Em sua newsletter dominical, Mark Gurman, da Bloomberg, afirmou que a Apple está prestes a aumentar de modo considerável a quantidade de anúncios que veicula em suas propriedades.

Hoje, a depender da região onde alguém esteja, a Apple exibe anúncios na App Store e nos aplicativos Bolsa e News (esse último não foi lançado no Brasil). Gurman especula que no futuro próximo veremos anúncios no Mapas, Livros e Podcasts, além de planos mais baratos do Apple TV+ sustentados por anúncios, como Netflix, Warner Bros. (HBO Max) e Disney fazem ou estão prestes a fazer.

Para embasar essa hipótese, Gurman cita mudanças no alto escalão da Apple envolvido com publicidade e falas de executivos. Todd Teresi, vice-presidente da área de publicidade da Apple, disse que o negócio já rende US$ 4 bilhões à Apple e que a empresa quer transformá-lo em algo de “dois dígitos”.

Há dois desdobramentos dessa história.

Primeiro, é um contrassenso com a proposta de valor da Apple, que se vende como uma alternativa mais premium e cobra (bastante) por isso. Até hoje, essa proposta não inclui tantos anúncios quanto as ofertas do rival Google, uma empresa cujo modelo de negócio é quase que totalmente baseado em anúncios.

Segundo, pega mal à luz da Transparência no Rastreamento em Apps (ATT, na sigla em inglês), recurso lançado no iOS 14.5 que obriga aplicativos a terem a anuência do usuário para rastreá-lo em outros aplicativos.

Empresa como Meta e Snap atribuem parcialmente ao ATT a queda de faturamento de seus negócios baseados em publicidade invasiva. Até aí, tudo bem. Agora, quando a Apple supre o vácuo deixado por essas empresas, vácuo criado pela Apple graças a regras que não aplica a si mesma, a coisa toda fica estranha. Via Bloomberg (em inglês).

A Folha de S.Paulo contatou seis empresas responsáveis pelas maiores plataformas sociais no país: Meta (do trio Facebook, Instagram e WhatsApp), TikTok, Telegram, Twitter, Kwai e YouTube.

O jornal paulista queria saber detalhes dos preparativos para o período eleitoral. Entre outras perguntas, qual o tamanho da equipe de moderação que fala português do Brasil e investimentos feitos em pessoal na moderação e nos sistemas automatizados.

Telegram não respondeu. As demais tangenciaram e, embora tenham dado retorno, não responderam as perguntas diretamente.

Apenas o Twitter confirmou, ainda que de forma vaga, que durante as eleições dedica “mais esforços desses e de outros times, que incluem brasileiros, para monitorar as conversas”. Via Folha de S.Paulo.

O WhatsApp agora permite excluir mensagens para todos até 2 dias e 12 horas depois do envio. Bom!

Além disso, Mark Zuckerberg anunciou três novidades que chegarão em breve ao aplicativo, incluindo — finalmente — a opção de ocultar o status “Online”.

As outras duas são a saída de grupos “à francesa”, sem alertar todos os membros, e a proibição de prints em fotos que só podem ser visualizadas uma vez.

O prazo maior para excluir mensagens já está valendo. As três novidades anunciadas por Zuck, ainda não — e nem se sabe quando chegarão. Via @WhatsApp/Twitter, @zuck/Facebook, WABetaInfo (todos em inglês).

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais

TikTok e a queda das gigantes das mídias sociais (em inglês), por Cal Newport na New Yorker:

Esta rejeição do modelo de grafo social permitiu ao TikTok burlar as barreiras de entrada que protegiam de fato as primeiras plataformas de mídias sociais, como Facebook e Twitter. Ao separar a distração das conexões sociais, o TikTok pode competir diretamente pelos usuários sem a necessidade de primeiro construir cuidadosamente uma rede subjacente, conexão por conexão. Sob qualquer ponto de vista, esta blitzkrieg de atenção tem funcionado incrivelmente bem. Estima-se que TikTok tenha um bilhão de usuários mensais ativos, número que atingiu em tempo recorde, e, de acordo com alguns relatórios o aplicativo é usado em sessões de em média 10,85 minutos, o que, se for verdade, são muito maiores do que a de qualquer outra grande rede social. Enquanto isso, a empresa-mãe do Facebook perdeu recentemente mais de US$ 230 bilhões em valor de mercado em um único dia, logo depois de anunciar que o crescimento da base de usuários havia estagnado. Analistas identificaram o TikTok como um fator importante nessa desaceleração.

