Trocaria o Liquid Glass pela interface do Windows 95

Neste podcast, comento as futuras novas interfaces do iOS/macOS, Android e Roku e reflito o impacto delas, passada a reação inicial, na nossa rotina.

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Alguns links citados:

Apple apresenta novo design de software elegante e encantador, no site da Apple.

Comece a criar com o Material 3 Expressive (em inglês), em um site do Google.

Roku está testando um novo visual (em inglês), no The Verge.

O redesign e o workflow, no Órbita.

O redesign e o workflow: Qual destas interfaces você prefere?, no Órbita.

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Você vai usar o Gemini no Android porque sim

O Google enviou um e-mail a donos de celulares Android avisando que o Gemini “poderá ajudá-lo a usar o Telefone, Mensagens, WhatsApp e Utilitários no seu celular, independentemente da Atividade nos apps do Gemini estar ativada ou desativada em sua conta”. A alteração está agendada para 7 de julho.

O aviso gerou confusão até em publicações especializadas em Android. — 9to5Google, Android Police, Android Authority. Mesmo depois dos esclarecimentos, incluindo um comunicado do próprio Google, a coisa toda segue… confusa.

Pelo que entendi, se a Atividade nos apps do Gemini estiver desativada, o Gemini continuará disponível e tendo acesso aos apps mencionados, incluindo o WhatsApp e telefone. A diferença é que as interações com a IA não ficarão registradas no histórico e serão armazenadas pelo Google por até 72 horas, com a garantia de que não serão usadas para treinar IAs nem revisadas por humanos.

(Em outras palavras, deixar o histórico ativado submete as interações ao treinamento da IA e a revisões por outros humanos.)

Quem não quiser mesmo o Gemini se intrometendo em ligações, mensagens, WhatsApp e configurações do sistema, precisa desativar as integrações com cada app dentro do aplicativo do Gemini. Que parece ser outra coisa, diferente da Atividade nos apps do Gemini. Presumo seja este app.

As referidas publicações especializadas, após atualizarem suas histórias para “desfazer a confusão”, concluíram que o saldo da mudança é positivo para a privacidade das pessoas. Não estou muito certo disso. Confusões desse tipo, que soam propositais e tentam escondem os botões “nucleares” (que desativam a função oferecida), costumam ser derrotas à privacidade. E nem entro no mérito se o Gemini fuçando nas minhas mensagens é algo bom ou ruim.

Ou talvez eu ainda não entendi direito.

Link relacionado (acho?): a extensa central de privacidade dos apps do Gemini.

Entre a Meta anunciando que sua IA, Meta AI, atingiu 1 bilhão de usuários e o Google que os AI Overviews são usados por 1,5 bilhão, fico curioso em saber quantas dessas pessoas fazem o uso intencional do recurso, ou que preferem-no àqueles que a IA substitui.

Os AI Overviews aparecem no topo das buscas, sem opção de desligamento. O Meta AI suspeito que muita gente aciona sem querer ao tocar naquele botão horrível no WhatsApp, nos resultados da pesquisa dos três apps ou ao tentar marcar uma pessoa em um grupo digitando uma arroba.

Muito fácil chegar a números enormes quando já se tem uma plataforma gigante. Acho que isso nem entra na discussão. A questão é alardeá-los como tais números fossem conquistados, e não impostos.

Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

No domingo (9), o Chromecast 2, modelo que foi lançado no Brasil, parou de funcionar e segue sem dar sinal de vida. O Google orienta os consumidores afetados que não tentem restaurar o dispositivo e que está trabalhando numa correção.

O problema parece ser em um certificado digital expirado, o tipo de coisa que dificilmente ocorreria em um produto ainda em linha. (O Chromecast foi descontinuado em agosto de 2024.) No Reddit, há tutoriais de gambiarras para contornar o problema. Aplique-as por sua conta e risco!

A atualização de março do Android trouxe suporte a Linux nos celulares Pixel 9, do Google. Trata-se do Debian, por ora apenas em linha de comando, virtualizado. A expectativa é de que o Android 16 dê suporte a interface gráfica e expanda o acesso ao Linux a qualquer celular capaz de executá-lo.

Não se sabe ao certo as intenções do Google com esse movimento. Transformar o Android em um sistema para computadores, na linha do Samsung DeX? Ou dar acesso a aplicativos Linux em celulares? Ou ambos? Curioso, de qualquer forma. Segundo o Android Authority, a Samsung não inclui em seus celulares as APIs de virtualização (Android Virtualization Framework) usadas nesta implementação do Linux pelo Google.

