Dois dados importantes da pesquisa de mensageria móvel do Mobile Time/Opinion Box publicada nesta quinta (1):

  • Apenas 7% dos usuários de WhatsApp cadastraram um cartão de débito no WhatsApp Pagamentos. Dos que não embarcaram nessa, a maioria (50%) não tem interesse no serviço e 33% não confia em ceder dados de cartão ao WhatsApp. Aquele bloqueio do recurso pelo Banco Central, pouco antes da liberação do Pix, parece ter sido providencial. E a má fama do Facebook, justificadamente, segue crescendo.
  • O Telegram já está em 53% dos celulares brasileiros. Em um ano, cresceu 18 pontos percentuais. O clima de terra de ninguém do Telegram, somado a essa ascensão meteórica, pode se transformar em um campo de batalha sem regras nas desde já conturbadas eleições do ano que vem.

Via Mobile Time (2).

O Nubank enfim liberou suporte ao Apple Pay em seus cartões de crédito. Sobrou algum bancão ou fintech popular que ainda está fora desse sistema? Via Nubank.

A Coreia do Sul aprovou a primeira lei do mundo que obriga grandes lojas de aplicativos, como as de Apple e Google, a permitirem sistemas de pagamento alternativos. A empresa que descumprir a lei, que ainda depende da sanção do presidente Moon Jae-in, poderá ser punida em até 3% do seu faturamento no país.

No Android (Google) e no iOS (Apple), desenvolvedores de aplicativos só podem receber dos usuários pelos sistemas de pagamentos nativos, das donas do sistemas operacionais. Pela conveniência, Apple e Google/Alphabet cobram 30% do valor pago. Elas alegam que esse arranjo garante mais segurança aos usuários, um argumento cada vez mais difícil de colar mundo afora. Em vários lugares, as duas empresas estão na Justiça se defendendo de tentativas de abrir suas lojas para sistemas de pagamento alternativos, como o movido pela Epic, de Fortnite, contra a Apple nos Estados Unidos. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

O Banco Central (BC) anunciou na última sexta-feira (27) uma série de alterações no Pix visando inibir sequestros relâmpagos e outros crimes motivados pelo sistema de pagamentos. As principais são:

  • Limite de R$ 1 mil para transferências das 20h às 6h, com possibilidade de aumentá-lo (no geral ou para contatos específicos), com prazo mínimo de 24h para efetivação do pedido de alteração.
  • Possibilidade de limites distintos para dia e noite.
  • Possibilidade de retenção de de transações por até 30 minutos (de dia) ou 60 minutos (noite) para análise de risco da operação.

Segundo Roberto Campos Neto, presidente do BC, 90% das transações com Pix é de valores inferiores a R$ 500. “[A] intervenção protege o patrimônio das pessoas, não diminui usabilidade e desincentiva crimes como sequestro relâmpago”, disse Roberto.

As novas regras ainda não têm data para começarem a valer. Via CNN (2).

Greve de streamers

No final de julho, a Twitch, plataforma de streaming audiovisual da Amazon, regionalizou os valores cobrados na América Latina das assinaturas de canais (“subs”, no jargão do meio). No Brasil, o valor do sub, antes de R$ 22,90 e atrelado ao dólar (US$ 4,99), passou a ser de R$ 7,90. Para muitos streamers, foi a gota d’água para manifestarem suas crescentes insatisfações com a plataforma. Alguns deles iniciaram uma campanha propondo um “apagão”, ou uma greve, na próxima segunda-feira (23).

(mais…)

Em Axie Infinity, a diversão é ganhar dinheiro

por Paula Gomes

Quando meu cunhado me ligou, em uma manhã de sábado, perguntando se eu queria “ganhar dinheiro jogando”, achei que fosse um meme recente, alguma piada perdida no feed algorítmico do Twitter. Não era. Ele tinha acabado de ler uma matéria sobre o jogo Axie Inifinity que o deixara empolgado.

