O Cinese quer mudar o processo de aprendizagem através do crowdlearning

Está acontecendo em Maringá (PR) o IV Multicom, a semana do curso de Comunicação e Multimeios da UEM. Entre os convidados para falar à comunidade acadêmica estava Camila Haddad, co-fundadora do Cinese. Após sua palestra sobre economia colaborativa, ontem (8/10), conversei rapidamente com ela sobre seus projetos e ideias a respeito de como pessoas como eu, ela e você podem mudar os cenários econômico, de ensino e participativo das cidades.

Livrando-se das amarras do ensino tradicional

O Cinese é uma plataforma de crowdlearning, uma espécie de fusão entre colaboração e aprendizagem. Criado pela Camila, formada em Administração pela FGV e mestra em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pelo University College London, na Inglaterra, e sua irmã, a advogada “em crise com o mundo dos diplomas” Anna Haddad, o site de apenas dois anos já tem números dos quais se orgulhar: mais de oito mil usuários, mais de 600 encontros realizados, alguns projetos paralelos bem bacanas e muita gente inspirada pelo caminho. (mais…)

Oi lança SIM card triplo corte no Brasil

Nano, Micro ou Mini SIM, você escolhe.
Foto: Oi.

A Oi lançou no Brasil o primeiro SIM card, o popular chip de celular triplo corte. O mesmo chip pode ser um nano SIM, micro SIM ou mini SIM, o que o torna compatível com todos os smartphones vendidos no país.

O mais curioso é que o chip atua também como um adaptador e a Oi garante o uso dele em qualquer aparelho. Eu já tive um problema sério com um adaptador e a recomendação geral é de evitá-los. Mas e nesse caso, em que há o endosso da própria operadora? Se o adaptador entalar na bandeja do SIM card e danificar os circuitos, a Oi cobre o prejuízo?

O chip triplo corte vale para o Oi Galera, o plano “jovem” da operadora. Ele cobra R$ 0,99 e oferece Internet (10 Mb; depois disso, diminuir a velocidade), 530 mensagens de texto (30 para qualquer operadora), 60 minutos de ligações para outros clientes Oi, acesso aos pontos de Wi-Fi e o Toca Aí, um serviço de streaming de música. O chip é gratuito na adesão plano e, em caso de substituto (“chip resgate”), custa R$ 10 e por ora está restrita a São Paulo e Rio de Janeiro.

O problema da biometria nas urnas eletrônicas

Felipe Ventura, no Gizmodo:

Em Maringá (PR), o vice-prefeito disse que a biometria é um “vexame nacional“. E o presidente do TRE-RJ, desembargador Bernardo Garcez, comentou que as urnas biométricas “foram uma solução para um problema inexistente”. Nós precisamos mesmo da biometria nas urnas?

Não presenciei isso, já que voto em Paranavaí e lá ainda é à moda antiga. Em plena capacidade a biometria deve ser mais rápida, mas desse jeito, com tanta demora e, o que é mais grave, falhas grotescas de software e procedimentos, talvez fosse o caso de reconsiderar o uso da tecnologia ou restringi-la a poucas cidades-testes até que ela seja aprimorada.

Google para conexões lentas no Brasil

Versão sem imagens dos resultados do Google.
Imagem: Google.

Bharat Mediratta, engenheiro emérito de software do Google, no blog oficial brasileiro:

Agora, automaticamente, identificaremos se o usuário tem uma conexão sem fio lenta e, quando for o caso, entregaremos a versão leve da página de resultados. Com menos bytes, você recebe a sua resposta de forma mais rápida — e mais barata!

Pela imagem comparativa (acima), o que o Google faz é remover os resultados dinâmicos que exibem fotos, mapas e outros elementos gráficos e, portanto, mais pesados. Repare que até o logo do Google e o botão de pesquisa são convertidos para texto. Isso lembra bastante o Facebook Zero, versão gratuita e sem imagens da rede social para acesso via smartphones.

