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Instalar bloqueador de anúncios é um gesto de amor

O laboratório de ameaças da Netskope detectou um anúncio malicioso distribuído pelo Google que induz a vítima a ligar para um número a fim de resolver supostos problemas no computador. Os “problemas” são encenações usando tecnologias web — o computador não é infectado de fato. É um golpe do tipo “phishing scam”.

Episódios do tipo não são novos nem incomuns. Por isso, o uso de bloqueadores de anúncios deixou de ser só uma defesa da privacidade; hoje é, também, uma medida de segurança. Instale extensões de navegador e filtros de rede nos computadores e celulares de quem você ama, especialmente pessoas mais velhas ou menos letradas no digital.

Bloqueio a aplicativos não verificados no Android começa nesta quinta (1º/10)

Falando em F-Droid, começa a valer nesta quinta (1º/10), aqui no Brasil, o novo arranjo do Google para a instalação de aplicativos não verificados no Android.

Indonésia, Singapura e Tailândia também estão no grupo dos primeiros países a serem afetados pela novidade.

A F-Droid e outras iniciativas livres e/ou independentes do Google têm feito barulho contra as mudanças. Elas são, de fato, um obstáculo extra a aplicativos distribuídos fora da Play Store e sem o aval do Google. A verificação de aplicativos implica em identificar-se ao Google, o que — compreensivelmente — muitos desenvolvedores não querem.

Atenção. Em julho, o Google anunciou que a primeira fase, que vai de 30 de setembro até 2027, afetará apenas aplicativos distribuídos em lojas específicas: Play Store, Honor, Oppo, Samsung, Transsion, Vivo/Jovi e Xiaomi. Em outras palavras, a F-Droid ganhou um fôlego extra até 2027. Que confusão!

Comentei o caso neste Manual antes do Google revelar o tal “fluxo avançado” para liberar o celular à instalação de aplicativos não verificados. O fluxo funcionará assim:

  • Ative o modo desenvolvedor nas configurações do Android. “Isso evita ativações acidentais ou contornos do tipo ‘um clique’ usados em golpes que pressionam o usuário.”
  • Confirme que não está sendo assistido por alguém.
  • Reinicie o celular e se autentique. Esse passo serve para cortar acessos remotos ou ligações telefônicas que um golpista possa ter empregado para garantir que a vítima instale o aplicativo dele.
  • Aguarde um dia. É só na primeira vez. A espera arrefece o senso de urgência que golpistas adotam para pressionar a vítima à instalação do aplicativo.
  • Instale aplicativos não verificados. Há duas opções: liberá-los por sete dias ou indefinidamente. E toda vez que for instalar um do tipo, um alerta será exibido.

Serei o do contra para dizer que… parece uma boa medida? Eu sei que no mundo ideal (ou de quem respira tecnologia) o celular é seu e você faz o que quiser, mas no mundo real há milhões de idosos, semi-analfabetos, adolescentes e pessoas que têm mais o que fazer à mercê de golpistas o dia inteiro, todos os dias.

Vale dizer que esse arranjo só vale para celulares com o Android certificado do Google. Em sistemas alternativos sem as fundações do Google, como LineageOS (sem microG), GrapheneOS e HarmonyOS (da Huawei), nada muda.

Para quem sabe o que está fazendo, o “fluxo avançado” só precisa ser feito uma vez. A liberação até migra para novos celulares.

Por coincidência, a entrada em vigor da verificação de aplicativos do Android coincide com a proibição das bets no Brasil, instituída pelo governo Lula por medida provisória na última sexta (25). A dificuldade extra para instalar aplicativos não verificados pode ajudar na defesa contra aplicativos de bets ilegais — desde que não sejam verificados junto ao Google, o que não é o caso das que tinham outorga no país.

Da “trend” dos anos 1980 ao Apple Watch que espiona conversas, o que está em jogo é a percepção pública

Foto de um Apple Watch Ultra 4 no braço de alguém, mostrando a transcrição de uma conversa recente captada pelo recurso Live Rewind.

