverso da startup é de 8 mil usuários. Pouco, né?

Sim, pouco, e talvez o cenário seja o mesmo em todos esses universos supostamente “revolucionários” de realidade virtual. O Horizon Worlds, metaverso líder da Meta (aquele do gráfico feião que nem os funcionários da Meta querem usar) tinha, em fevereiro, 300 mil usuários mensais. Via Coinbase (em inglês).

O The Verge conseguiu uns memorandos internos da Meta, assinados por Vishal Shah, vice-presidente do metaverso da empresa, em que ele aborda um problema constrangedor: os funcionários que criam o Horizon Worlds, o ambiente virtual/metaverso da casa, pouco acessam o local.

É surreal. No segundo memorando, de 30 de setembro, Shah escreveu que a missão de todos na empresa é “apaixonar-se pelo Horizon Worlds”. E disse que vai responsabilizar os gerentes se a galera continuar ignorando o metaverso.

Em outro momento, Shah diz que o Horizon Worlds ainda não tem razão de existir:

Quero deixar isto bem claro. Estamos trabalhando em um produto que ainda não encontrou espaço no mercado. Se você está no Horizon, preciso que você abrace completamente a ambiguidade e a mudança.

Horizon Worlds, vale lembrar, é aquele aplicativo de realidade virtual que foi zoadaço mês passado depois que Mark Zuckerberg postou um print que parecia um jogo do Nintendo Wii de 2000 e bolinha. Via The Verge (em inglês).

Close no rosto sem expressão do avatar de Zuckerberg.
Imagem: @zuck/Facebook.

Com o crescimento das suas receitas desacelerando e o TikTok fungando em seu cangote, a Meta pensou em uma solução para estancar a sangria: mostrar mais anúncios.

A empresa anunciou novos locais para a veiculação de anúncios no Instagram, na aba Explorar e no feed dos perfis. Também há novos anúncios nos Reels do Facebook, como um vídeo curto (4 a 10 segundos) após a exibição de um Reel. Via Meta, Instagram, TechCrunch (todos em inglês).

Um dia o Google anuncia o encerramento do Stadia, no outro a Meta avisa que o Bulletin, serviço de newsletters premium vinculado ao Facebook, criado em junho de 2021 para concorrer com o Substack, sairá de cena em 2023.

O Bulletin durou pouco mais de um ano. O serviço atraiu ~120 escritores e jornalistas com gordos cheques e a promessa de apoio, mas, sem surpresa, não colou.

A Meta promete que pagará os valores prometidos integralmente, mesmo dos contratos que venceriam em 2024, e que os parceiros poderão levar bases de assinantes e arquivo de conteúdo para outras plataformas.

Pelo menos em um aspecto a Meta cumpriu sua palavra: a empresa bradava, no lançamento do Bulletin, que, diferentemente de rivais como o Substack, não cobraria taxas dos parceiros “até no mínimo 2023”. Dito e feito. Via New York Times (em inglês).

Não demorou um dia para que Meta e Apple agissem para derrubar o The OG App, aplicativo que promete(ia?) uma experiência mais calma no Instagram.

A Apple removeu o aplicativo da App Store, citando violações em suas diretrizes. O aplicativo acumulou 10 mil downloads no iOS antes de ser bloqueado.

a Meta, empresa dona do Instagram, excluiu os perfis pessoais no Facebook e Instagram dos fundadores e funcionários da Un1feed, a startup por trás do The OG App. Um porta-voz da empresa disse ao TechCrunch que “este aplicativo [The OG App] viola nossas políticas e estamos tomando as medidas apropriadas”. Via TechCrunch, @TheOGapp_/Twitter(2) (em inglês).

Agora é possível criar links para chamadas de áudio e videochamadas no WhatsApp, um recurso popularizado pelo Zoom e Google Meet.

O objetivo, segundo o WhatsApp, é facilitar o planejamento e o ingresso de pessoas a chamadas de áudio e vídeo. No momento, o WhatsApp aceita até 8 participantes em uma videochamada e 32 em chamadas de áudio.