Esses desenvolvimentos colocam as empresas tradicionais de redes sociais, como o Facebook, em situação de alerta. É óbvio que, se não fizerem movimentos para deter o fluxo de usuários saindo de suas plataformas para o TikTok, seus investidores se revoltarão e o valor de mercado continuará caindo. Isso explica a recente transição do Facebook para vídeos curtos e recomendações algorítmicas de conteúdos não publicados por amigos. Talvez menos óbvio, porém, é o perigo a longo prazo de se afastar do modelo centrado em conexões que tem servido tão bem à a empresa. É improvável, no momento, que um novo rival consiga construir um grafo social de tamanho ou influência comparáveis aos das plataformas legadas como o Facebook e o Twitter — é simplesmente muito difícil começar do zero quando esses serviços amadurecidos já existem. Daí resulta que, enquanto essas plataformas legadas se basearem nas suas redes subjacentes como fonte primária de valor, elas manterão uma espécie de proteção monopolista dentro da economia de atenção mais ampla. Se, em vez disso, elas se afastarem das suas fundações no grafo social para se concentrarem na otimização do engajamento momentâneo, entrarão num cenário competitivo que as coloca diretamente contra as muitas outras fontes de distracção móvel que existem hoje — não apenas o TikTok, mas também redes sociais mais personalizadas e especializadas, tais como a sensação Gen-Z BeReal, para não falar dos populares streamings de vídeos, podcasts, video games, aplicativos de auto-aperfeiçoamento e, para a demografia um pouco mais velha a que pertenço, o Wordle.

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo recomendou ao WhatsApp que adie a liberação das Comunidades no Brasil para 2023. No compromisso firmado com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o WhatsApp/Meta disse que seguraria essa e outras atualizações, como a expansão do limite de usuários em grupos, para depois do segundo turno das eleições, ou seja, final de outubro.

A recomendação do MPF tem 30 páginas de considerações. Embora o pedido faça sentido considerando a patifaria que ocorreu nos Estados Unidos em janeiro de 2021, quando o candidato derrotado e golpista Donald Trump tentou melar o resultado das eleições de lá, e considerando (estou parecendo o MPF nas considerações) a retórica golpista explícita do nosso postulante à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), é quase como se os procuradores estivessem mirando no mensageiro (literalmente) e não no problema em si.

Afinal, não é como se o WhatsApp só pudesse ser usado para arquitetar golpes de estado, nem seja o único aplicativo do tipo. A um toque de distância está o Telegram, por exemplo, com capacidade para 200 mil pessoas por grupo e cada vez mais popular no Brasil.

Um caminho alternativa seria incluir salvaguardas e restrições ao funcionamento dos aplicativos na legislação — algo complexo e não sei se o melhor caminho. Outro, que em tempos de normalidade institucional seria óbvio, é enquadrar quem usa o WhatsApp ou qualquer outro meio digital para causar arruaça nos crimes já previstos em lei. Via Núcleo, MPF-SP.

A Meta não aguentou a pressão e anunciou, nesta quinta (28), algumas reversões — tímidas e temporárias, é verdade — no processo de destruição a que submete o Instagram.

O teste com vídeos que ocupam a tela toda foram suspensos e o “conteúdo recomendado”, eufemismo para vídeos virais ruins de perfis que o usuário não segue, “reduzido” — seja lá o que isso signifique na prática; na quarta (27), Mark Zuckerberg disse que 15% do conteúdo mostrado no Facebook é desse tipo, e que no Instagram o volume é maior.

Adam Mosseri, em entrevista a Casey Newton, disse que essas mudanças são temporárias. Afinal, enquanto o Instagram apaga incêndios que ele próprio criou e tenta não perder estrelas da plataforma, o TikTok cresce no reproduzir e morde fatias cada vez maiores da receita de publicidade digital.