Não foram uma nem duas vezes em que publiquei materiais, neste blog, em tentativas de conscientizar as pessoas dos riscos de aplicativos virais que adulteram fotografias, como o FaceApp em 2019.

Somos seres curiosos. A promessa de olhar para um espelho mágico, que nos mostra velhos, em outro gênero ou numa época diferente é quase irresistível, uma força que faz muitos ignorarem os sinais de alerta, mesmo que óbvios.

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Elevando a qualidade dos aplicativos: redução no uso de memória e migração de dispositivo aperfeiçoada 
android-developers.googleblog.com

A partir de fevereiro de 2027, o Google imporá regras mais rígidas para o consumo de memória de aplicativos distribuídos pela Play Store. É uma boa notícia com uma justificativa zoada: o encarecimento e a escassez de memórias em dispositivos como celulares devido ao uso intensivo delas em centros de dados de IA.

Como a marca d’água em texto do Claude funciona 
anthropic.com

Todos os grandes provedores de LLMs serão obrigados, pelo AI Act da União Europeia, a adicionar marcas d’água no conteúdo gerado, incluindo texto. A Anthropic, dona do Claude, explicou o seu método:

Grandes modelos de linguagem, como o Claude, funcionam gerando uma palavra de cada vez. A cada nova palavra, o modelo escolhe entre uma lista de candidatas possíveis, selecionando no fim a mais coerente ou provável com base no texto anterior. Pegue a frase “O tempo hoje estava frio e…”. É muito improvável que a próxima palavra seja “açucarado”. Mas é bem provável que seja “nublado” ou “cinzento”. Na maioria dos casos, não faz muita diferença para o leitor qual dessas duas últimas palavras o modelo escolhe — o sentido da frase permanece praticamente o mesmo de qualquer forma. Em situações assim, a escolha é decidida por um número aleatório.

A marca d’água usa justamente essas escolhas de baixo impacto — que se repetem muitas vezes ao longo de um texto gerado — para deixar um padrão nas respostas do Claude. Esse padrão é imperceptível para quem lê, mas identificável por qualquer um que tenha uma chave capaz de decodificá-lo. Quando a marca d’água é usada, as escolhas continuam sendo feitas de forma aleatória, mas a origem dessa aleatoriedade muda. Em vez de recorrer a um gerador de números aleatórios qualquer para escolher a próxima palavra, o sistema usa a chave e as palavras anteriores para definir qual palavra o modelo deve escolher. Ou seja, as palavras que o Claude escolhe continuam sendo aleatórias, mas agora é possível verificar a sequência de palavras e checar se ela é compatível com as escolhas que o Claude faria caso estivesse usando aquela chave. Se for, dá para calcular a probabilidade de que o texto tenha sido gerado pelo Claude.

A solução é a mesma que o Google criou e usa desde 2024 no Gemini, chamada SynthID-Text.

Tem gente arrancando os cabelos por causa dessa mudança. Como digo há algum tempo, para mim tanto faz.

Além disso, é provável que apareçam (se já não existirem) sistemas simples que substituam algumas palavras por sinônimos, o que (em tese? Alguém me corrija se for o caso) quebraria a assinatura digital do SynthID-Text. Ainda no campo das suposições, imagino que jogar o texto em outro LLM e pedir para substituir algumas palavras e estruturas já surta efeito.

Independentemente de qualquer coisa, está na hora de quem usa IA generativa para criar texto assumir os seus BOs, né?

Acho que a primeira coisa que ocorre às pessoas quando esse assunto vem à tona é o uso da marca d’água para apontar dedos e humilhar quem os usa. É possível imaginar, porém, outros usos, como auxiliar na triagem de solicitações a órgãos públicos, que, como Ronaldo Lemos apontou em sua coluna na Folha de S.Paulo deste domingo (16), já está afogando governos e a Justiça de vários países.