Ao anunciar a novidade em seu perfil no Facebook, Mark Zuckerberg, CEO da Meta (dona do WhatsApp), disse que a empresa está testando videochamadas com até 32 participantes. Via @WhatsApp/Twitter e @zuck/Facebook (ambos em inglês).

Como o TikTok acabou com o maior trunfo das redes sociais comerciais

por Guilherme Felitti

Tecnologia cria hábitos e hábitos criam memórias. Um dos hábitos alimentados por tecnologia que a juventude brasileira de classe média na década de 1990 tinha era, na sexta à noite, ir até uma videolocadora. Na época, a mídia ainda era física e, consequentemente, limitada — hoje, a mídia é um apanhado de dados gravado num disco rígido (na sua máquina ou num servidor na nuvem), o que a torna ilimitada pela reprodutibilidade. Quando o videocassete se tornou barato no fim da década de 1970, explodiu o fenômeno do homevideo e os apocalípticos de ocasião juraram que o reprodutor doméstico mataria os cinemas. Na real, os cinemas ficaram bem e os estúdios encontraram uma nova forma de recuperar o investimento na produção dos filmes. Mas como comprar mídia física original era caro, surgiu um modelo do aluguel. As locadoras de vídeo dominaram a maneira como consumíamos multimídia — não apenas filmes, mas games também — na década de 1990.

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Comentários no mercado e o sentimento dos usuários em relação aos GIFs em redes sociais demonstram que eles caíram em desuso enquanto formato de conteúdo, com usuários jovens em especial descrevendo GIFs como “para boomers” e “cringe”.

— Giphy, startup norte-americana especializada em GIFs animados.

A Giphy foi comprada pela Meta em 2020, por US$ 400 milhões, mas o negócio foi bloqueado pelo órgão antitruste do Reino Unido. A frase acima é de um documento enviado ao órgão na tentativa de liberar a aquisição. Via The Guardian (em inglês).

A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda informou nesta segunda (5.set.22) que multou a Meta em € 405 milhões (~R$ 2,1 bilhões) por falhas no Instagram que expunham dados de adolescentes, o que configurou uma infração ao GDPR, a lei de proteção de dados pessoais da União Europeia.

É a segunda maior multa aplicada na União Europeia por infrações ao GDPR e a terceira que a Meta toma do bloco. A maior, no valor de € 746 milhões, foi aplicada em julho de 2021 contra a Amazon. Via Politico, Reuters (ambos em inglês).

A Meta anunciou nesta segunda (29) a primeira loja integral dentro do WhatsApp, lançada na Índia em parceria com a JioMart.

A loja está atrelada ao número de WhatsApp da JioMart. Após enviar um “Oi”, o usuário pode navegar pelo catálogo de produtos, colocar os desejados num carrinho de compras, indicar o endereço para entrega e fazer o pagamento — tudo isso sem sair do WhatsApp. Veja o vídeo acima.

Parece mais um (grande) passo para posicionar o WhatsApp como “super app”, ou como o “WeChat do resto do mundo”. Para acompanhar com atenção. Via Meta, @zuck/Facebook (ambos em inglês)

O WhatsApp/Meta acatou a recomendação do Ministério Público Federal (MPF), feita no final de julho, e adiou o lançamento do recurso de Comunidades no Brasil para 2023.

A recomendação do MPF foi feita a fim de evitar que as Comunidades, que multiplicam o total de contatos alcançáveis em grupos no WhatsApp, contribuísse com manifestações violentas como as vistas no pós-eleições norte-americano, em 6 de janeiro de 2021.

Um porta-voz da Meta disse que “não temos a expectativa de lançar ‘Comunidades’ no Brasil antes de 2023”. Via G1, Folha de S.Paulo.

O desenvolvedor e “leaker” (gente que vaza segredos de empresas de tecnologia) Alessandro Paluzzi publicou o print de um recurso do Instagram ainda em testes bastante familiar: uma cópia perfeita (logo, descarada) do BeReal, rede social francesa que vem ganhando tração junto ao público jovem.