A novidade é exclusiva do Brasil por ora. O Google não detalha quais critérios leva em conta para determinar uma conexão lenta (só velocidade? Qual? Latência também? Tecnologia da conexão? 3G? EDGE?), mas é um bom paliativo para agilizar pesquisas quando o sinal da operadora está fraco ou, pior, a franquia do pré-pago estourou. O ideal, claro, seria termos conexões capazes de lidar com a página tradicional — que nem é tão pesada assim…

Apps para acompanhar a apuração das Eleições 2014

Domingo (5/10) é dia de votar. Escolheremos deputados estadual e federal, senador, governador e o presidente do Brasil.

A apuração dos votos é rápida, graças ao sistema eletrônico usado pelo TSE. E, como efeito colateral, o acompanhamento em tempo real das parciais é mais fácil e acessível.

Em 2014 o Tribunal oferece, além do site, apps para acompanhar a contagem dos votos em smartphones Android e no iPhone. Eles são gratuitos e podem ser baixados nos links abaixo:

Não existe app oficial para Windows Phone, mesmo sendo a segunda plataforma mais popular do Brasil. Alguns apps extra-oficiais suprem essa lacuna; um deles, o Eleições 2014, desenvolvido da noite para o dia (literalmente) pelo leitor Anderson Pimentel. Ele simplesmente consulta a página de resultados do TSE e devolve as informações na interface do app.

Devido aos diferentes fuso-horários do Brasil, a apuração para presidente começará às 19h. Para os demais cargos, a contagem terá início imediatamente após o fechamento das urnas, às 17h.

Microsoft anuncia Lumia 730, 735 e 830 no Brasil

A Microsoft convidou a imprensa em  São Paulo para anunciar seus novos smartphones da linha Lumia, todos anunciados na IFA, em Berlim, no início de setembro. Os modelos 730 e 830 chegam semana que vem; o Lumia 735, versão 4G single SIM do 730, no final do mês.

Os preços, segundo a Microsoft:

O Lumia 830 e o Lumia 730 Dual SIM, nas cores preta e branca, estarão disponíveis na próxima semana nas lojas físicas e online da Nokia e principais varejistas por R$ 1.199 e R$ 699, respectivamente. Em breve, o Lumia 730 Dual SIM na cor laranja, também será comercializado. Já o Lumia 735 será vendido inicialmente na cor preta e suas vendas começam até o fim do mês, com o preço sugerido de R$ 899. As capinhas para Lumia 730 e Lumia 735 (compatível com carregamento sem fio) nas cores verde, laranja e preta e a capa com flip para Lumia 830 nas mesmas cores também serão vendidas no país.

Depois de escorregar no preço do Lumia 630, a Microsoft acertou no do 730, o “selfie phone”. E vem em laranja, seguindo os passos do topo de linha Lumia 930.

Leilão do 4G na faixa dos 700 MHz fica aquém do que esperava a Anatel

Sem empresas estrangeiras e com três das que já atuam no Brasil fora da disputa (Nextel, Sercomtel e Oi, essa endividada), a arrecadação com o leilão da faixa de 700 MHz do 4G no Brasil ficou abaixo do esperado pela Anatel.

Da Folha:

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) conseguiu vender apenas quatro dos seis lotes oferecidos para expansão da internet 4G no país. Com isso, a arrecadação do governo é de R$ 4,9 bilhões, 36,3% a menos do que o esperado.

Inicialmente, o governo estimava que todos os seis grandes lotes oferecidos seriam arrematados pelo lance mínimo. Assim, a arrecadação alcançaria R$ 7,7 bilhões.

Claro, TIM e Vivo arremataram os três lotes nacionais (1, 2 e 3) com um ágio de apenas 1%. A Algar ficou com um lote regional (5), que abrange 87 municípios do interior de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, pagando apenas R$ 7 mil a mais que o piso estipulado pela Anatel.

As quatro empresas ainda terão que investir na “limpeza” da faixa dos 700 MHz, atualmente em uso por emissoras de TV analógicas. Elas ficaram também com a responsabilidade sobre os dois lotes regionais (4 e 6) que não foram arrematados, mas o valor dessa limpeza será abatido do total a ser pago pelos lotes que cada uma levou.

