O 1Password anunciou nesta quarta (19) uma rodada de investimento série C de US$ 620 milhões, avaliando a empresa em US$ 6,8 bilhões. Parte da base de usuários, porém, está preocupada com o novo direcionamento da empresa, que até pouco tempo atrás nunca havia recebido investimento externo e, mesmo assim, sempre fora lucrativa. Via 1Password (em inglês).
Com os novos investimentos, o 1Password parece estar mudando o foco para clientes corporativos com o objetivo de tornar-se um unicórnio e/ou abrir capital em algum momento futuro. (Esta página do “futuro” do 1Password dá uma boa ideia.)
Duas decisões controversas nos últimos meses abalaram a reputação até então imaculada do 1Password, ao menos entre clientes individuais:
- Trocar a base do aplicativo para macOS, plataforma onde o 1Password surgiu, de código nativo para Electron — a mesma usada nas versões para Linux e Windows.
- Ocultar e desincentivar a compra única e o uso de cofres no formato de arquivos acessíveis localmente em favor do modelo de assinatura baseado em nuvem.
Note que o 1Password sempre foi um negócio lucrativo, mas a julgar pelo comunicado assinado pelo CEO Jeff Shiner, isso não é mais suficiente:
É verdade que parece peculiar para uma empresa consistentemente lucrativa aceitar financiamento externo. Mas, assim como da última vez [US$ 100 milhões em julho de 2021], estas parcerias nos permitem desenvolver e dimensionar soluções de segurança centradas no ser humano para todos.
O caminho que o 1Password pretende seguir lembra o do Dropbox, que nasceu como um aplicativo simples, rápido e eficiente para pessoas comuns sincronizarem arquivos entre múltiplos dispositivos, e hoje oferece uma série de serviços, com um aplicativo pesado e invasivo (também feito em Electron), com foco em clientes corporativos.
Os insatisfeitos com o novo rumo do 1Password têm migrado para soluções de código aberto — Bitwarden e KeePassXC.