Mudanças no suporte a contas de e-mail de terceiros no Gmail 
support.google.com

Quem usa o Gmail para gerenciar outras caixas de entrada precisa se ligar. Em janeiro de 2027, o Google removerá a capacidade de enviar e-mails a partir de um endereço alternativo e desativará os recursos Gmailify e POP na Web. É uma boa oportunidade para testar clientes “agnósticos”, como o Apple Mail ou o Thunderbird.

Google desmantela o AlphaFold e lá se vai a IA que curaria o câncer

por David Gerard

O AlphaFold era um sistema de aprendizado de máquina do Google DeepMind. Ele fazia a predição da estrutura de proteínas.

Ele era razoavelmente bom em prever estruturas de proteínas. Chamou atenção do público por se sair muito bem nos benchmarks do Critical Assessment of Structure Prediction (CASP).

O AlphaFold fez alguns trabalhos úteis, principalmente como um extra para ajudar biólogos a prever uma estrutura em que estavam trabalhando. Muitos biólogos não achavam ele grande coisa. Alguns, achavam. E tudo bem.

Estou dizendo “era” e “fazia” porque o Google encerrou o AlphaFold.

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Estes homens bregas com óculos ridículos querem que você também os use

A Meta, mesma empresa que afirmou em 2021 que hoje você estaria vivendo no “metaverso”, vendeu alguns poucos milhões de óculos com câmeras para pervertidos e, de repente, o novo futuro vislumbrado pela mente doentia de Mark Zuckerberg é da gente usando óculos com câmeras e “inteligência artificial”.

Sim, os CEOs do Vale acreditam que a melhor maneira de mitigar a compulsão por telas a 20 cm do rosto é colocar telas a 20 mm dos olhos.

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Fim da linha para extensões que bloqueiam anúncios no Chrome e derivados

O Google removerá os últimos traços do Manifest v2, recurso que viabilizava extensões robustas de bloqueio de anúncios, como a uBlock Origin, nas versões 150 e 151 do Chrome. Derivados (“forks”) do Chromium — Edge e Opera — sinalizaram que seguirão o mesmo caminho do Google, ainda sem prazos definidos. Bloqueadores de anúncios adequados ao Manifest v3 funcionam, porém com limitações.

Firefox (e derivados) e Safari continuarão suportando o Manifest v2.

RCS chega a 145 milhões de usuários ativos no Brasil 
mobiletime.com.br

Kaio Marin, head de RCS for business do Google Brasil, disse em um evento no final de maio que o RCS tem 145 milhões de usuários no Brasil no final de 2025.

Para se chegar a tal número — 86,6% do total de pessoas com celulares em 2024 (IBGE) —, presume-se que o Google coloque na conta de “usuários ativos” qualquer pessoa que receba spam ou tentativas de golpe por RCS.

A inflada no número, mais um exemplo de como torturar as estatísticas para pintar um cenário mais conveniente, coincide com um reforço do Google nas ferramentas de publicidade baseadas em mensagens de texto. A nota do Mobile Time, onde noticiou o dado, lista os novos recursos para anunciantes do Google envolvendo RCS.

Não é muito diferente do que a Meta está tentando fazer com o WhatsApp, com a diferença de que este é usado para outras coisas além de falar com comércios. No RCS, que pouquíssima gente usa (de verdade) no Brasil, essa investida só ajuda a consolidar o aplicativo Mensagens como um lixão de spam.

Como robôs de IA te manipulam e minam a sua privacidade

Sob o risco de estar entre as primeiras vítimas da inteligência artificial em uma eventual rebelião das máquinas, restrinjo minhas interações com as IAs generativas (ou robôs de conversação) do presente a uma frieza protocolar.

Acesso o site, pergunto ou peço o que preciso, recebo a resposta, fecho o site. Nada de chamá-la por nome, pedir por favor, agradecer ou ficar de conversa mole. Evito ao máximo antropomorfizá-la. Trato-a pelo que é: uma máquina estatística jorrando palavras que fazem sentido, não uma nova forma de vida senciente — ao menos, até o momento.