Ainda há um longo caminho até a exploração, de fato, do 4G em 700 MHz. De acordo com o UOL, “o desligamento [da TV analógica] começa em 2016 e termina em 2018. Portanto, apenas em 2019 deve começar a ter a exploração comercial do 4G na faixa de 700 MHz.”

Moto 360 custará R$ 899 no Brasil

Yuri Gonzaga, na Folha:

O Moto 360, que será lançado neste mês no Brasil por R$ 899, é bonito e chega a ser útil, dentro das possibilidades de um relógio inteligente que serve basicamente só de “atalho” para o celular.

Para colocar esse valor em perspectiva, o outro Android Wear disponível no Brasil, o G Watch da LG, tem preço sugerido de R$ 699. Na praça, o preço mais em conta é o Shoptime, que vende o modelo por R$ 597.

E o Nokia X, afinal, é lançado no Brasil

Hoje cedo estava fazendo a ronda diária pelas promoções da B2W quando me deparei com o Nokia X sendo vendido na Americanas (e com desconto! E na cor verde!):

Nokia X vendido no Brasil.

A Americanas, embora seja do mesmo grupo do Submarino, até onde sei não tem um programa de vitrine para lojas menores — da outra vez que o Nokia X apareceu por aqui, foi nessa modalidade e não tinha o aval da subsidiária da Nokia. Isso me deixou intrigado: o Nokia X foi lançado no Brasil?

Entrei em contato com a assessoria da Microsoft e ela confirmou que, sim, o aparelho está disponível aqui com a bênção oficial. Mas com ressalvas: trata-se de “um volume pequeno” que está sendo comercializado sem qualquer esforço em marketing e com uma distribuição reduzida. Afinal, agora a Microsoft é só Windows Phone, certo?

O preço sugerido do Nokia X é de R$ 499 e a Americanas já vende ele com desconto, por R$ 399. Pelo tom da assessoria e o histórico recente (havia um evento marcado para anunciar o aparelho que foi cancelado em cima da hora), parece ser apenas uma desova de estoque. E assim termina a curta, dramática e intrigante história do Android da Nokia/Microsoft.

Quando o Uber e outros serviços disruptivos batem de frente com a lei

Uma das buzzwords mais recorrentes no Vale do Silício é “disrupção”. Empregada naquele contexto, diz respeito a serviços que mudam paradigmas e afetam mercados e práticas estabelecidas. A Netflix, com seu serviço de streaming barato e de qualidade, é um exemplo: ainda que não exclusivamente, ela teve uma parcela de culpa pela derrocada das locadoras de filmes. O Airbnb, que permite a qualquer um alugar aquele quarto vazio por alguns dias a estranhos, abocanha uma pedaço da clientela da rede hoteleira.

Serviços mais recentes têm apresentado ambições maiores e na ânsia de criar disrupções, batido de frente com governos e legislações. O Secret, que sequer se adequa exatamente à descrição, passa por cima da vedação ao anonimato da Constituição brasileira. Outro serviço que desembarcou recentemente aqui, esse sim tendo como premissa o ingresso em uma indústria consolidada, a do transporte individual de passageiros, é o Uber.

Para quem ainda não foi apresentado, o Uber é uma espécie de táxi de luxo. Ele recruta motoristas que, para serem aceitos, precisam cumprir alguns pré-requisitos como terem determinados carros de luxo e oferecerem provas e garantias pessoais. Essa frota é contratada pelos clientes via apps de smartphones. Por eles, é possível acompanhar o trajeto do veículo, atribuir notas ao motorista e realizar pagamentos, que saem direto de um cartão de crédito previamente cadastrado. O Henrique deu um rolê por São Paulo a bordo de um carro do Uber e contou a (positiva) experiência no ZTOP. (mais…)

Para coibir bullying, Secret anuncia mudanças e relembra: o anonimato não é absoluto

A liminar da justiça do Espírito Santo já teve pelo menos uma consequência: na sexta, o Secret sumiu da App Store brasileira. O app continua intacto nos iPhones onde foi instalado e acessível, mesmo no Brasil, a partir das lojas de outros países.

