Ainda pensando no Google I/O

O Google apresentou “agentes de IA” capazes de fazer o trabalho da pessoa em inúmeros cenários, nenhum deles muito crível para gente de verdade. (Quem precisa de IA para organizar uma festinha na rua?) No TechCrunch, Sarah Perez assina uma boa crítica dessa utopia questionável que o Google tenta nos vender.

Do meu lado, penso que estamos vivemos um “Dia da Marmota” daquele recurso do Google Now, de ~2012, que avisava via notificação que o portão de embarque de um voo havia mudado. Como se essa informação não estivesse na sua cara o tempo todo dentro de um aeroporto. Há 15 anos o Google usa diferentes tecnologias, cada vez mais complexas e caras, para tentar sanar problemas com que nenhum ser humano jamais se deparou.

Google quer ser a interface para a web

A abertura do Google I/O deste ano (vídeo-resumo de 35 minutos) mostrou um Google menos envergonhado no processo de transformação da web em insumo para suas IAs.

A busca virará (ainda mais) um ChatGPT turbinado, e também o balcão de todas as lojas virtuais, e o YouTube usará fragmentos de vídeos para criar páginas com respostas.

Note que em todas essas novidades, o Google/YouTube se transforma em curador e interface do conteúdo da web, sem atribuição ou com o mínimo necessário. Você não acessará mais sites, você acessará o Google — e lá ficará. Do outro lado da mesa, quem se diz “produtor de conteúdo”, é na verdade fornecedor de conteúdo para plataformas. Sempre foi para a Meta (Instagram), o TikTok e o YouTube; agora o é também para o Google, mesmo que involuntariamente (eu!).

Tudo isso consiste em uma uma traição total de tudo que o Google já representou (e foi) um dia. Talvez as pessoas gostem porque a web, coitada, já sofre há muito com os incentivos perniciosos e a influência destrutiva do próprio Google, mas nada é tão ruim que não possa piorar.

Em tempo: o PC do Manual oferece o SearxNG, um meta-buscador web que mostra dez (ou mais) links azuis de sites da web. É de graça. Use e divulgue.

Android 17, Gemini Intelligence e Googlebook  youtube.com

O Google anunciou o Android 17 e uma nova linha de notebooks em um vídeo gravado exibido “ao vivo” (?) nesta terça (12).

O mote do Android 17 são agentes de inteligência artificial, o que promoveu o Gemini a “Gemini Intelligence”.

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Na tentativa de consolidar poder sobre a distribuição de apps no Android, Google enfrenta resistência

Existem muitas diferenças entre Android e iOS. Uma fundamental é a disponibilidade do código-fonte: enquanto o iOS é fechado/proprietário, ou seja, só a Apple tem acesso, o Android é aberto. Qualquer um pode olhá-lo e modificá-lo.

A gente sempre ouve isso, mas a realidade — como sempre — é um pouco mais complexa. O Android é, de fato, aberto, mas o sistema que a maioria das pessoas usa no dia a dia em seus celulares tem muitas camadas extras de software proprietário do Google. As diferenças são tantas que o Android base, a parte FOSS (sigla em inglês para “software livre e de código aberto”), tem até um nome próprio: AOSP, ou Android Open Source Project.

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As alegrias e angústias no uso do RCS, evolução do SMS

Em 2024, a Apple fez um gesto de boa vontade a reguladores europeus e abriu o iOS 18 para o RCS, a evolução do velho SMS.

RCS, sigla de Rich Communication Services, é o SMS via internet com todos os benefícios decorrentes dessa mudança, como suporte a imagens de alta qualidade, recibos de leitura, indicadores de digitação e mensagens de áudio.

Em outras palavras, é a “versão WhatsApp” do SMS.

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A nova versão do Nova Launcher, popular “launcher” para Android, trouxe uma novidade indesejada: rastreadores de publicidade de Meta e Google. No Exodus, plataforma de auditoria de apps sem fins lucrativos, dá para ver as mudanças da versão anterior (8.1.6) para a nova (8.2.4).

O Nova Launcher foi comprado pelos suecos da Instabridge alguns meses após o criador do launcher deixar a Branch, empresa que comprou o aplicativo em 2022 e fez a promessa de abrir seu código — o que nunca ocorreu. A Instabridge confirmou que está testando a inserção de publicidade no Nova Launcher e que não exibirá anúncios para quem tem o Nova Prime (versão paga).

Mais uma vez o Google ameaça os 3 bilhões (!) de usuários do Gmail com recursos do Gemini (IA). Desta vez, a mudança é dramática: a caixa de entrada será “inteligente”, o que seria tentador se os modelos de IA fossem capazes de resumir certo e não fossem propensos a erros. Por ora, o novo Gmail está sendo liberado para estadunidenses que pagam os caros planos de IA do Google. A medida profilática é desativar todos os recursos de IA do Gmail: nas configurações, aba Geral, desmarque a opção Ativar os recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet. De nada!

Apps de fora da Play Store no Android / Fire TV sem pirataria / Ícones do macOS

Neste podcast, eu comento dois ou três links selecionados da curadoria diária que faço no Manual do Usuário. (Recomendo fortemente que você dê uma olhada no arquivo de links. É bem legal!)

2:57 Apps de fora da Play Store no Android:

Verificação de desenvolvedores Android: Acesso antecipado começa agora enquanto continuamos criando com seu feedback (em inglês).

Google deixará “usuários experientes” continuarem instalando aplicativos não verificados (em inglês), The Verge.