Toque no sininho para acompanhar o fim da web

Neste podcast, comento o novo sistema de notificações push do Manual do Usuário, a motivação para oferecer esse recurso e o aperto cada vez mais sufocante das big techs contra pequenos sites como o nosso.

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Toque no sininho para receber notificações do Manual

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Alguns links que comento no monólogo:

Google anuncia expansão do AI Overviews e apresenta AI Mode (em inglês).

Os novos recursos de IA “privados, úteis e opcionais do DuckDuckGo (em inglês).

Em 2020, 2/3 das pesquisas no Google terminaram sem cliques.

O problema do SafetyCore, app que “brotou” em celulares Android

Seu celular é Android? Se sim, é provável que tenha aparecido um novo app aí chamado SafetyCore. Anunciado pelo Google em outubro de 2024, a empresa expandiu sua disponibilidade por esses dias.

O SafetyCore se destina a dispositivos que rodam Android 9 ou posterior, ocupa ~2 GB do armazenamento e, segundo o Google, “fornece infraestrutura comum que apps podem usar para proteger os usuários de conteúdo indesejado”. Ainda segundo a documentação (somente em inglês), “a classificação do conteúdo roda exclusivamente no dispositivo e os resultados não são compartilhados com o Google”.

Quase ninguém lê avisos, alertas, quiçá a documentação de um app ou sistema operacional. O que não passa batido é um novo ícone entre os apps do celular que “brota” da noite para o dia. O SafetyCore é motivo para preocupação?

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O Google ameaçou remover o app XScreenSaver da Play Store pela ausência de…

É de 2024, mas só soube desta história agora. O Google ameaçou remover o app XScreenSaver da Play Store pela ausência de uma política de privacidade. O dono do app, Jamie “jwz” Zawinski, escreveu um belo texto (acredite) contrapondo suas práticas de privacidade às do Google, submeteu-o ao Google, e… não é que deu certo?

(Depois o app foi removido de vez porque Jamie, um dos fundadores do Netscape e da Mozilla, se recusou a enviar a cópia de um documento ao Google.)

Depois de subir o preço do Google Workspace, chegou a vez do Google One, a assinatura para pessoas físicas que concede mais espaço na nuvem e alguns recursos exclusivos. Os reajustes variam entre 25% e 28,2% e, ao contrário do Workspace, não trazem o Gemini. (Só o plano AI Premium, que mantém o mesmo preço.)

O plano Lite (R$ 4,50/mês por 30 GB de espaço, sem recursos adicionais), lançado no final de 2024, não aumentou.

Via Tecnoblog.

Primeiras impressões do Android (e do Galaxy A55)

Meu salto do iPhone para o Android teve um empecilho: passar o eSIM de um para outro. É uma situação peculiar, pois tenho um plano Vivo Easy e, nessa modalidade, a operadora não oferece uma maneira de você mesmo fazer a migração.

Segundo a Aura, a “IA” (chatbot) da Vivo, preciso ir a uma loja física para fazer a troca. Como faziam os sumérios.

O entrave não me impediu de configurar o Galaxy A55. Comento as primeiras impressões em lista:

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Google veiculou dado inventado pelo Gemini em anúncio que vende o Gemini para criar anúncios

O Google preparou um anúncio do Gemini para o Super Bowl, aquele evento de publicidade que, salvo engano, tem algum tipo de esporte nos intervalos. A peça é voltada a pequenos comerciantes interessados em usar a IA para escrever anúncios.

No vídeo, o Gemini alucina e diz que o queijo gouda é o mais consumido do mundo, respondendo por 50–60% do mercado. O dado é questionável (já viu o preço do queijo gouda!?), provavelmente errado, tanto que o Google refez o anúncio e o removeu.

Alguém que quisesse sabotar as IAs generativas não pensaria numa situação tão ridícula e improvável. E provavelmente teremos mais: a OpenAI também vai veicular um comercial no evento.

O problema dos encurtadores de links

Um legado ruim e pouco comentado do Twitter foi os encurtadores de links. Eles surgiram da necessidade: nos primórdios, o Twitter limitava posts a 140 caracteres e não fazia distinção entre texto e links.

Enquanto se limitavam ao Twitter, tudo bem. A natureza efêmera daquela plataforma reduz a importância do encurtador. Um post “morre” (e, com ele, o link encurtado) em algumas horas, dias no máximo. Quando é algo feito para durar, é aí que surgem os problemas.