Em maio, o Secret perdeu a restrição aos EUA e passou a poder ser usado em qualquer lugar. Demorou um pouco para ele engrenar. O Brasil, que junto a Israel foi descrito pelo cofundador e CEO David Byttow como responsável por um “grande pico” de crescimento na ordem de 10~20 vezes, é um desses lugares onde o app pegou. E com toda a atenção ganha e as características dele, era de se esperar que críticas, cobranças e polêmicas surgissem.

Também na sexta, o Secret anunciou três mudanças, duas delas para coibir o bullying. O app, já atualizado no Android e com atualização no iPhone prevista para esta semana, perdeu a capacidade de acessar as fotos salvas no smartphone. Agora, ou se tira uma foto no ato da publicação do post, ou se busca uma imagem no acervo do Flickr. A medida acaba, ou dificulta bastante a publicação de revenge porn e fotos íntimas.

Em outra, ele agora impede a publicação de posts contendo nomes. O Whisper, outro app para compartilhamento de mensagens anônimas, tem uma política do tipo em ação e, de fato, é muito difícil encontrar lá nomes de pessoas comuns — os de famosos são permitidos. Agora o Secret passa a adotar a mesma postura.

Além disso, foram feitas melhorias no algoritmo que detecta sinais de atualizações que miram magoar ou expor alguém. Nesses casos, o sistema insere um passo extra no processo de publicação, pedindo ao usuário para que reconsidere-a. A base para essa mudança, segundo o Secret, é este estudo que constatou que “dar a alguém a oportunidade de repensar antes de publicar algo negativo reduz dramaticamente o mau comportamento.”

A outra novidade é um mecanismo de enquete, em parte para acabar com os posts do tipo “curta se você faz também/gosta daqui/detesta isso”.

Anonimato não é aval para desrespeitar a lei

As alterações amenizam o lado podre do Secret, mas chegam tarde e na forma de resposta aos danos que o app já causou, mais pela pressão pública do que por algum senso de responsabilidade — coisa que Byttow parece não ter muito.

Acima do que o app permite ou invoca nos usuários mais propensos a falar o que dá na telha e espalhar os segredos dos outros, é importante reforçar, uma vez mais, que o app não garante anonimato absoluto.

Além da via legal, ou seja, a entrega de dados pessoais de contas que publiquem conteúdo ofensivo se assim for exigido pela justiça, o próprio app está sujeito a falhas. Até agora, em seis meses de funcionamento, 42 delas foram reportadas por hackers caçadores de recompensas através de um chamado oficial no HackerOne.

Uma das técnicas mais recentes (e já corrigidas) pelo Secret foi desenvolvida pelos pesquisadores Ben Caudill e Bryan Seely, e consistia em gerar contas falsas, adicionar uma verdadeira e, assim, conseguir filtrar os segredos da vítima. Em detalhes, ela foi explicada na Wired por Kevin Poulser. A matéria conta com algumas citações de Byttow, e esta em especial chama a atenção para a franqueza:

O ponto é que tentamos ajudar as pessoas a entender que anônimo não significa indetectável. O Secret não é um lugar para atividades fora da lei, ou para fazer ameaças de bomba ou compartilhar imagens explícitas… Não dizemos que você estará completamente seguro o tempo todo e completamente anônimo.

O Secret não é, nem nunca foi anônimo. Ou melhor, ele assim o é na medida da responsabilidade pelo que se publica ali. Em última instância, o responsável pelas suas palavras continua sendo você. E há meios de descobri-lo, por mais que o app faça parecer que não.

Qual é a da obsessão com os grupos do WhatsApp?

Ultimamente tenho observado o comportamento de amigos e conhecidos no WhatsApp e, desse processo, uma dúvida emergiu: por que essa obsessão com grupos do WhatsApp?

