Defensores de criptomoedas, NFTs e Web3 têm na descentralização e na não necessidade de confiança talvez os melhores argumentos para justificar a existência dessas aberrações. Ambas têm problemas intrínsecos, mas, não bastasse isso, a prática tem demonstrado que tais características não são absolutas e, portanto, falaciosas.

Um estudo publicado em outubro de 2021 por pesquisadores da Universidade de Londres e de Copenhague analisou quatro anos de transações de NFTs. Descobriu uma forte centralização nas negociações: 10% dos compradores e vendedores de NFTs responderam pelo mesmo volume de transações feito pelos outros 90%. Outra descoberta curiosa deu-se nos preços: o valor médio de 3/4 das transações de NFTs foi de US$ 15, e apenas 1% delas ultrapassou US$ 1.594. Via Hyperallergic (em inglês).

Já a ausência de confiança, que seria garantira pelo código/blockchain, é relativa. Na sexta (31), a OpenSea, um dos maiores marketplaces de criptoativos, congelou as negociações de 16 NFTs de desenhos de macacos avaliados em US$ 2,2 milhões do colecionador Todd Kramer, depois que ele comunicou (e pediu ajuda à OpenSea) pelo Twitter uma invasão e o roubo dos seus NFTs.

Todd foi vítima de um ataque de “phishing”: ele recebeu um e-mail fraudulento e clicou em um link que deu acesso ao atacante à sua “hot wallet”, um tipo de carteira de criptoativos conectada constantemente à internet.

Do ponto de vista do código/da blockchain, a transferência dos 16 NFTs foi feita com sucesso e de maneira legítima, mas a interferência da OpenSea torna os NFTs (mais) inúteis, já que agora eles não podem ser revendidos. Via Cointelegraph (em inglês).

Do arquivo do Manual:

Desde o último dia 1º, o limite de valor para que mercadorias trazidas do exterior por via aérea ou marítima tenham isenção tributária foi dobrado pela Receita Fedaral, de US$ 500 para US$ 1 mil. Vale lembrar que itens comprados para uso próprio, como celular e roupas, não contam entram na cota, e que a multa para quem gastar mais que o teto é de 50% sobre o excedente. Via Folha de S.Paulo.

Foi um sucesso a estratégia do Nubank de ofertar um “pedacinho” (um BDR) gratuitamente aos clientes na abertura de capital, a primeira a ocorrer simultaneamente no Brasil (B3) e nos Estados Unidos (NYSE). Segundo o Nubank, 7,5 milhões de clientes, equivalente a 15,6% do total de 48 milhões, reclamaram o BDR, movimento que praticamente dobrou o total de investidores pessoas físicas na B3 e transformou a Nu Invest, braço de investimentos da empresa, na maior corretora em número de clientes do país. Os BDRs distribuídos têm uma trava e só poderão ser vendidos daqui a 12 meses. Via LABS News, B3.

O sucesso do Pix é incontestável. No aniversário de um ano do sistema, nesta terça (16), o Banco Central (BC) compartilhou alguns números: 348,1 milhões de chaves cadastradas, 104,4 milhões de pessoas e 7,9 milhões de empresas que já usaram o sistema, 7 bilhões de transações e R$ 4,1 trilhões transacionados.

O evento de aniversário também marcou o início do Mecanismo Especial de Devolução, sistema anti-fraude do Pix anunciado em junho que padroniza — portanto, facilita — a devolução do dinheiro em casos de fraude ou falha de uma das instituições envolvidas na transação. Via Banco Central, Convergência Digital.

No fim de outubro, o Manual do Usuário apontou que o Bradesco estava violando as diretrizes da App Store ao condicionar a liberação de recursos do aplicativo Bradesco Cartões para iOS à permissão para rastrear o usuário. Graças à repercussão, o Bradesco alterou o funcionamento do Bradesco Cartões.

Alguns dias atrás, um colaborador e leitores do MacMagazine, que repercutiu o caso, notaram o sumiço da mensagem irregular no app Bradesco Cartões e a disponibilidade de todos os recursos antes bloqueados a quem se negava a conceder a permissão de rastreamento. Também confirmei a mudança de forma independente.

Perguntamos — Manual e MacMagazine — à assessoria do Bradesco a confirmação da mudança. A empresa enviou o seguinte comunicado:

O Bradesco prioriza a segurança dos clientes e no processo de melhoria contínua em produtos e serviços. Com base nos pontos citados e outros que fazem parte da estratégia do Banco, são realizadas alterações constantes nas jornadas digitais, sempre partindo da centralidade do cliente. Em 2021 foram promovidas uma série de implantações nos serviços digitais do Banco, incluindo novos e alterando existentes para melhorar a experiência dos clientes Bradesco, e essa foi uma das alterações promovidas mantendo a segurança do processo.