8:15 Fire TV sem pirataria

Fire TV da Amazon bloqueará aplicativos usados para pirataria, mesmo que você os tenha baixado por fora (em inglês), 9to5Google.

10:21 (Bônus!) Steam Machine da Valve

Anúncio do Steam Hardware (vídeo, em inglês).

Valve retorna aos consoles com a Steam Machine (em inglês), Tom’s Hardware.

11:18 Ícones do macOS

Os ícones terríveis do macOS 26 Tahoe (em inglês, mas o importante são as imagens), One Foot Tsunami.

Os ícones terríveis do macOS 26 Tahoe: B-sides (em inglês), Blog do Jim.

Há alguns meses, youtubers denunciaram intervenções não solicitadas do Google para “melhorar” seus vídeos com IA generativa. Parecia um teste; agora, é oficial.

Donos de canais podem desativar esse recurso no Studio: entre em Configurações, Canais, Configurações avançadas e desmarque as duas opções no tópico Melhorias na qualidade dos vídeos. Para quem assiste ao vídeo, a saída oferecida pelo Google é alterar a resolução nas configurações do próprio player.

Affinity do Canva grátis; 10 anos de NewPipe; Senhas vazadas do Gmail

Tem alguém aí? 👀

Tive uma ideia para ressuscitar este podcast: comentar um ou outro link dos que publico nas listas diárias de links no blog do Manual. Será que vai funcionar? Você me diz!

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Affinity by Canva.

Conheça o novo Affinity (vídeo, em inglês).

A estratégia do Canva para o Affinity: gente normal acima dos profissionais (em inglês).

E o Affinity, hein?.

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NewPipe completa 10 anos :O (em inglês).

Download do NewPipe no GitHub ou no F-Droid (mais fácil).

yt-dlp: Um downloader de áudio/vídeo de linha de comando rico em recursos.

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Sobre o vazamento das senhas de 183 milhões de contas do Gmail.

Sobre o vazamento das senhas de 183 milhões de contas do Gmail

Na mesma linha da pauta “celulares em que o WhatsApp deixará de funcionar”, sites de notícias brasileiros parecem ter descoberto uma nova fonte de cliques perene na editoria de tecnologia: milhões de senhas vazadas do Gmail.

Há, de fato, um banco de dados do tipo rolando na internet, criado por um estudante de graduação nos Estados Unidos. Troy Hunt, que administra o Have I Benn Pwnd, um repositório de vazamentos, analisou os dados e constatou que “apenas” 8% das senhas, cerca de 14 milhões, são novas. O que é compreensível, dado que o banco foi criado agregando dados de várias fontes e vazamentos anteriores.

A principal mensagem que uma notícia dessas passa não é “sua senha do Gmail pode ter vazado”, mas sim que “as suas senhas, qualquer uma delas, pode vazar a qualquer momento”. Não para fazer terrorismo, mas sim para ajudar na conscientização de boas práticas de segurança digital.

Quais? Para esse caso, duas básicas:

  1. Usar um gerenciador de senhas. Com ele, você terá acesso fácil à criação e recuperação (uso) de senhas fortes e diferentes para cada serviço.
  2. Autenticação em dois fatores (ou verificação em duas etapas). Pode até mesmo ser junto do gerenciador de senhas. Em cenários como um vazamento, o segundo fator bloqueia acessos não autorizados mesmo de alguém que saiba a sua senha.

É possível verificar se suas senhas vazaram jogando seu e-mail no Have I Been Pwned. Se ele aparecer, não há motivo para pânico: troque a senha e ative um segundo fator de autenticação. O Google explica como fazer isso no Gmail.

O sideloading é parte essencial do Android e não vai acabar. Nossos novos requisitos de identidade para desenvolvedores foram pensados para proteger usuários e criadores contra agentes mal-intencionados, não para restringir escolhas. Queremos garantir que, quando você baixar um app, ele realmente venha do desenvolvedor que afirma tê-lo publicado — independentemente da fonte. Desenvolvedores verificados terão a mesma liberdade de distribuir seus apps diretamente aos usuários via sideloading ou por qualquer loja de apps que preferirem.

A verdade é que hoje, a web aberta já está em rápido declínio.

A Justiça estadunidense decidiu os “remédios” que serão aplicados ao Google no processo em que a empresa foi condenada por práticas monopolistas no mercado de buscadores:

  • Proibição de celebrar ou manter contratos de exclusividade relacionados à distribuição do Google Search, Chrome, Google Assistant e o aplicativo Gemini.
  • Obrigação de disponibilizar certos dados do índice do buscador e interação do usuário para rivais e potenciais rivais.
  • Obrigação de oferecer serviços de distribuição de anúncios e serviços em texto para pesquisas para permitir que rivais e potenciais rivais possam competir.

E só.

Foi pouco e todo mundo reclamou. Ou quase todo mundo: Apple e Mozilla, que recebem valores astronômicos do Google para manterem o buscador como padrão no iOS/Safari e Firefox, respectivamente, respiram aliviadas.

Uma abordagem menos afetuosa da tecnologia

É quase impossível escapar do WhatsApp e muito difícil livrar-se do Instagram. Para muitos, é também indesejável. Amigos, parentes, pessoas queridas e toda a presença de muitos comércios só estão disponíveis em um ou outro (ou em ambos).

Em 2022, quando escrevi a respeito da “abordagem mais afetuosa” com a tecnologia, havia pouco tempo voltara a usar essas e outras plataformas comerciais. Baixei as defesas numa tentativa de estar mais presente, de participar mais.

O problema com empresas como a Meta é que toda concessão do nosso lado é explorada ao máximo.

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