Não é algo restrito aos meus círculos de amizades. Uma pesquisa no Google revela tutoriais e indicações de grupos. Em qualquer grupo no Facebook, não demora muito até alguém propôr a criação de um grupo do WhatsApp, tipo um grupo do grupo. No Twitter, uma pesquisa por “grupos whatsapp” revela as situações mais malucas, como o grupo de DJs que vão às apresentações uns dos outros para se apoiarem (?), e aquelas triviais, como os já tradicionais grupos familiares.

https://twitter.com/FatosDoTwiteiro/status/501505227099734017

https://twitter.com/surtossurreais/status/500828071369670657

https://twitter.com/grossa/status/500452823130447872

A prova irrefutável da penetração dos grupos do WhatsApp na nossa cultura vem do Google Trends, que mede a popularidade de termos consultados no maior buscador do mundo. É notável a supremacia dos grupos do WhatsApp:

Grupos WhatsApp, Grupos Facebook e Comunidades Orkut no Google Trends.

Os grupos do WhatsApp atropelaram os do Facebook quando esses começavam a se estabelecer. Eles estão em um patamar que nem mesmo as comunidades do Orkut, que tinham a favor a falta de concorrência e contra a quantidade menor de usuários, conseguiram alcançar. Tenho a suspeita de que rapidez e o acesso mais difundido a smartphones, dos quais o WhatsApp virou item básico no Brasil, explicam a preferência por ele e a sua recente subida meteórica no gráfico acima.

Da minha experiência, há casos onde a reunião rápida entre algumas contatos faz sentido: em trabalhos acadêmicos, eventos ou para combinar saídas, às vezes é mais fácil fazer tudo por ali. Isso rola bastante, mas parece que só conta uma parte da história. A outra é que o WhatsApp virou uma espécie de fim em si mesmo, um ponto de encontro onde as pessoas estão sempre disponíveis e dispostas a compartilhar.

Isso leva o WhatsApp a extrapolar a sua função nuclear, o bate-papo em tempo real, e se transformar em uma espécie de rede social. As fotos da festa, que já foram maciçamente compartilhadas por e-mail, depois Orkut e Facebook, hoje são trocadas pelo WhatsApp. Vídeos, então… grupos de zoeira são um mini-YouTube, e ainda temos os de pornografia. Casos recentes e de grande repercussão de revenge porn tinham em comum o WhatsApp como canal de disseminação.

https://twitter.com/larissagaldi/status/472470251947716608

Na Ásia, concorrentes como o WeChat abraçaram essa “missão” maior. Eles não oferecem apenas bate-papo; lá, os chineses compram coisas, agendam compromissos, compartilham fotos em perfis e realizam uma série de outras ações através de apps que, originalmente, serviam apenas para conversar. Nesse sentido o WhatsApp é extremamente conservador e, ainda assim, as pessoas não desgrudam dele. Há, portanto, um potencial enorme para o Facebook desenvolvê-lo e aprimorá-lo, ainda que isso o coloque em disputa direta com o seu produto principal. Canibalizar o Facebook ou manter o WhatsApp simples, sob o risco de perder terreno para concorrentes mais completos e se dar por vencido em mercados emergentes, como os asiáticos?

Questões empresariais à parte, o que mais me fascina continua sendo a motivação para criar e continuar em grupos do WhatsApp. Quando surge o assunto grupos do WhatsApp não é difícil alguém citar a função silenciar grupos, ou soltar alguma reclamação sobre um deles ou todos. Mas é raro alguém bancar a crítica e sair dos grupos. O medo de perder alguma coisa fala mais alto, só não mais do que a nossa incapacidade de ficarmos sozinhos.

Talvez, apenas talvez, a vontade de estar neles seja apenas uma forma mais fácil, sem fricção de suprir a cota de pertencimento e contato de que todos precisamos.

https://twitter.com/_aSol/status/503445273847533568

Galaxy Tab S no Brasil: algumas impressões — de longe

Imagem de divulgação do Galaxy Tab S.
Foto: Samsung.

Quase passou batido  por aqui: na última quarta a Samsung anunciou o Galaxy Tab S no Brasil. Ele tem versões de 8,4 e 10,5 polegadas, ambas com tela Super AMOLED, raridade em tablets.