Promessa comum em plataformas digitais de conteúdo e apontada como tendência por alguns analistas, na prática a economia dos criadores tem se revelado um mero repeteco de outras áreas da economia, concentrando o grosso da receita em pouquíssimos participantes.

O vazamento da Twitch expôs, de maneira crua, essa verdade inconveniente. Mas não só. O Axios levantou alguns dados de outras plataformas — Substack, podcasts e Twitter — que apontam para a mesma conclusão: entre criadores, a desigualdade é gritante.

Sara Fischer, da Axios, recuperou um texto de 2003 do escritor norte-americano Clay Shirky em que ele teoriza esse fenômeno: “Em sistemas onde muitas pessoas são livres para escolher entre muitas opções, um pequeno conjunto do todo receberá uma quantidade desproporcional de tráfego (ou atenção, ou renda), mesmo que nenhum membro do sistema trabalhe ativamente em direção a esse desfecho. Isso não tem nada a ver com fraqueza moral, vender-se ou qualquer explicação psicológica. O mero ato de escolher, espalhado ampla e livremente, cria uma distribuição da lei de potência.” Via Axios (em inglês).

O Banco Central (BC) confirmou o primeiro vazamento envolvendo o Pix. Dados cadastrais de 395 mil chaves Pix foram acessados indevidamente a partir de duas contas do Banese (Banco do Estado de Sergipe). Segundo o BC, “tais consultas foram realizadas no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), administrado pelo Banco Central e de acesso restrito às Instituições que iniciam o procedimento para realização de uma transação por Pix”. O BC reforça que dados sensíveis, como senhas, não foram expostos. As pessoas afetadas — não estão restritas a clientes do Banese — serão avisadas exclusivamente pelos apps das suas instituições financeiras. O BC afirmou que “adotou as ações necessárias para a apuração detalhada do caso e aplicará as medidas sancionadoras previstas na regulação vigente”. Via Banco Central, Folha de S.Paulo.

O Twitter expandiu o recurso de gorjetas (no Brasil, traduzido como “bonificações”). Agora, é possível incluir um botão no perfil que leva os seguidores a um dos parceiros do Twitter que fazem efetivamente a transação. No Brasil, o Twitter firmou parceria com o PicPay. Também é possível enviar/receber pagamentos em bitcoin. Por ora, a configuração e o envio de bonificações só estão disponíveis no aplicativo para iOS. Via Twitter, Ajuda do Twitter.

Em menos de um ano, o Pix já fez mais que as criptomoedas em uma década

por Guilherme Felitti

Em 8 de dezembro de 2000, uma das maiores salas de reunião do hotel Hyatt Regency, perto do Aeroporto Internacional de São Francisco, estava reservada para uma reunião que exigiria bastante espaço. Lá, três das principais figuras do Vale do Silício seriam apresentadas à invenção que prometia ser o grande avanço tecnológico da década. John Doerr, sócio da Kleiner Perkins, um dos fundos de investimento em tecnologia mais influentes da história, já tinha chegado. Jeff Bezos, fundador da Amazon, chegou logo depois. Faltava um, que estava sempre atrasado: Steve Jobs só apareceu minutos depois das 8h30, quando a reunião deveria começar. A sala precisava ser grande porque o sujeito que convocou a reunião precisava fazer demonstrações fora do computador. Assim que chegou à sala com grandes pacotes embalados em caixas de papelão, Dean Kamen montou dois protótipos e deu para que Bezos e Doerr brincassem. Enquanto ambos testavam os protótipos, Jobs chegou. A tecnologia que todos estavam ali para dar seus pitacos prometia revolucionar a mobilidade urbana da mesma maneira como o PC ou o celular revolucionaram a computação pessoal.

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Confusa a comunicação da Uber sobre o reajuste motivado pela alta dos combustíveis, anunciado na noite desta sexta (10). A empresa informou que o valor da tarifa seria reajustado em até 35% na modalidade UberX, mas que ele não afetaria o custo para o usuário. Segundo correções em alguns jornais (Folha de S.Paulo, G1), o repasse afeta os motoristas. O que ainda é nebuloso — quer dizer que os motoristas pagarão o pato? Não também. Segundo a correção do G1, “a informação correta é de que este aumento não será repassado ao passageiro, o que aumenta é o repasse de ganhos para os motoristas do aplicativo”. Então a Uber vai absorver o prejuízo? Pela lógica, sim, mas ainda segundo o G1, “a companhia não detalhou até a última atualização dessa reportagem como o aumento do valor repassado para os motoristas será absorvido pela empresa de forma a evitar uma alta no preço da viagem para o passageiro”.