Existem duas abordagens para links curtos, aquela em que você traz o domínio curto e a em que adota o de uma empresa.

A primeira é a da autonomia. O problema é que ela dobra os cuidados e gastos com domínios. Acho que só empresas se preocuparam com isso. Embora já tenha cogitado adotar um link curto para o Manual, não fiz isso porque, a princípio, é um compromisso perpétuo. Deixar de pagar a renovação do domínio curto é, além de uma quebra de confiança com os leitores, uma brecha para que alguém mal intencionado o registre e tente aplicar golpes se passando por mim.

A segunda era a da segurança. Ou assim se pensava. O do Google (goo.gl), por exemplo, lançado em 2009, está em processo de encerramento. A partir de 25/8 deste ano, todos os links já encurtados no Google deixarão de funcionar.

O Bitly, talvez a empresa mais bem sucedida da área, anunciou dia desses que passou a exibir uma página própria antes da encurtada, a “prévia do destino”, a fim de veicular anúncios. Vale apenas para contas gratuitas.

Usar o ChatGPT consome uma garrafa d’água de 500 ml; e daí?

Das óbvias às delirantes, é longa a lista de preocupações com a inteligência artificial surgidas desde o final de 2022, quando o ChatGPT tomou do metaverso ou dos NFTs o título de “tecnologia do futuro”.

Tenho pensado muito a respeito de uma delas: o uso excessivo de energia e água, necessários para dar conta da sede insaciável de big techs e startups por mais dinheiro1.

Qual o custo ambiental de terceirizar tarefas ingratas ao ChatGPT, como escrever relatórios que ninguém lê ou gerar uma imagem de feliz aniversário àquela tia, com quem você não fala há seis anos, no grupo da família no WhatsApp?

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Google Maps e o Golfo da América

O Google anunciou que vai trocar o nome do Golfo do México, nos EUA, para Golfo da América no Google Maps, alinhando o aplicativo a uma das grandes ideias do presidente Donald Trump. / theverge.com (em inglês)

Alguém desencavou um post de 2008 do blog de políticas públicas do Google, em que o então diretor global do setor na empresa aborda essa questão — “Como o Google determina os nomes dos corpos d’água no Google Earth”. / publicpolicy.googleblog.com (em inglês)

O Google aplica uma política uniforme que chama de “Primary Local Usage”, ou “uso local primário”:

Sob esta política, o cliente [app] em inglês do Google Earth exibe o(s) nome(s) primário(s) comum(s) local(is) dado(s) a um corpo de água pelas nações soberanas que lhe fazem fronteira. Se todos os países vizinhos concordarem com o nome, o nome único comum será exibido (por exemplo, “Caribbean Sea” em inglês, “Mar Caribe” em espanhol etc.). Mas se diferentes países contestarem o nome próprio de um corpo de água, nossa política é exibir os dois nomes, com cada rótulo colocado mais perto do país ou países que o usam.

Em outros idiomas, adota-se o nome de uso comum na língua em que o Google Maps/Earth estiver sendo exibido, com um botão expansível que informa que o nome não é consenso e os outros também usados.

É aí que o pessoal está pegando no pé do Google, que tem (ou tinha?) em sua política a adoção do critério de nomes ”primários, comuns e locais” para corpos d’água:

[…] Por “comum”, nos referimos a incluir nomes que estão em uso comum em vez de reconhecer de imediato qualquer novo nome dado pelo governo de forma arbitrária. Em outras palavras, se um governante anunciasse que, a partir de agora, o Oceano Pacífico seria rebatizado em homenagem à sua mãe, não usaríamos esse nome [no Google Maps/Earth] a menos e até que ele passasse a ser usado no dia a dia.

No X, a empresa rebateu as críticas dizendo ter “uma prática consolidada de aplicar alterações em nomenclaturas quando elas são atualizadas em fontes governamentais oficiais”. / @NewsFromGoogle/x.com (em inglês)

No caso dos EUA, seria o Geographic Names Information System. Note que as duas alterações — do Golfo do México e Denali — ainda não foram publicadas pelo GNIS e, portanto, o Google Maps ainda mostra os nomes “antigos” por lá. / usgs.gov (em inglês)

Entendo a frustração com decisões arbitrárias e de ofício de um presidente errático, mas essa parece ser uma… “não-tícia”? Se o governo mudar os nomes de corpos d’água, como o estadunidense pretende fazer (a ordem executiva foi publicada por Trump em 20 de janeiro), o Google está certo em refleti-la no Maps. / whitehouse.gov (em inglês)