(mais…)

A Serasa lançou um recurso chamado Lock & Unlock que promete “minimizar as chances de o consumidor sofrer alguma fraude financeira”. Exclusivo para usuários “Premium” (R$ 19,90/mês, atualmente com 400 mil assinantes), o recurso bloqueia o score de crédito para consultas por empresas, então se alguém tentando se passar por você tentar um empréstimo ou a contratação de um produto de crédito, o bloqueio ao score sinalizará à empresa concedente de que você (você de verdade, não o fraudador) não está em busca de crédito.

A descrição soa como o pedido de resgate para um sequestro de dados. Afinal, a Serasa coletou meus dados sem eu pedir ou autorizar (obrigado, Cadastro Positivo!) e agora quer me cobrar para esconder esses mesmos dados de estelionatários. É isso mesmo ou entendi errado? Na dúvida, perguntei à própria Serasa que, por meio da assessoria, enviou a (não-)resposta abaixo:

O Serasa Score é uma informação que as empresas podem utilizar no processo de decisão para conceder ou não um crédito ao consumidor, juntamente de outras informação como, por exemplo, documentos, comprovantes de renda, histórico de dívidas etc., sempre de acordo com suas políticas internas.

Normalmente, quando um fraudador busca crédito em nome de outra pessoa, utiliza seus documentos indevidamente. Nesses casos, como o bloqueio do Serasa Score pode indicar que o consumidor não está em busca crédito no momento, essa pode ser uma ferramenta muito importante para que o consumidor e a empresa possam prevenir as fraudes.

O Serasa Score foi lançado para acesso gratuito do consumidor em 2017, e desde então mais de 60MM de brasileiros já consultaram e aprenderam sobre como cuidar da sua pontuação para facilitar o acesso ao crédito.

No mínimo, o Lock & Unlock deveria ser gratuito.

Desolador o impacto da alta dos combustíveis no trabalho dos motoristas e entregadores de aplicativos. Via G1.

Do gasto diário de um motorista, a gasolina representa entre 40% e 50%. A taxa paga aos aplicativos gira em torno de 25%. Para boa parte dos condutores, há ainda o pagamento de parcelas do veículo ou locação.

A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) estima que 25% dos motoristas deixaram de dirigir na cidade, em relação ao total do início de 2020.

Nos apps de delivery, a pandemia teve um efeito contrário ao dos motoristas na pandemia, aumentando a demanda e, com isso, o número de entregadores circulando nas ruas, o que fez cair os preços das corridas. O segundo impacto em um ano, o do aumento no preço dos combustíveis, tem feito muitos deles trabalharem mais — e ficarem mais suscetíveis a acidentes:

O aumento de acidentes de moto é flagrante. Os últimos números do Infosiga SP mostram que o número de acidentes com motociclistas na capital paulista saltou de 1.011 em abril de 2020 para 1.584 em junho de 2021 (alta de 56,6%). As mortes subiram 58,8%, de 17 para 27.

A Febraban, em cooperação técnica com o Banco Central, lançou nesta segunda (19) o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB). Na pesquisa para a construção do índice, feita com 5.220 maiores de idade de todas as regiões do país no final de 2020, a nota média dos brasileiros foi de 57 pontos (a escala vai de 0 a 100).

O site do I-SFB tem um formulário que, após preenchido, calcula sua nota e oferece “um diagnóstico individual para identificar vulnerabilidades e personalizar estratégias de educação financeira”. Acesse-o aqui.

Os super apps da América Latina

No processo de educar o consumidor à lógica dos aplicativos de celular, a Apple, nos primórdios do iPhone, lançou um slogan que colou nas nossas cabeças: “existe um app para isso”. Quase 15 anos depois, para algumas empresas um simples app não consegue mais dar conta do que ela deseja oferecer aos usuários. No lugar deles, temos agora os super apps.

(mais…)

Celulares roubados e quadrilhas “limpa-contas”

Até duas semanas atrás, minha única preocupação com um possível roubo ou furto do meu celular era o prejuízo material. (Ainda mais agora, com tudo encarecendo.) Ele está bem configurado e criptografado, ou seja, é pouco provável que alguém consiga acessar os dados que estão ali dentro. Ou assim pensava. Uma série de reportagens da Folha de S.Paulo fez surgir outro receio: o de ter a minha conta bancária varrida por assaltantes.