A situação na 99 é mais simples — pelo menos por ora, ou até fazerem uma correção — e os preços serão reajustados, entre 10% a 25%, para o usuário final. Via G1, Folha de S.Paulo.

Ainda estou esperando alguém que me convença de que criptomoedas só servem para ilicitudes e especulação. Enquanto isso, os exemplos que reforçam essa opinião seguem se acumulando.

A história do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, da GAS Consultoria Bitcoin, do Rio de Janeiro (RJ), é inacreditável. Em seis anos, ele movimentou R$ 38 bilhões em um esquema de pirâmide que prometia retornos surreais aos “investidores”. Metade desse valor, R$ 16,7 bilhões, foi movimentada em apenas 12 meses. Via O Globo.

Para colocar isso em perspectiva, se esse montante fosse classificado como receita (são coisas diferentes, eu sei), a GAS Consultoria Bitcoin estaria entre as 50 maiores empresas do Brasil em 2020, segundo o ranking Valor 1000.

Apesar do uso do bitcoin como fachada para enganar os “investidores”, Glaidson era, pessoa física, investidor da criptomoeda: ele chegou a colocar R$ 1,2 bilhão na Binance em troca de 4,6 mil bitcoins. Via O Globo.

Pix Troco: 1) Usuário do Pix vai a uma padaria (por exemplo). 2) Faz uma compra de R$ 20. 3) Faz um Pix de R$ 30 para o estabelecimento. 4) Recebe R$ 10 em espécie. Pix Saque: 1) Usuário do Pix vai a uma loja de departamento (por exemplo). 2) Faz um Pix de R$ 50 para o estabelecimento, sem fazer compras no local. 3) Usuário retira esse valor no estabelecimento comercial, que atuou como um agente de saque.
Imagem: Banco Central/Divulgação.

O Banco Central anunciou que o Pix Troco e o Pix Saque poderão ser oferecidos a partir de 29 de novembro. Para os usuários pessoas físicas e microempreendedores individuais, o serviço poderá ser usado gratuitamente até oito vezes por mês. Os estabelecimentos aderentes à novidade poderão receber uma tarifa da “instituição de relacionamento” que varia de R$ 0,25 e R$ 0,95. O esquema acima explica como funcionam as duas novas modalidades do Pix, ambas baseadas em QR codes ou aplicativo do prestador do serviço. Via Banco Central.

Dois dados importantes da pesquisa de mensageria móvel do Mobile Time/Opinion Box publicada nesta quinta (1):

  • Apenas 7% dos usuários de WhatsApp cadastraram um cartão de débito no WhatsApp Pagamentos. Dos que não embarcaram nessa, a maioria (50%) não tem interesse no serviço e 33% não confia em ceder dados de cartão ao WhatsApp. Aquele bloqueio do recurso pelo Banco Central, pouco antes da liberação do Pix, parece ter sido providencial. E a má fama do Facebook, justificadamente, segue crescendo.
  • O Telegram já está em 53% dos celulares brasileiros. Em um ano, cresceu 18 pontos percentuais. O clima de terra de ninguém do Telegram, somado a essa ascensão meteórica, pode se transformar em um campo de batalha sem regras nas desde já conturbadas eleições do ano que vem.

Via Mobile Time (2).

O Nubank enfim liberou suporte ao Apple Pay em seus cartões de crédito. Sobrou algum bancão ou fintech popular que ainda está fora desse sistema? Via Nubank.

A Coreia do Sul aprovou a primeira lei do mundo que obriga grandes lojas de aplicativos, como as de Apple e Google, a permitirem sistemas de pagamento alternativos. A empresa que descumprir a lei, que ainda depende da sanção do presidente Moon Jae-in, poderá ser punida em até 3% do seu faturamento no país.

No Android (Google) e no iOS (Apple), desenvolvedores de aplicativos só podem receber dos usuários pelos sistemas de pagamentos nativos, das donas do sistemas operacionais. Pela conveniência, Apple e Google/Alphabet cobram 30% do valor pago. Elas alegam que esse arranjo garante mais segurança aos usuários, um argumento cada vez mais difícil de colar mundo afora. Em vários lugares, as duas empresas estão na Justiça se defendendo de tentativas de abrir suas lojas para sistemas de pagamento alternativos, como o movido pela Epic, de Fortnite, contra a Apple nos Estados Unidos. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).