Sabe o que seria legal? Se o Instagram fosse um serviço aberto e descentralizado, nos moldes do que a Europa quer impor às plataformas de mensagens. Aí poderia surgir outro aplicativo que se conecta à rede do Instagram, mas que prioriza a linha do tempo cronológica e sem “conteúdo recomendado”. É pedir muito? Via Platformer (em inglês).

A queda em receita da Meta no segundo trimestre de 2022 foi de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, o que se traduziu em US$ 28,8 bilhões. Para o terceiro trimestre, alerta a empresa, a expectativa é de nova queda, e maior.

O lucro também desacelerou, em 36%, chegando a US$ 6,7 bilhões.

O Reality Labs, divisão da Meta responsável por materializar o metaverso, que Mark Zuckerberg, CEO e manda-chuva da empresa, encara como a próxima grande plataforma digital, causou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no trimestre.

Lembrando que, de acordo com Zuckerberg, o metaverso só comecará a dar lucro perto de 2030. Via The Verge (2) (em inglês).

Zuck aumenta a temperatura

Zuck aumenta a temperatura (em inglês), por Alex Heath e David Pierce no The Verge:

“Realisticamente, é provável que haja um monte de pessoas na empresa que não deveriam estar aqui”, disse Zuckerberg na chamada de 30 de junho, de acordo com uma gravação obtida pelo The Verge. “E parte da minha expectativa ao aumentar as expectativas e ter metas mais agressivas, e aumentar a fervura só um pouquinho, é que alguns digam que este lugar não é para vocês. E, para mim, tudo bem com essa seleção natural.”

Os comentários no Workplace, a versão interna do Facebook para funcionários da empresa, dispararam. “É tempo de guerra, precisamos de um CEO para tempos de guerra”, escreveu um deles. “Modo fera, ativado”, postou outro funcionário.

Outros não acreditavam no que tinham acabado de ouvir. “Mark acabou de dizer que há um monte de pessoas nesta empresa que não pertencem aqui[?]”, perguntou um funcionário. Outro respondeu: “Quem os contratou?”

Se uma reunião geral da empresa serve para reunir as tropas, esta foi sem dúvida mais divisória do que galvanizadora. Mas Zuckerberg cumpriu a promessa de transparência: seus funcionários agora entendem o que ele realmente acha deles.

Will Cathcart, diretor responsável pelo WhatsApp, foi ao Twitter alertar os usuários de um aplicativo, o Hey WhatsApp, da HeyMods, que era na realidade uma emboscada para instalar malwares (vírus) em celulares e roubar dados pessoais das vítimas.

O Hey WhatsApp não era distribuído pela Play Store. Mesmo assim, o Google, a pedido da Meta, conseguiu remover o Hey WhatsApp dos celulares onde fora instalado, via Google Play Protect.

Cathcart disse que a Meta tomará outras medidas para impedir que a HeyMods continue operando e prejudicando usuários do WhatsApp. E pede para que todos fiquem atentos com os aplicativos que amigos e familiares usam para conversar pelo WhatsApp, evitando as versões alternativas e falsas — um alerta já dado pelo Manual do Usuário. Via @wcathcart/Twitter (em inglês).

O que está acontecendo com as empresas de tecnologia dos Estados Unidos?

Dois mil e vinte dois tem sido um ano estranho. Depois juntar os cacos da catástrofe da bolha pontocom, na virada do milênio, o setor de tecnologia teve uma ascensão espetacular e tornou-se o mais valioso do planeta. Agora, porém, a maré virou e o que era bonança virou um tsunami de notícias ruins: demissões, desvalorizações, quebras. O que está acontecendo?

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Uma atualização do aplicativo do Instagram para iOS/iPhone lançada pela Meta acrescentou uma discreta opção para excluir a conta ali, sem que o(a) usuário(a) precise abrir o navegador, como era até esta quinta (30).

A novidade não foi desmotivada, mas sim para adequar o aplicativo às regras da App Store, a loja de aplicativos da Apple. Em maio, a dona do iPhone alertou os desenvolvedores de aplicativos do prazo, até 30 de junho, para eles incluírem a opção de excluir contas dentro dos próprios apps. Via TechCrunch, Apple (ambos em inglês).