(Não é a primeira vez que a Samsung usa a tecnologia nesse tipo de produto. O Galaxy Tab 7.7, do longínquo ano de 2011, tinha uma tela Super AMOLED. Com resolução significativamente baixa para os padrões atuais e em um tamanho menor que o da nova linha, sim, mas fica o registro.)

Quem esteve no evento e viu os novos tablets ao vivo disse ter gostado. E não deve haver muitos motivos para o contrário mesmo: apesar das críticas de alguns anos atrás, a tecnologia Super AMOLED evoluiu muito e hoje as melhores telas feitas com ela não exibem mais aquela tendência ao verde/azul de outrora. Os novos Tab S ainda são finos (6,6 mm) e levíssimos (298 g, no modelo de 8,5 polegadas).

É bem curioso a Samsung não trazer, pelo menos nesse primeiro momento, as versões com apenas Wi-Fi do Galaxy Tab S. Apenas as com 4G chegarão ao Brasil e com a capacidade de fazer ligações (!), o que pode ficar bem bizarro se o usuário não levar um headset Bluetooth junto. Talvez seja reflexo de uma nova tendência asiática: um relatório recente da IDC constatou que 25% dos tablets vendidos no continente (menos o Japão) conseguem fazer ligações.

Além de adaptar o 4G ao padrão nacional, a localização do software e ofertas parece estar bem boa também. O comprador leva e-books, revistas, assinatura de filmes por streaming e mais um punhado de outros gratuitamente comprando o Galaxy Tab S. É uma estragégia de diferenciação que me agrada bastante, e mais interessante do que desfigurar o Android com a Touchwiz.

O Galaxy Tab S começa a ser vendido no dia 30  de agosto, por R$ 1.799 e 2.049 nas versões de 8,4 e 10,5 polegadas, respectivamente, ambas com 16 GB de espaço interno.

O iPhone 5c de menos de US$ 1 d’O Globo

*Suspira*

Vez ou outra alguém levanta o argumento do iPhone barato nos EUA para criticar os preços (caros, de fato) brasileiros. Ontem foi a vez d’O Globo soltar a matéria acima.

Ela não está errada. O Walmart realmente baixou o preço do iPhone 5c, de US$ 29 para US$ 0,97. É quase uma tradição por lá essa queima em agosto, já que tradicionalmente a Apple lança um novo iPhone no mês seguinte.

Se você está ligado, notou que o preço anterior era de US$ 29, o que ainda assim é muito barato. Smartphone em geral, nos EUA, passa essa impressão — lançamentos custam US$ 199, no máximo US$ 299. A pegadinha para quem leu e se impressionou e compartilhou o post d’O Globo ou outros que citam o mítico “iPhone barato” norte-americano são as letras (não tão) miúdas: esses preços são atrelados a um plano de operadora de dois anos. Você leva um iPhone quase de graça, mas se compromete a pagar 24 mensalidades a uma AT&T da vida. E isso não sai barato.

O iPhone 5c desbloqueado, como o que é vendido por aqui, custa US$ 549 na loja oficial da Apple dos EUA. Convertendo para a nossa moeda e somando o imposto de… digamos… Nova York (8,875%), o preço final fica em R$ 1.357. Repito: é mais barato do que aqui, mas está longe de ser de graça.

A título comparativo, o mesmo modelo de iPhone custa R$ 1.999 na loja oficial da Apple brasileira e, no momento, está em promoção na Saraiva, saindo por R$ 1.444 — salvo engano, o valor mais baixo que ele já atingiu aqui.

US$ 0,97? Experimente US$ 549.

A respeito da promoção do Walmart, O Globo faz apenas uma tímida menção ao GRANDE asterisco da questão do contrato:

A oferta começou nesta quinta-feira em todas as lojas da rede nos EUA e vale para todas as opções de cores, mas precisam de contrato de dois anos com alguma operadora local.