(mais…)

O Procon-SP notificou Apple, Motorola e Samsung a prestarem esclarecimentos acerca da segurança dos seus celulares. A motivação é uma série de reportagens da Folha de S.Paulo que revelou a ação de criminosos que roubam celulares e, rapidamente, conseguem invadir aplicativos bancários e fazer transferências de valores. Elas têm até o dia 22 para responderem.

O pedido é válido, porque essa situação é inquietante. Alguns celulares são roubados desbloqueados, mas há relatos de aparelhos travados, com criptografia e proteção biométrica (Face ID, no caso do iPhone) ativadas, que os criminosos conseguem acessar. E, em qualquer caso, além da proteção do sistema do celular, existem ainda barreiras nos apps dos bancos, como senhas específicas. Como eles as descobrem? Ou eles burlam as proteções dos apps usando engenharia social nos canais de atendimento?

A Febraban, associação dos bancos, também foi inquirida. Ela costuma repetir à imprensa que os apps bancários “contam com elevado grau de segurança desde o seu desenvolvimento até a sua utilização, não existindo qualquer registro de violação dessa segurança”, jogando a culpa pelos desvios ao descuido dos usuários.

Quaisquer que sejam os motivos, é preciso esclarecê-los. Afinal, se as desculpas dos bancos e das fabricantes de celulares estiverem corretas, temos aqui um curioso caso de criminosos brasileiros, que vivem de assaltar celulares na rua, capazes de fazer o que às vezes nem o FBI consegue. Alguém precisa encontrar essa galera e contratá-la. Via Procon-SP, Folha de S.Paulo.

“Criminosos de SP agora roubam celulares para limpar contas bancárias das vítimas”, diz o título desta notícia na Folha de S.Paulo. O primeiro personagem é alguém que tinha um iPhone 11 protegido pelo Face ID. Mesmo assim, logo após o furto sua conta bancária já tinha um rombo de R$ 5 mil.

A própria reportagem aponta as possíveis brechas que os criminosos exploram para invadir sistemas que, a princípio, são seguros contra esse tipo de ataque. Segundo um especialista consultado, os casos mais comuns de fraudes são realizados por meio de aparelhos celulares com sistemas operacionais desatualizados ou levados ainda abertos, ou seja, desbloqueados, com o Waze aberto, por exemplo.

No nosso grupo do Telegram (participe!), outra hipótese foi aventada: a recuperação de senhas a partir de códigos enviados por SMS. Nesse caso, bastaria colocar o chip em outro celular para escapar das travas do aparelho roubado/furtado.

Alguma outra ideia de como seria possível invadir esses celulares e contas bancárias?

A importância da rede de agências diminuiu muito.

— Roberto Setubal, copresidente do Itaú Unibanco

A frase acima foi falada em um evento do Itaú para investidores nesta quarta (2), quando Setubal comentava a competição com as fintechs.

Apesar do tom, o banco ainda enxerga as agências físicas como um diferencial — “A capacidade de combinar atendimento remoto com atendimento físico, o omnichannel, é uma vantagem comparativa enorme”, disse depois o outro copresidente, Pedro Moreira Salles. E que a maior dificuldade na guerra contra as fintechs são as regras distintas definidas pelo Banco Central. Via Exame, Neofeed.

Na data desta publicação, eu tinha ações do Itaú Unibanco (ITUB3).

O Banco Central (BC) anunciou que estuda a criação de uma moeda digital para o Brasil. Diferentemente do bitcoin e outras do tipo, ela seria emitida pelo próprio BC, teria paridade com o real (ou seja, não se valorizaria livremente) e seu uso seria mediado pelos bancos.

Fabio Araujo, que coordena esse trabalho, disse que se trata de um “novo mecanismo de provisão de liquidez”, mas estou tendo alguma dificuldade para entender o que essa moeda digital traria de novidade prática à mesa. Para muita gente, o real já é, de certa forma, digitalizado, não? Via Valor Investe.