A Meta é uma das empresas mais barulhentas na hora de reclamar das (de fato altas) taxas cobradas por Apple e Google de desenvolvedores de aplicativos em suas respectivas lojas.

Em uma reportagem do Financial Times, criadores de jogos e experiências em realidade virtual reclamam das taxas cobradas pela Meta deles em sua loja online.

A Quest Store, loja de aplicativos em realidade virtual da Meta, cobra uma taxa de 30% de compras de bens digitais e de 15–30% de assinaturas. Por acaso, os percentuais são similares, se não idênticos, aos cobrados por Apple e Google nas lojas App Store e Play Store.

Em abril, a Meta anunciou uma “taxa de plataforma” extra, de 17,5%, que se somaria às taxas já cobradas. A Apple não perdeu a oportunidade de apontar a hipocrisia entre discurso e prática da holding de Mark Zuckerberg, que nos últimos anos tem feito uma ofensiva contra as taxas cobradas pela dona do iPhone dos desenvolvedores de aplicativos.

Em nota ao Financial Times, a Meta se defendeu dizendo que, ao contrário do iPhone, seu headset Oculus Quest 2 permite o uso de lojas alternativas.
A empresa até indicou duas: a SideQuest, independente; e a App Lap, também da Meta, onde aplicações mais experimentais podem ser lançadas.

O problema é que a App Lap também cobra uma taxa de 30% e a SideQuest tem uma audiência muito inferior à da Quest Store. Segundo a consultoria Sensor Tower, a SideQuest já foi baixada pouco mais de 400 mil vezes, enquanto a Quest Store acumula 19 milhões de downloads.

Desenvolvedores de aplicações em realidade virtual também reclamam do processo de aprovação da Quest Store, que seria mais demorado e complexo que o da Apple em sua App Store.

O CIO da Rooom disse que levou nove meses e muito debate para colocarem uma plataforma de eventos 3D na Quest Store. Na App Store, o processo levou duas semanas. Via Financial Times (sem paywall) (em inglês).

Estamos levando o Instagram a um lugar onde o vídeo é uma parte maior da experiência principal, onde o conteúdo é mais imersivo — ele ocupa mais espaço da tela —, onde uma parte maior do feed é de recomendações, coisas que você talvez ame, mas que ainda não conhece, e onde você tem mais controle sobre a experiência.

— Adam Mosseri, head do Instagram.

Mosseri deu a declaração acima ao anunciar um teste para o feed do Instagram que exibe fotos e vídeos que ocupam a tela inteira, bem parecido com o… TikTok.

Esse lugar aonde estão levando o Instagram é estranho e, sei lá, não parece um bom lugar. Via @mosseri/Twitter (em inglês).

Print do novo seletor de visualização do Instagram, exibindo um menu no canto superior esquerdo com as opções “Home”, “Following” e “Favorites”, e mais um botão para gerenciar os favoritos.
Imagem: @mosseri/Twitter.

Adam Mosseri, diretor responsável pelo Instagram, mostrou como ficará a interface do Instagram com as novas opções de visualização. Além da tradicional, organizada por algoritmo (“Home”), teremos o feed cronológico (“Following”) e um de favoritos selecionados manualmente (“Favorites”). A solução apresentada assemelha-se à adotada há muito pelo Twitter. As novas opções de visualização do Instagram já estão sendo testadas com um número limitado de usuários e devem aparecer para todos ainda no primeiro semestre de 2022. Via @mosseri/Twitter (em inglês).

Se a política de privacidade de um app é ruim para a União Europeia, ela é ruim para você também

No próximo dia 25, o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês) entra em vigor na União Europeia. Trata-se de uma nova legislação que enrijece os deveres das empresas que coletam dados pessoas. É por isso que você tem recebido um punhado de notificações e e-mails avisando de mudanças nas políticas de privacidade de apps e sites. E é pelo mesmo motivo que o Unroll.me deixará de operar na Europa, segundo o TechCrunch.

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