Na Quartz, uma publicação norte-americana, o título do post diz: “Não compre o iPhone de US$ 0,97” e traz, no final, uma explicação que lá todo mundo meio que sabe e que eu esperaria de qualquer site brasileiro ao se referir ao “iPhone de um dólar”:

De qualquer forma, é importante lembrar que US$ 0,97 — ou mesmo US$ 29 — não é o custo real do iPhone. Ambos os preços exigem a assinatura de um contrato com operadora móvel de dois anos, que normalmente varia de US$ 60 a US$ 100 por mês — facilmente mais de US$ 1.000 ao longo do contrato, quase sempre acima dos US$ 2.000. Nesse contexto, economizar US$ 28,03 não é um negócio tão bom assim.

Justiça do Espírito Santo determina a suspensão do Secret no Brasil

Era questão de tempo até uma ação contra o Secret ser aceita e virar processo. Na noite desta terça-feira, o juiz Paulo Cesar de Carvalho da 5ª Vara Cível de Vitória, Espírito Santo, acatou a ação pública aberta pelo promotor Marcelo Zenkner e, liminarmente, determinou a remoção do app da App Store e do Google Play, e do cliente para Windows Phone Cryptic da Loja de Apps da Microsoft.

A primeira surpresa dessa história foi descobrir que o Windows Phone tem um cliente do Secret. Como a vida não é fácil, parece que o Cryptic não é lá um app dos melhores — pouco mais de 300 avaliações lhe conferem a classificação de duas estrelas em cinco possíveis.

A matéria do Link sobre a liminar está bem completa. Explica o caso todo e traz algumas citações interessantes, das quais destaco duas.

Primeiro, a de Luiz Fernando Moncau, professor e pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ. Ele fala sobre o inciso da Constituição Federal que embasa a ação civil pública (Artigo 5º, IV), aquele que garante a liberdade de expressão, mas veda o anonimato.

Embora seja indiscutível e o caso do Secret aparenta ter elementos suficientes para contraria a Constituição, ele pode servir de precedente para situações menos claras. Tome como exemplo a navegação anônima pelo Tor. Imagine se o suposto funcionário do Planalto que edita artigos da Wikipédia em favor do governo descobre essa ferramenta e passa a usá-la para seus intentos perverso? Vão proibir o Tor?

Outro comentário é do promotor Marcelo Zenkner. Questionado pela reportagem do Link sobre eventuais lacunas na proibição do Secret para turistas em trânsito pelo Brasil, ele desabafou: “Estamos vivendo um tempo confuso, um tempo de alta tecnologia. Temos que nos adaptar também.” É admirável a humildade. Não faltam exemplos de gente do judiciário que acha que com uma canetada é possível virar o mundo do avesso e fazer chover.

Aliás, esse ponto também é interessante. A liminar (leia-a na íntegra aqui, é uma pequena aula de Direito Constitucional) exige que Google, Apple e Microsoft não apenas removam o app das suas respectivas lojas de apps, mas que apaguem os já instalados de todos os smartphones do Brasil, remotamente.

Isso é possível? Sim, e existem precedentes. Quando o Google detecta apps contaminados com malware no Google Play, ele consegue eliminá-los remotamente de todos os smartphones e tablets registrados e conectados aos seus servidores. A tecnologia existe pelo menos desde 2010. A Amazon também se meteu numa encrenca enorme em 2009 quando apagou uma edição de 1984, de George Orwell (oh ironia), dos Kindles de milhares de clientes. Embora não me recorde de casos análogos envolvendo Microsoft e Apple, é de se esperar que ambas tenham capacidade técnica para fazer o mesmo. Vontade? Aí é outra história.

As três empresas no polo passivo, Apple, Google e Microsoft, têm dez dias para tomar as providências, ou seja, remover os apps das lojas e apagá-los remotamente dos dispositivos dos usuários, sob pena de multa diária de R$ 20 mil cada. Importante notar: a empresa Secret não está envolvida nessa ação. Foi uma decisão esperta da promotoria. Como não tem representação no Brasil, inclui-la na ação civil pública complicaria bastante os trâmites legais por toda a burocracia que processar empresas estrangeiras envolve.