Tratar a IA de modo protocolar é, para mim, uma maneira de manter a linha que nos separa bem demarcada a fim de evitar uma improvável — mas não impossível — “psicose de IA”, uma pira em que a pessoa acredita de verdade que a IA tem vida.

Um relatório recém-publicado pelo Centro para Democracia e Tecnologia (CDT, na sigla em inglês), de autoria das pesquisadoras Ruchika Joshi, Adinawa Adjagbodjou e Michal Luria, trouxe mais argumentos favoráveis à minha postura junto às IAs generativas.

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Acessos ao buscador sem IA do DuckDuckGo triplicaram desde o Google I/O

Desde o anúncio do Google da “maior reformulação da caixa de busca da sua história, no dia 28/5, os acessos à variante sem IA do buscador do DuckDuckGo (DDG) triplicaram — e continuam aumentando, segundo a empresa.

O endereço é noai.duckduckgo.com. Se preferir, há extensões gratuitas para Chrome e Firefox.

O DuckDuckGo convencional pode ser configurado como um buscador sem recursos de inteligência artificial. Para isso, acesse as configurações de IA e desmarque as três opções.

Não é como se o DuckDuckGo fosse uma empresa anti-IA. O buscador tem um equivalente ao “AI Overviews” do Google, o Search Assist, que por padrão aparece “às vezes”, ou seja, “quando é altamente relevante” segundo critérios não divulgados.

Outra iniciativa em IA é o Duck.ai, uma interface para grandes modelos de linguagem (LLMs) de terceiros: Anthropic (Haiku 4.5), OpenAI (GPT-5 mini, GPT-4o mini e gpt-oss 120B), Meta (Llama 4 Scout) e Mistral (Small 4). O diferencial dessa interface é uma configuração mais privada. As conversas são anonimizadas pelo DDG, a retenção do conteúdo é limitada e elas não são usadas para treinar modelos de IA.

O Google apresentou “agentes de IA” capazes de fazer o trabalho…

Ainda pensando no Google I/O…

O Google apresentou “agentes de IA” capazes de fazer o trabalho da pessoa em inúmeros cenários, nenhum deles muito crível para gente de verdade. (Quem precisa de IA para organizar uma festinha na rua?) No TechCrunch, Sarah Perez assina uma boa crítica dessa utopia questionável que o Google tenta nos vender.

Do meu lado, penso que estamos vivemos um “Dia da Marmota” daquele recurso do Google Now, de ~2012, que avisava via notificação que o portão de embarque de um voo havia mudado. Como se essa informação não estivesse na sua cara o tempo todo dentro de um aeroporto. Há 15 anos o Google usa diferentes tecnologias, cada vez mais complexas e caras, para tentar sanar problemas com que nenhum ser humano jamais se deparou.

Google quer ser a interface para a web

A abertura do Google I/O deste ano (vídeo-resumo de 35 minutos) mostrou um Google menos envergonhado no processo de transformação da web em insumo para suas IAs.

A busca virará (ainda mais) um ChatGPT turbinado, e também o balcão de todas as lojas virtuais, e o YouTube usará fragmentos de vídeos para criar páginas com respostas.

Note que em todas essas novidades, o Google/YouTube se transforma em curador e interface do conteúdo da web, sem atribuição ou com o mínimo necessário. Você não acessará mais sites, você acessará o Google — e lá ficará. Do outro lado da mesa, quem se diz “produtor de conteúdo”, é na verdade fornecedor de conteúdo para plataformas. Sempre foi para a Meta (Instagram), o TikTok e o YouTube; agora o é também para o Google, mesmo que involuntariamente (eu!).

Tudo isso consiste em uma uma traição total de tudo que o Google já representou (e foi) um dia. Talvez as pessoas gostem porque a web, coitada, já sofre há muito com os incentivos perniciosos e a influência destrutiva do próprio Google, mas nada é tão ruim que não possa piorar.

Em tempo: o PC do Manual oferece o SearxNG, um meta-buscador web que mostra dez (ou mais) links azuis de sites da web. É de graça. Use e divulgue.