Chamado “IG Candid Challenges”, algo como “desafios sinceros do Instagram”, o recurso convoca usuários a postarem uma foto dupla (recurso que o Instagram já copiou do BeReal em julho) em um intervalo de dois minutos.

O site norte-americano Engadget entrou em contato com a assessoria da Meta para obter mais detalhes dos “desafios sinceros”. Um porta-voz confirmou a existência do recurso, mas disse que, no momento, ele é apenas um “protótipo interno”, sem dar mais detalhes. Via @alex193a/Twitter, Engadget (ambos em inglês).

Avatar de Mark Zuckerberg com gráficos melhores.
Imagem: @zuck/Instagram.

Você se lembra daquele print do metaverso (o mundo virtual Horizon Worlds, para ser mais preciso) que Mark Zuckerberg postou semana passada? É impossível esquecer aquele boneco medonho em gráfico 2000 e bolinha. Eu nem vou postar o print de novo aqui para não te traumatizar outra vez.

Então. Zuckerberg sentiu demais as críticas. Não por coincidência, na sexta (19) o CEO da Meta foi ao Instagram anunciar que “grandes atualizações no gráfico de Horizon Worlds chegarão em breve”.

Que coisa, parece criança mimada quando alguém fala que o brinquedo dela é feio e bobo e aí ela volta com outro brinquedo mais caro — e feio e bobo.

No post, Zuckerberg colocou duas imagens: a de um ambiente aberto com texturas melhores e um avatar dele próprio, meio cartunesco. Parabéns, agora está parecendo um boneco de The Sims 4. Mas… né, quem se importa.

Zuckerberg admitiu que a primeira foto postada “era bem básica”, porque “foi tirada rapidamente para celebrar um lançamento”.

Longe de mim dar pitaco de negócios a Mark Zuckerberg, mas talvez não seja uma boa postar “fotos tiradas rapidamente” de um negócio em que você apostou o futuro da sua empresa e que está consumindo dezenas de bilhões de dólares.

Via @zuck/Instagram (em inglês).

O metaverso proposto pela Meta/Facebook já nasceu morto

por Guilherme Felitti

Vamos começar o episódio com um exercício. Eu vou ler três declarações e você vai me dizer quem falou aquilo e quando. Vamos lá:

  1. “O tablet expande o poder da computação pessoal em empolgantes novas áreas. Combinar a simplicidade do papel com o poder do computador tornará as pessoas ainda mais produtivas. Ele torna o computador uma ferramenta ainda mais valiosa para executivos que gastam tempo em reuniões e longe de suas mesas.”
  2. “Eu imagino levá-lo a reuniões, mas também me deitar com ele à noite para ler meus e-mails e um livro. Quando meu marido me lembrar que um fim de semana especial está chegando, eu posso fazer as reservas [do hotel] online.”
  3. “O tablet representa a próxima grande evolução de design e funcionalidade do computador.”

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Imagem virtual de um avatar de Mark Zuckerberg com a torre Eiffel e uma igreja ao fundo, num gramado verde.
Imagem: @zuck/Facebook.

Para celebrar o lançamento na França e na Espanha do Horizon World, o ambiente de realidade virtual da Meta, Mark Zuckerberg postou uma imagem do seu avatar virtual e… que diabo é isso? O gráfico é tenebroso!

Vira e mexe alguém compara os esforços da Meta com o metaverso ao Second Life, o ~metaverso original lançado em 2003, mas talvez a comparação seja injusta — o Second Lifetinha gráficos menos zoados 20 anos atrás.

Não, sério: olhe bem dentro destes olhos verdes sem vida, este rosto sem expressão, as texturas piores que as daqueles joguinhos de boliche e tênis furreba do Nintendo Wii.

Close no rosto sem expressão do avatar de Zuckerberg.
Imagem: @zuck/Facebook.

É aí que você quer que a gente passe 20 horas por dia, Zuckerberg? É nisso que você está queimando US$ 10 bilhões por ano???

Boa sorte aí.

Eu tô fora.

Via @zuck/Facebook.